Olhei para o tempo e não vi um chão.
O mato seco o céu azul.
O calor do tempo.
A terra seca vermelha.
A poeira...
As memórias.
Olhei para o tempo e não vi um chão.
O mato seco o céu azul.
O calor do tempo.
A terra seca vermelha.
A poeira...
As memórias.
Meu irmão volta a são Paulo.
Essa viagem tem feito tanto em sua vida.
Foi embora em 1989.
Ficou lá por dois anos seguidos. Depois vem anualmente desde 1991. O que somaria 34 viagens, sendo esta a 34. Ele tem 55 eu tenho 45. Foram vários os anos afortunados. Digo assim pois contava com papai, mamãe e a mãe de sua esposa.
O Verão está chegando. Como choveu pouco este ano, as fruteiras estão sofridas. Vingaram, mas as frutas não cresceram... Uma bananeira cum belo cacho de banana. Um picapau pica o cajueiro e um galo de campina corrochia no cajueiro.
Dias cheios de luz e vento. O vento frouxo levanta poeira.
A vegetação doirando-se de folhas secas.
A palha seca do milho e do capim.
A aroeira chumbada.
O vináceo ao verde das folhas.
Os picapaus e casacas de couro se aninhando.
A cigarra cantando.
A vegetação silenciando.
E julho se entrega a agosto.
Termina o inverno e começa o verão.
Vai embora meu irmão.
26/7/25
Meus pais morreram,
Mas a casa continua viva.
Vive em minha irmã.
Aqui meu espírito se materializa.
Tudo é memória...
Uma castanha encontrada lembra papai, o guarda roupa
Lembra mamãe...
Memória desperta é vida acordada.
Saudades de vocês meus amores.
25-7-25
Conclui a leitura do genesis. Um livro surpreendente maravilhoso e profundo. Cada um dos capítulos li sete vezes e confesso que ficou muita lacunas. Foi um filtro que me permitiu entender e conhecer muito, mas é preciso ler muitas vezes mais. Compreendi que no princípio já se encontra o delineamento e a lógica de como buscar entender o curso da evolução desse povo, desta cultura. Entendi a humanidade do povo de Abraão, Isaque e Jacó. E o que aconteceu com Ismael? Com Esaú?
Confesso que me encantei com José de Israel.
A história de um povo contada oralidade e depois escrita deixou muitas lacunas. A tradução mesmo do hebraico para o grego, do grego para o latim...
De qualquer forma foi extremamente enriquecedor. A ideia que fica da unidade na moral, nas relações interpessoais e na fé são ímpares. Saio maior em espírito cristão.
25-7-25
O vento frio de julho
Chuvas torrenciais.
Pensar a vida,
Memórias,
Meu Filho ainda criancinha,
Os anos caindo da partida de meus pais.
Vigoski, Borges, Spinosa.
Essa certeza da humanidade em nós.
Me apavora,
Me assusta.
Fetonte.
A internet, Instagram...
A certeza que amanhã será outro dia...
O tempo passou e não para de passar.
A fé em Deus pai, filho e espírito santo.
E a vontade da eternidade.
13-7-25
Hoje é noite de São João. O ano é 2025. O lugar é Serrinha dos Pintos. Meu nome é Rubens Queiroz.
Aqui, tantas vezes, ajudei meu pai a fazer a fogueira para a noite de São João. A gente saia pelo sítio para procurar madeira. Achavamos madeira de cajueiro, cajarana, e fazíamos aquela fogueira. Era bom trabalharmos juntos.
Serrinha dos Pintos, 24.6.25.
Ontem, trabalhamos na contratação da fogueira, Vinícius e eu. Selecionamos as madeiras de cajaraneira, coco catolé, feijão bravo, Pinheira, timbaúva, angico. Fizemos uma bela fogueira. Depois passamos o dia todo em casa. A noite acendemos a fogueira, soltamos bombinhas e fogos. Comemos bolo e pamonha.
Em Serrinha a natureza é tão ampla
Vimos vários bichos
A alma de Gato me impresssionou
Pensar,
Algo direcionado,
Alinhado,
É preciso dar início
Fixar uma ideia
Descreve-la,
Desenha-la e
Desenvolve-la.
Escrever algo tão aberto.
É sinal de desespero
Sinto amor por tudo aqui na minha terra natal.
Do nascer ao pôr do sol meu peito se enche de alegria tão fàcil e rapidamente.
Aqui sou eterno.
Aqui sei quem sou num instante.
A natureza fez morada no meu peito.
Eu entendo a vida rapidamente aqui.
Aqui dormem Queiroz e Teixeira...
Aqui durmo plenamente.
Aqui sinto que sou mais forte.
Ontem mesmo fui com meu filho num lugar que há décadas não pisava o chão,
Mesmo assim tudo me é familiar,
Porque tudo habita em meu peito.
As matas de marmeleiro e juremas.
Sim! Aqui nem preciso pensar.
Tudo é sentimento.
Amo tudo e tudo se faz eterno.
As vacas serão sempre caretas, os cães dogues...
Fui a casa de vovó Chico me senti bem.
Os poucos que me restam e os que existem me apego ligeiro....
Porque sei que somos só um, apesar de sermos muitos.
23-6-2025
Sábado, fomos a Bica só Sassá e eu. A mamãe ficou passando ferro nas roupas.
Nós vimos os rapinantes.
Vimos os peixes,
Vimos as serpentes,
As aves coloridas,
Os emus.
Vimos os jacarés,
Os macacos capucinho.
Os gatos pintados.
Andamos até o lago.
Lá comprei uma pipoca bocos.
Sentamos e ficamos ali.
Observando a natureza com a paisagem do açude.
A venda de sorvete com crianças tomando sorvete.
Pais, avós e netos conversando.
Gente indo e voltado.
Na nossa frente um pai com dois filhos uma menina e um menino.
Todo orgulhoso, pois tinha comprado uma batata frita e um litro de coca-cola.
Sassá nem imagina a potência do gosto da coca.
Ele espremia o catchup e mandava os meninos comerem.
O garotinho sentia falta da mãe.
Até falou em levar batatas para a mãe. O pai até se irritou, dizendo que a mãe não queria eles juntos.
A menina era mais nova...
Me atentei aquele momento.
Sassá olhava Arthur andando de pônei.
Olhava um casal com três crianças tomando sorvete.
Ele ama sorvete, mas não pediu.
Depois comemos a pipoca e voltamos para irmos almoçar.
Despertei ainda escura madrugada. O quarto parcialmente era clareado pela luz do ar. Então procurei Vinícius em nossa cama. Dava para vê-lo ao lado da mãe. Então lembrei de quando pegava seu pé de bebe. Senti então que seu pé havia crescido muito, ganhado a aspereza das atividades, a rigidez dos ossos e a forma de nossas famílias. Continuei sentindo seu pé. Parei para contemplar sua face. Então pensava, mas voltava a olhá-lo como fazia quando pequeno. Ficava olhando para ver algo. Lembrei de quando era bebe, mas apenas em trÊs anos tudo mudou. Agora ele ganhou um universo particular. Então vi que a luz, já luzia lá fora. Levantei, peguei a coberta que meu pai Chico me deu. Fui para a rede ouvir minhas orações, ler os salmos, provérbios, genesis, números e eclesiastes. Depois fui ver tao te ting, a decadencia do ocidente, Vigoski. Ai levantei, preparei o meu chá enquanto o dia despertava.
Ontem foi o primeiro dia de aula de Sassá após as férias.
Cortou o cabelo.
Fez um cartão para a professora.
Estava muito feliz.
Nós mais ainda.
Vai Sassá aprender sobre o mundo.
Vai saber abstrair da realidade esse mundo novo.
Vejo uma imagem de tarde...
Uma tarde única eterna, atemporal.
Uma tarde onde tantas vezes despertei para a vida via abstrato.
Despertei tantas vezes ao ler.
Após o almoço, quando a tarde chegava, mamãe costumava dormir.
E a casa parecia dormir junto, pois se fazia silêncio.
Naquela baixa tudo era silêncio e calor e luz e tarde.
No silêncio viajava em meus pensamentos.
Começava uma leitura e me perdia em meus pensamentos.
Eu era orgânico e natural.
Era como um garoto aprendendo matemática encontrando um sentido nas ideias.
Eu descobria as ideias nas palavras, nas frases nos textos.
Foi fortemente afetado por um livro de Gandhi encontrado num baú antigo.
Sem dúvida pelo novo testamento distribuído pelos evangélicos...
Fecho o texto sem concluir, escurecendo e esfriando como a tarde eterna.
Na última ida a Martins, revi duas aves muito interessantes. Um sanhaçu-de-coqueiro e um surucuá.
O Sanhaçu foi na serra e o Surucuá foi na caatinga mesmo da serrinha.
Ontem, quarta-feira, 30/07, foi o último dia de férias de Sassá. Acordou tarde e tomou um bom café. Depois foi desenhar. Passou o dia desenhando. À tarde, saímos para passear. Ao sair do prédio, no jardim arranquei um quebra. Sassá pegou a planta e foi brincando o tempo todo. Só no mundo da imaginação. Fui observando, sem intervenção. A certo momento pensei como cresceu e se tornou independente. Já tem objetivos. Queria ir a praça da paz e fomos. Lá foi escorregar na pista de esqueite. Tinha três garotinhas e três garotinhos. Interagiu com todos, mas a chuva chegou e tivemos que ir embora. Passamos a chuva e fomos a padaria comprar o pão dele. Fomos por outra rua e ele percebeu e disse que nunca tínhamos ido por lá. De fato! Na padaria o rapaz já sabia qual era o pão que ele gostava. Pegou, queria água, mas deixei para beber em casa alí muito perto. Chegamos em casa junto com a mamãe que tinha ido a academia.
Então foi desenhar.
Ontem, saímos para caminhar Sassá e eu. Fomos caminhando e Sassá tentava me convencer a comprar um lagarto da água para ele. Foi do início até o fim tentando me convencer. Nem pediu pão. Oras sabia o nome do lagarto ora se esquecia. Uma das justificativas era levar o lagarto para a casa da tia Li para este comer os insetos. Os argumentos eram interessantes. Na rua nem percebemos muitas coisas... Eu estava perdido nas minhas ideias.
Enfim!
A noite é longa para quem não consegue dormir.
Somos bombardeado de tantos pensamentos que ficamos atordoados.
Quando o sono chega e precisamos nos levantar.
Então o dia já não é tão pleno e completo.
Como lidar com as dificuldades criadas por nossas mentes?
No fim do ano Sassá ganhou uma bicicleta vermelha.
Na hora de montar, pensamos em nomeá-la. Qual seria o melhor nome. Argutamente um garotinho que observava falou flash. Pronto a bicicleta passou a se chamar flash.
Como estamos na época das chuvas, a mais de um mês flash estava parada.
Ontem a mamãe saiu com Sassá. Andaram muito lá na praça atrás do Aruanda nos bancários.
De capacete azul Sassá parecia uma mistura de Flash com Sonic.
Só Deus o que imaginava Sassá ao pilotar Flash.
Ontem, fui com Sassá a borracharia para fazer o rodízio dos pneus.
Ele me perguntou o que é rodízio.
Tentei explicar várias vezes, mas foi infrutífero.
Ele viu Nil trocando os pneus.
Vendo ele entendeu.
Depois saímos para passear (caminhar).
Foi maravilhoso. Vimos várias coisas.
O final do passeio foi na praça da paz onde escorregou com coleginhas na pista de skate.
Gostou tanto que saiu chorando.
Foi a soma de cansaço e fome.
Chegou em casa, jantou, tomou banho, escovou os dentes e dormiu.
No fim de semana recebemos uma maravilhosa visita de meu amigo Rogério, Dalila, Geane e Odilia. Foi maravilhoso, pois Sassá aprendeu mais a socializar. Eles brincaram muito. Não é fácil Sassá dividir seus brinquedos, mas ele precisa aprender isso. Então a realidade dá uma maozinha. Ele dividiu os brinquedos e acabou com o ciúme dos mesmos. Quando eles foram embora restou a saudade. Ele sozinho arrumou a bagunça dos brinquedos.
A correria!
Ontem, saímos para caminhar!
Sassá está com muita energia!
A felicidade dele é ganhar algo.
No meio do caminho o que voce vai comprar para mim.
Bom prometi um pão.
Na primeira padaria não deu certo.
Na segunda deu certo!
Ficou muito feliz.
As férias de Sassá é aproveitada para passearmos.
Sassá está de férias e assim, os dias são longos conosco e ele. É cansativo, mas maravilhoso. A gente percebe mais no nosso entorno quando não tem opção de sair.
Cheguei em casa, estava ativo, indo e voltando feito leão na jaula.
Então, almoçamos e fomos ao shop, abasteci o carro, calibrei os pneus, ele sorrindo e me olhando.
É bom.
Depois chegamos em casa. E ao chegar ele ganhou um presente de uma amiga de sua mãe.
Uma coleção de lápis de cores. Desenhou...
Ai fomos passear, coletamos flores de jasmim, de hibisco.
Ele viu um número e falou em inglês 118.
Depois, ele perguntou porque uma moto na esquina estava para vender. Não entendi como tomou ciência daquela informação.
Ai, fomos indo.
Vimos um fusca preto com detalhes beje.
Ai, fomos disse que ia comprar algo para ele.
Ficou curioso e quis, pegar um atalho na rua.
Andamos, passamos na casa do jasmim,
E quase chegando em casa, comprei um aquário para Apuleu.
Esse menino ficou radiante!
Muito bom.
Acordei de madrugada, fui a varanda e contemplei as três Marias o cinturão de oreon.
Vi naquele momento a eternidade.
Igualzinho a primeira vez que o vi, não sei quando, mas sei onde. Na casa de meus pais. Olhar para o céu é olhar através do tempo.
Um dia de tanto observá-lo percebi ordem, beleza e uma conexão que transcende o pensamento, a realidade e o tempo.
O vento frio de julho
Chuvas torrenciais.
Pensar a vida,
Memórias,
Meu Filho ainda criancinha,
Os anos caindo da partida de meus pais.
Vigoski, Borges, Spinosa.
Essa certeza da humanidade em nós.
Me apavora,
Me assusta.
Fetonte.
A internet, Instagram...
A certeza que amanhã será outro dia...
O tempo passou e não para de passar.
A fé em Deus pai, filho e espírito santo.
E a vontade da eternidade.
Fui à feira de orgânicos na UFPB. Acontece sempre as sextas da semana.
Ir a feira é sempre algo muito rico.
Lá encontramos mercadorias, comidas, músicas e histórias.
O cheiro da tapioca e o som do pífano se faz sempre presente e o balfafar de tantas conversas ocorrendo ao mesmo tempo.
A feira é semelhante a uma panela de feijão cozendo onde o calor do fogo engrossa o caldo e amolece o grão. Essa mistura de feijão e água e fogo dá comida para o corpo e para a alma.
Temos conversas com os feirantes que cultivam os alimentos e nos trazem fresquinhos.
Temos como comida de derivados vegetais tapioca, frutas, hortaliças, carne de bode.
Temos as histórias da semana,
As histórias locais e universais.
O olhar, o jeito de pensar...
Ir a feira...
Cada um encontra o que busca e muito mais.
Ontem, choveu o dia inteiro.
Sassá nem pode sair de casa.
Só no fim do dia fomos ao mercado.
Pegamos coisas favoritas dele como bolo, chocolate, iogurte e morango.
A mamãe comprou tintas então, após a janta fomos pintar.
Ele pintou um tatu.
Depois fomos para a cama ele me puxou para lá.
Não sei o que aconteceu, pois adormeci.
Sei que a mamãe teve muito trabalho, pois quando acordei
a chama estava cheio de livros.
O mundo abstrato está tomando conta da cabeça de Sassá.
Tem livros e gibis espalhados pela casa toda.
Passei o dia inteiro fora!
A tarde quando cheguei Sassá estava dormindo.
Nem fomos ao mercado.
Em função das muitas atividades do dia ele dormiu profundamente.
Dai ele acordou perguntando por mim.
- Papai já chegou?
Perguntou até eu responder.
Dai levantou, foi para o sofá e ficou mirando pelas pontas dos olhos com a cabeça nas almofadas.
Senti amor... um profundo sentimento de gratidão.
Dai, aos poucos foi se chegando.
Veio, me abraçou e me beijou e eu repeti tudo.
Dai ele e eu ficamos deitados na rede.
Ser é amar.
Borges soube ouvir e não era cantor.
Ventania não soube ouvir, sendo cantor.
A semelhança entre os dois é que ambos compunham.
Um poeta e um cantor.
Ambos compositores...
Um de versos e um de canções.
Jorge Luiz Borges o leitor, aprendeu a ler criancinha na grande Buenos Aires.
Eliseu Ventania o compositor, certamente demorou a ler, nasceu na rua das canto em Martins, RN.
Ambos não fizeram faculdade.
Ambos viveram da arte!
Um mundialmente conhecido,
Outro regionalmente conhecido...
Em ambos suas obras continuam vivas universais e eternas.
Ambos ficaram cegos.
Borges encarou a cegueira sem desânimo.
Eliseu ficou profundamente angustiado.
Um tinha o carinho e o conforto da grande fama.
O outro o carinho e conforto de sua fama.
O que tem mais em comum?
A capacidade de síntese na viola e nos textos...
Um leu Schopenhauer e todos os tratados de psicologia.
O outro leu o senso comum, o povo...
Não dar para saber qual eu gosto mais.
Mas uso o grande para dar luz o pequeno que de pequeno não tem nada.
Conheça!
Sassá e eu saímos para caminhar.
Andamos devagar.
Prestando atenção em tudo, nos números das casas, nas plantas dos jardins,
nas rochas, nos fios, nos pássaros.
Ontem, vimos uma coisa que nunca vi.
Um casal de patativa dançando.
Eles se encontraram no fio de alta tenção.
E dançaram e dançaram e depois foram embora.
Foi uma surpresa para mim.
Mas a frente vimos um bando de jandaias.
Eram 10 bichos. Ora voando, ora pousada nos postes, ora gritando.
A coisa mais linda verdes, com o pescoço e a cabeça amarela.
Os machos com parte das asas vermelhas.
Ai, falei que ia comprar um pão doce para ele.
Ficou muito feliz. Da mesma forma que ficava quando papai comprava confeito para mim.
Fomos numa padaria mas só tinha pão doce com creme e goiaba.
Ele não quis, disse que não gostava de goiaba.
Dai fomos para a padaria perto de casa onde o povo até conhece ele.
Compramos e fomos caminhando e ele comendo.
O céu estava pálido e cheio de carneirinhos e nele a lua aparecia.
Então voltamos para casa.
Ontem Sassá foi a pediatra após um ano.
Graças a Deus tudo está bem.
Seguindo a média de crescimento.
Cognitivamente bem. Estamos muito felizes. Graças a Deus.
Ao final da consulta a doutora Gilka Carvalho deu um certificado da coragem.
Ele ficou encantado com o certificado.
Quis levar até em casa.
Agora fazer uns exames para ver como anda internamente.
Ser pai é tão bom.
Sassá recebeu em casa seu tio Beg e sua tia Suzi.
Pense num fim de semana que ficou feliz.
O tio deu para ele sorvete e picolé.
Foram a vários lugares bonitos.
Tiraram inúmeras fotografias.
Ontem na missa, após uma manhã na praia, dormiu o tempo todo.
Estava feliz.
Até se comprometeu em ir para o interior, com a mamãe.
Enfim. Foi maravilhoso.
Sassá não cabe em si de tanta felicidade.
Ontem ele ganhou um peixe.
Sim um peixe vivo que não é para comer.
É para contemplar.
É um berta azul.
Parece um bailarino dançando com um lençol azul.
A gente deu o nome de Apuleu blue.
Antiontem, prometi que ia dar para ele um peixe quando fossemos a Recife pegar o tio Begue e tia Suzi.
Ele ficou radiante. Ansioso.
Foi dormir tarde.
Ligou para o tio que cria peixe para dar a notícia.
Então, nem almoçou direito.
Então, na viagem já estava muito ancioso.
Chovia quando chegamos lá e no local onde sabíamos que tinha estava fechado.
Que balde de água fria...
Mas a esperança é a última que morre.
A mamãe achou um lugar.
Fomos na Varsea, no bairro, e encontramos um lindo peixe.
Está todo feliz.
Spinosa pensava enquanto polia lentes.
Spinosa lia o talmude.
Spinosa lia Descartes.
Embora no século XVII
As idéias o escolherem para virem a luz...
Será que lia Platão?
Esse farol do ocidente!
Ah Platão.
Leria Aristóteles?
Alicerce do realismo.
Sou cego em matéria de deveio spinosiano.
Por isso me encanta.
Junho deu adeus...
Alegre, colorido, vivo e quente.
Muita alegria!
Coisas simples enchendo o coração.
Uma fogueira de São João,
Chuva de fim de inverno.
Junho parte,
Deixa saudade...
Ano 2025...
Pensar é negar a realidade.
Esta realidade que muda...
Realidade estado,
Realidade devir,
Realidade deveio.
Estive em terras distantes,
Andei onde nunca pensei,
Vi coisas que nunca a ver voltarei,
Aprendi e esqueci.
Aqui estou,
Aqui estou,
Mais velho, mais cansado,
Tentando entender o que aconteceu.
jul. 2024
Sassá de férias, os dias são todos nossos ou parte deles.
Ontem levei um guia do México para ele.
Adorou viu todas as páginas.
Depois vimos vídeos de aves.
Desenhamos algumas aves.
Foi ótimo.
Chove!
Venta,
As árvores parecem dançar.
Frio,
Sombra,
Som de piano.
A distância torna-se ainda maior.
Vamos tomar um café.
Spinosa polia lentes e pensava,
Papativa do Assaré campinava e pensava.
Borges lia e pensava.
Quem era mais leve e suave?
Spinosa filosofava,
Patativa criava versos,
Borges queria entender o absoluto.
Spinosa viveu no século XVII,
Borges foi contemporâneo de Patativa.
Spinosa era judeu.
Patativa Cearense,
Borges Argentino...
Cadê o sentido deste texto.
Patativa viveu na miséria, perdeu uma filha para a fome.
Spinosa foi excomungado.
Borges ficou cego...
Pensar é o elo,
A ideia que reúne tudo isso.
A chuva chegou,
Nem parecia que ia chover.
Mas ela chegou
E cantou com a mata.
Tão sonoro ouvir
Frases escritas por Pessoa...
A chuva chovendo!
É tão bonito isso.
A chuva chovendo agora.
A chuva eternamente choverá.
Eu, em algum momento desço da estação.
Alguém poderá achar belo como achei.
A chuva chovendo.
Ontem, fomos caminhar Sassá e Eu.
Fizemos o mesmo percurso ou quase.
Sassá já tem muitas curiosidades a respeito da natureza,
Principalmente dos bichos.
Adora saber sobre bichos...
Quais os bichos vamos encontrar?
Vimos jandaia, maracanã, bemtivizinho, gavião...
Nas ruas não colhemos tantas flores, apenas algumas.
Nós contamos os números das casas em inglês...
Na frente da escolha contemplamos o dinossauro enrrugado.
Na escola dele, leu a placa K A R L R O G E R S.
Confundiu a esquina da sorveteria.
Viemos pela praça do Rapaz, na esperança de encontrar um coleginha.
Acabamos pegando uma nebilina.
Assim foi.
Esse fim de semana foi atípico para Sassá.
Sem Bica, sem praia...
Como precisamos ficar em casa para o concerto do ar.
Então, tivemos que improvisar, desenhar, ficar em casa.
Apesar disso, fomos a loja de Material de construção, ao restaurante pegar almoço e sábado a noite,
Fomos ao Mercado Mateus para compensar a falta de passeio.
Comemos, observamos os peixes e eu comprei camarão para Sassá.
Ele adorou!
Domingo mamãe não podia sair então ficamos em casa novamente.
A mamãe tinha que fazer uma prova, então bom, fomos deixar ela na escola.
Na volta, passamos no atacado Brasil, onde compramos coisas muito legais.
A tarde, nos deitamos, ficamos de boas.
Ai fomos a missa só nós. Não deu trabalho.
Na missa até explicou porque a mãe não pode ir.
Dormiu a cerimonia toda.
Depois fomos comer um dogão.
Como ele ama.
Comeu e fomos para casa...
Nem sei que horas foi dormir.
No São Sassá viajou para a terra natal da família de seu pai em Serrinha dos Pinos, RN. Foi uma viagem excelente. Nesta viagem, o pai dele e ele fizeram várias coisas boas juntos. Andaram no mato, viram raposas, alma de gato, anum preto, anum coroca, anum branco, martim-pescador, socó-boi, carneiros, jumento, porco, bois...
Fizeram a fogueira juntos, soltaram bombinhas, comeram pamonha...
Uma frase me afeta e me faz pensar.
Uma sensação me afeta menos, mas também me faz pensar.
Tudo depende da intensidade, da entonação e da forma como foi percebida.
Ler Pessoa, o poeta, pode ser profundamente afetado,
Mas necessita saber ler,
Sensibilidade.
Ver uma tela de Gogh pode ser muito mais impactante.
Todavia acho que o que mais nos afeta são nossos sentimentos
Que se alinhado com uma realidade
Pode ser sentido como verdade.
A tarde caiu na fria noite,
Caiu encarnada,
Tal qual a luz da lenha na parede de barro cru.
Expressando o belo segundo crepúsculo.
A chuva ora caia, ora sumia.
As paredes úmidas,
O piso gelado
Faz a gente pensar nessa existência bruta.
Faz a gente pensar nos eventos recentes,
Nos eventos distantes...
O tempo ora contraindo, ora dilatando em nossa mente,
Os nossos sentimentos ora aquecendo, ora esfriando...
Tentando entender a fragilidade da existência...
O vigor infantil, a sabedoria senil,
Tempo por vir,
Tempo ido...
Tanta coisa tramando nossa consciência...
Constituindo quem somos,
Quem queremos ser,
Quem fomos...
errinha dos Pintos, 24.6.25.
Ontem, trabalhamos na contratação da fogueira, Vinícius e eu. Selecionamos as madeiras de cajaraneira, coco catolé, feijão bravo, Pinheira, timbaúva, angico. Fizemos uma bela fogueira. Depois passamos o dia todo em casa. A noite acendemos a fogueira, soltamos bombinhas e fogos. Comemos bolo e pamonha.
Hoje é noite de São João. O ano é 2025. O lugar é Serrinha dos Pintos. Meu nome é Rubens Queiroz.
Aqui, tantas vezes, ajudei meu pai a fazer a fogueira para a noite de São João. A gente saia pelo sítio para procurar madeira. Achavamos madeira de cajueiro, cajarana, e fazíamos aquela fogueira. Era bom trabalharmos juntos.
Sinto amor por tudo aqui na minha terra natal.
Do nascer ao pôr do sol meu peito se enche de alegria tão fàcil e rapidamente.
Aqui sou eterno.
Aqui sei quem sou num instante.
A natureza fez morada no meu peito.
Eu entendo a vida rapidamente aqui.
Aqui dormem Queiroz e Teixeira...
Aqui durmo plenamente.
Aqui sinto que sou mais forte.
Ontem mesmo fui com meu filho num lugar que há décadas não pisava o chão,
Mesmo assim tudo me é familiar,
Porque tudo habita em meu peito.
As matas de marmeleiro e juremas.
Sim! Aqui nem preciso pensar.
Tudo é sentimento.
Amo tudo e tudo se faz eterno.
As vacas serão sempre caretas, os cães dogues...
Fui a casa de vovó Chico me senti bem.
Os poucos que me restam e os que existem me apego ligeiro....
Porque sei que somos só um, apesar de sermos muitos.
Em algum lugar de Serrinha dos Pintos, um jovem passa a tarde quente e ensolarada. Após uma manhã perfeita, pois cumpriu todo o seu dever com sucesso. Almoçou e a tarde caiu curta, pois são muitos os propósitos de sua mente, aprender inglês, matemática, literatura, português, química, física e Biologia. O jovem rapaz ver um pouco de tudo com pressa. Sua pressa tem um motivo que é passar no vestibular. Certo dia ele se depara com um livro de Gandhi. Podia ter se encantado com a bíblia ou simplesmente dormido a tarde inteira.
Ele queria tudo, mas tudo é demais.
Assim tarde após tarde, ano após ano, conseguiu passar no vestibular. E um dia foi embora.
Novos mundos foram descobertos... E ele percebeu a impossibilidade de se conquistar o mundo.
A gente está sempre mudando a medida que estamos aprendendo.
Fui na lada do biscoito terei um ficou 18.
Andando no sítio de papai estou num lugar onde vivi tantas coisas maravilhosas,
Tantos desesperos existenciais.
Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...