18/12/14

Constante

A noite,
O silêncio,
O clima quente,
Nenhuma brisa,
Nenhuma expectativa,
Luzes da noite de Natal.
O passado,
O presente,
Amanhã o que acontecerá?

Sabe lá,
Sabe lá...

Tudo isso vai passar,
Absolutamente tudo,
Se concluirá,
Noites virão e passarão

14/12/14

O ser e o nada

As paredes brancas,
Os poucos móveis,
A janela.

Deito-me ou vou a janela,
Olho para o mundo,
Olho através do meu ser.

Conhecer e ser conhecido.

Ser quem sou,
Antes de tudo requer
Saber o que eu sou
E quem eu sou
E o que posso ser.

Eu sou o que me fiz.
Eu sou a situação,
O devir,
O ser e o nada.

Sou a soma do que vivi,
A soma do que vi.

Eu vivi o querer ser o que sou.
E sou o que sou, mas querendo
Cada dia mais tornar ser o que sou.

E foi sempre olhando para o horizonte
Que visualizei ser quem eu sou.

A minha casa paterna tem a cozinha voltada para o poente,
E era de sua calçada que mentalizava meus pedidos,
Eu tinha fé,
No escuro do ocaso,
Depositava meus sonhos e meus anseios,
Olhando através dos ramos das Anonas,

Quando sai de casa perdi essa referência,
Eu materializei meus sonhos,
Mas faltou algo,
Olhar para um horizonte,
Eu andei perdido
Por tanto tempo,
Crendo está certo.

Perdi o hábito de olhar para o céu,
Perdi de olhar para meus queridos
Através das estrelas,
Encontrei no materialismo
A felicidade passageira,

Mas sinto falta
Do poente de minha casa,
Das frestas nas telhas,

Creio que muita coisa não se pode comprar,
Não se pode cultivar.

Aprendi uma nova forma de gostar,
Tenho a paciência e tenho que aprender a tolerar...

De minha casa tenho um novo poente,

Sei que tudo passará

E só restará o nada.

13/12/14

Tudo se vai

A tarde que passa,
A noite que passa,
A manhã que passa,
O dia que passa...
Absolutamente o tempo passa.
E quando percebemos este fato?
Nós simplesmente não percebemos
E se percebemos ignoramos,
Não aceitamos.

Nós não aceitamos nossa vida efêmera,
Cremos num eterno retorno
E vemos o tempo se estirar até que chegue o nosso dia de ser algo e não nada.

Mas esse tempo,
Mas esse dia nunca chega
Porque ele não existe.

Somos tão idealistas e não percebemos
Na realidade da vida,
No agora,
Neste instante que passa
E tudo se vai,
Tudo se vai.

Alguma coisa fica,
Alguma coisa fica.

Dezembro

Dezembro chegou.
O céu está tão cinza.
As noites mais enfeitadas,
São árvores e luzes coloridas,
É a brisa do verão,
A comida farta,
Momento de reflexão,
Que aconteceu de bom
E o que poderá acontecer ano que vem.

Dezembro chegou,
Quantos dezembros já passaram,
E quantos deles passarão?

Há aqueles que amam,
Há aqueles que odeiam...

A parte isso dezembro sempre passará,
Nossas memórias subjetivas
Dirão quanta esperança empenharão...

Que passe o dezembro,
Que venham outros...

Vejo que sempre nos distanciamos de tudo que amamos,
Mas como amamos muito,
Muitos outros dezembro virão.

Ordem em casa

A ordem na casa.
Cada coisa no seu devido lugar,
Livros na estante,
Cadeiras sob a mesa,
Travesseiros sobre a cama,
Plantas floridas em seus jarros.

A casa toda ordenada,
Mas onde me inserir  na casa?
Sou a desordem na ordem de minha casa.
Quanto mais ordem mais fria e vazia é a casa.

Como desfrutar de minha casa estando ela ordenada?

Esteja onde estiver, na cozinha, quarto ou sala
A casa, esse doce lar,
É uma verdadeira entropia.

As vezes fujo de casa,
Pois minha casa é solitária,
Vou para a desordem da areia da praia,
Andar entre ruas fatigadas de sujo...

Às vezes saio só para ter que voltar para casa...

A desordem da casa é a nossa desordem expressa.

Gosto de minha casa, minha rua, minha cidade,
Gosto de tudo que me envolve,
Amanhã sabe lá onde estarei
Ou se serei...

Minha casa,
Meu ser.

12/12/14

Efêmera flor de jasmim

Uma flor perfumada de jasmim,
Roubei-a de um muro duro.
Era uma flor branca e perfumada,
Ficava ali abeira da estrada,
No canto da rua, sobre o muro,
Fatigados os ramos do jasmim
Floriam flores brancas
Flores perfumadas,
Doces flores perfumadas,
Flores brancas de jasmim,
Duas flores desbotadas,
Já não são claras,
E nem perfumadas,
Como foi no dia que roubei-as para mim.
É preciso cuidar bem de jasmim,
Ter um jasmineiro inteiro,
Porque flores são tão efêmeras,
As flores nocturnas de jasmim.

Enquanto a noite passa

A noite estrelada,
A brisa fresca que cruza a janela,
O céu escuro pingado de estrelas.
O silêncio dentro de casa.
Só a luz acesa me faz companhia.
Só a luz clareia as capas dos livros.
Não quero fazer nada,
Pensar em nada,
Quero desfrutar do ócio.
Quero silêncio,
Quero ouvir o intimo do meu ser.
O coração a bater.
A ociosidade é provocadora.
Não me deixa quieto.
Vou a janela e curto a brisa.
Enquanto a noite passa.

11/12/14

Na vida passageiro

Há tanta coisa oculta a ser revelada,
Tantas palavras e frases lindas
A serem a serem expressadas, sentidas e vividas.
Nessa vida toda a ser vivida.

Quase sempre me surpreende as descobertas que tenho
vivendo, coisas sutis como uma palavra e seu significado,
Um sorriso primeiro, um riso constante... alegria e a amizade.

A amizade de graça,
Os restaurantes na cidade, novos lugares,
Novas pessoas, novas histórias,
Tanta coisa, tantos mistérios revelados
Que me fazem amar a vida.

Descobri o valor da família,
Da casa paterna,
Da cidade natal,
Das nossas amizades colhidas a peso de ouro,
Que só continuam a crescer com o tempo,
Descobrir a importância de nosso esforço e empenho em nosso trabalho,

Descobrir valor da coisas mais simples como o cheiro da chuva,
A cor das folhas jovens nas árvores,
O doce das furtas maduras no pé,
Ver uma semente germinada,
Plantas floridas visitadas por abelhas, borboleta e beija-flores,
A brisa fresca de qualquer lugar,
O trabalho das formigas...

Aprender a ver as coisas em seus universos,
Lesmas nos jardins,
Poemas nos livros,
Uma panela cheia de comida a ser servida,
Um olhar apimentado e apaixonado,

Um novo poeta, um novo poema,
Uma nova sinfonia,
O compromisso descompromissado por prazer, ler, ouvir, provar e gostar...

Tanta coisa boa me acompanha,
A família, o contato com a terra molhada,
O deitar da semente na cova, 
E acompanhar e cuidar das plantas
E colher os frutos,
E colher os frutos...
Quanta alegria me trás a chuva,
O cheiro do óleos de mameleiro...
Minha vida de sertanejo,
Minha vida de homem
Na vida passageiro.

10/12/14

A solidez da alma

A rua de rochas duras, fatigadas e sujas está sempre vazia.
Quando cruzo o portão, sinto uma proximidade do chão,
Sinto a solidez angulada das rochas cortadas e unidas pela argamassa
Nessa rua estagnada.
Às vezes molhadas da chuva, as vezes cinzentas do sol.
Estas rochas que antecedem minha existência nesta rua.
E que persistirá minha existência.
Mas minha existência quimérica
É uma existência livre onde posso ir e vir e não ficar fatigado.

A minha rua que não é minha,
É uma rua com muros cansados,
Sem cor, com lodo escuro da época da chuva,
O que salva são as plantas,
Uma Senna, um jambeiro, um jasmim...
Cicas atrás dos muros,
E pessoas ocultas,
Quantas pessoas ocultas nessa vizinhança vazia.

Eu

Eu
Às vezes não quero ser quem sou.
Queria ter uma concha para poder me ocultar em mim mesmo.
Queria ser uma rosa entre as rosas do jardim.
Uma estrela numa noite estrelada.

Às vezes enquanto caminho queria ser um paralelepípedo do calçamento,
Um grão de areia da praia.

E quando caio em mim que paradoxo,
Pois sou tudo isso para o outro.

Aquele ou aquela que cruza por mim e não me ver.

Na verdade sou oculto para o mundo.
E cotidianamente vou tomando consciência disto,
Embora meu ego muitas vezes seja mais inflado que a realidade que me cerca.

Eu

Tento ser aquilo que como,
Aquilo que ouço,
Aquilo que uso,
Aquilo que me impressiona.

Mas muitas vezes não sei quem sou.
Quero me conhecer e só vivendo descobrirei.
Viver é descobrir aquilo que somos, é tomar consciência da consciência
É  conhecer a se mesmo.

E conhecer a se mesmo muitas vezes,
E conhecer nossas fraquezas e nossos medos.

Eu quero viver todos os dias que me forem dados
Sendo sempre eu mesmo.

08/12/14

Tudo novo

A noite de natal se aproxima e com ela o ano novo e com ambos novas esperanças.
Ruas vazias, luzes coloridas a piscar.
O ano correu,
A lua cheia apareceu tantas vezes,
Fazia tempo que não a acompanhava.
A vida vai seguindo,
Sem tom.

Evolução

Onde começa ou termina algo?
Algo pode ser tudo, inclusive nada.
A matéria e suas propriedades,
Aquilo que nos constitui,
Que um dia se dilui e se dissolve.
O que podemos compreender do todo?
Como podemos expressar?
Algo se inicia quando percebo,
E continua a crescer em mim,
Enquanto percebo tomo consciência
Desse algo que se faz ou se desfaz para mim.
Não entendo nem 10% do que vejo,
Do que sinto, do que é.
Minha tênue existência não é suficiente,
Então vamos viver o que nos é permitido,
E toda a evolução será produto da humanidade
E mais nada.

03/12/14

Cores do sem fim

O mundo,
A luz dourada da manhã,
Que desponta com a aurora,
E se desfaz em luz transparente,
O verde viridescente das flores,
Amarelo, azul e vermelho das flores,
A luz do sol que inunda nosso mundo
De cores e de energia.

Após o dia cai a treva noturna,
A existência que me antecede,
A razão que me constrói
E degenera com minha morte.



02/12/14

Consumir

Um chá pra acalmar,
Uma noite frouxa,
Após um dia inteiro,
Um dia que começa
Com uma oração,
Uma leitura,
Um pedaço de bolo,
E se desenrola entre uma conversa,
E o trabalho,
Entre uma aula e outra,
Entre o almoço,
E a tarde que passa
E a noite que chega,
Passam os dias,
As semanas,
E esperamos ansiosos por nosso capital,
Consumimos ansiosos
Nossas contas,
Sem percebermos que estamos consumindo
Nossas vidas.

Cartola

Cartola um gênio da música.
Viveu na cidade maravilhosa,
Entre pessoas de boa conversa,
Gente agradável pulverizada de alegria,
E felicidade intensa.
Tuas lindas canções,
Que horas se estaria inspirado?
Qual o local favorito para escrever?

Vá entender o gênio e a genialidade.
Suas obras nos cativam,
Nos conquistam pela beleza,
Pela melodia e pela singeleza.



01/12/14

Esperança

A noite profunda,
O grilo cantando,
O corpo cansado.

O sono e a brisa chegando,
Tomando conta da alma,
A vida passando,
A esperança de tudo
Está melhorando.


28/11/14

As vezes

Às vezes, nus pegamos estáticos olhando para o além, para o nada. Nós ficamos num estado estranho
 e sentimos uma sensação de está vivo, algo bom. Estamos ali ouvindo os sons distantes ocultos de nossos horizontes, sabe lá o que será! um pássaro? um ronco de motor? ou o burburinho de uma conversa algo externo ao nosso alcance ou o nosso ser.

A verdade que não entendemos tais sensações, talvez as cabras e as vacas que ruminam entendam estes momentos mais que nós. Esse momento de vácuo em nossas vidas.

Talvez estes momentos aconteçam porque somos imersos por uma avalanche de informações em que não conseguimos absorver nem cerca de  10% destas que acreditamos serem importantes à realização de nossos sonhos e nossos anseios. Nós nunca nos contentamos e queremos sempre mais.

Somos pressionados e se não estamos buscando absorver o mundo nos sentimos inúteis.
A ociosidade nos causa tédio. Não temos tempo de não pensar.

Dai nossos seres nos fazem viajar ir ao além. E quando não aguentamos a pressão buscamos forças superiores, adquirimos vícios, crenças ou até mesmo hábitos distintos.

Diante de nosso subjetivismo nos perdemos no caos do mundo. Talvez Pessoa tenha razão voltar a atenção seja a melhor solução.

Quem sabe!
Quem sabe o que é melhor para si é você mesmo.
Tudo vai acontecer de qualquer jeito.
Nossa vida vai passar de qualquer jeito.

27/11/14

Sentido

Fim de ano,
Luzes de natal,
Pisca-pisca coloridos
Como doces de confetes,
Piscando noite a dentro.

A noite vazia,
Os sentimentos vazios.

Corrente elétrica,
Luz, brilho cor.

Está difícil encontrar um sentido.

Veríssimo

Há tanta gente com uma áurea um magnetismo que nos faz sentir bem em sua presença. Não sei como verbalizar, mas encontro nos textos que leio não muitas vezes uma sintonia muito intensa.
Quando leio Borges, Eliane Brum entre outros. Bom um escritor que me encanta é Luiz Fernando Veríssimo, bom não creio ser exclusividade minha. Veríssimo é um gênio da palavra que fala sobre coisas simples e coisas extremamente complexa com uma leveza invejável. Adoro abrir a página do estadão as quintas só para poder me deliciar com seus textos maravilhosos e cheios de humor, algo semelhante a garapa de cana caiana que nos lambuza e nos faz feliz por aquele momento. Acho que seus contos deveriam sair na segunda, mas ai talvez não fossem tão doce. Ele tem o tempo para relaxar e debulhar o melhor milho na quinta quando aguardo ansiosamente. Ah, como será que Veríssimo captou no universo sua maravilhosa forma de escrever?
Talvez um dia me seja revelada. Talvez nunca.
Não entendo dessas coisas da vida, do cosmos, apesar de tudo vou vivendo.

26/11/14

Villa Lobos

Villa Lobos gênio da música erudita brasileira,
Quando te ouço tuas composições oh grande gênio,
Sou toda sensação de leveza e prazer.
As conchas de minhas orelhas se deleitam
Quanto te ouve...
Quanta beleza, quantos encantos, encrustou em suas melodias?
Eu que  nada sei de composição
Paro para ti contemplar.
Tua música brasileira me faz sentir e viver São Paulo.
Em cada estado do Brasil se encanta de uma forma contigo.
E a noite fica maravilhosa
Com tuas BACHIANAS...
Levo na alma o amor pelo Brasil
Por tua imensa e maravilhosa obra.
O grande mestre.

Espiral

Os anos que compõe minha vida são tijolos de uma grande construção.
Cada ano de minha vida é impar com resistência e fraqueza,
Que não se esfarinhe que não me faça ruína jovem.
A vida é tão curta para ser entendida,
A vida não deve sequer pretender ser entendida.
Quão efêmera é esta passagem.
Mesmo assim algo nos alimenta
E nos faz seguir adiante,
Há quem denomine essa força de Deus...
Sabe-se lá.
Pouco entendo uma sinfonia, mas sou apaixonado
Pela harmonia com que cada nota é soada por cada instrumento.
E assim o tempo passa
E assim tudo declina,
Um fim eterno nos consumirá
Ad eternum


24/11/14

Praça da Paz

Nossa praça é encravada
Entre a principal e o bairro habitacional,
Em seu entorno crescem prédios para bolsos ricos,
Nossa praça popular,
Anda tão apagada,
Paredes e pisos sem cor,
Quanto desamor,
Aquela praça tão habitada.
Com seus quiosques e suas árvores,
Arbustos de resendá que a enfeitam,
Mas que morrem de sede,
Com uma florada mirrada,
Pobre praça habitada.
Os ipes fazem sua parte,
Traçam em suas flore a mais perfeita arte de embelezar,
Beleza efêmera de flores zigomorfas,
Amanhã cápsulas e sementes aladas.
Os resendás companheiros das pistas de caminhada,
Com sede sem estrume morrem aos poucos.
Nossa praça abandonada,
De esgoto aberto,
Com seus moradores que aforam suas máguas
Na cachaça ou mais entorpecentes sabe-se lá.
Nossa praça mais habitada parece abandonada,
As paredes e pisos perdem as cores,
As máquinas estão se desfazendo,
Se acabando, mas a praça.
Mas essa praça precisa ser recuperada,
Ela que se encontra pichada...
Não espero que as crianças que ali correm e brincam
Sinta-se bem numa praça abandonada,
Saudosa a mim nova,
Doce praça da Paz.

23/11/14

A metafísica dominical

Uma manhã ensolarada de verão,
A poeira, folhas secas e a brisa.
O céu azul o mar com vasto horizonte,
Os coqueiros, o calor, a brisa e a água de coco.

Crianças, cães, adultos e idosos.

Ruas vazias,
Algo acontece pacientemente em todo lugar,
Cigarras a cantar.

O que é a existência?
Neste, cenário cravada em minha mente está absurda questão.
Não encontro uma resposta.
Que metafísica a me alucinar.

O que é a felicidade?
O que é responsabilidade?

Uma avalanche de perguntas me afoga a alma.

Vou até a janela olho as ruas, as árvores,  os telhados
E nada, absolutamente nada faz sentido
Além da ordem física da matéria
Com sua substância e sua forma muitas vezes amorfa
Sem identidade.

Encerrado em meu apartamento,
Encerrado em minhas obrigações,
Encerrado em minha moral,
Encarcerado na vida que escolhi.

Acendo um incenso,
Sindo o aroma doce se difundir pelos átrios do apartamento,
Solvo a fumaça branca que dança no ar,
Vejo a matérias mudar de estado frente a frente,
Como uma ampulheta a contar o tempo.

Escolho uma música e ouço
Quão doce melodia compôs Bach.

De repente uma tosse, um escarro,
E me desloco até o banheiro para escarrar,
Essa minha natureza humana.

Esta ordem desordenada do ser.

O que é consciência?
Confesso que não entendi nada do que falou Sartre sobre consciência no seu Ser e o Nada.

Às vezes minhas pretensões filosóficas são tão medíocres.

Fico sem entender nada do  nada.

Paixão e desejo e beleza e medo nos fazem escravos do mal viver.

Tento encontrar algo que me tire da ociosidade e sinto que todas as vezes que assim o faço
A sensação de ociosidade me sufoca ainda mais.

Eita ser complexo, nessas horas nem Borges me acalma.

Lembro de Pessoa e só assim acordo de meu sonho metafísico, 
Paulatinamente volto ao estado normal...

A vida trata-se de uma grande ilusão,

Quem sabe Platão não teria razão,
Somos seres loucos para voltar o mundo ideal, mundo da perfeição,
Angustiados por nossa existência...

Sabe-se lá.

A felicidade habita apenas a infância,
Depois... doce ilusão.

22/11/14

Algo

Por que o oculto nos encanta?
Desconhecemos o porquê, mas amamos tudo quanto é misterioso,
Talvez seja peculiar a nossa natureza animal.

Fernando Pessoa em sua obra mostra que não existe mistério
que as coisas são o que são, em seu poema Tabacaria deixa muito claro.

Meu amado Borges em sua maravilhosa obra muitas vezes
Nos faz pensar certas coisas como em muitos de seus contos
Estão presentes homens que se duelam até a morte.
Sinto que o mistério e a ousadia de querer conhecer
Como é a outra face uma suposta desexistência
Levam homens a duelar até a morte.

Não sei...
A vida muitas vezes é imbricada em suas próprias fases
como uma cebola em seus catafilos
Que vai se consumindo
E vai sumindo.

O que há além da infância, adolescência e as demais fases da vida?
Talvez tudo ou nada, experiência?

Esperamos sempre por algo a ser revelado.

20/11/14

Tempo, Pensamento e Ser

É noite de verão,
Fim de novembro,
Apesar do vento fresco
Faz calor nos átrios do apartamento.
O céu está limpo,
Em sua imensidão e profundidade
Vemos estrelas rutilando,
Nuvens passam devagar,
Como o tempo.
Acendo o fogo e esquento a água
E faço um chá.
Aguardo a brisa esfriar
E vou tomando gole a gole,
Ouço os cães latirem ativos,
Ouço grilos catarem,
Ouço a brisa arrastar folhas secas,
Reduzo a luz ao apagar as duas lâmpadas
E penso.
Penso nas coisas da vida,
Penso no fim da vida,
Penso no pensar,
Penso na minha existência,
Nos sentidos que cada um encontra para viver,
Alguns tão nobre, outros tão pobres...
Cada um ver o mundo a sua maneira,
A maneira que mais te apetece ver.

Gole a gole tomo meu chá de boldo
Amargo como a vida é muitas vezes,
Mas o amargo muitas vezes é sadio,
Para atingirmos nossos objetivos,
Temos que viver cada dia
E completar as atividades que nos são dadas.

19/11/14

Monotonia

A água aquecendo mudando de estado e evaporando,
Bolhas borbulhando e o oxigênio saltando e a água sumindo,
Então quando a chama se apaga,
A água imerge o chá,
E a água incolor ganha as propriedades e o sabor da erva,
Enquanto isso eu estou entretido nos afazeres a serem feitos.
Enquanto o chá esfria e incorpora
A noite se passa,
Se passa sem que possa notar,
Os  momentos escoram de minhas mãos
E muitas vezes não tem como impedir que aconteça.

Paro, vou a janela olho para o mundo
Com minha palpebradas cansadas
Olho para o mundo
E vou tomando o chá sem pressa
Até que vou dormir.
E a noite continua,
E a vida continua.


18/11/14

Tensão

A brisa noturna,
O som suave da radio Suíça,
Uma xícara de chá
Olhar o horizonte,
Contemplar de minha sacada
O horizonte que chega por tabela no mar,
E uma noite
Me ajudam a esquecer
Os maus momentos.
Bom amanhã estarei novo outra vez.

17/11/14

Inacabadas

Acho que minha leitura é torta,
É feia como as coisas que fiz,
Como a gaiola que fiz cheia de nesgas,
Como o caminhão de madeira que fiz,
Como o cabresto para jegue que me disseram nunca aprender.
Como tudo na vida que faço!

Acho que minha leitura é torta.
As vezes, acho que leio meus sonhos.

A quanto tempo deixei de sonhar?

A quanto tempo tenho tentado viver meu ser.

Sei lá! Acho que a tortura de minha leitura
É uma tortura ingênua,
É uma tortura de garapa de cana
Fervendo no engenho,
Aquele caldo quente e
Doce, mas difícil de se tomar,
Enjoativo!

Acho que as coisas que faço
São sempre inacabadas.

Deixei de sonhar faz tanto tempo,
Vivo a deriva,
Vivo a deriva.

Que busca a alma?

É verão e o calor chegou.
Chegou calado deixou tudo isolado.

Nem avisou as cigarras.
Eita! mas que coisa danada.

Cadê a brisa invocada?

Cada recanto da casa
Tá quente.

Até parece triste.

Minha amarilidácea floresceu,
Flores lindas, estreladas de azul agapanto,

Azul fogo do fogão.

Fogo quente,

O som de piano...

Memórias do Brasil central,
Do horizonte do Cerrado.

Ah, mais que alma forasteira essa minha,
Que alma vagabunda
Vive acolá,
Sempre,
Que buscará?

16/11/14

Seguir

E as tardes,
E os dias,
E os meses,
E os anos,
E os lugares,
E as pessoas se vão.

Tudo se vai,
Invernos
E verões,
As águas que escoram no inverno,
A poeira seca do verão...

E as gerações,
E o mundo é lato além de mim,
Além de você.

Estamos aqui por acaso.

15/11/14

Contra o tempo

A tarde cai,
O céu tingido de azul,
No escuro da copa da mangueira
Cantam guinés,
As luzes se acendem,
Luzes amarelas,
Luzes vermelhas,
E os pisca-pisca
Evidenciam a chegado do Natal.

Viva a vida,
Viva o fim que chega ao fim.

Tarde de sábado

A tarde de sábado
Se desfaz suavemente
E a noite cai paulatinamente,
O cansaço do corpo
E o alívio da alma me faz sentir bem.

As tardes de sábado tem sido tão solitárias.

As tardes geralmente são saudosas.

Lembro das tardes de Serrinha,
Tardes de Natal,
Tardes de São Paulo,
Tardes de Campinas,
Tardes de Londres,
Tardes de Brasília
E agora aqui tenho
Em João Pessoa todas as tardes de minha vida
Até o meu entardecer.


14/11/14

Adeus Manuel de Barros

Partiu,
Se encantou,
Ficou apenas o encanto,
Agora dorme na eternidade,
Oh! Manuel...
Oh! Manuel de Barros,

Deixastes uma grande obra,
As aves,
As árvores
E o Pantanal
Voltaram ao encanto
Que tu revelastes.

Adeus Manuel.

13/11/14

Cotidiano

Uma aurora,
Um sol que nasce,
E o céu violeta,
E as nuvens azuis,
E o verde viridescente dos coqueiros a acenar,
Manhã, manhã...

O primeiro olhar para o horizonte,
O despertar para a vida,
A primeira leitura,

Reflexão,

Uma xícara de chá,
E em seguida vem o dia de trabalho.

Estes últimos tempos
Tem me feito muito feliz
Com essa rotina
Que me faz sentir vivo,
Me sentir humano.

11/11/14

Declaração de amor oculta

Você partiu e não olhou para trás,
Como um fruto que se desprende de sua mãe árvore,
Desprendeu-se completamente de mim.
Você plantou suas sementes em outro lugar
Largando meu coração fértil ao leu,
E me deixou para trás,
Perdi-me de você até parece que faz uma eternidade.
Mas ainda sinto sua presença viva perto de mim.
Deixaste tanta coisa e mim,
Durante o curto tempo que existiu em minha presença.
Sim sinto sua ausência.
Cada dia se dilui meu amor por você,
Minha eterna estrela guia.

Antitese

A lua,





A rua e a noite,

Um observador da janela,

O vigia que apita longe como a lua,

O canto dos grilos,

A brisa que atravessa a janela,

A vida que passa,

O tempo que passa,

O sentido sem sentido,

Algo como a vida

Pode ser mais antitese?

Minha rua

A rua calma e vazia,
Alumiada pelo sol da manhã,
Jambeiros com folhas novas,
Estames rosa sob sua copa,
Pétalas amarelas de senna
Espalhadas pelo chão,
Sobre as rochas duras
Que já não dormem em sua matriz,
Um transeunte passa a pensar,
Na vida, no trabalho, na saúde
Ou sabe-se lá.
Dia a noite na rua Venâncio José.

10/11/14

Rede

O tempo que escoa de nossas vidas,
Escoa em calor e em vida.
Viver é morrer lentamente,
Sofrendo ou sendo feliz,
A vida se passa por um triz.

Vemos nossos dias se passarem,
Se escorrerem,
E vamos sendo e deixando de ser,
Vamos ganhando espaço e perdendo espaço,
A gente descobre o mundo
E depois se perde,
Se esquece,
E é assim nossa vida.

06/11/14

Adormecer

A noite,
O canto oculto do grilo,
O vôo do morcego,
O sono dos justos,
No poleiro dormem as galinhas,
Enquanto os cães vigiam os muros e suas propriedades,
A noite e a luz elétrica,
A noite e as mariposas,
A noite e as letras,
O cansaço de um dia justo,
A abreviação do cansaço,
Nem demais nem de menos,
Justo.
Cantam os grilos,
Sopra o vento,
Rutilam as estrelas,
E eu como uma semente,
Adormeço.

05/11/14

Chuva de prazeres

A lua cheia,
A brisa fresca,
Borges,
Mozart,
A casa vazia,
Silêncio,
Nada de celular,
Nada de internet,
O silêncio das palavras,
Só a mente pensando em silêncio,
A hora que passa,
O sono que chega,
Uma caneca de chá.
A noite se vai,
Vai tá cedo,
O tempo voa as vezes,
A vida voa as vezes,
Em Eclesiástico
Li hoje que a vida passa como um relâmpago.
Bem é mesmo,
É mesmo.
As vezes lembro de coisas hilárias que me contavam os amigos,
Por que a gente tem que crescer e ficar sério?

Bom então vamos curtir as coisas boas,
Porque discutir não vale a pena.

04/11/14

Esquina

A esquina esconde algo
Que quando dobro desaparece,
Da esquina posso ver dois ambientes,
Ah todos viventes
Dobram a esquina
E logo encontram outro horizonte,
As esquinas da idade,
Cruzei duas já.

Esta e ser

Algo tênue e místico nos faz sentir bem
Como uma música, uma paisagem, um sorriso.

Está bem é sentir felicidade em viver em ser.

Algo que nos impressiona e nos impulsiona
E nos faz acreditar na vida.

Não sei...

As vezes sinto minha loucura
Mais forte que minha sanidade.

Às vezes necessito expressar,
Às vezes preciso apenas viver,

Agora mais que nunca sei que tudo vai passar
E nada no universo será alterado,

Nossa existência é uma mera existência,
Portanto temos que nos fazer diferentes,
Importantes para os outros e para nós mesmos.

Fazer o bem e ser altruísta já o suficiente.
Amanhã quem sabe será o fim.

03/11/14

Busca

Viver é ser.
A vida nos ensina
Que só vivendo se aprende,
Só vivendo que se sabe quão breve ela é.
Tanto faz termos 10 quanto 90 anos,
Se o momento vivido é o mesmo,
Sai na vantagem quem viveu mais,
Pois sabe que nada é eterno,
Até mesmo a matéria, rochas
Se transforma, se acaba...
Na ingenuidade e na crença
Que o momento é eterno,
Ledo engano,
Há uma linha tênue entre o ser e o não ser
Que não cremos transpor,
Pois continuamos vivos,
Mas que a cada momento,
Pode ser o último.
Borges sabia,
Mozart sabia,
Gogh sabia...
E quantos não descobriram?
Quantos, como Pessoa, não anunciaram?
Quantos, como diversos livros bíblicos,
Não anunciaram,
Jesus se sacrificou,
Mesmo assim continuamos cegos.

Haveremos de encontrarmos o que buscamos,
Haveremos...
Geração após geração.

02/11/14

Domingo e o tempo

O domingo começa preguiçoso,
Cresce bem gostoso,
E no almoço todo o gozo,
O sono da tarde,
E o fim que parte,
Preparos para uma segunda,
Tudo recomeça,
De novo...
Se a vida não passasse...
Os domingos são sempre assim,
Meio tristes ou descontentes,
Nos preparam para a segunda.

01/11/14

35 anos

Posso parar e pensar
Quantos caminhos e estradas passei,
Quantos lugares e pessoas conheci,
Quanta coisa eu vivi.
Lembro de poucas coisas, mas tenho memórias vivas,
Lembro que ainda era criança na escola (1988) quando meu primeiro ente querido se foi, meu avó Francisco.
Lembro bem do ano 1990 quando minha vida era plena em Serrinha do Canto,
Minha infância, minhas alegrias,
Boas safras de caju, o barro vermelho do parieiro,
As estradas de barro, nossas idas as casas de meus avós pelos caminhos de barro,
A água escorrendo, as jitiranas floridas, flores brancas e azuis.
Flores de jurema, de calumbi,
Flores de jasmim, por mim temida, associava a morte, por serem usadas para enfeitar os entes mortos.
Não se medo o amor das pessoas, mas se ver na dor da perca...
Eu vivi e vi a tristeza da seca no sertão,
Vi as pessoas venderem o que sobravam de coisas para sobreviver,
Vi a tristeza da pobreza, (1993), mesmo ano que perdi o meu avó.
Mas também vi a natureza a todos agraciar com água, pasto e belas colheitas (1994),
Vi o Brasil ser tetra (1994), no mesmo ano que perdemos o maior campeão de formula 1.
Em 1995, partiu minha avó Chiquinha.
Sofri ao querer passar num vestibular, tentei por três anos seguidos 1997, 1998, 1999.
E tive a felicidade de entrar na universidade no ano 2000...
Houve ai um divisor de águas, sair de casa, do calor e proteção paterna para aprender a viver,
Novas amizades, novas tristezas, novas problemáticas... 2000 foi um grande ano...
Em 2002 ganhei minha primeira sobrinha, foi muito estranho, Veio Giovana e no Ano seguinte Felipe. Nossa família aumentou, foi muito bom... engraçado como as pessoas surgem em nossa vida
E vieram as grandes conquistas, formatura, mestrado.
Após o mestrado mais uma grande mudança, pude conhecer e morar em São Paulo, tive um sonho realizado poder conviver com os taxonomistas tão falados por minha querida Iracema Loiola.
Conheci Rosângela, Inês... Amigas como Cíntia Vieira, Fátima Otaviana...,
Minha querida Sinhá (2007) partiu.
Veio minha terceira sobrinha Alessandra, ainda lembro no dia que ela nasceu, quando fui visita-la em Santo Amaro.
E em 2008 fui para o doutorado onde conheci uma das pessoas mais especiais em minha Vida Ana Paula Caetano ganhei uma nova família.
Comecei a colecionar livros e ler bons livros.
Bom e os anos passaram e com eles minha intolerância, minha rabugice,
Bom de 2008 a 2012 foram anos de bonança, com exceção das dificuldades de Mamãe com algumas doenças...
Em 2012 fui para Brasília onde morei numa grande solidão até 2013...
Desde então estou em João Pessoa...
E a vida vai passando.
São 35 anos completos...
Percorridos,
Felizes ou doidos,
São eles que compõe minha história.


30/10/14

Oco

Vai o dia,
Vem a noite,
Poesia e melodia,
Vento de acoite,
Cada dia é impar,
Corremos cansados,
Ignorando o mundo
E suas coisas,
Seus adornos,
Hoje me impressionou
Ver a lua ao meio dia,
Tantas coisas se passam
Sem que percebamos,
As vezes nosso mundo
É um grande oco,
Entre o dia e a noite.

29/10/14

o Sertão

O sertão,
Folhas secas pelo chão,
Galhos cinzas,
Troncos ramificados,
Flores perfumadas,
Cipós de marmeleiro,
Terra seca, corrida,
Que chupa a urina,
E solta um cheiro de terra molhada,
Ou aroma de folha...
Ah, o sertão,
Parece que tudo é solidão,
Tudo é resistência,
E quando a noite cai,
E o vento sopra,
Vemos que o sertão
É sempre o mesmo
Plantas espinhentas e retorcidas,
Flores amarelas...
E o homem,
Esse ser perdido.

18/10/14

Bem devagar

 Mais uma noite caiu,
Após uma tarde mateira,
As sombras da noite
Faz a natureza silenciar
Faz a natureza descansar.

A rua vazia,
Cães a ladrar,
Tudo não passa.

As luzes frias alumiam
As ruas e avenidas,
O tempo vai passando bem devagar.

17/10/14

Amanhã

A noite chega,
Tudo é cansaço,
Tudo é vazio,
Tudo é solidão.

O vento sopra de vagar,
Os cães latem sua solidão.
Ruas vazias,
Casas apagadas,
Uma noite de sexta que se passa.

Amanhã é um novo dia.


16/10/14

Consequências da noite

É noite,
E a noite é misteriosa.
A noite é fogueira apagada,
Luz das estrelas feito cinza na brasa,
Quente ou fria sempre se passa.

É noite,
E a noite temos memórias noturnas,
Memórias que surgem sob a sombra da noite.

É noite,
A noite lembro de coisas,
Mas a noite reserva um tempo só meu,
Posso tranquilamente tomar um chá,
Ler um livro, ou papear,

A tempo que me livrei dos telejornais
E até mesmo da televisão...

Se bem que na minha gênese nem tv tinha em casa.

A noite não é ociosa para mim sem tv,
Ao contrário a noite é curta,
A noite é misteriosa.
E é a noite que os sonhos se tornam realidade.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh