08/05/20

15. Voou

Sexta chegou,
Sob uma linda lua
Que brilhava prateada no poente.
Hoje não prestei atenção em nada de som,
Só ouvi bem-ti-vi.
O céu limpo.
Essa semana voou.

07/05/20

14. Plenilúnea

Lua,
Lua nua,
Espelho no céu atropurpúreo,
Lua orbicular,
Amarela e prateada,
Reina plena celeste,
Numa noite plenilúnea,
Bombom, poema,
Espaço,
Nuvens frouxas...
A vida plena.

13. Movimento

O sol brilha plenamente nesta quinta-feira.
A lua brilhava de madrugada
Enquanto se punha no poente.
O céu estava limpo e estrelado.
Canários cantavam nas três ruas.
Poucas pessoas caminhando,
Silêncio,
Silêncio!
Pensamentos tentando organiza-se.
O sol brilha,
A madrugada passou,
A caminhada acabou,
E agora enquanto a manhã cai,
Estou aqui flertando
Com o futuro.

06/05/20

12. Aprender

Aprender,
Aprender,
Aprender,
Uma nova língua,
Um novo sistema,
Uma forma de escrever,
Uma forma fazer
Fazer qualquer coisa,
Fazer uma boa comida,
Fazer uma boa limpeza,
Aprender.

11. Sentidos

Luz,
Luz dourada,
Luz da manhã,
Luz no céu azul,
Som,
Som incolor,
Som suave,
Som doce,
Barulho,
Cheiro,
Cheiro de flores.

05/05/20

10. Concluindo

Após uma longa jornada concluí um guia.
A casa está levantada agora vem a parte mais delicadas que é rebocar, encimentar...
O acabamento não é fácil.
Mas está organizando.
Está organizando.
Um intenso trabalho.
Mas foi prazeroso vê-lo concluído ou quase. 
Apesar de tudo.
Hoje é um dia denso.
Foram 600 pessoas vítimas da peste.

9. Poeminha

Chuva, chuva...
Manhã chuvosa,
Manhã nublada,
A sombra das árvores,
O canto das aves,
Um chá,
Um poema,
Crônicas políticas,
Silêncio!

04/05/20

8. Fim do dia

Nesses tempos difíceis 
Nem percebemos as sutilezas do mundo.
Por acaso no banho vi a lua.
E percebi que estava quase cheia.
Acendendo e apagando.
As nuvens insistiam em acender e apagar.
Nublada, assim a noite caiu.
Tem flores florindo na sacada.
Flores rosas e vermelhas.
Um vento frio e fresco soprou o dia inteiro.
Agora a noite caiu.
Descansarei de um longo dia de trabalho.

7. Coruja-do-mato.

Medo de coruja?
Não!
Não tenho, ou talvez, apenas durante à noite.
À noite as sombras ocultam a lucidez.
E quando não estamos lúcidos, costumamos dar ouvidos as vozes da imaginação.
A imaginação costuma nos enganar, justamente por não ter nitidez dos fatos.
Bem de qualquer forma, talvez seja porque quando alguma corujinha cantava do lado de casa à noite.
Ou devido a reação de papai de medo?
Enfim ele corria e virava a chinela.
E afirmava que era para a coruja ir embora.
E ficou isso na minha memória.

03/05/20

6. Pandemia covid19

E o silêncio necessário continua tomando conta das ruas.
Nas estatísticas já somam mais de 6500 mortes de corona vírus.
Venho acompanhando diariamente com muita tristeza.
No início eram  menos de 100 mortes, depois pulou para mais de 200,
Depois mais de 300 e agora para mais de 400 por dia.
É extremamente triste.
E ainda temos notícias de pessoas quebrando a quarentena.
E ainda temos um presidente louco que quer quebrar o isolamento
E temos pessoas que o apoiam.
Não se sensibilizam com quem está morrendo,
E sim com suas economias.
É desolador.
É desolador.

02/05/20

5. Materialização

Entre poemas e contos e música,
Vou ouvindo e trabalhando,
Organizando, criando,
Escrevendo.
Materializando meus pensamentos,
Fazer é materializar informações.
Vou pensando no fazer,
Vou pensando no pensar.
As conversa na entrevista de Borges.
Borges...
E a manhã perfeita se materializou.

4. Memórias

O sol suave,
Os cajueiros de ramos cinzentos e folhas coriáceas.
Os escombros da velha casa e aquela velha pinheiras na lateral.
Isso existiu?
Sim são memórias.
Antigas memórias.
De um passado remoto dos anos de 1980.
Hoje existem apenas os lugares que negam toda esta descrição.
Tudo, absolutamente tudo mudou
E mostra uma realidade que nega o passado.
Existe em minha memórias.
Sol suave e a mudança da paisagem,
Despertam memórias muito esquisitas e longinguas.
E penso o que me constitui.
Não chego a conclusão alguma.
Exceto que tudo é passageiro.

01/05/20

3. Dia

Dia longo dia.
Dia claro de chuva e sol.
Calor e frio.
O céu azul
E cinza azulado,
Nuvens frouxas.
Um poema,
Um conto,
Pessoa, Bandeira, Drummond,
Borges e seus contos
E Clarice.
Dias,
Ah.
Os dias são todos diferentes.
A gente vai aprendendo.

2. Casaca-de-couro

Estranho, ouvi o canto de uma casaca-de-couro.
Coisas de minha mente.
A mente muito nos engana.
Casaca-de-couro para quem não sabe é uma ave do sertão.
Tem sua cor rufa como uma roupa de couro curtido.
Tem o tamanho de um sabiá,
A cabeça tem uma crista
E os olhos são amarelos.
Constroem ninhos espetaculares com garranchos de arbustos e aves.
São muito ativas,
No passado sempre tinha algum casal fazendo ninho no nosso sítio.
Devem ser as lembranças.

1. Passe

Abril partiu,
Que mês pesado,
Que se vá para o passado,
Vá e leve essa dor,
Vá e leve as almas desencarnadas.
Quantas coisas angustiantes vividas,
Quantas memórias produzidas,
Esperamos que tudo vai passar.
Passe.

30/04/20

78. Tarde caindo

A tarde caindo chuvosa é tão maravilhosa.
O som suave da chuva.
Uma música de piano, Chopin.
As coisas dando certo,
Sem pensar no incerto.
Logo mais virá coisas boas.
Porque entendemos do que é bom e ruim.
Sei que cada um tem a sua história.
E Nossas histórias contamos como acreditamos ser.
A chuva chovendo faz bem.
Cai bem na tarde caindo.

77. Madrugada

A madrugada caiu escura e estrelada.
O silêncio reinava
E nem mesmo as aves cantavam.
Só haviam estrelas brilhando
Num céu atropurpúreo.
Nada mais.

29/04/20

76. Sono

O silêncio escuro da noite.
Uma oração murmurada.
A chuva e o céu estrelado.
Um conto ou uma poesia lida.
Ou nada.
Só o silêncio escuro da noite.
Ou pensamentos,
Talvez memórias
Ou talvez imagens.
Impressões.
Só o sono apaga tudo.

75. Os seres e as coisas

Quantas coisas há no mundo.
No nosso mundo.
Coisas.
Coisas como flores,
Coisas como plantas,
Coisas como aves,
Coisas não seres.
Seres vivos.
O mundo é tão grande
E tão vasto...
As coisas.
Ah. O mundo.
Impressão,
Impressões.
É impressionante quando nos impressionamos com as coisas do mundo.
Eu me impressiono com essas coisas grandes
Que são as flores, as plantas e as árvores.
Assim vou ampliando meu mundo
Com seres.

74. Coisas de minha terra

Abril é um mês de chuva lá em casa no sítio Serrinha do Canto.
Que maravilhosos foram os anos que passei lá com minha família.
Quando chegava abril, nos anos bons,  chegava também a fartura nas nossas casas.
Tínhamos milho e feijão verde, melancia, melão, jerimum, goiaba, araçá e pinha.
Ah! pinha aquele fruto dos deuses de epicarpo verrucoso e endocarpo alvo, macio e doce.
A gente se esbaldava com as bacias de pinha maduras.
Saíamos para os terreiros e nos deliciávamos deixando apenas as casas e as sementes de testa preta.
A festa se estendia nos sítios cantavam dançando os sanhaçus azuis.
Cantava contente a comer pinha os papa-cebos e sabiás.
Depois, mais tarde sair e colher milho no roçado e depois assar na brasa aquelas lindas espigas.
Agradecia o loro a comer o milho verde amarelo.
Essas situações singulares de minha terra.

28/04/20

73. Encantamento

Ah.
As aves como estás me encantam.
Tenho aprendido muito sobre suas formas.
Formas que me ajudam a conhecer sua diversidade.
Formas dos bicos, das cabeças, dos abdômens, das asas, das caldas, das pernas e dos pés e os padrões de cores e os padrões de cantos.
Seus hábitos alimentares.
Encantamento...
Encantamento...

72. Paciência

Não tem sido fácil esta quarentena.
Estamos presos por um inimigo real invisível.
Não podemos trabalhar, sair de casa ou sair para passear.
O pior é não poder ir no interior visitar mamãe e os irmãos.
Não poder fotografar as belezas locais,
As ervas, os arbustos e árvores com suas flores.
As aves com seus cantos...
Paciência com tudo isso.
Vai passar.
É apenas mais uma experiência em nossas vidas.
Vai passar.

27/04/20

71. Tarde no Campus

Fui a faculdade hoje na quarentena,
O Campus estava o maior deserto. Sentir  que estava adoradável. Como havia chovido a mata estava úmida e liberando um gostoso odor de fungo. A paisagem era toda verde.
Próximo a biblioteca florescia uma Pereskia bleo. Nunca tinha aquela planta com flores tão belas vermelhas. Aquelas flores estavam sendo visitadas por abelhas.
A tarde caiu suave, nublada e bela.

70. Agradecer

A chuva chovendo é tão agradável,
Aquele som gostoso,
O clima mais ameno.
Todavia a chuva chovendo enquanto estamos na rua,
Nem sempre é uma maravilha.
Chuva vai, chuva vem,
E o tempo vai se estirando
Enquanto aguardamos o vírus se acabar.
Enquanto essa epidemia passar,
Ficamos em casa observando
Pequenas grandes coisas como
A chuva,
O entardecer,
As aves...

26/04/20

69. Simplicidade

Ouvir uma boa música,
Jaz ou blue ou uma obra clássica.
Uma caneca de chá
Um bom livro
Uma boa conversa inteligente.
Particularmente gosto de ouvir 
As entrevistas de Borges,
São tão inteligentes e 
Existia uma áurea de humildade
Na fala do grande escritor.
Passar o tempo com coisas simples
E acessíveis.
São tantas as coisas boas.

68. Vai passar

Faz mais de um mês que estamos reclusos em casa.
Algumas coisas são boas e outras ruins.
A gente precisa de paciência cotidianamente.
Ao menos fazer caminhada é uma atividade que é permitida.
Ler, ouvir música, áudio livro... essas coisas.
O que faz falta é não poder ir na casa dos pais.
As coisas parecem iguais, monótonas,
Mas só por um tempo.
Isso tudo vai passar.

25/04/20

67. Satisfação

A noite chegou lenta e suavemente.
Então aos poucos começou a chover.
Deitado no sofá só ouvia o som maravilhoso da chuva.
Que maravilhoso que é ouvir a chuva chovendo.
Sem nada para se preocupar,
Só ver tv, ler um livro ou falar com alguém no celular.
Coisas simples que nos faz bem.
A noite escura,
O som da chuva,
Uma xícara de chá.
Coisas simples que nos faz bem.

66. Um novo amanhecer

Hoje a manhã nasceu ensolarada.
Muito diferente do resto da semana
Que choveu cotidianamente.
Tudo é silêncio como todas as manhãs de sábado.
Tudo é luz intensa e céu azul.
Após um dia maravilhoso,
Vem um novo dia.
Quando o presidente cai?
Estamos torcendo.
Sempre vem o amanhã.
Sempre.

24/04/20

65. Coisas triviais

Entre tantas informações recebidas num dia,
Quantas delas conseguimos absorver?
Rádio, internet, tv...
Pouco importa.
Captamos o que damos atenção.
As informações mais simples que passam despercebida cotidianas são  muito  importantes.
Coisas como pio das aves, o barulho da cozinha cozinhando, o cheiro da comida, a textura da roupa, dos lençóis, o perfume do shampoo e do sabonete.
Essas coisas triviais são tão boas
Que nos faz apegar a vida.

64. Memória auditiva

A audição é um sentido excelente para resgatar memórias.
Acabei de ouvir o canto de um encanto de ouro (Icterus pyrrhopterus)
E a memória que tive foi do lugar onde vovó Sinhá morou.
Esse lugar se chama Vertentes e fica em Serrinha dos Pintos.
No passado foi muito habitado por diversas famílias.
Hoje encontra-se abandonado e parece que nunca ninguém morou lá.
Estranho não.

63. Abril

Amanheceu e choveu.
As ruas estavam molhadas, mas não escorria água,
porque a chuva foi rápida.
As aves cantaram muito.
Ouvi um bem-ti-vi.
A manhã está tranquila, nublada e úmida.
Pensei em várias coisas enquanto caminhava,
Fiz fotos de uma lagarta, na verdade queria tirar foto de um pássaro, mas não consegui
pois tinha pouca luz.
Voltei para casa correndo porque começou a chover.
E chove, chove...
Que abril chuvoso.

23/04/20

62. Rosas do deserto

Após uma florada exaustas como uma mãe que amamenta as rosas do deserto se encontram. Até pulgões deu. Perderam as folhas, os ramos aparentemente estão maiores. Agora descansam.
Estiveram tão lindas tão floridas.
Agora é se recuperar.

61. Fim de dia

Após um excelente dia produtivo
Cai a noite suave limpa e estrelada.
A gente deita e relaxa e pensa na vida,
No que acontece no que a gente pensa,
No que a gente gosta.
Definição daquilo que gostamos é extremamente difícil, mas vamos nos delineando com tempo.
Após um excelente dia a gente tenta expressar algo.

60. Manhã de quinta

A madrugada se desfez som uma chuva fina.
Depois parou de chover e o sol saiu entre nuvens.
As ruas molhadas e vazias entre árvores com folhas brilhantes
que ocultavam os pássaros.
Os pássaros cantaram muito
corruíras, bem-ti-vi, benti-vi-zinho, sanhaçus e cambaçicas.
Agora a manhã deslancha sob uma intensa luz do sol.
E o dia se faz mais uma vez.

22/04/20

59. Manhãs em Barão

Lembranças
Quando mudamos de lugar temos que aprender e conhecer os novos caminhos e novas rotas para chegar em casa ou no trabalho. Nós vamos conhecendo aos poucos as melhores rotas.
No caminho de casa para a Unicamp havia uma escola que era bem simples. Ficava em frente a praça dos Cocos em Barão Geraldo.
E todas as manhãs passava ali do lado da escola. Gostava do barulho das crianças, da sombra das árvores, do frescor da manhã. As vezes o solo estava amarelo de pétalas de guapuruvu ou de sibipiruna ou de tipuana. Tinham flores violeta de tibochina e de bauhinia variegata ou de neomarica caerulea, flores nas inflorescências imbricadas de costus. Tinha flores vermelhas de malvavisco e espatódea.
Ia e vinha todo dia.
Depois comprei uma bike e ia e vinha mais rápido.
Sempre prestando atenção nas coisas simples como folhas e petalas no chão, os troncos de árvores o canto de aves, o cheiro da grama e a escola, a água do riacho...
Tudo foi tão pleno. 
Que ter vivido tudo isso.

58. Aves

As aves sorriram para mim hoje.
Como são fascinantes por suas formas, cores e cantos.
Seus corpos, cabeças, bicos, suas asas, caldas, pernas, e patas.
Suas cores iridescentes.
Seus cantos matinais, vespertinos ou noturnos.
Seus comportamentos, suas dietas, hábitos e habitats.
Por isso sempre busco ou tento fotografá-los.
Hoje da minha janela fotografei uma andorinha do rio, com máscara e capa azul-marinho. 

57. Canto

As aves ficam contente após a chuva.
Já de madrugada o canto de aves despertas cantavam na rua.
Eram corruíras, bem-te-vis, sabiás e canários.
Quando o dia amanheceu antecedido duma chuva
Ai, apareceram as rolinhas.
Agora tudo é paz e silêncio.
Pela janela fotografei uma andorinha.
Ouço agora siriris, saíras, sanhaçus, corruíras, uma rolinha-cado-de-feijão, pardais.
E assim, segue o dia.

21/04/20

56. Safra

Estou agora lembrando de casa. Que memórias excelente. Na época nem achava.
Estou lembrando de quando ajudava papai em algumas atividades como limpar cajueiros. É um trabalho simples que se faz após o inverno. Retira o mato que cresceu sob e no entorno dos cajueiros. Papai fazia a maior parte. Quando era perto de casa tínhamos a companhia das galinhas. E sempre tinhamos a companhia de dog o nosso cão de pelo alvo.
A gente conversava, mas na maior parte do tempo eu matutava.
Aquele trabalho mecânico era puxado e demorava uns poucos dias. Mas compensava porque ficava mais fácil para apanhar a safra de caju. Com os cajus vinham as aves os currupios e encatos de ouro.
Era muito bom.

55. Coisas do bem

Dias de chuva são sempre muito agradáveis.
Trabalhar em casa.
Fazer o que gosta.
Ir ao mercado.
Almoço caseiro.
Uma boa leitura,
Um poema ou um conto.
Coisas que nos faz bem.

54. Novo modo

Amanheceu, após uma madrugada escura sem crepúsculo ou som de aves.
Agora lá fora a chuva está chovendo e pela janela entra uma brisa úmida e fresca.
Tudo é silêncio e apenas ouvimos o som da chuva se derramando na rua e nas casas.
Fios de água se fazem no vidro de parte da janela fechada.
O silêncio!
O som da chuva é agradável e acalentador.
As ruas agora estão molhadas.
Estamos guardados em casa,
Esperando pelo futuro que tudo volte a ter esperança.
Enquanto a chuva nos faz pensar.
Quão agradável é a sua presença enquanto estamos em casa.
Estamos nos acostumando a um novo modo de viver. 

20/04/20

53. Posição

Memórias
Lugares onde estive!
Nossa foram tantos.
Todavia há aqueles que mais desfrutei
Com a calçada da casa de mamãe.
O corredor da casa de mamãe.
A minha cama em Campinas.
O jardim sem nome com durantas,
Azaleias, samambaias e uma palmeira.
Lugares que travei uma batalha com as palavras.
Li romances, contos, poesia e filosofia.
Faltou-me sistematização.
Sou assistemático embora não pareça.
Treino ajuda.
O escuro que caia aos balanços da calçada,
Enquanto pensava, matutava assistematicamente nas coisas que fazia e vivia.
As coisas aconteceram a parte de tudo.
Tudo barro vermelho.
A existência é uma experiência fabulosa.
Bom recordar tudo isto.

52. Ser

Os dias se passam longa e demoradamente,
Dias quentes e feios.
Dias de trabalho e reflexão.
Quase um mês enclausurado,
Acordar, caminhar, comer,
Ler e ouvir, refletir.
Ser.
Assim é e será.

51. Amolar

No interior a simplicidade reina.
Numa casa um objeto essencial é uma pedra de amolar.
Esta pedra geralmente comprada em feiras,
É amorfa, de origem sedimentar.
Em geral é plantada no terreiro da cozinha
Na sombra de uma árvore.
Lá em casa ficava sob uma pinheira
E quando a pinheira morreu passo à sombra de uma cirigueleira.
Aquela rocha servia para amolar facas, canivetes, machados, roçadeiras e foices e principalmente pensamentos.
Amolar pensamentos isso mesmo.
A tomada de decisões geralmente se passava enquanto se amolava objetos.
Ao som do deslizar da lâmina os pensamentos vão sendo amolados, afiados feito navalhas.
Problemas são solucionados ali.
E os objetos servirão para cortar e os pensamentos para decidir.
Decisões é tudo que precisamos direcionar em nossas vidas.
Decisões ignorantes e rudes tiraram a vida de muita gente.
Lâminas que furaram, cortaram e fizeram verter sangue e vida em decisões errôneas amoladas em uma pedra.
Nossos horizontes são curtos quanto tomamos decisões cegas sem combinar ter uma segunda opinião.
A parte isso, geralmente se amola a faca na hora que vai se pelar uma galinha.
A pedra continua lá plantada no chão pronta para amolar o que seja pensamentos e lâminas.
Está lá como memória, como objeto de uso, objeto de necessidade que quando colocada em um contexto nos permite amolar a alma.

19/04/20

50. Cachorrada

Cedo, a rua estava vazia. Ninguém ou nada passava. Exceto por um bando de cães e uma cadela. 
A gente atoa presta atenção em tudo.
Eles iam e vinham. Um cachorro novo vermelho feliz ia pulando e saltitando feliz tentando agradar a cadelinha preta, mas esta nem uma bola dava.
Tinha um outro velho e um baixo meia perna alvo, este a cadela até deu trela, mas houve incompatibilidade de tamanho.
A cadela cruzou a rua e foi acompanhada. Só alvo meia perna não acreditou na chance.
Ficou ali na esquina a olhar.
Depois a sena se desfaz e não sei o que aconteceu com a cachorrada na manhã deste domingo.

49. Ameno

O dia foi tão agradável 
Com sua amenosidade,
A brisa solta soprando,
As nuvens ocultando o sol,
Os pássaros piando e cantando.
Assim, o dia logo passou,
Dias bons passam logo.

48. Despertar

Que maravilha despertar numa manhã úmida e fresca.
Céu nublado sem muita luz, aquele escurinho no quarto.
Abro a janela e entra a brisa fresca da manha.
Nada de barulho de carros, reina o silêncio.
Ouvi-se apenas chamado e canto de aves.
Tudo é paz.
Então abrimos um livro e damos uma agradável lida.
Abri um ebook de Boaventura de Souza
"A cruel pedagogia de um vírus".
Excelente leitura.
Talvez não para quem está levantando,
Mas fica a dica.
Que o dia continue como iniciou,
Agradabilíssimo.

18/04/20

47. Ouvir

Ouvi muitas coisas hoje.
Música indiana,
Música erudita,
Canto de aves,
Dois contos de Borges,
Dois contos de Machado,
Um de Clarice Lispector.
Tudo enquanto trabalhava.
O dia foi longo, porém muito agradável.

Dias agradáveis nós faz bem,
Chega a dar prazer em viver.
Ouvir as aves que maravilhoso
Poder ouvir é divino.
Uma singularidade da vida.

46. Preâmbulo

Sábado,
Acordei cedo.
Despertei, peguei o celular e visitei minhas redes sociais.
Então, sai das redes e fui dar uma olhada no livro nove ensaios dantescos e a memória de shakespeare de Borges.
Simplesmente a gente fica boquiaberto com a sagacidade com que Borges escreve.
O preâmbulo é maravilhoso.
Borges nos faz entrar num universo fabuloso onde o tempo e o espaço condensam tudo.
Nos faz refletir sobre a universalidade das coisas. E vai mostrando como era descrito o mundo antigo segundo a visão de Dante... E vai equacionando, mostrando um histórico de como autores foram avaliando a visão de Dante. E vai formando uma espiral histórica que nos desperta curiosidade e vontade de ler Dante e conhecer os autores que escreveram sobre Dante.
Acho que mudamos o mundo. Borges sabia disso quando usava a literatura para estender o mundo.
Ler Borges é isso. Ficar extasiado a cada parágrafo.
Sua genialidade vai tecendo literatura, filosofia, metafísica e tudo que nos permite  expandir nossa consciência.
Neste preâmbulo, lido, tenho material para matutar pelo resto do dia.

17/04/20

45. Cotidiano

A tarde caiu caliente e pacífica.
Aves cantando ou voando.
A monotonia de um quarto.
Os livros empilhados.
Bolhas de água no banheiro.
Cactos e palmeiras estáticos nos vasos.
Penso no que ouvir,
Hoje contos de Borges,
Ontem música erudita,
Outro dia Poesia de Pessoa,
Outro Galeano,
Outro contos de Clarice Lispector.
Ou palestras um dia foi sobre Cervantes,
Outro Nietzsche.
Ouço tudo.
As minhas plantas também.
As vezes ouço aves piando 
Pego a câmera e fotógrafo.
É isso o cotidiano.

44. Canário

Céu azul com nuvens brancas,
Após uma fresca madrugada.
Na sobra de um açoita-cavalo
Cantava empolgado
Um canarinho amarelo,
Seu canto estridente,
Encantava aquela hora.
Canta pequena ave,
Embeleza esse mundo
Que se encontra fechado,
Angustiado, triste e isolado.
Canta canarinho
Canta que seu amarelo
Estampado na bandeira brasileira,
Representa toda riqueza,
Que agora é só tristeza,
Tantos filhos a morrer,
Tantas pessoas a sofrer.
Estamos desgovernados,
A besta no poder,
Brada queremos riqueza...
Essa besta cheia de seguidores
Vai fazendo atrocidades,
Discursando escatologias...
Mas vamos esquecê-la por enquanto,
Pois agora só importa é seu canto.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh