E as estações acontecem.
O inverno ameniza as plantas,
O verão castiga.
O sol e a lua estão ali,
Observando tudo acontecendo,
E quem ama cuida de aguar a planta
Que agradece florescendo,
E tudo vai se passando.
E as estações acontecem.
O inverno ameniza as plantas,
O verão castiga.
O sol e a lua estão ali,
Observando tudo acontecendo,
E quem ama cuida de aguar a planta
Que agradece florescendo,
E tudo vai se passando.
A tarde se vai quente,
Um gato mia por ai,
Um cão latiu,
Motos roncam nas três ruas,
O barulho de maquita grita não sei onde.
Mais um dia se vai.
Sanhaçus-de-coqueiro cantam,
A luz dourada se desfaz,
Nuvens brancas no céu azul...
Por ai.
E mais um dia se vai,
Sob uma tarde quente,
Na rua cães a latir,
Pardais a piar...
Mais um dia se vai
O que tinha para acontecer,
Aconteceu...
E a esperança de algo melhor acontecer fica para amanhã.
Amanhã ou depois.
É bom ouvir o canto do fim-fim,
Tenho muitas memórias do fim-fim,
Onde nasci chamamos de vêm-vêm.
Lá tinha e tem muitas pinheiras,
E essas árvores costumam ter erva de passarinho,
Que lá é conhecida como incherque.
As ervas-de-passarinho pertencem a um gênero chamado de Phoradendron.
Elas formam um frutinho que fica laranja quando maduro,
E os fim-fim adoram,
Os frutos tem uma mucilagem que gruda no bico dos fim-fim
E é assim que esta espécie de erva-de-passarinho é dispersada.
Então, lembro dos fim-fim cantarem no final da tarde.
Tinha Raimunda dizia que quando os fim-fim cantavam estavam anunciando visitas.
Fim-fim é um Fringilidae com nome científico de Euphonia chlorotica.
As minhas memórias ficam cada vez mais complexas com o tempo.
O céu nublado de domingo,
O sol brilhando e gaviões voando e cantando,
Nas árvores sanhaçus-de-coqueiro cantam.
Através da janela sopra uma brisa fria,
Da cozinha um cheiro de comida e calor chega a mim.
O som do celular no youtube,
O som da faca cortando,
Sobre a mesa uma caneca com a imagem de noites estrelada de Gogh,
Na parede uma moldura de gesso de Mozart,
Um copo vinho com frutos secos e sementes,
Tudo ordenado na busca de um sentido...
A ordem linear,
A ordem reticular.
Amanheceu é outubro de 2020
Sábado.
O silêncio preenche a rua.
Aves cantam,
A luz está tênue.
Eu me dou conta que o tempo não pára.
Cotidianamente se vai mais um pouco
De nós que embriagados com a vida nem percebemos.
E logo vem outra e outra manhã...
O que é o tempo?
Nosso tempo,
Nosso ser,
Nossa existência.
Penso, mas não encontro lógica,
Não encontro direcionamento,
Não sei estou buscando,
Nem sei se encontrarei nada.
Neste momento tudo que me agrada
É essa composição que ouço
Ser tocada no piano.
Grande Frans Lizst.
Amanheceu nublado,
Tempo fresco,
Dia bom!
Pássaros cantando,
Coisas acontecendo!
Aqui, ali...
Cada lugar com suas nuances.
Através da janela vejo um pé bagiado de tamarindo.
Folhas peguenas de uma grande árvore.
Através da janela o sol.
O tempo quarando o dia,
Tempo estacionado.
O corpo se curando aqui dentro.
O vento seco da manhã,
A luz do sol rutilante,
As folhas amarelas e secando,
Cana seca,
Galinhas forrageando,
A palma verde,
Folhas de catolés a dançar,
O chiado das folhas
No compasso do tempo
Tempo que passa,
Tempo eterno.
O sol alto
A estrada escura do asfalto
Está ornada de capim seda
Que dança com o sopro
Suave do vento,
A terra solta
A poeira
O verão.
O dia amanhece claro
O sol brilha no céu,
Na calçada crescem as vincas alvas,
Com um balde de água
Distribuo as um pouco de água,
E recebo flores em recompensa,
E a vida vai passando bela.
Bela vida.
Não sabemos o que é o amor até que ele se revele em toda humanidade.
O cuidado com quem se ama é o maior o amor,
Envolve todos os sentimentos de doação e generosidade
E um desejo intenso de eternidade,
Amar certamente é doar-se por inteiro,
De corpo e alma e todo o ser.
Chega parecer que o coração vai explodir ou implodir,
Não sei explicar,
Não sabia explicar,
Mas agora estou aprendendo a duras penas.
Deus é quem é nosso guia e isso é tudo.
É preciso paz,
É preciso amor,
Tudo que está acontecendo,
Tudo que estou vivendo,
É complexo e dissaboroso,
Não existe lugar de paz para um coração perturbado.
Só na fé encontraremos este lugar.
Só assim.
Serotonina que é isso!
Magia,
Felicidade,
Um composto que todos ou tem ou não tem.
Uma droga humana?
Sabe lá.
A dor não é só minha,
Mas nossa em tempos distintos,
O medo, a angustia,
A ansiedade...
E o que nos torna mais humanos
O que pode nos humanizar mais,
O que pode nos fazer despertar para a vida?
Não consigo imaginar algo mais potente,
Nas palavras proferidas por Cristo
Tenho paz...
"Pai nosso que está no céu
Santificado seja o vosso nome...
Se percebemos o óbvio,
Ficamos assustados,
Amedrontados,
Até o vento nos amedronta,
Não sabemos o que acontecerá,
Nem como,
Mas se um sinal aparece,
Morremos por dentro de medo.
Gloria ao pai,
Pai santíssimo,
Pai.
Olhai os jardins floridos,
As flores perfeitas,
Coloridas,
Simétricas,
Perfumadas,
A tarde que cai,
O dia que vai,
A esperança de mais um amanhã.
A tarde caiu novamente,
Tudo está tão diferente,
Tudo tem ficado assim tão diferente,
Talvez seja ansiedade,
Talvez seja algo mais,
Talvez seja, mas se não?
Tenho tentado manter a calma,
Mas não tenho conseguido,
Estou cansado,
Preciso de algo que me dê força e fôlego,
A existência assim não é coisa boa,
Embora as aves piem,
Embora um cachorro lata,
Embora tudo de bom...
A tarde sempre cai depois de um dia que passa,
Mais um dia.
Que sofrido é esse medo que me toma.
Essa sensação de vazio.
Se me perguntassem como mudaria o mundo,
O que faria?
Certamente não teria uma resposta.
Como poderia ser o mundo?
Eterno?
Tudo que tenho são memórias imperfeitas e mau polidas.
Em parto aceito a realidade,
Em parte tenho medo.
Tudo parece está tão frio,
Pela realidade ou pelo medo?
Tenho mais dúvidas que certezas,
Aliás sem certeza alguma.
Sentido,
Ir e vir,
Consciência, subconsciente,
Ser e não ser,
Devir...
Fenomenologia do espírito,
O pânico,
Nem tudo que é aprendido foi apreendido.
Hoje é diferente de ontem...
O mundo,
As impressões,
As ideias,
A dinâmica dos seres entre as coisas,
A ordem e a desordem,
A deriva de uma força superior,
Natural?
O agora!
Em espiral subjetiva,
Em espiral em si.
Existe alguma força reativa?
Nossos medos, nossos maiores medos,
Quando confrontados podem ruir nosso ser,
A falta de fé e de esperança
Pode ser a maior fonte de sofrimento,
Uma dor num corpo sã,
Uma dor psicológica,
Sem poder se dar a reflexão,
Abandonada ao temor e ao medo,
O fim...
Algo que foi vivo sem vida.
Tudo que é é, mas não é eterno,
Fazer de cada dia o eterno...
Esperamos sempre do amanhã...
Sem entender do hoje.
Temor, temor, temor
Sem antes tentar.
Várias vidas numa só,
O mundo da imaginação.
Dark day,
A vida é cheia de surpresas.
Qualquer dia desses ela pode te surpreender,
Ela pode te dar uma lição,
E não vai ter como se livrar,
Vai ter que crescer através do sofrimento e da dor,
Vai aparecer em sua vida a possibilidade de perder quem tanto ama,
E o medo vai te congelar,
Vai ocupar cada parte de ti,
Das unhas dos pés aos fios de cabelos,
A fé e a esperança serão suas aliadas,
Porque tudo é contingente...
Vais envelhecer neste momento,
Vai viver seu maior sofrimento,
Mas precisa ser forte,
Na esperança que o amanhã vai chegar.
Do silêncio a aflição,
O desvelado revelado,
Princípio de um mau,
Um mau cruel,
Vamos parar esse mau,
Em nome do pai,
Em nome do filho
E em nome do espírito santo.
A tarde cai ensolarada,
Do poente sopra um vento frio!
Pandemia!
Que nada todo mundo está indo e vindo numa boa.
Vou ao mercado.
Hoje as aves despertaram tão contentes.
E eu também estou contente!
Assim na vida.
Conclui a leitura do livro
A fenomenologia do espírito de Hegel,
Não entendi nada!
Tempo perdido?
Entre o dia e a noite,
Um dia vivido,
Coisas boas e ruins,
O céu azul,
O sol intenso,
O verde arbóreo,
Casas reduzidas e desbotadas,
Jardins floridos e coloridos,
Aves cantando,
Borboletas ondulantes
Planando no ar,
Borboletando,
Um dia seguindo o outro,
E o sábado partindo
🌹
Pela manhã caiu um toró.
Estava numa parada de ônibus
Vendo e ouvindo a chuva chovendo,
Os pingos formavam uma corrente de água
Que escorria transparente.
Os pingos caiam nas árvores
E escorriam ramo abaixo...
E a manhã foi despertando e a chuva parando.
A chuva parou de chover em pouco
Tempo restava apenas a corrente transparente
Que foi minando até desaparecer,
Até sumir
E se foi...
Em algum dia de agosto pelos 40 anos vividos aprendi alguma coisa com a vida.
Foram 20 anos vividos na pátria mãe Serrinha dos Pintos e 20 anos por ai vagando em busca de conhecimento. Pensando no hoje acho que nunca estive tão perdido.
Aprendi muito, mas a lição que fica é que nunca sabemos o bastante,
O mundo é infinito de conhecimento,
E nessa busca pelo saber a gente só concluí que nunca sabemos tudo,
Descobrimos que essa fome como nosso apetite por comida só é saciado parcialmente...
A fome é grande e o tempo é pouco,
As vias são os limites...
Um cheiro despertou uma memória antiga.
Quando criança, às vezes, saíamos para a casa de um vizinho para moer milho para fazer uma comida que conhecida como xerém.
Geralmente era na casa do vizinho mais próximo. A casa de Amaro era uma delas.
Amaro que era casado com Ciça e tinha um filho chamado Francisco (Chico Amaro).
Ciça zelava demais do moinho que era sempre muito limpinho.
Como a maioria das casas, aquela era realmente muito simples sem muito conforto.
O moinho ficava na cozinha.
Sempre ia para moer e ajudar mamãe.
Ela ia colocando o milho e eu ia moendo.
Os grãos ao serem moídos se transformava em xerém e farinha.
E é viva a memória do cheiro do milho moído, um odor peculiar.
A moagem geralmente se dava em duas etapas.
Às vezes, mamãe já ia peneirando.
Assim que acabava, mamãe limpava o moinho e a gente voltava para casa
Para assim preparar mais uma vez a nossa janta,
Nossa subsistência... E mais uma tarde se passava em nossa vida.
Sem pensamentos ou consciência cheia de felicidade.
O espaço está aí eterno.
As paisagens mudam com a vida que lhes habita.
Não somos eternos,
Somos apenas passageiros,
Viajando nesse mundo com nossa vida.
Estamos sempre aprendendo,
E o tempo passando,
Tudo é apenas movimento,
E quando perde o movimento
É o fim.
Há tanta coisa absurda acontecendo,
Tornando-se comum, vulgarizando.
Coisas ao meu ver absurdas.
Como assim cometer um aborto em uma criança de 10 anos é crime!?
Onde está a lógica de pessoas que são contra o aborto neste caso.
Pessoas dentro da igreja se pronunciarem contra o aborto...
Num mundo onde o outro quer dominar seu corpo.
Onde chegamos.
Desprezível estes tempos.
É estranho rever um lugar místico por ser desconhecido depois de muito tempo. As paisagens, o clima e a luminosidade deixa uma vontade de desvelar o sobrenatural.
Tudo coisa de nossa imaginação.
A mata branca esparsa, os solos rasos,
A vegetação espinhosa e baixa
É um cenário cênico que ocupa nosso imaginário.
A natureza eterna e a vida passageira
Travam uma batalha que tem destino certo.
Assim é o Seridó para mim.
Um paraíso subjetivo.
Tudo pode ficar melhor ou pior,
Com música e beleza tudo fica encantado,
Os encantadores do mundo Mozart,
Beethoven, Chopin, Lizst...
Com beleza tudo fica mais encantado,
Eis os encantadores do mundo
Gogh...
O mundo fica mais belo com arquitetura de
Gaudi...
Essas coisas entre arte e ciência.
O tempo nos constrói,
Ser é ter substância viva,
Ser é devir,
Viemos a ser e deixamos de ser,
Esse movimento chamado vida,
Quando não voltamos a ser,
Apenas deixamos de ser,
A matéria se transforma em caos.
E sobra alguma coisa?
Sem corpos não somos nada.
Quando se morre se torna nada.
E o que fica é apenas o vazio...
E quanto mais vivemos
Maior vai se tornando o vazio
Porque vamos perdendo as pessoas que amamos,
Embora tenhamos que continuar até o nosso fim.
É preciso refletir sobre esta certeza.
Chopin!
Acho que ouvir suas composições tem clima de chuva,
Tem gosto de chá com madeleines,
Tem cor azul...
Toda a calma do piano,
Ouvir Chopin aqui nos trópicos
É interessante porque as aves cantam lá fora...
Não é nightingale nem blackbird,
Não são bem-ti-vis, sanhaçus, siriris,
E nomes tupis...
Entre uma composição e outra,
O silêncio ensurdecedor da tarde,
Que breve silêncio.
A memória torna tudo tão próximo,
Ontem, hoje, agora...
Só a imaginação antevê o amanhã.
Quero dormir ao som do piano,
Composições de Chopin.
Sabe... Algo excepcional está acontecendo comigo.
Estou terminando de ler a "Fenomenologia do espírito" de Hegel...
Excepcional porque é impossível ler Hegel numa sentada.
Na verdade, acho que mau cheguei ao fim e sinto que tenho que recomeçar a reler.
Não Hegel não deve ser lido e sim estudado.
Adoro Marx, mas não entendi nada do Capital 1.
Assim como, que ler Darwin ou Nietzsche.
Pensamentos para além da academia.
Diamantes brutos como nossos cérebros indisciplinados.
Chega! Uma notícia triste nesta tarde.
Professor Alexandre da Oceanografia da UFRN partiu.
Ainda lembro de suas aulas explorando a geologia
Na sala com ar da maresia,
Os amigos de Minas,
As idas e vindas no ônibus 33.
Nada haver o mar com Chopin
Com geologia,
Com nada.
Borges escreveu,
Mozart compôs,
Nem escrevi ou compus.
Sou apenas grato por suas obras
Que ajudam a entender e organizar meus pensamentos,
Pois comungo de algumas de suas ideias.
Felizmente eles viveram e fizeram algo que os eternizasse
Na literatura e na música.
Muito do meu tempo é perdido nessa ideia de eternidade ao longo do tempo.
Se o tempo é a imagem da eternidade como definiu Platão...
A memória é atemporal...
A materialização de ideias,
Pensamentos ordenados, construídos,
Condensados...
Acho que todos aqueles que viveram e que vivem
Perdem parte de seu tempo pensando na existência...
Alguns conseguem esquecer isso em seus trabalhos.
Duas pessoas tão distintas um teve seu brilho na juventude e a vida o levou muito jovem,
O outro teve seu brilho na velhice e se foi já de idade avançada.
Um foi genial desde o berço,
O outro soube cultivar e dar asas a sua genialidade.
Amadeus e Jorge...
Aqui vivo e contemplo sua imortalidade.
De certo cairei no esquecimentos,
Mas vocês continuarão como o sol e a lua.
Quantas informações nos chegam durante um dia em forma de impressões. Nem imaginamos quantas não são sequer percebidas. Outras são supraestimada. A verdade é que somos dominados em grande por um caos pouco percebendo sobre nossa vida. Que viagem essa que é a vida. Se tentamos nos aproximar de algo de certo mais próximos estaremos, mas não sabemos qual é a medida certa, nem temos um meio termo. Será se estamos voando em torno de uma luz elétrica? Apavora-me este caos que sou.
O tempo fantasma que nos atormenta,
Enquanto seguimos a seta o vencemos,
Todavia a todo instante pode ser o nosso fim.
Passado, presente e futuro,
Memórias do passado,
Desejo do futuro,
E o devir no presente...
Ser!
Este sujeito.
Um dia de fortuna, saúde e paz
Onde o sol brilhou no céu azul,
O vento soprou suave,
As aves cantaram,
A mente até relaxou
E você trabalhou,
Tudo ocorreu na benção do Senhor,
Agora a noite chega,
Que a mesma fortuna do dia
Acompanhe a noite.
Graças ao senhor.
A realidade é áspera a maior parte do tempo.
Ficamos irritados com as impressões que temos das coisas, dos momentos, das situações e enfim tudo em nosso entorno.
Desconforto, impaciência, medo, angústia são sensações que preenchem nosso ser.
Nossas percepções nos confundem pelas memórias que guardamos.
Queremos ficar parados ou queremos entrar em movimento,
Queremos pensar e não pensar.
Quantas sensações e percepções nos trazem o caos.
O que será isso.
O poeta da saudade Semana passada ouvi o compositor Santana declamando um dos mais lindos versos sobre saudade. Ele falou de Antônio Pereir...