Estive em terras distantes,
Andei onde nunca pensei,
Vi coisas que nunca a ver voltarei,
Aprendi e esqueci.
Aqui estou,
Aqui estou,
Mais velho, mais cansado,
Tentando entender o que aconteceu.
jul. 2024
Estive em terras distantes,
Andei onde nunca pensei,
Vi coisas que nunca a ver voltarei,
Aprendi e esqueci.
Aqui estou,
Aqui estou,
Mais velho, mais cansado,
Tentando entender o que aconteceu.
jul. 2024
Sassá de férias, os dias são todos nossos ou parte deles.
Ontem levei um guia do México para ele.
Adorou viu todas as páginas.
Depois vimos vídeos de aves.
Desenhamos algumas aves.
Foi ótimo.
Chove!
Venta,
As árvores parecem dançar.
Frio,
Sombra,
Som de piano.
A distância torna-se ainda maior.
Vamos tomar um café.
Spinosa polia lentes e pensava,
Papativa do Assaré campinava e pensava.
Borges lia e pensava.
Quem era mais leve e suave?
Spinosa filosofava,
Patativa criava versos,
Borges queria entender o absoluto.
Spinosa viveu no século XVII,
Borges foi contemporâneo de Patativa.
Spinosa era judeu.
Patativa Cearense,
Borges Argentino...
Cadê o sentido deste texto.
Patativa viveu na miséria, perdeu uma filha para a fome.
Spinosa foi excomungado.
Borges ficou cego...
Pensar é o elo,
A ideia que reúne tudo isso.
A chuva chegou,
Nem parecia que ia chover.
Mas ela chegou
E cantou com a mata.
Tão sonoro ouvir
Frases escritas por Pessoa...
A chuva chovendo!
É tão bonito isso.
A chuva chovendo agora.
A chuva eternamente choverá.
Eu, em algum momento desço da estação.
Alguém poderá achar belo como achei.
A chuva chovendo.
Ontem, fomos caminhar Sassá e Eu.
Fizemos o mesmo percurso ou quase.
Sassá já tem muitas curiosidades a respeito da natureza,
Principalmente dos bichos.
Adora saber sobre bichos...
Quais os bichos vamos encontrar?
Vimos jandaia, maracanã, bemtivizinho, gavião...
Nas ruas não colhemos tantas flores, apenas algumas.
Nós contamos os números das casas em inglês...
Na frente da escolha contemplamos o dinossauro enrrugado.
Na escola dele, leu a placa K A R L R O G E R S.
Confundiu a esquina da sorveteria.
Viemos pela praça do Rapaz, na esperança de encontrar um coleginha.
Acabamos pegando uma nebilina.
Assim foi.
Esse fim de semana foi atípico para Sassá.
Sem Bica, sem praia...
Como precisamos ficar em casa para o concerto do ar.
Então, tivemos que improvisar, desenhar, ficar em casa.
Apesar disso, fomos a loja de Material de construção, ao restaurante pegar almoço e sábado a noite,
Fomos ao Mercado Mateus para compensar a falta de passeio.
Comemos, observamos os peixes e eu comprei camarão para Sassá.
Ele adorou!
Domingo mamãe não podia sair então ficamos em casa novamente.
A mamãe tinha que fazer uma prova, então bom, fomos deixar ela na escola.
Na volta, passamos no atacado Brasil, onde compramos coisas muito legais.
A tarde, nos deitamos, ficamos de boas.
Ai fomos a missa só nós. Não deu trabalho.
Na missa até explicou porque a mãe não pode ir.
Dormiu a cerimonia toda.
Depois fomos comer um dogão.
Como ele ama.
Comeu e fomos para casa...
Nem sei que horas foi dormir.
No São Sassá viajou para a terra natal da família de seu pai em Serrinha dos Pinos, RN. Foi uma viagem excelente. Nesta viagem, o pai dele e ele fizeram várias coisas boas juntos. Andaram no mato, viram raposas, alma de gato, anum preto, anum coroca, anum branco, martim-pescador, socó-boi, carneiros, jumento, porco, bois...
Fizeram a fogueira juntos, soltaram bombinhas, comeram pamonha...
Uma frase me afeta e me faz pensar.
Uma sensação me afeta menos, mas também me faz pensar.
Tudo depende da intensidade, da entonação e da forma como foi percebida.
Ler Pessoa, o poeta, pode ser profundamente afetado,
Mas necessita saber ler,
Sensibilidade.
Ver uma tela de Gogh pode ser muito mais impactante.
Todavia acho que o que mais nos afeta são nossos sentimentos
Que se alinhado com uma realidade
Pode ser sentido como verdade.
A tarde caiu na fria noite,
Caiu encarnada,
Tal qual a luz da lenha na parede de barro cru.
Expressando o belo segundo crepúsculo.
A chuva ora caia, ora sumia.
As paredes úmidas,
O piso gelado
Faz a gente pensar nessa existência bruta.
Faz a gente pensar nos eventos recentes,
Nos eventos distantes...
O tempo ora contraindo, ora dilatando em nossa mente,
Os nossos sentimentos ora aquecendo, ora esfriando...
Tentando entender a fragilidade da existência...
O vigor infantil, a sabedoria senil,
Tempo por vir,
Tempo ido...
Tanta coisa tramando nossa consciência...
Constituindo quem somos,
Quem queremos ser,
Quem fomos...
errinha dos Pintos, 24.6.25.
Ontem, trabalhamos na contratação da fogueira, Vinícius e eu. Selecionamos as madeiras de cajaraneira, coco catolé, feijão bravo, Pinheira, timbaúva, angico. Fizemos uma bela fogueira. Depois passamos o dia todo em casa. A noite acendemos a fogueira, soltamos bombinhas e fogos. Comemos bolo e pamonha.
Hoje é noite de São João. O ano é 2025. O lugar é Serrinha dos Pintos. Meu nome é Rubens Queiroz.
Aqui, tantas vezes, ajudei meu pai a fazer a fogueira para a noite de São João. A gente saia pelo sítio para procurar madeira. Achavamos madeira de cajueiro, cajarana, e fazíamos aquela fogueira. Era bom trabalharmos juntos.
Sinto amor por tudo aqui na minha terra natal.
Do nascer ao pôr do sol meu peito se enche de alegria tão fàcil e rapidamente.
Aqui sou eterno.
Aqui sei quem sou num instante.
A natureza fez morada no meu peito.
Eu entendo a vida rapidamente aqui.
Aqui dormem Queiroz e Teixeira...
Aqui durmo plenamente.
Aqui sinto que sou mais forte.
Ontem mesmo fui com meu filho num lugar que há décadas não pisava o chão,
Mesmo assim tudo me é familiar,
Porque tudo habita em meu peito.
As matas de marmeleiro e juremas.
Sim! Aqui nem preciso pensar.
Tudo é sentimento.
Amo tudo e tudo se faz eterno.
As vacas serão sempre caretas, os cães dogues...
Fui a casa de vovó Chico me senti bem.
Os poucos que me restam e os que existem me apego ligeiro....
Porque sei que somos só um, apesar de sermos muitos.
Em algum lugar de Serrinha dos Pintos, um jovem passa a tarde quente e ensolarada. Após uma manhã perfeita, pois cumpriu todo o seu dever com sucesso. Almoçou e a tarde caiu curta, pois são muitos os propósitos de sua mente, aprender inglês, matemática, literatura, português, química, física e Biologia. O jovem rapaz ver um pouco de tudo com pressa. Sua pressa tem um motivo que é passar no vestibular. Certo dia ele se depara com um livro de Gandhi. Podia ter se encantado com a bíblia ou simplesmente dormido a tarde inteira.
Ele queria tudo, mas tudo é demais.
Assim tarde após tarde, ano após ano, conseguiu passar no vestibular. E um dia foi embora.
Novos mundos foram descobertos... E ele percebeu a impossibilidade de se conquistar o mundo.
A gente está sempre mudando a medida que estamos aprendendo.
Fui na lada do biscoito terei um ficou 18.
Andando no sítio de papai estou num lugar onde vivi tantas coisas maravilhosas,
Tantos desesperos existenciais.
Andando no mato com meu filho, encontrei uma concha de caracol.
Estava parcialmente enterrada, tinha a cor de leite. Na concha um desenho de uma espiral. Então voei na imaginação. Em que parte desta espiral me encontro?
Não tão ignorante nem tão iluminado.
Onde estou e o que é a suficiência?
É no tempo que ocorrem os fatos. Ontem, hoje e amanhã.
E é em sua espiral que vão se imbricando e se desenovelando.
Se imbricando no passado se desenovelando no futuro.
O espaço é eterno.
Nos seres casuais tecemos nossa existência no tempo e no espaço.
E isso é apenas um pensamento.
19 de junho de 2025
Estou em Serrinha na casa que pertenceu aos meus pais. Neste momento sento uma cadeira de plástico que mamãe comprou. Estou sentado na frente da casa. À tarde é o melhor lugar para ficar por fazer oposição ao sol e assim é o lugar mais fresco. Além disso, a frente fica voltada para a estrada. Aqui sentamos tantas vezes neste horário. Aqui pensei tanto na vida. Antes havia apenas sítio, mas agora tem casa e ponto comercial. Agora tem um pé antigo de mais de 40 anos de açucena, uma soca de coqueiro, um pé de araçá, um pé de Jasmim, uma espada de são Jorge, um cumarú.
Aqui vivi tanta coisa. A vovó sinhá morou conosco depois que vovó se foi. Festejamos o casamento de Begue 😌, e nossos aniversários meu, de Rosângela, Meire, Li, e Roberto. E de papai Chico e mamãe Didi.
Estudei para o vestibular, comemorei a aprovação. Plantamos no inverno, colhemos no verão. Vários anos passamos aqui. Dormi tantas vezes nesses quartos.
Eu me fiz aqui.
Andei perdido aqui.
Somos apenas consciência...
Tudo deveio e não restou nada.
Agora tento me resignificar.
Minha mulher e meus filhos estão me ajudando.
É isso
O meu passado vez por outro é sentido.
Alguma sensação repetida faz acessar minhas memórias mais pretéritas e de alguma forma reafirmamos esta memória quando expressamos.
Hoje mesmo recontei não sei quantas vezes, mas já o fiz várias vezes. Que tinha medo de flores de Jasmim pela forma da flor? Pelo odor liberado. Na minha cidade usava flores de Jasmim para enfeitar os mortos.
Minha primeira experiência foi algo muito intenso. E não entendia aquele monte momento. Muita emoção, muito choro, muita dor. Uma exploração de sentimentos.
Tudo isso ficou gravado na flor do Jasmim. Desconstruir, mas nunca me esqueci.
Sassá convidou Pedro seu amiguinho para vir lá em casa. Pedro é irmão de Júlia que quis vir também. A mamãe foi buscar eles, como o papai se atrasou, seu Zé avó de Ravi deu carona. Quando chegaram lá em casa. Ravi quis ficar também e ficou. Foi a maior festa. Nunca vi tanto menino junto. Pula pra cá. Pula pra lá. Foi a maior alegria que durou tão pouco. Logo as mamães vieram buscar os meninos. Logo Sassá foi dormir. Jantou, mamou e dormiu. Tava numa reunião e nem brincamos. Assim foi.
O silêncio preencheu a minha mente
Não era ausência de som,
Mas ausência de pensamentos
Não era presença de memória.
Era o aqui e a gora
O ser e existir em mim.
Fim de semana passei todo com Sassá!
Ficamos em casa e nos divertimos muito brincando com duas pantufas monstrengas.
Desenhamos e brincamos muito.
Hoje acordei,
Sassá vai para a escola e adora ir perfumado.
Ele aprendeu na escola a ser abraçado pela professora, pela coordenadora e pelos amigos.
Ele aprendeu e gostou de ouvir que está cheiroso. Então comprei uma porção azul da coragem.
Ele usa todos os dias antes de ir para a escola. Gosto de pentear o cabelo dele. Acho que ele aprendeu também, mas ele gosta de cabelo grande e dá trabalho.
Ontem comprei uma porção amarela da amizade. Ele amou.
Na verdade, fui comprar uma lembrança para a mamãe dele, mas adivinhe.
Ele acabou ganhando também.
Pai e mãe é bicho besta.
Nem lembro mais quando comprei algo para mim.
Coisa de vaidade já era.
Agora é Sassá.
Ah. precisa comprar uma chinela.
Fazemos com amor.
Ontem, quinta a manhã estava linda fresca e de céu azul.
Preparando o café ouvia as ararinhas maracanãs vocalizando.
Elas veem sempre aos pés de jambo que tem tem na rua da frente e da frente do lado.
Ao sair para o trabalho, vi duas lindas. Lá no olho do pé de jambo.
Elas gritavam. Ai olhei no pé de jambo e só consegui ver o casal por causa da máscara branca que elas tem.
Suponho que fosse um casal. Quase imperceptível entre as folhas do jambeiro.
Pensei, nessa parceria, nessa relação da maracanã legitimamente brasileira com o jambo legitimamente indiano.
Quando chegou aqui e por onde chegou?
Com certeza pelo mar.
No sudeste ou no nordeste?
Hoje é uma planta tão comum. Aqui era abundante nas casas, mas aos poucos as casas estão virando prédio e os jambeiros estão com os dias contados nas ruas. Principalmente aqui nos bancários...
Essa bela relação unilateral do jambo com a maracanã.
Será se irá durar?
Um dia um casal conheceu um pé de jambo que estava repleto de frutos. Pousou e comeu até ficar de papo cheio. Foi embora, mas aprendeu onde ficava aquele pé. Então na outra estação teve filhotes e trouxe os filhotes e esses ficaram adultos e tiveram filhotes... E essa relação se estenderá até quando?
Enquanto não cortarem o pé de jambo...
Que interessante!
Sassá perdeu o medo de nadar com a mamãe.
Comigo não dava certo.
Estou muito feliz por ele ter superado o medo.
Que ele avança na aprendizagem.
Excelente.
O meu passado vez por outro é sentido.
Alguma sensação repetida nos faz acessar nossas memórias mais pretéritas e de alguma forma reafirmamos esta memória quando expressamos.
Hoje, terça-feira de junho, mesmo recontei não sei quantas vezes, mas já o fiz várias vezes. Que tinha medo de flores de Jasmim manga pela forma da flor? Nada disso, sim pelo odor e liberado e pela cor. Na minha cidade usava flores de Jasmim para enfeitar os mortos.
Minha primeira experiência foi algo muito intenso. E não entendia aquele monte momento. Muita emoção, muito choro, muita dor. Uma exploração de sentimentos.
Tudo isso ficou gravado na flor do Jasmim. Desconstruir, mas nunca me esqueci.
Ontem, terça, a mãe de Sassá o levou a natação.
Ela falou com o professor e ele conseguiu fazer as atividades.
Fiquei feliz.
Agora acho que ele superará.
Isso me fez pensar sobre segurança.
É preciso está seguro do que se vai fazer e por trás de tudo isso tem alguém que passa essa segurança.
A mãe tem um laço muito mais intenso e cordial com o filho.
Com paciência se consegue ultrapassar e vencer certos sentimentos adquiridos.
Estou feliz.
Sassá gripou!
Garganta, pulmão...
Não perdeu a energia.
Noites mal dormidas,
Calor...
Foi ao médico duas vezes,
Na primeira nada,
Na segunda, sucesso!
Vários remédios.
Ganhou um pirulito,
Ganhou uma cochinha.
Coletou uma flor de resendá para a mamãe.
Chegou em casa feliz.
Descemos para deixar o lixo,
Aguamos as plantas e fomos dar uma caminhadinha na beira da mata.
Que bichos tem aqui.
Mosquito... sim começaram a devorar suas pernas.
Falei os que sabia.
Voltamos correndo para casa.
Tomamos banho e jantamos.
Está chovendo,
Se ouve o gotejar de pingos que se abraçam e se soltam
Se unem as folhas e se desprendem
Caindo no sobre a terra úmida e fria.
Está chovendo.
A chuva chovendo bem lentamente.
Um gavião vocaliza na mata
É um carijó.
Essa mata atlântica...
Essa semana de chuva.
Essa cidade pacata.
Me fazem sentir bem.
Sassá, passou o fim de semana comigo em casa. Nada de emoções. Estamos gripados. Só saímos para ir a missa.
Sábado nós fomos a bica e vimos nove novos gansos e uma traíra.
Foi maravilhoso.
Lá em Natal, Sassá fecha sua visita indo ao Bosque dos namorados. Esta visita significa muito para o pai de Sassá já que ir ali foi sempre um motivo de descoberta e aprendizagem. Um espaço de vegetais naturalmente estruturado. Entra boquiaberto com as plantas ali presentes, guabiroba, gameleira, copiúba, guoiti, guati, cumichá, jatobá, catolé, paubrasil, pau-ferro, ipê, peroba, jitai... A floresta, a serrapilheira. Os monumentos... Para além disto, havia uma exposição científica. Isso mesmo, um museu itinerante da UFRN. Ali vimos, as cinco das sete espécies de tartarugas marinhas, targaruga verde, olhiva, cabeçuda, pente, tartaruga de couro. Vimos crânios, modelos, cascos, ovos e o problema dos lixos nos mares. Brincamos nos vários brinquedos do parque e ainda fomos numa pequena exposição dali.
Ainda fizemos uma trilha sensorial.
Foi isso. Ficou vontade de voltar mais vezes.
No segundo dia em Natal, Sassá foi ao Aquário pela terceira vez. A senha está cara por 55 reais, entretanto vale o sacrifício. Então entramos ao grande recinto com vários peixes. Vimos baiacus uns três, inclusive tem um amazônico de água doce. Vimos várias variedades de peixe palhaço. O faca de palhaço, os ciclídeos africanos, o poraquê ou peixe elétrico ou Eletrophorus eletrans, as tartarugas orelha vermelha e muçuá. No grande aquário estava o pirarara, pirarucu e tanbaqui. Havia uns quatro exemplares de acará disco. Um aruanã. Um aquário de neons. Um aquário com peixe oscar amarelo. Um aquário com cavalos marinhos. U aquário com paru jovem. Um aquário com tucunaré, cari. Un aquário com cirurgião patela.
Noutra ala vimos jacaré de papo amarelo, jacaré de coroa.
As aves vistas foram Arara vermelha, arara canindé, papagaio, gavião pé de serra, avestruz, fragata, pinguins.
Mamíferos foram lobo guará, cachorro do mato, macaco prego, macaco bugio, macaco aranha.
Tinha até uma sereia.
Bom terminado o passeio passamos na lojinha e trouxemos o terceiro animal.
Na primeira viagem trouxemos manuel a arara vermelha.
Na segunda viagem trouxema caré o jacaré
E nesta trouxemos lentinho o jabuti.
Foi isso.
Sassá viajou para Natal e foram inúmeras as novidades vou falar de cada uma.
Primeiro, fomos ao museu Câmara Cascudo. Chegamos lá e entramos, para nossa surpresa era grátis. Vimos várias exposições. A primeira foi sobre aves, onde havia cartazes, animais taxidermizados e vídeos.
Na segunda era uma experiência cinestésica onde numa sala havia a simulação do interior de um lago.
A terceira foi uma coleção de fósseis.
A quarta ao subirmos a escada tinha um espaço de anatomia comparada onde havia esqueletos de diversos mamíferos. Amamos.
A quarta era uma sala de pegadas e cenas.
A sexta a coleção da artista Luzia Medeiros que esculpia em madeira de Commiphora leptophloes imburana de cambão, cenas do cotidiano nordestino.
E por último a sala com várias coleções indíginas.
Saímos lá morrendo de fome e fomos almoçar na UFRN.
Sassá amou.
Se só temos o aqui e o agora. Espaço e tempo. Todo instante pode ser o último, seja manhã, tarde ou noite. Que certeza temos do instante seguinte? Ver o mundo, sentir o mundo, cheirar o mundo, tocar o mundo! São ações que nos permite percebê-lo e conhecê-lo de alguma forma.
Conhecimento é consciência?
A consciência apresenta três figuras que são certeza sensível, percepção e entendimento.
Na certeza sensível o ser já é objeto?
Não seria apenas um ente?
Em seguida surge a percepção no reconhecimento das partes.
Por último o entendimento...
Na certeza sensível o ser é o ser.
Na percepção o ser é o ser incompleto. Aqui temos um universal condicionado pelos sentidos. As partes são convertidas em signos. Então surge o universal incondicionado na chegada da razão.
Tudo isso no espaço e tempo.
Ser assim - essência
Ser aí - existência
Sassá continua com medo de nadar.
Não sei como poderei ajudá-lo.
Hoje, quinta-feira, fomos para a piscina caminhando.
Foi levando ele nos braços até a praça do trilho.
Depois desenrolou. Chegamos lá e brincamos bastante.
Usamos os legos para fazer piratas de uma perna só. Senhorita Andorinha participou de nossa brincadeira.
Ela viu um universo todo de pirata então sabiamente falou.
Que tal adicionarmos um mocinho para salvar o dia!
Depois perguntou se não poderíamos adicionar uma arca...
Foi bem interessante. Falei ainda do mostro de muitos olhos.
Acho que o mostro foi um angrybird que destruiu os nossos piratas.
Tudo bem.
Acabou o horário da brincadeira e fomos para a piscina. Digo ele.
O pensamento passa a existir por meio da palavra. Vigoski
Pensamento é a ideia em movimento.
Ideia dizia Hegel é a soma do real com seu universal.
Em si e para si.
Em si - essência.
Então, o universal é um conceito, uma representação
Ontem, Sassá e eu estávamos desenhando. Desenhamos sobre a mesa ou sobre chão, mas era na mesmo.
Então Sassá viu que minha barba não estava feita e ele percebeu cabelos brancos na barba e na cabeça. Eram poucos, mas ele viu. Sabe que quem tem cabelos brancos são os idosos. Então ele perguntou por que tinha cabelos brancos. Respondi que era porque tinha aparecido. Parou e pensou, nem imagino o que. Todavia, pensei no tempo... no tempo que temos. Pensei em gastar o meu tempo fazendo coisas boas com ele e para ele. Tirar o foco de mim. Desenhávamos pássaros.
Hoje, fui para a natação com Sassá. Ele não superou o medo de afundar, mas a vontade de nadar é muito grande. Sim seu esforço é enorme, dentre os meninos ao seu lado foi o que mais praticou exercício de respiração, praticou sozinho na prancha. Diversas vezes. Seu esforço será recompensado. Basta ter calma e paciência. Também na leitura, vai indo muito bem. Inventamos um exercício de ditado. Ele dita a palavra e eu escrevo. Ontem, pegamos um livro sobre animais do fundo do mar e praticamos muito. Hoje praticamos com o livro de fazenda. Sassá é muito aplicado. Ah. já ia me esquecendo. Quando sai da natação, perguntei se ele queria ir comigo ao posto de saúde, eu precisava tomar duas vacinas. Ele disse que sim. Fomos. Então, ele estava temeroso, mas foi. Dai entramos no posto. Pedimos uma informação e fomos atendido. Depois passamos pela triagem. E ficamos aguardando a nossa vez. Até lá identificamos as formas num pôster de homem aranha, quatro formas: triangulo, circulo, losango e quadrado. Num outro pôster as princesas da disney. E ai nos chamaram. Ele estava com dor de mim. Então tentei disfarçar, e não consegui, estava com muito medo. Dai ele ficou firme. Dai, a mulher disse para ele segurar minha mão. Ele segurou. Tomei as duas vacinas e ficamos bem... Ao irmos ao banheiro falei para ele que era bom encarar nossos medos. Foi maravilhoso sua companhia.
Sassá foi a Bica desta vez, observamos as aves de rapina. O curucuturi estava mais perto deu para ver o quanto é grande. Chamou atenção uma menina fazendo anotações para provavelmente um trabalho da escola. Sassá preferiu olhar o carijó todo molhado, depois os gaviões pés de serra. Depois vimos a cutia pelo de fogo. Os patos reais, cinco patos quak quak, duas delas de rabo pro alto e cabeça no fundo do laguinho, forrageando. Vimos a marrequinha marinez, muito bem lembrado por Sassá e foi correndo queria ver de perto novamente ligeirinho o cágado de barbicha esfomeado, comeu uma banana que colocamos quase todo. Vi de relance o cágado CRIPTUS, só anda no fundo do lago, a mamãe e Sassá quiseram ver, mas nada. Ai fomos ver as araras que estavam numa barulheira só, por causa de seu Eduardo o zookeeper que estava limpando o recinto. Fomos as serpentes, aos emus, aos jacarés que nem tchum para nós. Depois gastamos um tempo vendo os tratadores capturarem os bugios que vão para a quarentena. Ah, no lago dos peixes na ilha dos macacos são seis macacos pregos curiosos e isolados ali. Depois vimos a leoa Doroti com seus cílios lindos repetiam as mulheres que ali chegavam. E foi assim nosso dia na bica.
A memória eterniza o tempo.
Acordei desejando, só se deseja o que se imagina ou se vive, comer aquela tapioca que mamãe fazia só com nata. O amor que ela colocava em não resistir e fazê-la com carinho. Aquela tapioca branca e amarelada com a gordura da nata. Aquele café quente com leite morno da vaca careta. Aquela voz terna, aquela casa amarela. Papai tirando mamãe de tempo nos fazendo rir e irritando-a.
O sol esquentando a areia quente a burra amarrada na Pinheira e tio Aldo bradando suas conversas bonitas. O fogão de lenha com o fogo dançando, as galinhas no terreiro passando. Nós assanhados, ouvindo atentos a conversa gostosa. Mastigando e salivando a tapioca deliciosa, com nata salgada, salgadinha, ouvindo tio Aldo contar histórias que não lembro mais. Um gole de café com leite nos despertando. Alma feliz e cheia de esperança de que tudo ia melhorar. Outro dia, era tio João, outro dia tio Itamar, outro dia no fusquinha tio Dedé e até Zé Vieira aparecia.
Assim foi! E não é mais. Tudo só acontece uma vez e por isso é raro e por isso é valioso. Cada um com sua história.
Ah uma tapioca com nata e café com leite da vaca careta.
O tempo é eternizado numa memória, numa fotografia. Ao vivermos compartilhamos nossas vidas, os momentos. Fechei os olhos para ouvir uma canção antiga e encontrar alguma memória boa ou ruim.
Voltar no tempo.
O tempo, o espaço e meus afetos.
A cada instante menos tempo. Tudo que se desvela e se imprime em fatos por via da percepção, da linguagem, do pensamento e da memória deixa algo em mim. Coisas que me impressionam como a cor azul, amarelo e vermelho, o dia e a noite, o sabor doce e salgado, o canto das aves, arranjos musicais de piano, arranjo de flores, um poema.
Borges, Platão, Kant... Como não ser infiel ao dar preferência a alguma categoria.
Sábado é um dia sagrado. Desenvolvi novos hábitos. Acordo, faço um café, e leio ou ouço alguma palestra de Borges. Palestras ministradas entre os anos 70 e 85 quando concebeu sua última palestra.
Uma das que mais ouvi foi sobre as mil e uma noite. Onde discorre sobre as muitas histórias daquela obra. Tenho uma empatia e entendo ou creio entender que não me canso de ouvir uma, duas, três ou inúmeras vezes.
Não sei quando ou se vou parar. Sei que minha alma fica plena de felicidade. Por que nem imagino.
O amanhã sempre chega e por isso envelhecemos.
Florzinha chegou aqui apenas um ramo. A mamãe plantou-a num vaso duma rosa do deserto. Ela enraizou e cresceu. Tinha muitas folhas, com o tempo floresceu. Então um certo dia veio o primeiro beija-flor, depois o segundo e nunca mais parou de ganhar visitas e beijos do beija-flor.
Hoje arranjei um nome.
Florzinha
Nota. Florzinha é uma Euphorbia popularmente conhecida como sapatinho de judeu.
Tecnicamente não é uma flor que ela produz, mas várias flores.
Hojé é sexta-feira, Sassá acordou mais cedo que ontem. Então decidi levar ele na feira da UFPB. Ele se arrumou e eu me arrumei. Descemos, entramos no carro e fomos. No carro ouvíamos a nossa trilha sonora de música infantil em inglês. Chegamos no estacionamento da Etidora ufpb e ao estacionar o carro vi que tinha um urubu-de-cabeça vermelha numa antena. Paramos para observar. Sassá perguntou qual era a cor do bico, respondi que era vermelho. Depois fomos para a feirinha que agora fica no centro de vivências. Antes de chegar lá vi uma embauba, então paramos para observar e vimos uma preguiça lá. Sassá percebeu ela se coçando. Dai seguimos, pedi uma tapica com um suco de acerola. Ele comeu ouvindo minha conversa com um psicólogo. Conversa ótima, mas para ele muito aborrecida. Então compramos limões e bananas. Fomos ao Departamento de Sistemática e Ecologia onde trabalho. Vimos uma lagarta onde paramos o carro. Fomos tomar um café com os amigos e conversar. Dai de lá vimos o crânio de uma baleia, as plântulas de jucá, de pera, a coluna da baleia. Viemos embora. Em casa desenhamos o urubu, a preguiça e assistimos Ice age 4.
Foi ótimo.
Levei Sassá a natação hoje. Ele desenvolveu uma grande fobia a piscina. Medo de afogar o tempo todo. Como contornar isso? Estou de férias e os dois dias ele acordou muito cedo. E haja energia. Vamos ver como resolver esse medo. Com paciência.
O tempo passa e engole tudo.
Que seria do tempo sem memórias?
Que seria do tempo sem momentos?
Tempo é tudo e nada.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...