29/02/20

Vai passar

Paciência com o corpo e com a vida.
Se nada te alegra ou te espanta.
Se faz calor demais,
Se a mente está vazia,
Se rejeitas qualquer coisa,
Se a comida não tem sabor,
Se tudo desagradas,
Se até as imagens te gera desconforto.
Tudo é passageiro.
Quantos dias bons não viveu,
Vai passar,
Vai passar.

26/02/20

Antecipação

Antes de uma apresentação a gente fica apreensivo,
Até que passemos a primeira marcha,
Então, já sabemos como será o andamento do resto.

Virose

Após uma virose a gente se sente fraco,
Sem ânimo, sem perspectiva,
Nem mesmo boas notícias nos anima,
Nem dinheiro,
Nem sorvete,
Esperança é o que resta.

22/02/20

Incomodo

À noite tive febre e dor de garganta e calar frio.
Como foi longa e a impressão que ficou é que estou me sentindo internamente.
Não consegui me concentrar.
Queria o calor para me curar,
Mas uma infecção não passa instantaneamente,
Levantei-me e tomei o café com tapioca dos sábados.
Ouvi uma entrevista de Borges,
Estou ouvindo Copin,
Porém não queria fazer nada,
Incomoda-me um molar,
Incomoda-me a existência,
O calor...
Tudo vai passar. 

21/02/20

Euforia

A suavidade de uma manhã pós chuva,
A luz cristalina refletindo nas folhas molhadas,
O solo molhado, o cheiro das folhas e fungos,
O canto do rochinol, do sanhaçu,
Um bom livro,
Uma música agradável.

20/02/20

Coisas naturais

Um dos melhores Campus em questão de ambientes que conheço é o da UFPB.
Com 11 fragmentos de mata o contato com a natureza é inevitável.
Uma mata com composição de floresta atlântica com arvores de 30 metros.
As árvores com maior porte são a munguba e o pterocarpus, no entanto, a espécie com maior abundância é o pau-pombo uma espécie que produz frutos muito apreciados pelos pássaros. 
No geral, as espécies arbóreas no campos apresenta uma densidade baixa, sendo portanto raras na área como a peroba, a maçaranduba e a sapucaia. A mata é muito rica em cipós e quase não apresenta epífitas.
Na maior parte essas árvores prestam um serviço essencial para o embelezamento do campos, pois além de refrigerar o microclima local, fazem sombra que permite caminhar com mair conforto pelos ambientes e são fonte de moradia e alimento para aves principalmente passareniformes e mamíferos como o bicho-preguiça. De maneira que quando atentos ao chegarmos no campos podemos ouvir o canto de inúmeras aves tanto em dias de sol quanto em dias de chuva ou nublados.
Hoje como está nublado, quando fui amarrar minha bicicleta pude ouvir o canto sonoro de três sabiá.
Acho que não há pássaro mais brasileiro que o sabiá que canta de sul a norte, nas matas exuberantes da amazônia, nas matas riquíssimas da floresta atlântica, mas matas retorcidas do cerrado e nas matas secas da caatinga, de forma que do gaúcho, ao caipira, ao matuto, ao litorâneo, ao amazônino, todos reconhecem o canto do sabiá.
E nós matutos amamos essa beleza poética natural que a floresta em pé promove.
E a gente fica feliz e orgulhoso com esse presente de Deus.
Nós do Campus valorizamos muito isso, as coisas naturais.

17/02/20

Onde existi

O chão de solo seco coberto de garranchos e folhas secas.
Marmeleiros incensados, mimosas armadas,
Aroeira esgalhada,
Catolés brilhantes,
Nesse chão que deita o fruto,
Nasce também morre,
Nesse chão que furei meu pé,
Plantei a semente que me alimentou,
Semente de milho, feijão, jerimum, melancia.
E por acaso a biologia ajudou com pinheiras,
Cajueiros, goiabeiras, cirigueleiras.
Está tudo concentrado aqui,
Minha vida inteira, minha existência,
Minha percepção,
As belezas que conheço brotaram aqui,
Cantos de aves, beleza e doçura da fruta,
Perfume da flor,
E tantas coisas mais,
Quando deixar de existir,
Quero que saibam que aqui fui feliz,
Aqui vivi,
Nessa baixa de Serrinha do Canto.

15/02/20

Inconcluso

No nordeste brasileiro podemos encontrar inúmeros lugares embora com características físicas iguais, àquele sertões povoou e povoam muitas histórias. Sou Rubens Queiroz de um destes lugares onde a maior parte do tempo o solo está seco, as rochas estão a amostra e a vegetação está nua. A paisagem é cinzenta e garranchenta. Na maior parte do tempo a água é um recurso escasso. Foi economizando que aprendemos a sobreviver nesse mundo peculiar. Tem dias que é tão quente que não temos vontade de sair de casa. Um banho de cuia, uma rede e um prato de comida são os melhores confortos. Ali as manhãs são seguidas de canto de aves e as tardes de maravilhosos crepúsculos. Já não temos mais o costume de contemplar o céu e conversar. Nossos hábitos noturnos foram substituídos pela televisão. Essa tecnologia mudou muito a forma de entender o mundo.

14/02/20

Consciência ecobotanicobiológica

A vida nos encanta com suas formas, suas cores e movimentos.
Também nos encanta o suporte para a vida os objetos, as rochas e as paisagens.
Particularmente sou encantado com as rochas, mais do que as paisagens.
Embora seja botânico e ame as plantas.
Acho que tudo isso tão poético...
De uma certa forma a biologia é poética,
Acho que no geral, coisas para além do universo da experiência é tão inerte.
Se não fosse a práxis, acho que nada de referencial bibliográfico teria valor.
Afinal quem ler as coisas botânicas que a ciência produz com prazer?
Tenho medidas, tenho formas, distribuição e filogenia!
Que me interessa isto?
Acho que me interessa mais um quadro de girassóis de Gogh.
Acho que interessa mais a poesia musicada sobre o sertão e suas plantas escrita e cantada por Gonzaga.
Acho que interessa mais quais flores florescem no jardim.
Sim, interessa-me ver uma semente germinada,
Ver uma erva, arbusto ou árvore florida,
Acho que me interessa os odores...
Coisas que vejo e conheço por ser botânico.
Não interessa o que publico, coisas que só entendo e nem sei porque entendo.
A beleza está na realidade real,
E não na realidade objetiva que construo.
Quando escolhi a Biologia talvez não tenha escolhido a biologia,
A práxis me ensinou a amar a biologia,
Quando descobri que os matos que cresciam na roça de papai eram biologia,
E botânica e zoologia com os bichos, particularmente os insetos,
As interações ecológicas.
Agora tudo isso me alimenta,
Sou feliz com isso,
Enquanto me fizer satisfeito.

Memórias

A certeza que nada volta atrás,
O tempo é o presente,
Seguimos sempre em frente,
Hoje pode, assim como o agora pode ser o fim,
Não devemos gerar expectativa,
Visto que as coisas são como são
E não entendemos isso.
São muitos os porquês,
Só a experiência nos explicará,
O tempo é curto para picuinhas,
É preciso aprender a valorizar o que realmente importa,
Pois tudo é passageiro,
Aqui tudo é ilusão.

13/02/20

Viagem

A estrada não estava poeirenta, mas sim lamacenta.
A lama vermelha, água marrom,
E a vegetação verde florindo,
As águas de janeiro escorrendo,
As pessoas felizes...
Idosos, homens e crianças felizes.
A mudança esta sempre acontecendo no mundo,
Uns partindo e outros chegando,
Alguns no meio do caminho,
Nos encontramos em algum ponto,
Estamos sempre seguindo em frente,
Tentando entender o incompreensível.
E a vida segue assim,
Indo para o Boqueirão da Onça.

12/02/20

Guardado na alma

Na Bahia tudo tem.
São tantas belezas e riquezas naturais.
Tem todo tipo de vegetação,
Flores de todas as cores,
Formações as mais diversas,
Conheci o Brejo Brásida,
Um lugar perdido no município de Sento Sé,
Fica no boqueirão da Onça,
Tem gente simples, humilde e educada,
Que cria bode para viver,
Tem roças de doces bananas,
E coco a valer,
Recentemente, janeiro de 2020, este ano estive lá,
Foi tão rápido, mas deu para rever e conversar com os amigos,
Mariluce, Leleco, Seu Chilico, Evilázio, Guinho...
Vi os quintais produtivos
E pude tomar banho na fonte termal à tarde inteira,
A água sempre morna toda a tarde,
Até o só sumir entre as gameleiras gigantes,
No alto de um coqueiro
Cantava uma graúna,
Era um canto tão belo,
Era um canto de bom dia,
Um canto de despedida do dia e do sol,
Tudo ficou guardado na minha alma,
A paz, a conversa boa, a paisagem e a água quente da fonte.

10/02/20

Metafísica

O tempo,
A matéria,
A mente,
Energia.
Que magia estarmos vivos,
Consumindo para sobreviver,
Enquanto puder e der,
Assusta isso não?

09/02/20

Consumir

Música, poesia, contos, romances e quantos gêneros mais precisamos para entender e nos humanizarmos neste mundo materialista.
Até quando continuaremos trabalhando a matéria para saciarmos nossos desejos. Bem melhor diria para saciar o desejo dos muito poucos que dominam o mundo?
Enquanto alguns não tem o que comer outros tão perdulários voando em jatos particulares.
Como nos livrar dessa indústria que chega até nós através dos celulares, televisores e sabe lá que mais outros tipos de mídia.
Nos identificamos tanto com o desejo de consumir, de ter conforto, de poder que vamos acumulando vestimentas, carros, casas, prédios... Como queremos mudar nosso padrão sempre querendo mais.
Com tantas coisas a serem consumidas, realmente consumimos o que temos ou o que almejamos ter?
Creio que não! parece que tudo é uma absurda ilusão.
Sento-me numa cadeira e ao abrir um livro posso consumir uma poesia, contos e romances e até me deliciar com uma boa música.
O resto é só lixo com prazo de validade.

06/02/20

Vetor

Atravessamos esta jornada chamada vida e muitas vezes não aprendemos nada.
Continuamente vamos cometendo os mesmos erros.
Ontem, hoje e amanhã talvez.
Estamos conscientes disto?
Estamos conscientes de que hoje pode ser nosso fim?
Não aprendemos com as filosofias, mas com a experiências que cada um tem.
As filosofias até nos dão um sentido, mas aprender mesmo só na práxis.
Algum dia, se tivermos sorte, aprenderemos.
Até lá vamos tateando isso que conhecemos como existência.

19/01/20

Férias

Hoje se encerra minhas férias em Serrinha com meus pais.
Foram maravilhosas teve tanta coisa boa,
Day, Mamãe,  papai, Li, Meire, Pedro,  Laura, Gil, Sherlock,
Boris, Romeu,  belinha e todas aves.
Tiveram as manhãs farta de café e lanches,
Os almoços saborosos,
As sestas da tarde,
As caminhadas até a ladeira das vertentes,
As jantar e depois as novelas,
E as noites tranquilas,
Tiveram três chuvas uma noite de ano e mais duas nos dias 3 jane ironia,
Tiveram os livros lidos, A ideologia alemã, Pedro gerem isso I e II, gostar de ler,
Os chakras, antes de morrer,  Uma introdução  aos vedas, poder da mente, gramschi.
As palestras ouvidas sobre marx de José Paulo Neto, Alison Macaro, Sergio de Lessa,  Arlene Clemeche, Rui Braga,
Palestra sobre Sartre por Pedro Bartolim,
O que é filosofia com Cirne Lima,
Tiveram também saídas para fotografar,  passear com  sherlock,
Os textos escritos
E a liberdade  do celular,
Balanço com saldo positivo.
Obrigado Brama. 

18/01/20

Presente

A vegetação caatinga
Enramada,
O sol,
A luz,
Um parque de água,
Um dia distinto,
De risos,
De gritos,
De alegria,
De emoção,
Nossos reunidos,
Pará fechar as férias,
O momento,
Para ficar para a história,
Para contar para quem virá
Nossas geração futura.

17/01/20

É isso

Enfim, 
O mês rapidamente se passa,
E uma rotina maravilhosa chega ao fim,
Acordar e ler e levantar para tomar o café, 
Sair para passear com o cachorro sherlock, 
Pensar em tudo e em nada,
Tomar um banho 
E comer jaca ou Manga,
Deitar na rede e ler,
Depois almoçar, 
Deitar na rede e sair pra caminhar,
Depois ver novela, 
E deitar e dormir em paz,
Sempre pressa pelo amanhã. 
Foi maravilhosa tais férias 

16/01/20

Passageiro

Tudo muda incessantemente,
As coisas,
As paisagens,
As pessoas,
Muda num movimento chamado envelhecimento,
As vezes se quer se percebe
E quando a consciência chega a vida passou,
Essa existência imperceptível,
Nossos sentidos,
Vontade,
 Desejo,
Paixão.
Em meio à tudo isso,
Nós existindo!
Cá, onde cresci estou.
Pensando,  lendo, sendo,
Amanhã nada serei,
Um vento passageiro.

Existência

Hoje, aqui estou!
Amanhã, já não sei,
Chegará o momento que esses versos continuarão sendo,
Eu  não,
Deixarei de existir,
Perderei este corpo,
Essa matéria.
Agora que lê,
Conversas com  minha mente,
Meu corpo já se foi,
Quem fui eu?
Agora não mais uma incógnita.
Amei ler, principalmente contos de Borges,
Poemas de Pessoa,
Música de Mozart,
Pintura de Gogh,
Filosofia de Platão,  Marx, Sartre e Deleuse .
Meu gosto pelo simples como cantora das aves,
Conhecer os minerais,
A geografia e geomorfologia.
A botânica é minha substância
E com  ela experimento ensinar a ensinar,
Tudo é passa tempo,
Nessa breve existencia chamada vida.

15/01/20

Canto

Amanheceu,
Há um aroma de parece ter chovido,
Um bando de lorinhos cantando
Feito uma rede de pisca-pisca,
Foi rápido, mas bonito de se ver
Essa expressão ou manifestação,
Os pacuns cantam de um lado,
A fogo-pagou de outro.

14/01/20

Passagem

Após as chuvas,
A mata toda enramou,
As catingueiras mais verdinhas,
Os angicos de folhas miudinhas,
As aroeiras árvores copadas,
A erva ainda em porte de babuge.
Tudo verde esperança,
Mas o céu limpo azul celeste voltou a governar,
As rolinhas a cantar,
Toda a natureza a aguardar a chuva,
E o chão feito uma luva.
Lá se vai mais um janeiro. 

13/01/20

Preciso

É preciso  amar esse lugar
De incerta climatologia,
Com chuvas aleatórias,
Amar o pouco recurso,
Amar a terra seca,
É preciso ser Pereiro ou marmeleiro,
Ou cajaraneira ou cardeiro.
Aqui para cantar é preciso voar,
Como as aves.
Hoje era quase madrugada
Quando despertei ao som da passarada,
Eram galos de campina,
Lembrei de meus avós,
E de tudo vivido,
Numa vida de privação,
É preciso amar esse chão,
É preciso estar adaptado
Sentir amor no coração,
Senão larga cedo esse chão. 

12/01/20

Encantado

O dia claro
Vasto de céu azul,
No campo a babuge cresce
Viçosa,  verde
Mostrando seus cotiledones,
A gente fica encantado
Com a vida.

Noite enluarada

A noite caiu lentamente
Sem barulho nem vento,
Aos poucos da luz fez-se sombra,
Do claro o escuro,
Mirando o nascente
Atrás do cajueiro
Nascia a lua,
Grande, amarela e circular,
O céu estrelado,
O sete estrelas, O cinturão de oreon,
O céu limpo.
Fiquei, ali sentado,
Encantado,
Quando esfriou,
Entrei e a noite se foi.

11/01/20

Sherlock

A gente acorda e fica deitado, esperando despertar,
Vai pra cozinha e toma o café com a família e os bichos,
Que tem nomes.
O cachorro é Sherlock,
Os gatos são o holandês Boris,
O malhado Romeu,
A alvinha é belinha.
Sou muito ligado ao Sherlock,
Até ensinei a deitar,
Sempre o levo para passear comigo no mato,
Não é para caçar,
Só para explorar.
Como ele fica feliz,
Corre e pula e explora,
As vezes banho ele.
Sou encantado com ele e o papai,
A Li e o Pedro e a Laura.
É hora de levantar e tomar o café. 

10/01/20

Upanishadas


Logo, no início de janeiro de 2020
Puz me a ler os upanishadas,
Que livro mais sábio e agradável,
São textos gostosos para ler na hora matinal.
No geral livros orientais são cheios de  histórias,
Em dezembro li um livro de Osho,
Antes de  morrer,
Um livro delicioso,
São muitos ensinamentos
Para a vida.

Sexta-feira

Eita que algazarra gostosa,
Depois da sesta,
Deitado na rede
Só ouço lá fora,
Cantarem um sabiá,
Fim-fim e siriri.
Longe canta o sanhaçu,
Será o que fez o ninho no mamoeiro?
E a tarde vai caindo,
Encantada. 

Amor

No alto da aroeira
Canta o sabiá de laranjeira,
Espalhando aos sete cantos,
Um canto de felicidade,
Ainda ontem no tanques natural,
Depois da chuva os sapos
Fizeram uma algazarra voltada para orgia,
Os machos inflam o papo a coaxar,
O macho que mais alto cantava
Era quem ganhava as parceiras,
Ah, quem tinha o melhor lugar
Também tinha vantagem.
Bem no pé de mamoeiro
O sanhaçu fez um ninho bem macio
Com fibras de algodão alvo
Onde maciamente gerarão sua criação.
No alto do cajueiro a casaca de couro
Fez um ninho entrelaçado de garrancho
Bem tecido forte e bem feito.
O rouxinol feZ seu ninho na soleira.
Agora que as chuvas caíram
E que as ciriguelas amadureceram,
Que o solo úmido está,
As sementes já germinaram,
As árvores e arbustos broiaram,
As cobras podem sair da entoca
Tensa fica a natureza que não é só pura beleza. 

09/01/20

Tarde

A tarde cai suave e fresca,
Aí cai uma pequena chuva,
Quebrando um ciclo de tardes
Quentes e ensolaradas,
E só se ouve a chuva chovendo,
Assim a tarde vai caindo,
E o tempo continua passando,
Cadê as aves?
O sequidão já foi,
Quando voltará a chover novamente. 

Água

A chuva chovendo e despontando a manhã,
Fazia tempo que não via uma manhã nascendo com chuva aqui em casa de mamãe e papai.
Acho que desde a quando saí daqui no ano 2000.
Que felicidade minha e das aves canoras,
Os sabiás, bemtivis, sanhaçus, roxinois, periquitos, galos.
Cantam aqui e ali.
Nem o incomodo da barba e da dor no pescoço me faz menos feliz.
Nem imaginava quanto é gostoso essa sensação que dá a chuva chovendo.
As aves cantando,
A vida acontecendo
Através desse magnífico mineral que é a água.
Esse líquido transparente que tudo que toca transforma.
Líquido caído do céu. 

08/01/20

Chuva da tarde

A tarde, após o almoço,
Estávamos sentados na área,  Júlio, papai e eu.
Então,  o tempo que estava fechado,
Começou a chover,
Começou tímida,
Nem achei que fosse chover muito,
Mas choveu,
Choveu,
Choveu,
Sai na chuva para pegar água, 
Os periquitos molhados voavam
Nos ramos da cirigueleiras para comer ceriguela,
Os sapos cururu se desentocaram para comer
Tanajuras,
Na chuva aguei os cocos e a acerola,
A chuva parou,
Tomamos banho e fomos tomar um chá.
A tarde passou, mas antes fui caminhar.

Dialética

O dia e a noite,
Duas faces opostas,
O claro e o escuro,
Sol e lua,
Luz e sombra,
Reflexo e opaco,
Conhecimento e ignorância,
Algo a aprender com a vida,
A existência e o ser,
Em pleno devir.

Esperança

A luz do sol apareceu diáfana,
Entre nuvens, a impressão que se tem é que choveu.
As aves cantando
Os saguis  vocalizando,
O clima ameno,
Nos dá uma sensação de conforto,
Uma esperança de mudança,
Esperança,
É o que precisamos
É só.

Necessidade

Acordar com tiros abatendo a caça,
Tiros em preás.
Desportar de madrugada em busca de comida viva.
Será necessidade ou aventura?

07/01/20

Sabiá e sua linhagem

O sabiá tomou o topo da árvore e se pos a cantar,
Cantou intermitente o seu canto alto e belo.
Cantou por um longo tempo e enfeitou a aurora.
Vir cantar não é uma coisa repetitiva,
Não é rara,
Mas nunca canta no mesmo lugar.
Será por isso que não fica na memória?
E o que importa?
Já vivi tantos anos,
Tive tantas experiências e ainda sim me encontra ouvir o sabiá  cantar.
E também me encanta o poder que tem a água de mudar a natureza,
De fazer germinar a vida das sementes
De fazer as árvores e os arbustos brotarem novos ramos, folhas, flores e frutos,
De fazer o sabiá acordar cedo pra voar para o ápice da árvore e continuar cantando como fizeram seus antepassados. 

06/01/20

Amanhã

Não sei quantos dias me restam.
Não imagino nada do futuro,
Tenho o passado em mim.
O presente é poesia,
Ver a natureza em constante mudança,
Percebe-la e senti-lá,
Até quando?
Que importa,
Amanhã,
Espero que tudo seja igual.
Amém.

O poeta uruguaio

Que maravilhoso é o escritor Eduardo Galeano

Sabiá

Quando se atinge o extremo, ansiamos pela mudança.
E qualquer alteração já nos faz sentir bem.
Estava seco, numa aridez só,
Então ficou nublado e choveu,
E agora depois da chuva ansiamos por mais chuva.
Aguardamos ansiosamente,
Pois a chuva traz a água que tudo na natureza transforma.
Hoje pela manhã acordei o canto do sabiá,
Fiquei na dúvida se era um sabiá branco ou laranjeira.
Canta tanto esse bicho lindo,
Estará num angico?
Os angicos estão se cobrindo de rama e flores.
Aqui é assim,
 Choveu e logo enramou.

05/01/20

Lugar

A noite, a lua crescente clareou o terreiro,
Haviam nuvens que o vento logo levou.
Os grilos grilavam,
O vento ventava,
E as aves dormiam, exceto os bacurais,
A noite aqui parece tão vazio,
Parece outro lugar.

Canto

Canta intenso o rouxinol,
Canta lá pras bandas da frente,
Grosna um bando de pacuns,
Cantam os galos de campinas
E os frugívoros sanhaçus,
Será se é porque hoje é noite de reis?
Claro que não,
Essas aves catingueiras
Só tem fé na natureza,
São panenteistas,
Feito Spinosa,
E eu na rede feito Jorge o amado,
Não não,  acho que o Gênio do Borges
Não perdia tempo com aves
Para o amor era aos tigres.
A prosa tá boa, mas vou voltar a ouvir as aves. 

04/01/20

Perdidos

Enquanto o sol  se encontra nublado,
Os ramos tem suas gemas brotando,
As aves grasnam ou cantam,
A tarde vai caindo frescamente,
Eu perdido em meus pensamentos.

03/01/20

Racionalizar

Cai a tarde que ainda verde nem se percebe,
A luz tá menos intensa quebrada pelas nuvens.
Nessa hora ativas pintos e galinhas aguardam barulhentas pelas sobras
Da comida do cachorro.
Piam os sanhaçus,
Vi gralhas que aqui chamamos de cancao voando voos curtos,
A moda saguis.
Um João-de-barro canta longe numa sombra qualquer,
Canta também um rouxinol
Ao que parece  logo vai chover.
Na casa do vizinho os homens conversam enquanto trabalha.
Deitado na rede só observo e tento entender,
Mas nada é para ser entendido,
Apenas vivido,
Entender é não ser.

Incógnita

Acordo,
A manhã agradável está  fresca.
Parece está nublada,
Longe canta um cancão
E perto um rouxinol,
Enquanto leio Osho,
Pareço não entender nada,
Mas depois fico digerindo as sentenças.
Algo se adere ao meu pensamento,
Algo consciente,
Que não do passado ou do presente,
Atemporal,
Aqui estou prestes a levantar,
O conhecimento torna amena qualquer coisa.
Mas as manhãs são sempre incógnitas a vida,
Por isso como é bom o frescor
E o som das aves.

02/01/20

Ode a tarde

O céu nublado,
Nublado de nuvens  alvas como algodão,
O verde volta  a aparecer,
Depois de uma chuva
Tudo muda,
Mas a transformação se dar paulatinamente,
O cinza das árvores escurece,
O dourado se tinge de cinza,
As flores alvas de serjania floriem mais contente
As flores de maracujá são das poucas a florir,
O vento ainda trás o cheiro das queimadas,
E é bonito ver o chão enxonbrado de molhado,
Logo as cebolas brabas florescerão,
Amanhã tudo sera diferente. 

01/01/20

Sutilezas

Após meses sem chover,
Primeiro vejo árvores desenvolvendo suas gemas,
Então pensei vai chover,
A umidade deve estárea alta no solo,
Então amanhece nublado,
Então na noite seguinte chove,
E choveu bem,
As aves agora cantam,
Ouço da rede,
Periquitos, sanhaçus, rouxinois, galos de campinas,
Rolinha, numa animação de festa,
Assim a vida segue.
O que será amanhã ?

Ano velho

Ontem foi 2019,
Hoje é  2020,
E o que mudou?
Aparentemente  nada,
Exceto o calendário,
A partir de hoje tudo zerou,
Vamos começar tudo novamente,
Embora para uns seguem os primeiros dias da vida,
A outros a meia vida
E a outros o fim,
A soma de tudo se equaciona
Numa coisa chamada experiência,
A roda não para de girar,
Mas a perspectiva é outra,
Incrível  né hoje 1 de janeiro,
Podemos dizer ontem foi 2019
E hoje é 2020,
E assim já somam-se 40 anos,
Vi muita coisa mudar,
E fico as vezes sem entender,
Como tudo aconteceu,
As vezes, falta-nos um sentido,
Mas ao acordar percebo que posso viver mais um dia,
Que as aves acordam cantando,
Que tudo pode ser diferente,
Independentemente do ano,
Mas apenas de mim.
Que venha 2020,
Porque 2019 é passado e virou história,
Embora tudo continue como sempre foi na margem do tempo. 

31/12/19

Perspectiva

Então levantei,  tomei o café e como sempre estou  fazendo sai para pensar.
Os pensamentos são secos porque faz meses que não chove.
E quando  não tem água tudo é resistência e adaptação.
 Agrada-me ver as formas intrincadas dos ramos dos arbustos e árvores.
Agrada-me ver as formas cristalinas das rochas,
Ver os solos rasos,
Depois ver as gemas das plantas se desenvolvendo.
Aqui, ali um pássaro ou uma ave voando e cantando.
É acho que mais árida é a minha mente,
Mais áridos são meus pensamentos.
Nada de original.
Tão  retrógrado e conservador.
Quatro décadas de aridez,
Na manhã  tudo tão ilimitado,
Ao meio dia tudo tao nítido,
E agora...
Agora estou deitado na rede em busca de uma perspectiva. 

29/12/19

Mamãe

A gente tem essência?
Não sei e  se sei não importa.
Nasci numa maternidade pública,
Cresci numa casinha na beira da estrada não asfaltada,
Casinha que tinha muitas fruteiras,
Na minha casa tinha muitos irmãos,
Tinha necessidade,
Mas o necessário  nunca nos faltou que era o amor,
Mamãe fazia de tudo para nos sentirmos bem
E o papai também,
Na minha casa a gente convivia com bichos,
Gato, cachorro,  burro, jegue, vaca...
Mamãe sempre nos fazia sentir abraçados e amados
E o papai também.
Ontem fui a rua com minha irmã e meus sobrinhos,
Como agradeci a mamãe por tamanha generosidade.
Quando cheguei na rua logo na volta de Raimundo de Eusébio
Senti o aroma que conheço, mas não tinha associado
O cheiro de Cica.
E houve uma epifania
E meu amor se expandiu,
Por tudo,
Por mamãe, papai, pelos irmãos e irmãs,
Pela vida.

28/12/19

Aqui é assim

Acordo sob um silêncio,
Mas logo um casal de louros pousa no cajueiro e começa a gosnar,
Logo voam e silenciam, aí um pacuns passa voando e gostando também.
Nossa é um avião,
Quanto tempo não ouvia um avião,
Daí,  uma vassoura começou  a arrastar e fazer poeira no terreiro,
E a luz suave foi acendendo o dia,
E a manhã nasceu e se vai.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh