quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Desperto

 A Siriri cantou animada são três da madrugada.

Aí lembrei de uma época que vivia com os meus pais.

Acordava cedo pra pegar água. Ia de jumento pela estrada. Devagar podia reparar a vida.

Via os cajueiros, os postes, as casas.

Nos cajueiros ou nos fios cantava a siriri. E eu querendo dormir como agora.

Acordado

 A madrugada silenciosa me faz companhia.

Ouço o ronco de um motor distante. Quem será?

Ouço o estalo da cerca elétrica...

O vento soprando nas plantas.

Ouço o canto dos grilos.

E confundo tudo com o barulho na minha mente.

Mamãe, papai e Vinícius.

A sombra da noite me afaga.

Mais nada.

Pessoa

 Pensar é está doente dos olhos.

Pensamento é a capacidade de abstração.

E uma Teixeira se vai

 Ontem, 29 de outubro de 2025, faleceu a esposa de nosso tio Raimundo das Neves Teixeira. Ela se chamava Tereza Fernandes de Lima. Das memórias que tenho de infância são tão poucas, quase nenhuma. Nosso tio foi embora para Natal. Foi estudar e quase nunca visitava a terra. Só algumas vezes quando vovó era vivo ele vinha sempre, lembro das últimas vezes que veio a Martins enquanto criança. Temos até umas fotos. Acho que foi em 1992. no ano seguinte Vovô morreu e se foi. Só restou um retrato de sua formatura na parede. Ficamos isolados. Esquecidos. Quem esquece é esquecido. Mas sempre havia aquela áurea de admiração. A gente sente quando conversa entre os primos. Tem também um que de decepção.

Tive a oportunidade de conviver com eles quando fui para a faculdade. Ia lá as vezes. E pude conviver um pouco. Mas a relação era um pouco assimétrica, e eu não entendia bem. As conversas com ela eram mutio poucas. Se não tem conversa não se gera empatia ou antipatia. 

Ela passava seus dias a trabalhar. Trabalhou muito para dar as coisas ao único filho. Não sei. Minha mãe até se aproximava deles. Mas as relações eram complexas. Ele era o segundo irmão mais velho. O único mais instruído... 

Não sei o que dizer...

Descanse em paz.

Leitura

 A mamãe de Sassá assinou um serviço de acesso as leituras da turma da Mônica.

Sassá está muito feliz. Eles leram tantas historinhas ontem que nem vi eles dormirem.

Só sei que acordei e estava a luz acesa e Sassá entre nós. Dormiam profundamente.

Acho interessante ver ele olhando a revista como se lesse mesmo, as letras e não as figuras.

Oiticica e sua sombra

 Num sertão qualquer do nordeste,

Na beira de um riacho,  mora uma oiticica.

 Ali se encontra areia e sombra a qualquer hora.

O verde escuro e cheiro das folhas, das flores e dos frutos é sempre constante.

Seu grande tronco que cresceu com toda força, agora só enlanguesce.

Sustentando sua copa, suas folhas, flores e frutos.

Ali, quantas coisas aconteceram, das idas e vindas do roçado, da rua, do açudo,

Um pouso para refresca-se em sua sombra.

Os frutos colhidos para serem vendidos.

O cochilo tirado certo dia.

Quantos ai passaram, quantos não já se foram.

E ela continua ai, imponente, até que alguém não queira!

Até lá, cresce oiticica.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Raia

 A primeira vez que vi uma pipa ainda era criança. Fiquei encantado. Aconteceu lá em Serrinha do Canto, lugar onde nasci. E não chamavam pipa lá não era raia. O dono era Chico de Amaro Lopes e de Cícera. 

Ele tinha um pai artesão que sabia fazer tudo, ao menos tudo que nós crianças mais almejávamos. E uma das traquitanas era a raia. Naquele lugar maravilhoso onde não tinha lugar aberto, exceto a estrada. E foi lá que vi Chico Amaro, correndo fazer uma coisa com um rabo, segurado por uma linha voar. As coisas, além das aves e morcegos podiam voar. Sim, lá nós já conhecíamos aviões, ou melhor o avião do americano pastor Pedro que vez por outra sobrevoava o município de Martins. Então, para ter uma pipa era preciso papel, palito de coqueiro, linha e sacola. No entanto, nunca consegui fazer uma pipa voar. Aprendi o que era uma raia, conheci esse objeto ainda pequeno. E isso parece banal, mas para a época não era. Não tínhamos televisão ainda. É de achar que é mentira, todavia é verdade.

Rabo do bolo

 Ontem, Sassá foi ao mercado. Selecionou um bolo, morangos e um rabo do bolo. Perguntou se podia comprar um rabo de um bolo. Na verdade ele queria a calda para colocar no bolo. Então nos compramos. Fomos para casa. Arrumamos as compras, jantamos e ele ficou no pé da mãe pedindo pela calda do bolo. Dizemos que Sassá é o provador, desde pequeno quando chega do mercado, chega com uma fome de leão. Quer comer de tudo. É assim mesmo. A gente é feliz por tudo, pelos alimentos, pelo momento pelas nossas rizadas, pela nossa vida em família.

Uma chave

 Existe uma chave que permite abrir a porta da mente.

Qual é a chave?

Um estímulo, uma sensação?

Neste universo classificado e que me encontro, há uma direção a seguir.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Feriado

 Ontem, sai com Sassá para caminhar. Fomos às três ruas. Antes pegamos a rua do sapoti. Ele recordou que vimos uma caranguejeira num tronco de uma castanhola. Fomos por ali, por que gosto de surpresas e na borda de uma mata sempre tem uma surpresa biológica. Bom podemos ver flores rosas de jasmim no fim da rua. Falamos do que víamos. Quase sempre as conversas tem uma tendência a se repetirem. Sentimos o perfume, isso mesmo ele falou! Flor perfumada... me referia ao nim. Gostei do termo... Perfumada.

Pegamos as três ruas e fomos caminhando, conversando sobre os enfeites de natal. Ao passar pela pitombeira, falei que ela ia florescer.

Paramos para ver o tronco com ramos jovens de uma castanhola e vimos inúmeros membracídeos.

Pegamos, brincamos, expliquei várias coisas. Quando saímos um foi na minha blusa. Chamei ele de companheiro. Sassá gostou. Fomos até a rotatoria final, lá no cacau e voltamos...

Depois fomos fazer exercícios na academia, ver os gnomos. E casa.

Desenhamos muito.

Aproveitamos a manhã de feriado.

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

Gogh