31/05/11

Maio e tudo

Os dias de maio se passaram tão rápido que quase não os percebi passar. Foram todos tão lindos, claros, verdes e com lindo céu azul. Este maio foi um muito especial, acho que nunca o senti tão intensamente. Amanhã começa um novo mês, sim logo estaremos no meio do ano, junho chegará trazendo as festas juninas, o inverno, trazendo o tempo futuro. Mas depois virá a primavera, quando a primavera chegar, quero chegar junto com esta estação. Maio, logo acabará. Logo irei viajar. Estou com um frio na barriga, mas tudo bem vai passar como maio passou. Tudo passa na vida. Tudo.

Manhã

Quando acreditamos em algo, fazemos tudo para que esse algo se torne real.
Quando acordo cedo, acredito que meu dia vai ser melhor, sou o inverso de
muitas pessoas, prefiro ver o sol nascer, mas Ana, minha namorada,
tem um apetite pelo sono voraz. Acho que poderia dar o título de pestana
de outro, quiçá de diamante. E quando estamos juntos fico no escuro
ouvindo seu ressonar, e dorme, se deixar até a manhã acabar. Eu prefiro
acordar cedo, bem cedo. Gosto de ver aurora, de ver o sol nasce,
a grama orvalhada, as flores enebriadas com seu arma branco e doce,
gosto de encontrar as pessoas e falar bom dia, gosto de ler o jornal,
de ouvir o que se passa no mundo pela internet. As vezes acordo muito
cedo e penso ser anormal, mas talvez não. Quando morava em serrinha
eu adorava acordar cedo pra ouvir o canto da passarada e depois dormia,
mas não gostava de dormir, gostava de ficar sob as cobertas,
pois lá fazia um frio muito forte. E foi assim que me constitui,
confesso que quando acordo tarde eu fico irritado, assim como
quando estou com fome. Então aprendi a pensar em algo,
não dar para ver nada no escuro do quarto, além da luz que atravessa
a fresta da janela. E eu fico assim divagando,  ouvindo Ana
ressonar, pensando na vida, no que fiz ou deixei de fazer.
O fato é que adoro a manhã por usa aurora,
por seu clima ameno,
por ser a manhã linda e maravilhosa,
vestibulo do dia, começo de poesia
e assim é.

Cruz

Noite estrelada,
noite vazada de luz,
pontos brilhantes
no céu a piscar,
feito uma cruz,
pontos do cruzeiro,
ao sul ligeiro me conduz,
noite, noite
noite de maio,
de Maria, das mães,
me espanta a noite,
a noite estrelada,
que me faz viajar,
me faz chegar lá,
no plano da imaginação,
onde sou e não sou,
sei e não sei,
simplesmente contemplo
o que vejo
a luz da cruz,
do sul.

Noite de outono

O dia hoje passou tão rápido que quase não percebi, mas percebi que foi um lindo dia azul quase nu de nuvens.
Poucas coisas eu fiz, pelo menos tentei e fazer algo, acho que consegui. Essa viagem está me deixando aéreo, não consigo pensar em outra coisa senão "vai dar certo", mas quem sabe que acontecerá que desfeche tomará essa viagem, não sei e se soubesse que graça teria. Então reuni com os amigos, pra conversar, comer uma carne, tomar um refresco. A Noite caiu escura e fria. Antes que  noite caisse fui ao mercado, comprei algumas coisas, depois acendi o fogo, então assei carne e comemos e bebemos todos felizes. Quando vimos as horas  já passava da meia noite, da uma da manhã. Sob o céu estrelado escuro e silencioso fomos dormir. Carrego no peito a certeza de que levo no peito amigos. Hoje foi um dia muito especial. Dia de outono azul, noite de outono negra e fria.

29/05/11

Observatório e Saturno

A noite, hoje 29 de maio de 2001, caiu tão escura e fria. Estava com Ana, Maurício, Marcelo, Lorena e Leo nem percebi a noite chegar. O céu estava tão limpo que podíamos ver tudo quanto há de estrelas. Então, depois de irmos comer um bolo feito pelo Mau (Maurício), fomos ao observatório que fica em Joaquim Egídio, distrito de Campinas. Fazia muito frio, mas não podíamos deixar de não ir, pois o céu estava totalmente limpo e estrelado. Fomos de carona com o Marcelo. Logo que chegamos lá, fomos ver centro de exposição de objetos utilizados para observar o espaço, em seguida fomos ao telescópio. Para chegar ao telescópio tivemos que caminhar por um local de concreto escuro com luzes vermelhas indicando onde estaria o telescópio. Finalmente chegamos ao lugar, onde já haviam diversas pessoas, dentre elas dois instrutores que  mostravam e explicavam as constelações. Podemos ver constelações dos zodiácos, do cruzeiro do sul, do escorpião, ouvi ele falar sobre o nome de estrelas que não consegui apreender o nome. Então, ele mexeu pra cá e pra lá e encontrou um planeta o qual apontou com um lazer o planeta Saturno. Então vi pela primeira vez na vida aquele lindo planeta envolto de anéis, Saturno, maravilhoso com suas luas. Fui sensacional poder ver aquela imagem ao vivo. Então revemos, novamente, em seguida vimos constelações, e por fim uma estrela chamada mimosa que faz parte do cruzeiro do sul. Certamente, hoje foi uma noite inesquecível.

28/05/11

O outono e a viagem

Hoje, sábado de maio de 2011, o dia nasceu claro e limpo, mais um maravilhoso e lindo dia de outono. Uma brisa suave sopra do nascente e balança os ramos da acácia. A forte luz do sol clareia toda a casa. O tempo está passando muito rápido, logo será quarta-feira e terei que viajar. Agora que vou viajar estou sentindo mais agradável e o aconchego do meu lar. No entanto, o outono logo passará, nem sempre terei essa casa, logo também precisarei mudar daqui e ir para outro lugar, então esta viagem será apenas uma nova experiência. Como todos que já vividas até hoje, mas esta será muito intensa. Espero poder registrar o máximo possível e que seja tão boa quanto os dias de outono do presente ano. Já estou longe da minha terra natal, mas logo estarei fora do meu país. Que Deus me leve e me traga em paz.

segundo

Até que o último instante passe.
O último segundo feche o tempo,
ainda temos algo,
um suspiro.
Ficamos ansiosos em ser
mas não temos mais tempo
mais.

27/05/11

Sigamos

E o dia e a noite passaram. O mesmo aconteceu com as semanas e com os meses. Não estive nem estou sozinho, nessa caminhada, pois conheci uma pessoa muito especial que gosta das mesmas coisas que gosto e que compartilha e durante todos os dias da-me um pouco de atenção. Certas vezes nos desentendemos, mas mais por culpa minha. A família dela me acolheu e tem muito carinho por mim e o mesmo acontece com minha família para com ela. Assim seguimos com a vida.

Tempo

Suave a manhã plena e ensolarada,
se aquece pouco a pouco lá fora.
Aqui no quarto, meio escuro,
ainda esta frio. Sinto meus pés
gelados, meu corpo agasalhado.
Ouço rádio Amadeus,
enquanto viajo em minha
viagem próxima.

26/05/11

Mundo Subjetivo, um fim

Tenho um mundo só meu e de mais ninguém. Cada pessoa tem o seu mundo. Posso tentar compartilhá-lo com alguém, posso até tentar descrever, transmitir o que há em meu mundo, mas nunca ninguém poderá atingi-lo. Somos mesmo assim seres muito complexos. Damos, ao nosso mundo, o nome de subjetivo. Compartilho com muitos que viveram comigo muitas, e boas, recordações. Compartilho com meus pais, meus irmãos e vizinhos o meu crescer como indivíduo, meu educar, meus bons e maus momentos e eles também compartilham comigo. Temos memórias com eles. Mas o tempo nos distancia todos os dias. Já não compartilhamos mais a companhia do presente, perdemos o elo do cotidiano, embora nos falamos sempre, nos amamos, todavia não estamos presentes todos os dias. E isto é bom e é ruim. Bom, pois com tempo esquecemos ou apagamos as desavenças, ficam só as boas memórias, ruim porque perdemos de vivermos juntos. Nos, por estarmos distantes, percebemos a idade chegar, os corpos cansados, perdemos de não vemos este momento, percebemos que quem mais amamos há de partir, dar um aperto no peito. É como se estivéssemos em uma caminhada e ao olharmos pra trás não vemos aqueles que começaram a caminhar conosco. E quando olhamos para trás, vemos a distância do tempo.Como doí saber de tudo isso. Saber que todos iremos morrer, que quem mais amamos, morrerão. Não gostaria de ver alguém sofrer por minha partida. Certa vez, um amigo me convenceu de que queria morrer  depois de quem mais o amava, morresse. Realmente são sábias palavras. Quem morre, se eterniza na lápide, não sofre, mas quem fica, esse sim sofre.
Sofrer é uma sina que carregamos por termos esse mundo subjetivo e por carregarmos sentimentos. Puxa vida, que desespero me dar saber que vou perder as pessoas que amo, que já perdi. No entanto a vida é sábia, a natureza é sábia, muitas vezes não acompanhamos e evolução das ideias, das coisas do mundo, e morrer é o maior sussego. Um descanso desse mundo subjetivo.
Ontem, faleceu mais uma vizinha nossa, lá de serrinha, se chamava Cacau, era uma pessoa muito especial, muito amiga minha e de meus pais e eu dela e de seus filhos. Quando estive em lá no começo deste ano de 2011 ela já estava ruim. Então, hoje quando liguei pra casa, papai me falou triste. Fico triste também. Cacau com muito sacrifício criou uma família muito grande e um de seus filhos Airtom morava bem do lado de minha casa, tinha vários filhos que eram meus melhores amigos. Lá em Serrinha estávamos mais para uma grande família e eu compartilho que aquele povo muitas memórias em comum. Talvez um dia eu volte a morar lá, ou nunca mais, sei lá, o futuro é uma incógnita. Sei que minha alma está impregnada daquele lugar, daquelas pessoas, daquela cultura. Tenho as mais doces memórias de minha vida, da minha infância, dos modos que lá aprendi, mas que desaprendi. Não posso conter as lágrimas que vertem minha alma, meus olhos das lembranças, dos medos e dos temores que guardo. Nada do que possuo está mais lá. Estão comigo e levo onde quer que vá. Levo um pouco de cada mundo por onde passo, levo saudades e tento deixar amizade.
Quantas coisas posso falar do meu  mundo... mas isso fica pra outro dia.

Viagem

Bem, logo mais estarei distante. Vou, mas volto, mas estou sentindo um aperto no peito. Espero que ocorra tudo bem.
Amém.

Fim do dia

O sol brilha intensamente neste fim de tarde.
O céu está limpo e azul, mas aqui dentro está quente,
lá fora  na sombra deve está fresco, mas aqui
onde a luz entra através das janelas transparentes,
mais parece uma estufa.
Apesar do calor o dia está lindo!
Verde.
Acabo de perceber que o Phyllanthus acidos
do jardim ainda está nu, seus ramos
crescem muito devagar,
mais agora que está tudo tão seco.
Mesmo assim o dia
tem ar de poesia, de alegria.

Calma

Quando é dia e o sol fica oculto entre nuvens que chovem  não podemos ver o sol azul.
Quando é dia e o sol aparece e as nuvens chuvosas não aparecem não podemos ver a chuva.
Gosto dos dias de sol, mas também gosto dos dias de chuva, todavia jamais poderemos ver os dois fenômenos juntos. A natureza, sabia, inventou as estações. Nas transições entre cada uma podemos encontrar algo parecido, mas nunca plena.
E como é a nossa natureza humana?
Lidamos com sentimentos que podem serem comparados aos dias tanto chuvosos como ensolarado. No entanto quando temos sol e chuva, realmente nos encontramos perturbados. E o que fazemos para suportar essas diversidades? Muitas vezes não sabemos e simplesmente sofremos. Sofrer faz parte da natureza, mas aprendemos a lidar e controlar e a fugir do sofrimento. No entanto, como na natureza temos época de transições que nos perturbam. Para isso, tenha Calma. 

25/05/11

Acalma a alma

Há coisas que acalmam a alma como uma música, um riso, uma singela flor ou um ato de carinho. 
As vezes, quando estamos receosos, queremos um colo de pessoas queridas que nos ouça e nos apóiem. 
Bem a essa hora da noite, só tenho uma música do Mozart  - Clarinet Concerto In A Major K 622 Adagio. Nossa! Seria capaz de ficar ouvindo essa música por muito tempo, de certo é minha música favorita.  

Esta música ou peça é linda, doce, suave e, verdadeiramente, divina.

Poderia ainda, ouvir um lindo poema do Manuel de Barros - Gratuidade dos pássaros e dos lírios.

Certamente, são umas das obras mais belas produzidas pela humanidade.

Acalmam-me e deixa-me feliz.

Cestrum e a noite

Escura, fria, vazia
desce a  noite sobre o dia,
as luzes se acendem frias,
mas não ocultam do escuro
as cores das formas.
Flores de cestrum
desabrocharam, hoje,
a noite. Nesta noite
de lua nova,
andando através
das escuras ruas,
sinto o cheiro
das noturnas
flores de cestrum.
O odor que toma
todos os lugares,
perfumam e enbriam
junto com a noite,
corpos cansado
do longo dia.

Voltar

Quando amanhecia o dia,
e o sol despontava no nascente,
dourados raios atravessavam
as frestas da janela de casa,
então mamãe me chamava.
O frio vento subia a serra,
acordava-me e me dava preguiça,
estica-me na cama,
vestia uma blusa
e pegar uma carga d'água.
Mantava no jegue e saia
trotando, o jeque parecia
está com a mesma disposição
que a minha, por isso era
obrigado a recorrer ao cipó.
Tinha dias me sentia alegre
e outros triste,
E os dias se seguiam
pareciam que não iam
passar,
hoje, vejo,
puxa como passou rápido,
ah, se pudesse voltar
no tempo!

24/05/11

Folhas

As árvores estão desnudando,
suas folhas doando ao vento,
o chão enfeitando, com
o mais belo tapete castanho.

As árvores nuas mostram
suas curvas, suas ramificações,
mostram seus ápices.

É outono e as árvores
ouvem o que ele diz,
e ele diz que logo
chegará a primavera,

e quando a primavera chegar,
cada uma das árvores devem
está vestida de flores,

para o mundo ficar cheio de cores,
mais rico em odores,
e assim a vida ficar
mais bela,

As árvores então
tecem em suas gemas
a confecção de flores,

aos poucos desabrocham
os ipês roxos,
as ervas estão dormindo
e o solo está pleno,
coberto de folhas.

Que belo é o outono,
o vento sopra frouxo,
os dias são tão claros
e a vida frouxa.

Rua

Escuras as ruas se esvaziam,
só o brilho da lua e das estrelas
ali alumia o escuro da noite
que enche toda a rua.
A rua Felizberto
cheia de árvores
que fazem sombra
que acalmam
e esfriam
a quem passa.
A noite fica vazia
escura e fria...

Viver e o cansaço

Vivo,
Canso-me muitas vezes.
Canso de pensar,
canso de tentar,
canso de reagir,
canso!
Mas enquanto não morro!
Ainda estou vivo
e por isso sinto,
e supero o cansaço
a vida é uma dádiva,
e cansar uma parte,
e viver é uma arte.

Os inteligentes

Lembrei!!!
Na minha infância, eu acreditava que as pessoas mais inteligentes eram aquelas que sabiam fazer coisas que ninguém mais ali sabia ou as que faziam com maior perfeição.
Dentre as pessoas que admirava, ou melhor achava inteligente, havia um senhor chamado Elizeu que mexia com carpintaria e com soldagem. Em minha casa guardávamos os sereias, milho e feijõ, em silos de zinco. Então todos os anos era a mesma coisa, sempre que usávamos os silos as bocas por onde passavam os grãos ficavam quebradas, eram defeituosa por gênero. Então todos os anos era a mesma cantiga quebrou a boca, tem que concertar. Em algumas das vezes papai chamava o Elizeu, que trazia aquela coisa sólida e depois fundia no fogo e soldava as bocas, para serem quebradas do mesmo  jeito. Ele tinha uma marcenaria, e quando quebrava algum objeto, ou melhor foice, xibanca ou lavanca, papai levava pra ele soldar. Gostava de ir com papai, porque achava  muito legal aquelas máquinas que ele tinha. Aquela super plaina, um torno eu acho. Achava que aquela era uma toca do professor Pardal. Mas ele nunca inventava nada, só concertava. Tinha Severino Manases que tinha um jipe que só faltava falar. Roda movido a gás, bojão, e concertava-se com arame. Era muito interessante a relação dele com a mecânica, que acho que ele não entendia nada, só tinha paciência de Jó.
Hermes era outro senhor que mexia com ferro e tinha um carro que nunca se acabava. Bem uma má qualidade compartilhada por eles, com exeção de Serveino, era a ignorância. Eram pessoas como dizem lá, brutos de dar nó em arame farpado.
Enfim eram essas figuras que acreditavam ser os mais inteligentes, e realmente eram muito inteligentes.


O pensar e o tempo

Penso, porque tenho tempo para pensar.
Sobra-me tempo e ainda reclamo sua falta.
Penso porque vejo a natureza tão bela,
vejo a liberdade que tem as aves,
os insetos e as flores. Quantas vezes
não sinto vontade der um outro ser,
Mas penso por pura ignorância,
pois cada um é o que é por
acaso da natureza.
Agora, sou homem,
mas ser é um estado passageiro,
passa muito rápido.
Então quando tenho tempo
vago eu penso.
Quase sempre acredito ter
tempo vago e protelo,
entretanto não tenho,
e a cada segundo
perco os segundos
como as flores perdem
os polens,
como a ribanceira
perde argila,
areia levada ao vento.
Algo que perco e não
recupero jamais,
mas estou aprendendo
a convergir o tempo
na moeda do pensar,
estou economizando
o tempo, organizando
minha vida,
estou apreendendo
a eternizar o tempo,
mas pra isso,
preciso gastar do tempo
que me falta.

23/05/11

Carta ao amigo



Tenho medo do tempo que passou,
do tempo que passar, do tempo por passar,
a vida é breve, se sei disso por que do temor,
por que sinto uma dor peito intensa dor.
Mano sei que a vida vai passar, que está
passando, e estou perdendo a coragem,
nem sei mais o que é vadiagem,
aliás nunca soube, nem tive tempo para isso,
não me arrependo, senão não 
teria conhecido pessoas tão 
valiosas para mim,
por medo de perde-las me sinto assim,
Caro amigo,
caríssimo amigo,
acho que preciso ir a igreja,
preciso de alguém pra conversar,
mas alguém que saiba me escutar,
em que eu confie,
É nas horas que nos sentimos
fracos caro amigo,
que somos tristes
e se não temos
em quem conversar!!!!
Meu caro amigo,
eis ai onde mora o perigo,
podemos enlouquecer,
as vezes perde-se o sentido viver,
somos assim humanos,
oras bárbaros, tiranos,
oras fracos.
Caro amigo,
nem tudo que parece forte é,
nem tudo que parece sólido é forte,
muitas vezes somos entregues a nossa sorte,
outras vezes quando chega a morte,
apodrecemos.
Meu amigo
tenho que ser forte,
não quero passar a vida
sendo um mero produtor de merda,
preciso produzir ideias,
porque merda, gente mediocre é,
gente que não tem fé.
Caro amigo,
a vida é um perigo,
iminente,
é preciso ser valente,
mas ando meio triste,
situação assim pior não existe,
ouço Neruda,
leio bandeira,
e reflito,
quero produzir ideia,
não ser mero produtor de cocô,
e isso muito me angustia,
a vida, meu caro amigo
precisa de muita amizade,
de pessoas de confiança que te compreda,
precisa de gente humana,
então segue-se o caminho
que a a vida traça,
e desfia o fio do destino
tecido pelas moiras.
Caro amigo
é lua minguante,
sinto minha alegria
minguar, mas
bem logo uma
lua nova surgirá.
Minha alegria é que é outono,
é que posso ouvir Bach, Mozart,
posso tentar entender filosofia,
ou sei lar uma poesia,
ao menos tenho voce pra escutar,
ou sei lá,
assim é a vida passageira,
ligeira, tirana,
mas fazer o que
tudo que nos é dado, nos é tirado,
ao menos boas memórias
pra cova se leva,
ou o simples ato de existir,
por si se sacia.

Imagens

Antes, muito antes, encontrava a felicidade numa tenda de flores,
nas flores e seus odores, andando pela mata de manhã e a tarde.
Podia caminhar livremente pela mata, a qualquer hora.
Sentia o cheiro das flores, o vento soprar.
Ouvia o riacho ecoar suas águas pedras abaixo.
Sentia a terra molhada, terra perfumada,
de flores, terras pintadas pelas ervas.
Como era belo ver a mata se fechar,
se vestir de folha,
ouvir cantar o sabiá, acauã, o joão de barro
no fim da tarde.
Como era bom ver a terra enxuta no fim do dia
e vertendo na manhã seguinte.
Quebrar um ramo de marmeleiro,
cheirar flor de jurubeba
ficar a contemplar a natureza.
Sinto muitas saudades,
muitas saudades,
hoje descobri que
a música pode abrir a minha mente
as doces memórias,
lá de Serrinha, toda minha...
Toda minha.

Prece

Deus, ando com medo do tempo,
com medo de perder o que não tenho.
Não sei, mas ando temeroso,
sei que não tenho motivos,
mas acho que estou me apegando
demais a matéria!
Dai-me luz,

Maio

Como estão sendo claros, frios e agradáveis
os dias de outono, agora em maio.
Temos o dia todo de céu azul,
nuvens brancas,
as manhãs e as tardes vermelhas
como brasa.
Passam tão rápidos
os bons dias,
é tão bom vive-los 
intensamente,
maio, oh maio,
de brisas frias,
de sol claro,
de flores coloridas.
Maio que nunca mais voltará,
maio quem o sabiá
está calado,
mas as manhãs estão tão fagueiras,
logo partirás maio,
e eu também partirei,
deixando doces adeus
a ti maio.

Tempo ecoa

O tempo ecoa
na aurora,
no ocaso,
o tempo voa,
rouba de nós
a juventude,
a vaidade,
a energia,
o tempo é impiedoso,
cobra de nós cada segundo,
mas o tempo é justo,
e nos dar a liberdade
de fazer o que quisermos
enquanto o tivermos.
Por não saber o que fazer
com o tempo que vivemos,
sofremos,
nos angustiamos,
mas o tempo,
como o vento,
não é piedoso
e nos ceifa
no momento certo,
a morte
sua serviçal
é impiedosa,
chega e nos
leva e deixa
a dor a quem fica,
tempo,
soa na concha da vida,
da memória,
tempo,
tempo.

Não me vejo

Diante do espelho não me vejo.
Sei que os anos passaram, pois
festejei cada um e com muita alegria,
mas não vi o tempo passar,
sempre estive comigo,
todavia não vi as marcas do tempo
em mim.
Quando percebi meu primeiro
cabelo branco, senti aflição,
percebi que envelhecera,
o corpo já dava sinais,
mas só o diferente me fez ver,
não vi as rugas aparecerem,
não vi o tempo passar,
contei o tempo,
mas não percebi, que passara,
ainda bem, senão estaria louco.
Então tem um dia que nós acordamos
e vemos que o tempo passou,
cai a ficha,
corremos para o álbum de fotografias
e então temos um choque,
o tempo realmente passou,
mas não vi as marcas no espelho,
eu não me via,
ainda bem.
Mas as fotos revelam
a relevância da vida,
dar um frio saber que envelhecemos
e morremos.
Então buscamos as memórias
e vemos que são tão longas.
As jornadas e não temos como
contornar,
resta perceber e assumir
que o tempo passou,
e trabalhar vida a fora.
Ainda bem que esquecemos,
por senão tudo seria
tristeza.

22/05/11

Desfaz

Nada resiste ao tempo. 
Tudo muda já diziam os gregos.
Nunca fazemos a mesma coisa do mesmo modo.
As coisas são peculiares, até podem parecer
iguais, mas não são.
Toda a matéria tende ao caos. 
Chamamos de tempo
o período de desordem desta matéria.
A noite e o dia servem pra marcar o tempo,
e assim vamos subtraindo nossos dias,
nossa vida,
algumas pessoas, se angustiam,
outras ignoram.
O tempo resiste a tudo
é eterno,
uma ideia.
Tempo ecoa em nossa alma,
nosso ser.

Tempo

Sol e dia,
lua e noite.
Primavera, verão, inverno e outono.
Flores, cores, odores, beleza.
Tudo passa, enquanto a terra gira,
dias e noites acontecem,
nos aproximamos de nosso fim.
Contamos nosso tempo.
Os dias, meses e anos se passam.
O tempo, não se  ver no espelho,
não se ver nas praças,
não se ver em nada,
mas o tempo deixa marcas,
suas evidências se mostram
ao espelho.
O tempo ensina
que dia, após dia,
o tempo é
e não é.
Tempo não existe,
não canta,
o tampo não existe fora de nós,
o tempo é subjetivo.

Ciclo

A aurora,
o dia,
o ocaso,
a noite.

Aurora calada, sob pouca luz,
anuncia a chegada do sol.

O sol chega e traz consigo o dia.

O ocaso anuncia a partida do sol
e a chegada da noite.



Ribeirão

Gosto muito de Ribeirão, agora no outono mais que nunca.
Ontem fomos ao centro caminhando daqui do Jardim Paulista.
Adoro as casas da década de trinta. Fomos admirando as construções,
o palácio Rio Branco, a igreja de São Sebastião, o Teatro Dom Pedro II,
depois comemos num restaurante muito bom a toca do esquilo.
Enquanto estávamos no centro pude ver as pessoas
no seu ir e vir, comprar e vender.
Ver no rosto das pessoas as rugas da experiência,
na paciência da lida, na riqueza da vida,
em qualquer lugar sei que há,
mas aqui, é muito bom, é interessante demais.

fim de semana

Um dia ímpar
Ah, como é bom acordar do lado que quem se gosta
e ficar matando o tempo bem devagar. Levantar e tomar
um café. Falar bobeiras, muitas bobagens.
Poder abraçar, beijar e falar da importância
da pessoa ao seu lado.
Depois deitar na cama e se esconder debaixo do
cobertor, pensar, viajar nas ideias.
Combinar o que vai almoçar,
sai para comprar a comida,
e até lá ir olhando as casas, os jardins,
cumprimentando as pessoas.
Depois, fazer o almoço,
comer, lavar a louça,
e ficar vendo qualquer filme besta.
E depois ver a tarde partir,
a noite cair e assim,
ir dormir feliz
por simplesmente viver o corriqueiro
e fazer do fim de semana a melhor coisa da vida.

Noite de outono

E a noite aqui, em Ribeirão,
cai tão limpa, tão atropurpurea,
e torna-se tão escura.
Então, numa noite de outono
quando tudo esfria,
a noite parece mais escura,
a cidade mais silenciosa,
e as estrelas despontadas no céu,
como açúcar
sobre chocolate negro,
desperta desejo,
de seguir saboreando,
os momentos, doces,
belos,
vivos.

Reais

As palmeiras são tão esplendorosas e belas,
que são as primeiras plantas a acenarem
ao sol quando nasce e a últimas a acenarem
ao sol quando partem.

Com suas firmes estirpes,
crescem até o céu,
e suas lindas folhas, canescentes,
brilham, e acenam para o vento.

Palmeiras são tão reais,
tão geométricas,
que a todo lugar
enfeita, embeleza,
até mesmo
dentro de catredais.

Superar

Na vida é necessário superar as  próprias dores, 
os próprios sofrimentos e as próprias fraquezas.
No entanto, nem sempre, por não saber quais são
nossas dores, medos e sofrimento,  é possível
superá-los. 
É muito importante conhecer nossos limites,
testando-os e assim conhecendo-os e 
assim vencendo-os ou sendo vencido.
É preciso ser forte, as ações que são
geradas quando saímos a busca.
Supera-se não é fácil, mas quando
cruzamos nossos limites,
há um doce sabor no vencer,
tudo na vida naquele instante 
é irrelevante. Tentar se superar sempre,
pois sempre, na vida, vai haver medo
e sofrimento e neste caminho
encontraremos nossas fraquezas
que poderão serem superadas
ou não, isso compõe a vida.

21/05/11

Ilusões

A manhã está fria aqui dentro,
mas lá fora está tão ensolarada,
aqui dentro todos os objetos estão
parados sem vida,
lá fora há vida, plantas,
aves, e gente indo e vindo.
Aqui dentro só
a energia sustenta meu
computador que me engana,
me ilude som sons
e imagens.
Isso é real?
Construo um universo
em minha mente,
mas aqui continua frio,
lá fora que há vida,
aqui só meu corpo
pulsa, vive,
lá fora há luz,
vida,
e aqui ilusões.

Família

A vida é uma semente.
Pois, assim como uma semente, cresce e torna-se uma árvore.
E quando uma árvore torna-se adulta, flora e reproduz-se.
Mas uma árvore para ter uma geração diversa, precisa das flores das outras árvores.
Às vezes precisa ainda de polinizadores.
A vida, ao longo do tempo, se diversifica e se enriquece.
Com o tempo a toda a vida renova.
Como as árvores que renovam suas folhas,
a vida se renova, mas  o tronco, as raízes
continuam a existir.
E quando penso nos meus avós,
nos meus tios, pais e irmãos,
penso que uma semente se desenvolveu
e se tornou minha família,
e me vejo como um destes ramos
que continua a crescer,
desenvolver e eterniza-se. 

Busca

Quando o corpo adoece,
todo o ser padece,
a alma também adoece,
perdemos todos os rumos
e canalizamos nossas forças
na busca da saúde.

20/05/11

Crepusculo

O crepúsculo aqui é sempre tão belo,
o céu tinge-se de vermelho e aos poucos
a noite vai cobrindo o sol
como sereias que encantam
guerreiros o sol se enebria,
dorme numa alegria,
enquanto a noite
sai abre as festas,
e todo mês chama a lua
pra fazer a festa dos românticos.
Ah, crepúsculo mais belo que aqui não há.

Manuel de Barros

Barros,
Querido Manuel,
Tu que contas a gratuidade dos pássaros e dos lírios.
Que gênio, mais meigo e doce tu sedes.
Barros tu sedes tímido e sábio como uma coruja,
quando leio, ouço suas poesias,
Barros,
Querido Manuel,
Tu sabes mesmo fazer encantamento!

http://www.luisnassif.com/profiles/blogs/gratuidade-das-aves-e-dos

Tarde

Que linda tarde de céu azul com nuvens branca.
E o frio que faz torna-a maravilhosa.
Pássaros voam no céu.
As nuvens passam devagar,
tomam diversas imagens.
A brisa fria prende as pessoas
no conforto de suas casas. 
É uma tarde típica de outono.
É maio, o ano está passando tão rápido.
Estou só em casa, sinto vontade
de comer, fazer algo, sair deste estado,
mas nada mudará é a tarde
é maio, é o frio
e nada que eu faça me sacia,
não adianta comer, dormir, correr,
resta ficar quieto
e contemplar a tarde
que passa devagar,
fria, bela.
Diferente do ano
que voa na asa de um jato.

Por que escrever?

Escrevo sobre o que está ao meu redor e que me desperta curiosidade, ou faz acordar alguma ideia, ou ainda me faz lembrar de algo. Tem muitas coisas que nos faz bem e enche nossa mente de desejo de escrever de eternizar aquilo pra si ou quem sabe pra outra pessoa. Nem sempre somos tomados de tal vontade. E muitas vezes somos indolentes. Nos somos tomados pelas preocupações quotidianas, coisas que achamos ser essencial  para nossa existência, mas que na verdade não faz a mínima diferença. Somos nos quem julgamos o que é melhor para nós. Acreditamos muitas as vezes que os nossos julgamentos servem para julgar as situações, o caráter dos outros, somos muito subjetivos. Eis um grande engano. Com a correria do cotidiano, esquecemos da humanidade do outro e no unimos com quem pensa igual a nós e categorizamos o que está ao  nosso entorno. Acabamos por esquecer quem somos, o que queremos e a que viemos, por que viemos. Nossa vida muitas vezes parece sem graça, interessante é o alheio achamos. Esquecemos as pequenas coisas que nos dar prazer e por fim felicidade. Esquecemos de viver as mínimas coisas, de refletir sobre certas coisas,  de não racionalizar muitas coisas, simplesmente viver aquilo. Uma das maneira que encontrei para estar comigo mesmo, foi escrever. Quando comecei a por uma ideia no papel, percebi que precisava de fatos, de ideias geradas destes fatos, então passei a prestar atenção nas coisas, nas situações, nas pessoas, nos seres ao meu redor, na natureza, no céu. Percebi a partir de então que a vida é colorida, que existem pessoas além de mim, pessoas que muitas vezes precisam de mim, e  na maioria das vezes não, mas as minhas atitudes diante destas pessoas pode mudar seu comportamento e mudar o nosso comportamento junto. Eu descobri a riqueza das poesias, da filosofia e de todas as ciências. Descobri ainda a minha importância para as pessoas que estão no me entorno, para o meu bairro, para minha cidade, quiçá para o meu pais. Sou um cidadão, como todas as pessoas tenho direitos e deveres. E foi nessa busca por algo que escrever, que acabei dando significado a vida e foi ainda tentando entender o mundo que senti um intenso desejo de ser um escritor.

19/05/11

Flor de Jasmim

Tomava uma flor na mão,
tirava sua vida
só para sorver seu odor.
Muitas vezes nem tinha a cheiro,
simplesmente tomava-a
pelo prazer de desfaze-la.
Tomava uma flor na mão,
para desmachá-la
numa brincadeira boba
de bem me quer e mal me quer.
Tomava uma flor na mão,
olhava-a profundamente,
cheirava-a com carinho,
contava suas peças
as sépalas, as pétalas,
os estames e guardava-a
entre papéis.
Guradava-a em minha mente,
numa doce memória.
Sempre fora assim,
não acreditava na alma das flores,
até que em um certo dia
que encontrei uma flor
num velho livro,
da biblioteca municipal.
Aquela flor perdera a cor,
estava amarela,
doara a folha do livro uma cor em forma de flor
amarela e o livro doara a flor
a forma plana.
Aquela flor marcava
uma página onde
estava impressa
um poema de amor.
Então tomado pela
flor, comecei a refletir
quem pusera aquela flor ali,
o que pensava, quem pusera
a flor ali? Sofria? seria homem ou mulher?
Era uma flor de jasmim,
sim, fora branca, e se tornara
era amarela.
o poema tratava do amor
doce e maravilhoso como o jasmim,
nele havia
diversas palavras jasmim.
Sim aquela flor
se impregnou em minha mente,
roubou minha alma, por aquele instante,
tirou-me a calma.
Sim causou-me angústia
as dúvidas sobre a flor,
naquele livro de folhas desgastadas,
e capa preta.
Estava entre tantos livros.
Quem pusera a flor ali,
quem seria? Seria jovem?
Seria idoso?
Estaria vivo.
Peguei o livro emprestado,
li e reli o poema.
Então devolvi o livro
adormeceu em minha mente
a memória daquela flor.
Na correria da vida,
parei de olhar para as flores
até certo dia
ver um grande pé de jasmim,
a numa grande casa,
era o  maior jasmim
que já vi,
estava florido,
perfumado
de flores brancas.
Tomei uma flor do chão,
despetalei-a.
A casa estava fechada.
Então sempre que
por lá passava roubava uma
flor,
estava sempre fechada,
supunha que teria
sido da li,
a flor seca de jasmim.

Casa

Acordo cedo, está tudo escuro, as luzes da rua tem um brilho ainda muito intenso. Pego o computador e vou para a sala, ligo-o e começo a acessar o mundo, como uma janela que dar  para qualquer lugar. Para isso só preciso digitar o sítio e dar um enter. O sol ainda nem nasceu para o dia, mas eis que eu já. Tudo aqui é silêncio que é quebrado com o dedilhado no teclado. Meu primeiro sitio a ser acessado é o da rádio, assim poderei ler e ouvir as notícias do mundo. Então acesso duas rádios uma brasileira e outra inglesa. E me fico entretido acessando o que aconteceu, acontece e está previsto para acontecer no Brasil e no mundo. As notícias não são nada animadoras, graças a Deus tem as colunas pra entreter.
 Está frio, então me enrolo. Esquenta, desenrolo. Olho através da  janela e vejo a lua como um espelho de reflexo pálido. Então o sol nasce devagar, parece está cansado.
Ana finalmente acorda, tomamos o café, arrumamos as cobertas e finalmente começo a trabalhar, na janela mágica. Faz um frio muito gostoso, nunca visto aqui em Ribeirão Preto.
A impressão que tenho é que o a cor verde do piso torna mais frio o ambiente. Esse quarto pequeno de paredes brancas, com uma cama, uma escrivaninha e uma cadeira e um armário, se não fosse tão organizado não seria tão confortável. Então permaneço sentado em frente ao computador. Em outros tempos seria um louco. Como pode alguém ficar o dia todo em frente a uma máquina? Confesso que muitas vezes fico impaciente. Então olho através da janela. Olho para a organização dos objetos, presto atenção nas coisas, nas formas. Então escrevo algo. Procuro sítios com entrevistas, informações de escritores. Acesso uma rádio espanhola e ouço música erudita. Escrevo e respondo emails. Enquanto isso no mundo lá fora, as aves cantam ou voam pelo céu; as árvores esperam pacientemente pela primavera, a brisa esfria mais o mundo. Melhor assim, merecemos o frio, afinal aqui é sempre tão quente. Volto novamente para o quarto. E então entro no meu mundo subjetivo e penso e viajo em minha mente onde encontro uma ideia que quer ser investigada, volto ao mundo. Digito no sítio google que me dar n informações em milésimos de segundo. Leio, reflito.
E quando estou concentrado sou obrigado a ir ao açouge  comprar carne moída. Vou e volto, comprei uma melancia e ao provar que não é lá essas coisas. Sinto frio o dia todo. Então almoço...
Saímos para ir ao banco, voltamos volto para a janela mágica. Leio, completo os dados de uma tabela...
E chega então a noite...
E mais um dia vivido.

Açucena

Certa tarde, no outono, quando caminhava, à toa, numa estrada vazia, tentando alongar as pernas e um pouco corpo. Fazia muito frio naquela tarde. Era de costume caminhar no fim do dia ali, conhecia tudo que tinha naquele lugar. Mas naquela tarde, em que o sol brilhava intenso, e era um brilho tão vermelho. Então quando subia uma pequena declinação com a vista voltada para o chão. Eis que vi no barranco algo parecido com uma flor desabrochando. Era muito branca, algo parecido com uma mão com dedos fechados que estava pra se abrir. Então, aproximei-me e vi bem de perto era um lindo botão de uma flor muito parecido com açucena. Aquilo era uma açucena. Então, ouvi suave um estalo e como uma espigas de milho sendo desfolhada, vi aquela flor desabrochar, lentamente. Ah, fiquei boquiaberto, e quando ela se abriu e começou a exalar um doce odor. Então a noite já tomava conta de todo o lugar. Todas as formas desapareciam, quando repentimanente ouvi um som forte e rápido, som de asas batendo e eram mesmo asas, pois vi chegar uma grande mariposa escura. A mariposa voava com muita destreza, chegou na flor, desenrolou a probócide e ficou ai tomando o meu. Tudo já estava escuro, mas continuei vendo a bela flor a mariposa. Em poucos instantes só podia sentir o cheiro da flor. Então fui pra casa com aquela imagem das belas e suaves pétalas, do doce cheiro, da grande mariposa. Cheguei em casa ébrio com o cheiro e as imagens daquela flor, do seu desabrochar. Era como se tivesse acordado de um sonho. Seria um sonho? Comecei a me questionar. Tomei um banho. Comi uma graviola doce e me sentei na cadeira de balanço. Aos poucos em frente a minha casa a lua começava a despontar, junto com ela uma brisa soprava. No céu estrelas piscavam numa festa, mas aos poucas a lua ia ofuscando o brilhos das estrelas. Eu via as coisas e nada percebia. Tudo que minha mente pensava era na açucena, no cheiro, na mariposa. 
Então comecei a me indagar, mas naquele barranco nunca vi nenhuma açucena, nunca ninguém plantou nada lá.
De onde veio aquela açucena?

Dia frio

Está tão frio hoje. É muito estranho esse frio aqui em Ribeirão, confesso que é a primeira vez que sinto frio aqui, mas não seria referência, se nem mesmo moro aqui. Venho as vezes, nos fins de semana. No quarto, minhas pernas nuas, sentem um frio. O chão está tão gelado, apesar do sol está brilhando. O céu hoje está cheio de carneirinhos. Nossa como adoro esses dias frios. 

Silêncio da manhã

O silêncio da manhã.

Ainda está escuro, a sombra da noite não partiu.
A lua prateada brilha serena no céu, mas o tempo
é chegado. As horas anunciam a chegada do dia.
Aurora começa a acender suas brasas e logo
chegará o sol.
Todavia neste momento vivo o silêncio.
O meu corpo como o dia desperta
de uma noite de sono, neste momento tudo
é silêncio.
Um silêncio escuro e frio.
Dentro de casa nada se mexe,
nada se ver.
Através da janela o frio atravessa
frouxo trazendo de fora
o silêncio frio.
E minha mente desperta.
e começa a funcionar,
e encontra no silêncio paz.
Vivo  um intenso silêncio.
Ouço o respirar das pessoas
em suas quentes camas.
Além disso tudo é silêncio.
Na cozinha as baratas se recatam
leves. Os ratos voltam para o escuro dos esgotos,
e os morcegos mordem suas
vítimas cautelosamente,
então no silêncio desperta o dia,
mais um dia, que pode ser o último
dia, o melhor dia,
mas o dia faz segredo
e em silêncio desperta a terra.
Gosto de sentir o silêncio da manhã,
de tocar no silêncio da manhã,
pois é frio,  é belo,
é fantástico.
Quando era criança
e nas noites de São João
tinha um ritual de acender a fogueira,
papai se encarregava
de tudo e eu apenas ajudava.
Aquilo era como o nascer do dia
silencioso, o fogo precisava de
atenção para pegar, para acender
então ficávamos calados
até o fogo pegar,
acho as vezes que o fogo também curte
o silêncio para despertar.
Então a noite  como o dia
começavam depois que se fazia
brasa, e chama,
e só através do silêncio despertava
a beleza da noite, do dia.

18/05/11

A casa de meus avós



Meus avós, pais de minha mãe, tinham duas casas uma na serra e outra no sertão. É da velha casinha do sertão que tenho as minhas primeiras lembranças deles, pois era nela que moravam até então. Aquela casa era pequena, velha, baixa e escura, com por ter poucas janelas. Era uma casa sem conforto, feita sem capricho; construída para abrigar trabalhadores durante o inverno, guardar a safra da chuva e do sol. Mamãe contou-me que meus avós foram morar lá depois que todos seus filhos deles se casaram.  Como meu avó já estava ficando cansado e não podia mais trabalhar tanto como fazia quando era jovem, resolveram que seria melhor morar naquele lugar que se chamava Vertente, pois tinha ali terras mais planas e mais próxima de casa para cultivar. Exigindo menor esforço no trabalho. Assim foram morar nas naquela propriedade, naquela casa.
Eles viviam do trabalho, criavam gado, porcos, galinhas e perus. Meu avó cuidava da lida da roça, cultivava feijão, arroz, milho e algodão. Enquanto minha avó cuidava dos afazeres caseiros. O passa tempo  naquele lugar era trabalhar. Ali, trabalhava-se de inverno a verão. No inverno cultivava-se feijão, arroz e milho, melancia e melão, e no verão se cultivava algodão e preparava as terras para plantar no inverno. Já o trato com o gado se estendia por todo o ano.
Naquele tempo as Vertentes era muito povoada. Até tinha uma escola funcionando. Tinham várias famílias que conviviam em paz.
Meu avó era uma pessoa muito, como diz lá no sertão, gaiata, brinachona, feliz. Gritava naquele sertão velho.
-Olha a erva rasteira.
E dava uma bela gaitada.
Já minha avó era séria e recatada. Não tenho muitas recordações de quando eles moravam lá.
Minha irmã do meio, mais velha que eu um ano, morava com eles. Meu avó a chamava carinhosamente de Lera.
Todavia o tempo foi passando e chegou o dia que meu avó não podia mais trabalhar. Então tomaram o caminho de volta para a serra, onde ficariam mais perto dos filhos, e da cidade no caso de doença.
Então, eles partiram de lá, na mesma época que as pessoas começavam a ir embora dali,  em busca de melhores condições de vida.
Aquela vida pacata já não bastava para as pessoas que ali viviam.
A velha casa do sertão logo foi ocupada por um tio que viveu nela por muito tempo, ele recebeu de herança aquela velha casa com uma pequena quadra de terra, mas ele trocou aquela propriedade pela propriedade de  meu irmão que fica na serra. Então mais uma vez a casa foi abandonada. Hoje a velha casa das Vertentes está abandonada.
Na última vez que fui a casa de meus pais resolvi ir visitar e rever a velha casa.
Fiquei muito triste de ver aquela casa que tanto pulsou, foi tão cheia de fartura, de gente e agora se encontra vazia com as portas fechadas e por vezes com algumas partes ruindo. Foi de cortar coração. Como deixar a velha casa desmoronar?
O que se pode fazer. Conservá-la de pé seria muito bom, mas falta capital. Então como corpo decadente a casa morre a cada dia. Chegará o dia que não mais existirá.
A casa também envelhecera e agora aos poucos como toda matéria desfaz-se as estruturas.
Minhas memórias daquela casa são muito vagas, eis que todos aqueles que tinham diversas memórias de lá, dormem eternamente.






Pessoas se encantam

As pessoas ficam velhas e se encantam.

Outro dia, quando visitava uma área de cultivo de plantas aromáticas no núcleo da Unicamp, durante a tarde, enquanto caminhava através das hortas. Chamou-me a atenção uma grande casa rosa com um grande pé de jatobá em sua frente. Então parei para observar, pois gosto de ver o estilo como eram construídas as casas antigas. Eis que vi ali, bem na frente da casa, sentado um senhor idoso. Quem seria? O que fazia? Não sei, mas aquela cena. Um senhor sentado com a cabeça baixa ou seria sinal de cansaço ou de pesar na alma. Nem imaginei sobre isso. Só imaginei quantos anos haveria de ter? Que teria feito durante a juventude? A tarde estava quente, mesmo assim estava sentado diante do sol. Eis que o seu tempo estava gasto. Só lhes restava descansar, seu corpo consumido pelo tempo, aguardava o descanso. Esperando se encantar

Oculto

A manhã vem vindo. O sol logo despontará no nascente, mas ainda está escuro. O que me aguarda este dia?
Nada me conta. A manhã chega silenciosa e fria. Estou preparado para viajar, mas o desenrolar do dia é quem vai dizer o que vai acontecer comigo. A cada instante que se desvenda o mistério da vida é algo totalmente desconhecido. Se tudo sair como penso vou viajar, ver o mundo claro, mas eis que a tudo e a todos é oculto o que vai acontecer.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh