19/09/14

Verão a porta

A manhã desperta livre,
Ensolarada, enfeitada
Com a cantarolada das aves.
Hum! o chá quente,
O cheiro da manhã,
O sol crescendo,
O verão está ai...
Sol, sol, sol...
E as cigarras começam
A anunciar o calor,
E a gente vai empapar a pele de protetor,
E assim cai 2014...

15/09/14

Stefani uma flor

Tantas coisas são importantes em minha vida.
Faz mais de um ano que não sentamos juntos,
Faz mais de um ano que ouço Noctune sozinho,
Faz mais de um ano que não ouço sua voz,
Que não almoçamos juntos, que não vejo seu riso,
Faz mais de um ano que eu ti vi...
Não sei o quanto voce cresceu,
Sei que muito voce viveu.
E cresce em sabedoria.
Faz falta...
Se gosto de Chopin a culpa é toda sua.
Se gosto do silêncio,
Se gosto do Barulho da chuva
E da chuva...
Também tem culpa.
Curto foi o tempo que passou em minha vida,
Mas muito importante para o crescimento de minha alma
De todo o meu ser.
Plantou em mim doce semente de amor.

Aprender

Ontem vivi um amor,
Ontem senti uma dor,
Ontem não estava só,
Mas parti, parti e parti
E o que me resta?
Trabalhar, construir
E reconstruir a vida,
As coisas e a história,
O tempo voa minha patroa,
O tempo voa.
Ontem é a réstia do hoje,
Sem matéria,
Só um delírio,
Uma miragem...
É preciso aprender sempre.

Espiral do tempo

O tempo em espiral,
Girando sempre sobre o centro,
Girando num mesmo movimento,
Entre o dia e a noite,
Entre a alegria e a tristeza,
Girando, girando, girando,
Sem nenhum firmamento
E o ontem se confunde com o hoje,
E o agora com o já...
E eu me perco em pensamentos,
Progressivos pensamentos,
Vivos pensamentos
Que tentam se organizar,
Que fazem sentido a minha vida.
O tempo se elevando em espiral
Fito bases nitrogenadas,
Feito DNA e Cromossoma...
Perdidos na espiral,
Vemos tudo acontecer,
Vemos tudo desacontecer,
Manuel de Barros pensando,
Uma leitura de Borges,
As Bachianas de Villa Lobos,
A velhice que chega com as estações.
Enfim, o começo do fim.

14/09/14

Alma da tarde

Mais uma tarde se vai,
A tarde parte crepuscular
E fria.
Ouço o estouro de bombas,
Vejo o sol criso...
Tarde que parte...
Deixa sua arte
Impressa em minha alma,
Distante e calma.

13/09/14

Cores, formas e memórias

A tarde,
A tarde de que cai,
Nublada, fria e solitária.
Nas ruas vazias apenas
A brisa fria corre sem destino,
Corre livre brisa,
Corre livre brisa.
Então quebro o vazio da rua,
E passo a caminhar com a brisa,
Através da rua,
A passos contados,
Olho as pedras,
Olho a rua,
E de repente percebo
A beleza das castanholas com flores coloridas,
Castanholas nuas,
Castanholas como candelabros,
Com folhas jovens sendo lambidas pela brida,
Enquanto a tarde cai,
Enquanto a tarde cai,
Enquanto caio em mim,
Ah, as castanholas fecham mais um ciclo,
A tarde cumpriu sua sina,
Volto para casa
Cansado,
Mas volto ao ponto inicial,
Com cores, formas e memórias.

11/09/14

Incertezas

A vida,
Os olhares,
Os risos,
O bem viver,
Fazer o bem,
Não furar a fila,
Ser generoso,
Ser paciente,
Na vinda nem sempre
Precisamos de muitas coisas.
A vida pode ser muito breve.

07/09/14

Interrogações

A existência,
Não podemos tocar na existência,
Não podemos nos dá a existência,
Existimos...
Existimos por um breve tempo,
Somos por um breve momento,
Breve momento em que sentimos a vida em plenitude,
Breve momento de coisas simples...
Um jardim ornado de flores belas e perfumadas,
Uma música bela ouvida de distante,
O uivá do vento na janela,
O momento de compreensão,
Uma simples epifania...
Afinal o que nos afirma
E o que nos define como seres?
Nossa sensibilidade, nossa razão?
Nossa cultura?
E o que me norteia como ser?
Os sonhos?
A morte?
O trabalho?
Algo nos dá sentido a vida.

05/09/14

Que sinto

A noite,
Sombras frias e fresca,
O vento soprando,
Estrelas piscando,
Céu limpo,
Céu limpo,
Grilo grilando, cantando, cantando, cantando.
Sexta-feira,
Bebe, rir, come e fala...
Tantos desejos vividos,
Vidas,
Vidas iniciadas,
Vidas encerradas,
A noite,
O vazio dos átrios da casa
Preenchidos pelo vento,
Preenchidos pela sombra da noite,
E as nossas sensações diante disso,
Céu limpo,
Céu limpo,
Seu limpo,
Que sinto...

04/09/14

Xícara de chá

Uma xícara de chá,
Escoa pela boca suave e mornamente
O delicioso chá.
Aos poucos feito popoca,
Estoura um pensamento,
E outro e mais outro...

As vezes as coisas tornam-se tão
Complexas, que inibem o sono,
Mas na verdade tudo passa,
Poucas coisas valem a pena na vida
Como uma boa xícara de chá
Ou o riso frouxo dividido entre amigos.
É assim que a vida vale a pena.

03/09/14

Esquecimento

A vida,
Perguntei para um amigo se não temia a morte.
Exatamente pelo temor que tenho da morte.
Talvez não pela morte em si,
Mas pelo fato de morrer,
Significa para mim, cair no esquecimento,
Voltar para o infinito.
E meu amigo sensato falou que não temia a morte,
Pois viu a morte com os olhos.
Viu a morte matar o seu pai.
Que tragédia.
É engraçado a maneira como cada um se comporta
Diante das coisas da vida,
A morte é uma coisa da vida.
Morte,
Substantivo que habita sempre o meu ser,
Talvez por medo de ser esquecido,
Coisa que logo acontecerá.
Cairemos todos nós
Na sombra do esquecimento,
Sendo a morte a vertente que nos separará deste mundo.

02/09/14

Destino

Desenrola do carretel o fio da vida,
Desse enovelado aos poucos nos é revelado,
A teia e a trama da vida.
Como uma semente que germina e se faz árvore
Assim é a  minha vida,
Assim é a minha vida,
Fui semente e plântula
E agora sou árvore,
Sou tudo o que me fiz,
Sou tudo o que me diz,
Desde aurora
Até o segundo crepúsculo,
Sou...
Sou um sol,
Uma lua,
Estrelas,
Noite...
Sou um continuo ser,
Um ser em movimento
Movimento em tudo,
Na vida e no tempo,
Sou uma reação química
de vida contada,
Fui gerado no berço do amor,
E serei gerido pela dor,
Viver é conhecer,
E o nosso fim a Deus pertence,
Nascemos e morreremos todos sós,
Porque nossa peculiaridade é tudo.

Barão Geraldo - Asa norte - Bancários

A noite que se aprofunda nas horas,
Uma caneca de chá,
Palavras, reflexões...
O calor ou o frio,
Os planos para o futuro,
O presente imediado,
O presente próximo,
Aflição, medo...
Tudo que constitui a vida...
A noite aflita e mal dormida.

Dúvidas...

As sibipirunas perdendo as folhas,
A acácia florindo,
As paineiras florindo,
Chuvas torrenciais,
A luz branca no quarto,
Os livros e o desejo da leitura,
O cansaço de um dia,
Na luta que se desenrola em espiral,
De uma manhã povoada pelo sol vivo,
A banca de revista,
A grama orvalhada fresca,
A poeira vermelha,
As tipuanas com exsuvia,
As manhãs de quinta,
O povo vindo da festa,
E o dia começando
E o dia se encerrando,
E a vida passou,
Passando.

01/09/14

Memória viva

O espaço,
Espaços e lugares conhecidos,
Ambientes compartilhados,
Uma casa antiga,
Cheia de memórias,
Casa de paredes brancas e janelas azuis,
Com piso de cimento talhado em desenhos,
De portas e janelas antigas
Rachadas da luz e do tempo.
De telhas grossas e caibros roliços,
Linhas de carnaúbas,
Tornos de forquilhas de pereiros,
Uma casa grande e alta,
Muito maior que a sua,
Com pessoas muito experientes
E doces, nossos avós.
Poucas coisas nos restam
Além da memória,
Tudo que temos é emprestado,
Tudo que somos é passageiro,
Hoje senti minha avó paterna,
Ouvi minha avó paterna,
Que se encantou,
Desde a última vez que fui a casa dela e a vi,
Não voltei mais,
Seu corpo se encantou em minha memória,
Daquele ventre vivo, nasceu
Quem me gerou,
E no fio da vida
Ela para a eternidade voltou,
E eu!
Quem sou?
Memória, corpo,
Meio para o fim.

Segredos de uma manhã

A manhã chuvida,
Mais uma manhã em minha vida,
A chuva chovendo,
Chovendo e cantando,
Ouço os pingos se derramarem das nuvens,
Sobre as folhas cantam
E molham
E esfriam a manhã.
Que doce manhã chuvida,
Como é interessante a vida
Com seus mistérios,
Seus ocultos segredos.
Que são revelados
A todo instante.

30/08/14

O silêncio

Tenho familiaridade com as coisas,
As rochas, as estradas  e as plantas
E tudo que tem o seu próprio universo,
Não fala o que não sabe.
O silêncio é uma sabedoria
Que poucos sabem utilizá-la.

27/08/14

Canto da vida


23 de agosto de 2014
Sábado à tarde,
É tarde,
O sol já se decai no poente.
Sentado em frente de casa,
Estou no ócio,
Eu olho para o tempo,
Olho para mamãe e ouço,
As vozes do sertão,
O canto intermitente dos galos,
De muitas aves,
Vem-vem, peidos de veias,
Galos de campina, periquitos,
Cantam também as cigarras,
E o vento faz chiar as folhas dos catolés.
E na estrada passam pessoas

De riba para baixo, de baixo para riba.

26/08/14

Cedo da tarde

É cedo,
Cedo da tarde,
Esta hora em que o sol arde,
Os galos canta,
O periquito corruchia,
Um leve cochilo,
Entre o sonho e as memórias
Assim me percebo,
As ervas secam,
As árvores se despedem de suas folhas,
E a tarde que entardece,
Entardece, mas não envelhece,
Como envelhecemos,
É forte e vigorosa,
Enquanto isso enchemos de memórias,
E partimos para o fim,
Fim de tarde,
Fim da vida.

25/08/14

A vida é curta

Os dias que se passam,
Passam para a eternidade,
Para que a vaidade,
Os dias são apenas dias,
Os dias são longos para os jovens,
E curtos para os idosos,
Longos para os doentes,
E curto para os sadios...
Independente de qualquer coisa
A vida passa...
A vida passa,
E é curta demais para não escrever um poema,
É curta demais para não cultivar uma flor,
É curta demais para não cultivar um amor,
A vida é curta,
Por isso os grilos cantam,
Por isso as aves cantam,
Por isso os galam cantam na aurora,
As flores desabrocham com o desabrochar do sol,
E as estrelas com a noite,
E as chuvas encantam as ervas,
E os homens continuam sua caminhada,
Na esperança da eternidade
Porque a vida é curta.a

20/08/14

Coisas simples

Um rouxinol canta feliz na borda da mata.
O sol quara as gotas de orvalho da noite passada,
Ramos e folhas estáticos são acariciados pela luz solar.
Tudo passa devagar,
E embalados em nossas ideias,
Nem paramos para contemplar
Coisas simples.
Estamos perdidos em fazer
Algo, sabe lá pra quem ou pra que.
Então toma os sentidos
E vive um momento
Mesmo que breve,
Vive o mundo que o cerca. 

19/08/14

O giro dos sonhos

A noite cai,
O corpo cansa,
A alma viaja,
Sonhos,
Estrelas,
Cama e cansaço.
Tudo turvo,
Tudo curvo,
Nas órbitas dos olhos,
Giram os sonhos,
Giram os sonhos.

18/08/14

Tutano

Objetos, no espaço,
Os sentidos,
As formas,
As texturas,
Os aromas,
A delicadeza de perceber,
Uma flor,
Um gato,
Um ser.
A água que molha tudo,
Que faz germinar a semente.
A sutileza de tudo,
Muitas vezes ocultos.
É preciso ter calma para perceber,
É preciso calma para viver,
Porque quase sempre não percebemos nada,
Apenas o que nos interessa,
E tudo permanece oculto,
No curto tempo de uma vida.

17/08/14

Contas a pagar

Como bichos,
Vivem os homens encarcerados,
Em suas aconchegantes celas,
Olhando através de suas janelas eletrônicas,
Sonhando em ter mais, ganhar mais,
Se destacar mais e ser mais...
Trabalhando sem parar,
Sem saber quando nem por que parar.
Os homens estão cada dia mais loucos.
Uns acumulam tanto
E outros não tem nada.
É o paradoxo da contemporaneidade.
Omni vanitas.

15/08/14

Manhã amanhecendo

Manhã de agosto,
O vento venta soprando forte,
O galo canta atrasado,
Canta, canta...
Canta também o bem te vi.
Daqui posso ouvir,
O mundo a acontecer,
Cachorro a latir,
Carro a roncar,
A manhã a despertar.

14/08/14

Revelado

O tempo,
O espaço,
Os seres vivos,
O seres não vivos,
Tudo em meu entorno,
O que eu percebo
O que está oculto,
Tanta coisa oculta
A minha percepção
Que pode ser revelada,
Pela poesia,
Pela alegria,
Pela simplicidade,
No tempo e no espaço.

11/08/14

O olhar

Que lindo é ver a lua nascer,
Lua cheia,
Lua grande,
Lua prateada.
Grilos cantando,
Vento ventando,
Estrelas brilhando,
A noite caindo,
Cheia, plena...
Uma poesia sendo parida,
Uma poesia ganhando vida,
Em versos tímidos e lúdicos,
Cheios de nada,
Ocos...
Como o quengo do autor...
Mas ao menos mostra a beleza
Do singelo,
Todo o mundo é belo,
Dependendo do olhar.

03/08/14

Angústia

Tenho no peito
Qualquer coisa que me causa pavor,
Tenho no peito
Qualquer coisa que me causa dor,
A angústia angustia nossa alma
E nosso corpo,
Nos tira a razão
Nos tira a calma,
Como viver assim,
Temos que ter uma fé,
Temos que nos entregar ao divino
Que nos preenche,
Que nos anima,
A viver mais um dia,
E no dia seguinte
Tudo pode ser diferente.
Sem angústia ou dor.

01/08/14

Os mistérios da noite

O silêncio da noite,
Compacto nas janelas
De luz branca fria,
Pessoas sozinhas,
No celular no leptop.
Televisões desligadas,
O vento sopra na janela,
A música baixa,
O corpo cansado,
A vida vivida cotidianamente.

Existencialimo

A gente vive,
A gente vive tateando no mundo, nas coisas, nas relações, nas nossas percepções.
E assim vamos experimentando e vamos nos alimentando de nossas vidas.
Vamos alimentando nossas vidas ao mesmo tempo que consumimos nossos tempos.
A vida é um mistério, a alguns longa e a outros curta.
Alguns aprendem a viver cedo,
Outros vivem uma vida longa de desconhecimento...
A gente vive,
A gente vive,
A gente conhece gente, se relaciona com gente,
E sempre se surpreende com a gente e com o outro,
Muitas vezes nos desconhecemos,
Conhecer a si mesmo, eis algo sobrenatural,
Entender os próprios erros...
A gente constrói o que a gente é.
Existencialismo.

Ser o ser

Queria saber inventar, contar histórias,
Escrever contos, crônicas, ideias...
Quando quero, quero demais,
Contar contos como Veríssimo,
Contar histórias enigmáticas como Borges,
Coisas divertidas como Millor,
Mas não,
Não sei copiar,
E o que invento, não dá para pagar um café.
O gato gateia,
O sapo Sapeia,
E eu identifico plantas.

Felicidade

A noite,
A música,
O chá,
Os livros...
Pensamentos, ideias e memórias.

Quando a tarde cai doce,
Quando a noite chega alegre, suave,
Com coisas simples como ensinar...

O corpo entra em estado de êxtase,

Uma sexta-feira,
O quebrar da barra,
A leitura reflexiva,

Pedalar em busca da felicidade,
Parar, fotografar,
Contemplar a mata,
Ver as mulheres generosamente
Varrerem o campos,
Os corredores,

O café da manhã,
O riso dos amigos,
A comida gorda,

As conversas ricas e sabias,
Outras nem tanto,
A generosidade de Vera,

A manhã partindo,

O encontro na geografia,
Bartô e seus orientandos,
A irreverência de Mônica,

O almoço com pessoas inteligentes,
No Lando,
O ir e o voltar,
Doces conversas, com pessoas generosas e inteligentes,


A tarde vindo com os risos,
Das amigas e um lauto almoço,

E a tarde se passa,
Brindando-me com a companhia,
Das minhas estagiárias,
Manu, Rayana e Sâmara,
Que me ensinam a aprender,
Coisas simples,

O aconchego do lar,

A saudades da família,
E assim segue a vida.


Faz

O que faz sentido?
Algo ouvido,
Algo olhado,
Algo vivido?
O silêncio.
O sol dourado,
Ano passado,
Ano passado...

31/07/14

Acordar

A manhã nasce tranquila.
Podemos sentir seu aroma
Ao abrirmos a janela,
Um delicioso bafo de mundo,
Fresco e úmido.
As aves felizes a cantar!
Cães a ladrar,
Enquanto o sol desperta suave.

30/07/14

Ver

Na contra mão,
Viver,
Viver na solidão,
Viver a solidão,
Ver os dias passarem,
Ver a brisa passar,
Ver o dia passar,
Ver o primeiro e o segundo crepúsculo passarem,
Ver as luas passarem,
Ver os dias e as semanas passarem,
Sem saber o que espero passar.

O tempo já foi mais lento,
Hoje, percebo mais poeira, mais cinza no horizonte.
Vejo as aves partirem,
Vejo as aves partirem,
Eu vejo a idade impressa nas faces dos meus amigos,
Vejo no espelho a impressão do tempo,
E doí perceber que as aves partem,
Porque elas partem e levam o que nos faz bem
Sua presença...

Mas é preciso viver,
É preciso viver,
Cada minuto,
Cada segundo,
E ver tudo passar,
Até que passemos,
E a vida continua...

Sem sentidos

A solidão,

Olhos que não vêem,
Ouvidos que não ouvem,
Bocas que não falam,

Tem olhos, mas não vêem,
Tem ouvidos, mas não ouvem,
Tem bocas mas, mas não falam,

Os cegos,
Os surdos
E os mudos.

De uma certa por uma deficiência,
Tem olhos, mas não vêem,
Tem ouvidos, mas não ouvem,
Tem bocas e balbuciam...

Hoje estas pessoas se comunicam são normais,
Mas no passado não tão remoto.

A cegueira,
A moquiça,
Eram prisões aos idosos,

Conheci Vicente de Joana,
Conheci o cego da casa do sampaio,
O cego que tocava flauta.
Uns sisudos,
Outros falantes,
Uns contentes e outros tristes.

O que é a natureza humana?
Certamente se tivesse uma deficiência
Seria triste...
Por falta de fé ou por indisposição?

Onde estão as paredes que encerram nossa prisão?

Em busca do amanhã

Aqui,
Ali,
Acolá.
Onde minha mente está?
Muitas vezes distante,
Muito distante do meu corpo,
Fico a matutar.
Minha alma, minha calma...
Minhas memórias vivas,
Que surgem a cada olhar,
A cada tocar,
A cada impressão que tenho.
E reflito sobre tudo,
Inclusive sobre nada.
Vejo a vida desfiar,
Por um fio,
Cada coisa a se desfazer
E a reconstruir.
Ah!
O poder das fotografias, espelhos com memória
De nos fazer refletir,
A doçura dos aromas,
Viver é quase sempre reviver.
Nunca estaremos plenos.
Pessoa nos ensinava a voltamos
Aos sentidos... Sinta o mundo e viva o presente...
Mas ecoa em minha mente,
Instantes de saudosismo.
E vamos buscando o melhor
Que sempre nos promete o amanhã.

29/07/14

Matutar

Um chá quente
Para esquentar a brisa fria.
O sofá no escuro,
Para o corpo descansar,
E pensar, matutar...

Cães a ladrar,
Os vigias a apitar.
O barulho dos carros.

Penso tanta coisa,
Quem sabe meus pensamentos,
Não marcarão um pessoa.

Sabe lá.

O rio

O rio que como o mar
tem maré, oras esta cheio
e oras esta vazio,
como entender esse rio,
se enche para secar
ou seca para encher?
Vá entender o rio
que todo tempo é frio.

Errante

Sinto um doce aroma quando passo perto de um pequeno arboredo,
aroma de ar puro matinal.
gosto de ver a grama orvalhada.
manhã ensolarada,
flores brancas e roxas,
canto do sabiá,
vivo aqui, ali aculá.

Noite

Quando a noite caiu, fez-se o escuro e o silêncio.
O feito breu não mostrou as estrelas.
Dentro da casa escura e fria,
meus olhos embutidos em saudades
e silêncio calaram a qualquer movimento,
Senti o peito bater, o braço pulsar,
senti a noite fria me abraçar,
a noite como estava vazia,
tão vazia de tudo
que apagou qualquer coisa visível,
apagou minhas ideias,
me senti feito pintura
imóvel eterno.
Toda a natureza recatada...
toda a noite calada.

28/07/14

Passagem

Segue o tempo,
Segue o vento,
Segue a noite,
Seguem os dias.
Cremos na nossa permanência eterna na terra.
Só cremos,
Porque nada temos,
Nada é nosso,
Tudo é emprestado.
O nosso corpo,
A nossa família,
O nosso nome,
A nossa profissão,
Nossos dias.
E tem dias que nos falta coragem,
E assim nascemos,
E assim vivemos,
E assim cremos
E passamos por nossa vida.

Vidas numa vida

A manhã está pálida e calma,
Canta contente o rouxinol,
A chuva choveu brevemente,
Nessa paz vem a  minha mente,
Cenários de inverno de minha infância,
Das manhãs alegres pós chuva,
Do calor perfumado de nossas cobertas
De malha de rede.
O vento ventando no telhado,
A voz agitada de mamãe,
O badalo paciente do chocalhos do gado.
E a cada manhã,
Posso perceber e reviver as vidas em minha vida.

27/07/14

Praia

O sol,
O céu azul,
O mar,
Ondas se espalham na areia.
A brisa fresca,
Grupos de pessoas,
Comida,
Coqueiros
Praia.

25/07/14

Humanidade

E na hora profunda da noite,
Na hora última,
Aceite senhor,
Aceite senhor,
A minha calma,
A minha alma.
Quando já não resta vida,
Tende piedade de nós,
Que a humanidade é tamanha,
Que quase não há humanidade.

Rogado senhor

Meu Deus,
Meu Deus,
Cadê a minha fé?
Aquela fé que me destes agora me tirastes?
As minhas esperanças,
Os meus sonhos...
Tanta coisa que parece me faltar,
Talvez seja sua ausência
Gritando em meu ser.

Ser triste

A noite e a solidão se misturam,
Se confundem e se fundem.
Noite sem lua,
Sem ninguém na rua,
Noite de sexta-feira,
Ah, a vida se passa,
A noite se passa.
Eu estou perdido em minha solidão,
Estou perdido em meu ser.
Está tudo tão vazio...
E porque me entrego
Ao meu fim...
Ser triste é ruim.

Chuva

A chuva chovendo,
Canta, dança,
Escorre,
Escoa,
A chuva chovendo
Molha, lava e umedece.
A chuva chove numa vitalidade.
Chove de manhã,
Chove a tarde,
Chove a noite,
Chove e para
E a vida segue.

24/07/14

Balé da vida

O que eu consigo ver
E tudo aquilo que consigo descrever,
Tudo aquilo que serve para expressar-me,
Eis o universo que preciso dominar.
Não necessito me expressar para viver,
Basta apenas viver.
Basta apenas consumir,
Ler, ouvir, sorrir...
É preciso muito pouco para viver.
É preciso paz e saúde e sabedoria
Para suportar a vida,
Para levar no peito alguma alegria.

Ah, as curvas elípticas de uma flor,
Sua simetria, textura, odor e cor.

A textura da areia, a cor da areia...

As propriedades da água,

A distância das estrelas...

Tudo me encanta,
Tudo evidencia minha humanidade finita,
E infinita em minhas sementes,
Esse tecido humano que se faz e desfaz,
Que se eterniza na fusão de esperma e óvulo,
geração após geração,
Geração após geração,
Nascem e morrem os grandes gênios...
E de onde surgiram os gênios
Senão de um pequeno útero frágil e feminino,
Ocultos no escuro da noite,
Oculto no pudor humano.

E a criatura ganha forma,
Ganha vida,
E esta o consome
E se renova,
Ah aqueles que se eternizam,
Mas no final todos não somos mais que estrume
Que matéria pustulenta,
Que desagrega em menos de um dia..
Vanita, de que serve.
Vitae sedes hoje,
Quem sabe amanhã.

Um louco confabulando

A vida
A vida deve ser vivida,
A vida deve ser bebida,
A vida deve ser respirada,
A vida deve ser experimentada,
Pois a vida um dia será acabada.
Nem sempre estamos em estado de graça,
Temos dias bons e dias ruins,
Dias alegres e dias tristes,
Temos todos os nossos dias.
Precisamos fazer a vida valer a pena,
Pois a vida é muito curta pra ser uma vida pequena.
Tem gente que aprende a gostar das coisas,
Mas tem gente que gosta de graça.
Será uma graça do Criador?
Criador, cria...
Criatura.
Será uma graça saber criar?
Talvez não ou talvez sim.
É importante aprender a viver todos os momentos da vida desde cedo.
É importante aprender com os outros
E cedo tomar as rédeas da própria vida,
Pois a vida passa,
Pois a vida é breve,
É preciso aprender a ser leve.
E viver e amar, e respirar,
Até o fim.

Um piano ao cair da tarde

As vezes uma infecçãozinha não é de todo mal.
A quanto tempo não tomava sopa ouvindo música de piano.
Cada lugar por onde passei aprendi diversos hábitos.
Em Brasilia, comia sopa ouvindo um piano ao cair da tarde,
Com a linda voz de Lúcia.
Cá estou em João Pessoa quente que só,
Onde tomar sopa não é tão agradável,
Nem consigo ouvir o programa pela net.
Ao menos tem o youtube.
Como é doce o som do Piano.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh