19/07/16

Aurora

A aurora que surge encarnada,
Escarlate feito brasa,
Uma fogueira consumida,
Revelando vida na brisa que passa
E atiça aquilo que resta do que era matéria,
E foi consumida, e foi embrasada,
Aurora, da vida sacrificada
O sangue quente que esfria e coalha e talha
E desaparece como o calor que esfria
E leva o suspiro de vida
Que leva o calor da brasa
E é cinza,
E já não é mais...
Aurora abstrata,
Crepúsculo primeiro,
Anunciada pelo canto do galo,
E aqui nos trópicos,
Aqui no nordeste,
Aqui onde o sol nasce primeiro,
Cantam alto bem-ti-vis...
Aurora encontro em ti profunda intimidade,
Sedes fontes de reflexão,
Em Minas música da terra,
Em São Paulo superlotação, movimento,
Em Brasília um braseiro frio e silencioso,
Mulheres vendendo café,
E no sertão resta o forró pé de serra...
Agora...
Cabe uma reflexão
Como percebes o aurora?

18/07/16

O que?

A prata é prata?
A folha é verde?
O sol é amarelo?
A terra é azul?
O que posso apreender do mundo?

Início ou fim?

Enquanto o instante se desfaz,
O que é deixa de ser,
Seguindo o mesmo sentido,
O tempo e o espaço
Esses conhecimentos a priori,
Essa metafísica do ser.
Esse eterno-devir.
A natureza Heideggeriana...
A construção ou a apreensão de um sentido,
A vida...
O instante que se desvela.
O ponto final.

17/07/16

Crença

Sob esse céu,
Sobre esse chão,
Há homens que valem atenção,
Homens de boa índole,
Homens sem má fé,
Que trabalha
Que vive sob sua fé.

Há um lar?
Há um lugar?
Onde podemos encontrar?
Seu lar é seu coração,
Seu lugar é sua inteligência,
Está em todo lugar.

16/07/16

Convicção

O tempo,
O espaço,
O ser,
A vida e sua teia,
Uma direção a seguir,
Um objetivo a atingir,
Uma meta reta.

14/07/16

Tarde dourada

A tarde partia agradável e dourada,
Sentia-me profundamente feliz,
Não me lembro qual era o dia da semana,
Mas me sentia profundamente feliz,
Algo estava para mudar em minha vida,
Algo, sempre está para ser mudado em nossas vidas.
Todavia naquela tarde era diferente,
A mudança iminente,
Encontrava-me na biblioteca central da Unicamp,
Naquele momento, era um total desconhecido as pessoas que ali interagiam, conviviam,
Todavia, num tempo não tão distante, aquela seria minha segunda moradia,
E aquelas tardes seria só minhas...
Todavia havia dúvidas se daria certo ou não... Havia angustia neste fato.
Nem sabia que estaria vivendo meus últimos dias na capital comercial do pais.
O ano era 2007, o mês outubro ou novembro. Não recordo...
Bom, esperava meu amigo, ansioso para contar sobre a prova.
Nem estava refletindo que aquela tarde estaria selando minha terceira grande mudança na vida.
Vindo do centro do meu mundo, Serrinha para Natal, em seguida para São Paulo e ali chegaria a Campinas...
Um sonho nunca imaginado.
Meu amigo chegou, então fomos embora, escureceu...
No dia seguinte voltei para São Paulo, mas tinha deixado ali uma prova respondida que me permitiria Viver uma de minhas maiores realizações na vida "fazer um doutorado em Biologia Vegetal".
Hoje vendo de fora, sei que se tratou de uma de minhas melhores fases de minha vida,
Veio depois Brasília e aqui estou em João Pessoa!
Até quando?
Não sei...
Sei que tenho milhares de memórias, de pessoas que vivi, que brinquei e que ensinei e com elas aprendi a ser quem sou.
E o processo continua,
Apenas imersa em outra paisagem com o mesmo sol dourado. 

13/07/16

Essência?

E se vai o meu tempo
Nesse esforço de entender o mundo,
Entender a mundanidade,
De entender o meu entorno,
Consumo meu tempo nesse tremendo esforço,
Agora entendo que a essência da vida talvez seja isso,
Está intrincado ao ser essa busca,
O domínio é transcendente,
Bem até  lá será intenso e profundo meu processo de subjetivação,
Será proficuo!
Se o ato de compreender for realmente uma essência,

O ato de metaforizar...

Estou comprometido com a vida,
Até o dia que ainda tenha sentido,
Se perder o sentido,
Como não faz sentido o ciciar dos grilos,
Ai...
Será o fim

11/07/16

Meta-física

Essa busca incessante,
Essa convicção atenuante,
Esse querer ser,
Essa condição humana,
Toda a subjetividade,
No vermelho da rosa,
No escarlate do sangue,
No traço de Gogh,
Na pena de Borges,
É assim que o mundo se revela,
Essa dialética
Objetiva e subjetiva,
Ou intuição.

09/07/16

Pensamento

A noite escura, silenciosa e quente 
É o momento perfeito para a reflexão.
Refletir sobre a existência e nossos atos.
O que e quem somos.
A soma de tudo isso pode ser projeção sobre o que seremos.
Noite após noite...
É preciso ter em mente que esse "seremos"
É algo finito, semelhante a parafina de uma vela
Que constantemente está sendo consumida pelo fogo,
Enquanto consumida é luz,
Todavia quanto mais brilho mais alto é o auto-consumo.
A vida é limitada em diversos sentidos e formas...
Só percebemos o escuro e o silêncio quando estamos sós.
Nesse sentido a solidão é importante para nos definirmos como seres.
Fisicamente o escuro, silêncio e calor são solucionados através da eletricidade,
Todavia... Não nos tornamos ociosos, pelo contrário criamos mais necessidades
Que nos impede de refletir.
Se dobrar e nos compreender melhor como seres.

07/07/16

Tamizar

Não seria capaz de descrever a beleza de uma sinfonia de Mozart
Ou a harmonia entre as cores de uma tela de Gogh
Ou uma poesia de Pessoa
Ou um conto de Borges
Ou ainda algo mais lindo que a obra botânica de Bentham,
Ou a sagacidade de Marx,
Ou a inteligência de Sartre.
Não, não seria mesmo.
Apenas contemplo e muitas vezes aprendi através do olhar do outro,
Algumas coisas simplesmente arrebatam como Gogh,
Outras necessitam serem subjetivadas...
Quem sabe para serem objetivadas.
Quem sabe.
Todavia objetivar o mundo é tão maravilhoso
Que tento fazer através da fotografia ou ofertando o que subjetivei...
Ah... se me compreendesses...
Se nem eu mesmo aprendi completamente a me compreender,
Como qualquer outro humano sou encantado com o belo seja eles em qualquer uma das vertentes humanas.

06/07/16

A beleza da abstração

O mundo se torna mais interessante quando conseguimos compreendê-lo.
Essa compreensão se dar de maneiras muito diversas. Muitas vezes depende da perspectiva como se quer compreender. Especificamente no meu caso, além das experimentações dos sentidos, foram as palavras que me arrebataram completamente. Mesmo desconhecendo seu significado fui atraído pela sonoridade, pela organização das letras... ou talvez não foi nada disso.
O que sempre me fascinou foi saber o que significa uma palavra e na maior parte das vezes o significado está associado a sua origem. Imaginemos que através das várias línguas no mundo há palavras para todas as coisas, objetos, estruturas, situações, meios... Absolutamente tudo pode ser verbalizado, no entanto precisamos do domínio de tantas línguas para podermos sorrir maravilhados.
A mim me fazem feliz o grego e o latim, principalmente o latim língua mãe do português... E como nosso português tá mais para brasileiro mesmo temos ainda lindas palavras de origem tupi, africanas... e tantas outras que desconheço, até mesmo o inglês. E cada dia me surpreendo com as palavras que encontro muitas vezes peneiradas em textos que muitas vezes não compreendo tudo, mas filtro ao menos palavras que dão significado a minha vida. Posso verbalizar... pessoas criaram-na e poderei reproduzi-las para explicar o mundo ou melhor entendê-lo.
Hoje entrei em êxtase ao compreender a palavra Cephalotes. Essa palavra trata-se de um gênero de formiga que tem a cabeça achatada e numa espécie, plana e orbicular. a formiga usa a cabeça para tampar o ninho e as operárias só conseguem entrar se tocarem na cabeça da maneira e frequência correta como se fosse o tímpano. Que genial essa palavra grega Cephalo=cabeça e otes=ouvido ou seja cabeça com função de ouvido.
Passei o dia imaginado como foi genial esse biólogo que descreveu esse gênero.

Indiferença

A manhã que caiu suave,
Os pássaros que despertam antes do sol,
Bem-te-vi, bem-ti-vi...
Sanhaçus e saíras
Que se ouve e não se ver,
Elo intimo da mata altântica que se vai,
Se desfaz em lotes, casas e condomínios,
Agora é prédio e mar,
Restam as saíras.
E a manhã se passa indiferente

ser

A vida vai nos delineando,
Hoje uma palavra,
Amanhã uma situação,
Ontem uma memória,
Agora uma impressão,
Que se prende e sustenta,
E percorrerá o tempo,
A minha breve existência.

04/07/16

Alimento

As palavras e os seus encantos,
Em cada canto há coisas,
Que podem serem verbalizadas
Através de palavras,
Seja em português, mandarim ou alemão.
Quem dera conhecesse todas as palavras,
O  mundo viraria um nada,
A poesia comida de cada dia.

São João

São João,
Bomba, traque, estouro.
Fogo, fogueira, bolo, milho assado,
Gente conversando,
Rememorando,
Papai acendeu a fogueira enquanto a gente
Ria e conversávamos,
Sentado na cadeira de balanço,
O mundo pode até acabar.
Bombas bombando,
Risos.
Até consumir toda a lenha,
Até consumir todo o tempo,
Ano que vem tem mais.

Razão

A vida é um eterno desvelar,
A cada instante que se passa ela se revela,
A cada momento que se revela é,
Esse momento em que a consciência se faz consciente,
Memórias, fatos, a luz qualhada da manhã,
O passado e o presente.
O ponto final de cada frase
Que aponta aquilo que quero expressar.

29/06/16

Acordar

Sobre seixos e poeira
Se debruçaram os pingos da chuva
E o solo hidratou
Fez transformação no sertão,
As sementes germinaram,
Os pássaros cantaram,
As gemas brotaram,
E o que era cinza
Foi tomado de cores e
Das plantas formas floríferas floresceram...
E a vida acordou da hibernação.

28/06/16

Peculiar

A beleza do mundo,
A beleza da vida,
Visão, audição, alfação,
O mundo sendo revelado,
Tudo a mim desvelado,
Intento e compreensão,
O mundo, esse meu mundo,
Mundo muito peculiar,
Onde aprendi a olhar,
E a entender sua lógica,
Meu logos...
E o compreender, se desfecha em universal.

27/06/16

Caatinga

Entre seixos e solo seco,
Lajedos e mato fechado,
Ramos intricados e armados,
O sol a pino,
Entre o criso do mato secando,
E o cinza do mato seco,
O escarlate escorrendo dos rasgos dos espinhos,
O  brilho da roseta do chique-chique,
Que lindo é o meu sertão,
O silêncio do meio dia,
O eco da coruja na noite estrelada e fria,
Na cantarolada da passarada ao amanhecer,
Cabeça vermelho,
Ciririca,
Golinha,
Andorinha
E rolinha,
Insetos mil,
Besouros,
Barbeiros,
Percebejos,
Lava-cu,
E o silêncio hirbernante do cururu...
Caatinga minha digital.

17/06/16

Air de Bach

Poucas coisas humanas perfeição semelhante aquela encontrada na natureza.
A música é uma dessas poucas músicas e Bach foi um dos maiores compositores que aqui respirou.
São tantas suas obras e dentre elas algumas me cativam mais. Tenho certeza que a Air de Bach é uma das obras mais lindas que conheço. Aquele momento que ao ouvir penso na existência, na cortina do tempo...
Ao certo acho que a primeira vez que ouvi foi quando ainda morava em Serrinha. Desde então ouço
E contemplo uma obra perfeita humana.

https://www.youtube.com/watch?v=rrVDATvUitA

16/06/16

Intermitente

Hoje incrível optei pelo silêncio.
Sempre ouço algo, uma música ou uma palestra...
Todavia hoje quis o silêncio orgânico.
Só o vazio do apartamento...
Quis ouvir o som do mundo, além do ronco dos veículos.
Olho a lua,
Hum...
Fechei os olhos e me vi no sertão.
O sertão plenilúneo.
Hoje preferi fugir de significante e significado.
As vezes os corpos querem serem apenas corpos,
Querem se compreenderem como matéria,
Essa matéria de aspiração intermitente.
Talvez tudo isso seja um pouco da compreensão
Sobre mim, sobre minha consciência.

15/06/16

Consciência

Consciência

Observar
Quem observa, sempre observa algo.
Observar sem contemplar é não perceber, não ver.
Só vemos aquilo que conhecemos,
Só conhecemos o que nos causa curiosidade.
Uma vez que os nossos sentidos são nossas vias de conhecimentos.
Então, na maior parte do tempo estamos descolados do mundo,
Olhamos sem observação,
Vemos simplesmente aquilo que é de nosso interesse.
Todavia  viver é um ato dinâmico é ação
E de uma forma ou de outra
Enfim atingiremos a consciência que é a apreensão de um sentido.

Natureza irracional

Natureza,
Flora, flores, cores, odores,
Troncos, folhas, serapilheira,
Um inseto, uma aranha,
Mamíferos, répteis, peixes,
Uma abelha,
Os pássaros, ah os pássaros,
Passarão, Passarinho,
Um poeta percebe a natureza,
Mas um filósofo,
Um engenheiro,
Sabe lá,
Talvez um biólogo botanicando.
Mas a natureza do poeta,
Visa a estética...
Beira a loucura ser poeta,
Brincadeira singela de criança
A dançar...

14/06/16

Seta, caminho

Por que entender o ser?
Coisa de poeta ou de filósofo?
Na maior parte do tempo somos pragmáticos,
Pensar a existência é bizarro,
Mas há tanta coisa mais bizarra,
Como mascar fumo e tocar reco-reco.
Creio que nunca entenderemos de fato o ser,
Não encontraremos uma determinação,
Mas assim,
Talvez a gente consiga pensar a existência
E encontrar um caminho e uma forma de viver melhor.

13/06/16

Curtaurta

Este mundo que leio,
Que não entendo nada,
E que me familiarizo,
Mundo louco,
Mundo muito,
Mundo pouco,
É nele que desvela minha vida,
Essa existência braquia.

Espiral

Agora,
Noite jovem de domingo,
Sempre temos algo a fazer ou a esperar,
Pensamos no amanhã,
Pensamos no ontem,
Resgatamos as memórias,
Criamos novas memórias,
Vivemos e descobrimos no viver
Uma fonte eterna do conhecer do aprender,
E como uma vela consumimos o que temos de existência.
Por isso temos que fazê-lo com sabedoria,
Todavia esta só nos chega com o consumo de nossa vida...
Ah, se pudesse voltar atrás...
Não, não há essa possibilidade,
Viver é movimento,
É devir,
Enquanto soa essa música de Mozart,
Enquanto minha garganta está irritada,
Enquanto meu peito pulsa,
Enquanto sinto desconforto,
A vida acontece,
Tudo acontece...
Pode me agradar ou não.
Acendi um incenso de canela,
Tomei um banho e me perfumei,
Vou jantar e o que poderia ser mais perfeito?
As vezes é importante sair do ideal e viver o real.

09/06/16

Reflexo

A noite é surda, cega e fresca.
A noite por ser sombria
É um mar de solidão
Em que nos afogamos,
Talvez por isso que a noite podemos descansar
E encontramo-nos com nossos sonhos,
E talvez assim a gente tente encontrar o melhor de nos,
Na noite há reflexão.

Mundo vasto

Mundo vasto  mundo de Drummond,
De tão vasto,
Onde me encontro?
Onde me encontro?
Não sei aonde estou,
Porque sou devir,
Agora estou aqui sentado na cadeira em frente ao computador,
Mas em instantes não estarei,
Somos movimento,
E me movimento por onde quero,
Tenho a liberdade que o tempo me permite agora,
Porque o futuro está imbricado,
O passado também
E o que me resta é o aqui e agora,
Esse devir,
Não existe essência,
Não existe nada demais,
Só a eterna liberdade sartreana.
Mundo vasto mundo,
Como subjetivá-lo?
É necessário tempo, tempo, tempo,
Tempo que não temos.
E a tarde cai sem que percebamos,
Então amém.

08/06/16

Quem sabe

A noite,
Um cão latindo,
O cansaço,
A alegria que se esvai,
O corpo que quer descanso,
A vida e seus espaços,
O cheiro que nos atrai ou nos repulsa,
Algo que está oculto a nossa compreensão,
Que se dissolve no nada,
Não se expressa,
Mas...

07/06/16

Divagação

Uma aurora,
Pés de Castanhola,
A grama verde brilhante crescendo,
Tricomas de ramos e folhas,
Folhas, flores e frutos,
Troncos e ramos,
Rizomas,
Crescer,
Crescer,
Florescer,
Algo em comum? 
A existência,
A existência,
O que sou o eu,
O que é o outro?
Minha percepção,
Sua percepção,
Unidas nos permitem ampliar o mundo,
Veja as rochas,
Vejo as flores,
Veja o céu,
Vejo um grão de areia,
As formas,
As faces...
Alguma explicação?
Divagação...

06/06/16

Busca

Porto seguro,
Eis o que buscamos,
Porque sabemos a dimensão da solidão.
Somos seres solitários por natureza,
Desde o nosso nascer até nosso falecer,
São atos peculiares, exclusivos,
Que nos faz esses seres tementes a solidão
E buscamos um porto seguro inexistente...
Talvez tudo que buscamos é o ato de buscar.
Quem sabe?
Quem sabe o que buscamos da vida?
São tantas as variáveis...
Ah...
Sabe lá.

05/06/16

Bendita terra

Bendita nossa terra,
Bendita nossa terra natal,
Essa terra fértil que nos acolheu,
Essa terra fértil que nos alimentou e alimenta,
No passado e no presente,
Essa terra bendita que em teu seio guarda nossos queridos entes,
Que assim viveram, aqui existiram e nos produziram,
Somos parte dessa terra,
Somos o que somos por ti bendita terra,
Bendita terra,
Partiremos para ti,
Mas há de abrigar nossas gerações,
Nosso tempo se esvai,
E com ele nos faz sermos quem queremos ser
E aos poucos nos perdemos,
Mas temos a ti bendita terra.
O amanhã é incerto,
Por isso,
Te amo bendita terra.

03/06/16

Inércia

Apaixonar-se pela vida,
Eis maior adrenalina,
Porque o amanhã é tão incerto.
A vida é tão inserta,
Há tanta incerteza,
O que conta é quase nada,
Mero acaso,
A sua existência,
A sua felicidade,
A sua tristeza,
Eterno devir,
Ser...
Ser o que penso,
Não se não pensa em nada.
Eh. inércia.

Apologia a sexta

Sexta-feira.
A gente se sente bem nas sextas,
Esse dia da semana maravilhoso.
Tenho a sensação que renascemos neste dia.
Hoje, melhor que qualquer outra sexta,
A chuva choveu na madrugada,
A chuva chovia na manhã cedinho,
A chuva brinca, chove, pára...
Gostas se desprendem com ternura dos ramos molhados, viridescentes...
Eh, chuva,
Eh, sexta,
Eh, Carlos Pereira e suas crônicas.

02/06/16

Divagar

O vento não tem soprado ultimamente,
A tarde é bela, mas tão organiza,
Quem dera pudesse voar com o vento
Feito pipa, feito ave a planar,
Ir para qualquer lugar
Onde pudesse esquecer de tudo,
Onde pudesse ser esquecido,
E ainda assim existisse,
Não falo da morte,
Mas falo se uma leveza do não ser,
Algo impressionante como o segundo crepúsculo,
Inesquecível como histórias de aventura,
De superação...
Ah, divagar,
Divagar,
Amanhã...
O amanhã nunca será o dia perfeito,
Então, no mundo nasceu Platão,
Que tirou tanta beleza do mundo,
Com a maldita da razão,
Pensamento linear carteziano...
Deus, Deus, Deus...
Essa loucura passageira que é a vida.

Não caminho

Onde encontrar a substância para viver e não apenas existir.
Cada um encontra a sua maneira.
Não existe receita pronta.
Não acredite em autoajuda.
Sinta a vida orgânica.
Tome suas decisões,
Seja responsável por suas atitudes.
Amadurecer é um processo traumático
E requer muita responsabilidade,
Ser quem se quer ser mais difícil ainda...
E a gente vai sendo ator na vida,
Um dia descobre que não era nada daquilo.
A gente descobre a vida,
Ela nos revela.
A consciência nos vem.
A consciência, como diriam os fenomenólogos,
é a apreensão de um sentido...
E vamos tomando consciência da vida,
E a gente descobre que a substância para viver
É ter coragem de sair da cama e fazer o que pra fazer...
O resto são consequências.
Lembre-se a vida não é teleológica.

Valores

Temos ânsia de entender o mundo. Esse mundo que tem tantas faces, tantas vertentes que o pensamento não consegue ou não tem tempo de conhecer. Nosso conhecimento é tão limitado diante do mundo, todavia há aqueles que sempre querem expandir o mundo. E o fazem a sua maneira.
Meu pai muito cedo com 17 anos tomou exemplo dos amigos, saiu de sua terra natal e foi a terras muito distantes. Saiu de Serrinha dos Pintos seio de sua família e foi para São Paulo numa viagem que suponho deslumbrante, foram 17 dias de viagem. Imagina o medo e a emoção de papai. Menino homem, que quando chegou a aquela cidade não tinha sequer um par de sapatos. Largou a enxada, o sol a pino, para trabalhar na construção civil como servente de pedreiro, abraçado a uma esperança deixou de trabalhar apenas para comer por um salário. Papai que nunca tinha visto dinheiro, passou a vender o seu trabalho e a ter algum dinheiro e ajudar a sua família. Bom filho, bom irmão e bom marido. De papai nunca tive queixa, não tenho más histórias, teve que amadurecer muito cedo. Papai na sua simplicidade foi boêmio, aprendeu carpintaria e não ficava seis meses num lugar e já mudava, queria uma nova obra, um novo lugar, novas pessoas. Papai adorava tirar barato, naquela época varava a madrugada ouvindo Nelson Gonçalves de quem tanto gosta. E quando chegava em Serrinha era o cara. Papai conheceu as grandes cidades o eixo da economia da época: Rio, São Paulo. Descreve de cabeça o centro de São Paulo e do Rio...
Papai ampliou sempre o seu olhar, sempre gostou de conhecer o mundo e hoje o tempo cada vez mais torna-o prisioneiro do seu corpo, Borges já dizia e é o que acontece nos tornamos prisioneiros de nossos corpos de nosso tempo e não acompanhamos o nosso tempo.
Apesar de tudo coragem não faltou, seu entendimento é o de seu tempo, hoje encontra-se imbricado em seus pensamentos, muitas verdades que aprendi com ele se desfazem. Verdades que para ele são teorema, verdades como as políticas, que na época do regime militar era que funcionava.
Papai não leu Foucault, Sartre, Nietzsche... Papai não leu teorias. Tudo que aprendeu foi com a vida.
Ele me ensinou valores que são atemporais. Valores que aprendeu com seus pais e irmãos.
Os valores são atemporais. Vão além das fronteiras do conhecimento. 
Por isso devo tudo a meu pai e a mamãe pelos valores que me ensinou.
Creio que mais que bens materiais valores são aqueles bens que melhor de devem deixar para os filhos.

31/05/16

Sujeito

Ser,
Até quando?
Que importa.
O ocaso,
É quem sabe,
Amanhã...
Talvez existirá,
Talvez não...
Impossível,
Imprevisível...
Esse ser subjetivo...

30/05/16

Imaginário

Imaginário!
O que sou?
Fecho os olhos e sou quem ou o que quero ser...
De tento ouvir que era mentira,
Desaprendi a imaginar,
Ah, meu imaginário, minha maior riqueza que me tiraram...
Quando criança a sobra de pinheiras ou serigueleira era quem eu queria,
Vivia de imaginar,
Aprendi a fazer as coisas imaginando,
Por isso as coisas saem meio torta,
E dai, Gaudi pensava coisa tortas e todos acham tão lindo...
Ah, já nem sei brincar,
Só sei ser um personagem sem imaginação
Que envelhece e empobrece a imaginação...
A realidade é dura,
As pessoas são duras,
O meu imaginário...
Não é perfeito como contos de Borges,
Belo como pintura de Gogh,
Inteligente como Nietzsche,
Mas é meu...
É bom fazer,
É fazendo que aprendemos,
E quando temos gosto...
Ah, o imaginário.

A chuva na mata atlântica


Que o nordestino gosta de chuva, isto não é nenhuma surpresa, mas há aqueles que gostam mais que outros. Refiro-me ao sertanejo. Como sertanejo tenho propriedade para falar. Gostamos muito de ver a chuva, sentir, ouvir e até mesmo cheirar a chuva. A chuva é nossa esperança de dias melhores. Todavia há sertanejos que não conhecem a mata atlântica, nunca chegaram a ir a capital de seu estado, Natal, João Pessoa, Recife entre outras que chove muito. Lembro que ainda muito novinho quando acabara de chegar na UFRN para cursar Ciências Biológicas ficava encantado com tanta chuva, por vezes aborrecido pelos vário banho que tomei só por não ter um guarda-chuva.
Durou muito a conhecer a chuva na mata. Só quando fui a Pipa, a trabalho, onde dormi numa casinha no meio da mata no Santuário Ecológico, a casa fedia a mofo. Todavia quando acordei ouvi a chuva chovendo, suave intermitente então fui para uma área e fiquei ali sentindo a chuva. A chuva como numa sinfonia usava as folhas das árvores para tocar seu canto. Desfiava seus pingos por toda a manhã. Desprestenciosamente chovia. E vivia pela primeira vez a chuva chovendo na mata.
De lá pra cá foi muito tempo... Vi a chuva chover na mata de São Paulo e em muitos lugares, chuva de verão, chuva de inverno...
Aqui da janela vejo a mata sendo tocada pela mata e dou graça por conhecer a chuva na mata atlântica.

29/05/16

Perdido

Uma manhã ensolarada,
Ruas vazias,
Nem um cão a ladrar,
Ecoa em minha mente,
Memórias, memórias
Daquilo que se passou,
Sem retorno,
Sem retorno.
Minha realidade me desagrada?
Sei lá.

26/05/16

Oração

Aurora divina aurora,
Nesta hora que me levanto,
Nessa hora que bom se há espanto,
Aurora, mas se não dormi
Se nem percebi chegar,
Ah, aurora,
Acalentai os corações perturbados, sofridos, desiludidos...
A vida é tão maravilhosa para que no seio do amor nasça rancor,
Fruto da dor,
E como há aqueles que sofrem que pagam tudo resguardam sua vida para se livrar do sofrimento,
Sofrimento inerente a vida.
Aurora, desperta em mim a felicidade e a alegria de viver,
Ao perceber o quanto tenho nas coisas mais simples,
No que parece um nada, mas que é tudo, um bom dia, um gesto carinhoso...
Desperta em mim contentamento com o mais simples e puro dia,
Pois a vida é feita de coisas simples,
Não somos gênios como Mozart, Borges, Gogh, Gandhi, Nietzsche...
Somos seres humanos normais
Que precisa viver a vida de maneira ética,
Precisamos entender que somos o que pensamos e queremos,
Que meio copo não é simplesmente meio copo é sim meio copo cheio...
Tende piedade daqueles que acham que estão se dando bem as custas dos outros,
Que vendem sua dignidade por bens materiais...
Desperta em mim sempre o melhor que pode ser um ser humano,
Porque um dia aurora não te verei chegar.

É tempo de perceber

Uma flor que desabrocha perfumada encanta o dia,
Uma poesia cheia de mistério,
Uma conversa animada,
A chuva no verão,
Poeira ao vento,
O tempo, o tempo, o tempo...
Tempo pra poder viver,
Tempo para conhecer,
Conhecer o mundo, as pessoas, as histórias e as coisas...
Mundo vasto,
Somos grãos de areia ao vento...
Na praia...
A chuva,
A aurora,
O jambeiro florido...
A vida é beleza.

24/05/16

Interrogações

Cada maneira de ser,
É uma maneira de existir,
Quantas maneiras poderemos assumir como ser?
Haveria de mudar se mudasse a língua?
A cultura? os hábitos?
Será?
Poderia ser outro?

Epifania

Uma manhã de chuva suave,
O caos das vias,
Ônibus lotado, calor,
Nada impede de seguir para o trabalho,
Todavia algo distinto pode está acontecendo neste momento.
Uma compreensão distinta do mundo,
Despertada por uma imagem,
Uma palavra, uma música,
Qualquer coisa pode ser causa de epifania.
Ser causa de uma epifania eis grande gloria,
Sábios são os poetas que as fazem estourar como milho de pipoca.
As vezes a gente aprende a fazer da vida um caldeirão de pipoca.

23/05/16

Hoje

E no fim do dia,
Se fecha um ciclo,
Amanhã, talvez,
Tudo pode ser melhor,
Talvez não,
Todavia quem deve esperar pelo amanhã?
Ninguém...

ininterruptamente

Viçosas as árvores crescem ininterruptamente,
Crescem os ramos e o tronco e as raízes,
Trocam-se as folhas,
Produzem-se as flores e os frutos e as sementes,
Tudo a seu tempo,
Agora mesmo, imponentes na mata
Estão imóveis, não há vento,
Só a luz se difunde se entranha, embrenha-se na mata.
Os fungos sempre a consumir a devorar
Troncos, e ramos e folhas mortas.
Algumas aves a cantar,
Seu canto ecoa na mata.
Eu, mero observador,
Não sou árvore, não sou fungo, não sou ave...
Nem sei o que sou,
As vezes sou árvore, sou fungo, sou ave...
Todavia, buscando sempre saber quem sou.
Espinhoso caminho, de saber quem se é,
Como saber quem se é?
Somos o que queremos ser,
Mas a moral, mas os códigos, mas tanta coisa nos desvia de nós mesmos...
Ser um ser livre.
E as árvores crescem ininterruptamente,
Como os nossos anos.

22/05/16

Angústia

Como conseguiria escrever sobre o que sinto e penso
Sobre a existência, as sensações tão peculiares.
Há momentos em que penso que vou explodir de alegria, algo que creio ser felicidade,
No entanto no mesmo dia surge em mim um vazio intenso
Sinto meu peito tornar-se oco como uma caverna carbonática.
Varia tanto em meu ser todos os humores.
Feito milho numa panela aquecendo
E pipocas sendo estouradas...
Não entendo meu ser, não entendo a mim.
Minha memória é um espelho do passado
Que a todo momento como uma galeria expõe quadros
E me faz pensar no passado,
E me faz sentir um profundo niilismo,
Que me deixa descontente estando sou ou acompanhado,
Todavia na solidão creio serem menos brandas as sensações de vazio.
E vai se consolidando em mim um mundo ideal.
Existencialismo,
Kafkianismo,
Borges, Gogh, Mozart...
Aqueles que amo, nem eles me permitem expressar minhas sensações.
Esse meu ser inquieto,
Que garimpa na palavra um sentido para viver,
E nada encontra,
Nada me define...
Ojeriza,
Sabe lá...
Esse medo da vida.
Essas sensações inverbalizavéis, inexplicáveis,
São parte da angústia de nossa existência.

19/05/16

O melhor

Esse chegar,
Se apossar,
O amanhecer pós-madrugada estrelada,
A noitinha plenilúnea,
O silêncio...
Esse silêncio ensurdecedor,
Uma música,
A melhor melodia
Que nos enche de alegria,
Ah esperança que sempre
Enche os nossos corações
A qualquer hora...
Porque viver é a melhor coisa na vida.

17/05/16

Espiral

Gira  mundo,
Gira fundo,
Passa tempo,
Passa vento,
Vai o dia,
Nasce poesia,
O espanto,
O encanto,
Gira,
Gira,
Gogh,
Borges,
Chopin,
Mozart,
E acordamos,
Do sonho,
Viver é sonhar.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh