Ontem Sassá ficou muito triste porque não pode levar uma melancia para casa. Fez birra. Na hora, fomos enérgicos. Mas o fato é que sempre levamos melancia. Na hora achei pedagógico. Depois, refleti. Ele sabe o que podemos e não podemos comprar e melancia, sempre compramos. Fiquei com um peso na consciência. Mas Saindo do mercado ele falou, a gente compra amanhã né pai, no Bem mais caro. Concordei e ele aceitou. É muito bom poder dar o que meu filho quer, mas as vezes a gente tem que mostrar que existe um limite. Dizíamos na semana que vem a gente compra e ele argumentava que era "Longe". Meu filho... Como você me fez ser uma pessoa melhor. Como a vida hoje, só faz sentido sem você. Não tenho nada Sassá. Tudo que é meu é seu. Só quero que seja muito feliz. De vez enquanto a gente vai sofrer, mas é uma forma de adaptação, de aprendizagem...
30/04/26
Vida
Filho nosso coração foi dividido,
E em ti somado, num vente vai ser gerado,
Você vai ser o mais amado...
Do ser ao existir, tudo acontece nessa hora,
Em que dois corações aceleram,
Uma semente plantada,
Uma vida fecundada...
Uma potência a ser definida,
Que vai ti ensinar o que é a vida...
Esse intervalo de existência...
29/04/26
Casa e cores
Em 2021 fui ao mercado de artesanato de Tambaú.
Lá vi inúmeras coisas, mas gostei uma toalha com o sol e uma casa amarela do sertão.
Comprei, mas como estava desapegado, presenteamos a mesma para mãe de minha esposa.
Depois comprei mais duas com a mesma imagem. Uma tem a casa azul e outra vermelha.
O seu Marcos de quem adquiri me disse que foi entalhada por seu Dedé, provavelmente seu nome é José.
Outra vez fui ao mercado e seu Marcos falou que seu Dedé não está mais trabalhando.
Por que duas talhas?
Uma é vermelha para mim, o vermelho representa dia, calor, proximidade... Dá para ver melhor os detalhes.
A outra é azul e para mim, o azul representa noite, frio, distância... os detalhes não são tão bem vistos.
Mas as talhas estão aqui representando meu sertão que fica norte da casa.
Instrumento
Uma mão,
Um pensamento,
Uma ação,
Materialização,
Um texto...
A mão expressando um pensamento.
Argumentos,
Contraposição,
Justaposição,
Síntese...
Em algum lugar
Uma poesia sento
Gerada,
Falada...
Coisas da razão.
Super jaguar
Sassá criou um super jaguar. Após falar com ele a respeito de uma sussuarana que foi matada na cidade de Martins. Ele começou a falar de um jaguar enorme. Muito potente. Que foi visto em 1960. Ficou tão empolgado falando deste bicho... É maravilhosa sua mente inventiva.
28/04/26
Tesoura
Ontem Sassá soletrou sozinho a palavra TE-SOU-RA..., conseguiu ainda soletrar outras palavras. Fiquei impressionado e muito satisfeito. A gente vem exercitando a matemática também. Comprei um livro de joguinhos no sábado e ele adora. Tem um dado, fichas e um percurso que avança com o número que sai no dado. Queria muito que eu visse os olhos de camaleões que colocou no aquário de apuleu seu peixe. Olhos de camaleões são conchinhas que encontramos na praia. Parece mesmo. Ele pesquisou sobre o caranguejo heremita e ai chegou as conchas. Lembrou que tínhamos quatro. Enfim hoje vou ver. E assim segue.
A chuva e o tesouro
A noite inteira choveu,
Houve relâmpagos,
Houve trovão...
Muita água escoando pelas ruas.
A casa com infiltração,
A casa com goteira...
Pensei na aflição dos pobres
De casas simples.
Casas frágeis.
Senti uma profunda empatia.
O que para uns é fonte de alegria,
Para outros é fonte de preocupação,
Medo e de dor.
Até mesmo uma chuva
revela os dramas da vida.
Os dramas da vida são assim cotidianos.
Os dramas da vida são diretos, intuitivos.
A vida em si é uma luta com a realidade,
Um choque com afetos e desafetos.
Sai de casa, fui ao quarto,
Meu filho e minha esposa dormiam profundamente.
A chuva não os incomodava.
Dei um beijo e um cheiro na cabeça dos dois,
Pra guardar na minha alma,
Meu maior tesouro...
Gostaria que todos pudessem guardar
Bem seus tesouros...
Chuva não seja cruel com os pobrezinhos,
Vida ajude-os.
Deus fortaleça-os.
Chuva...
27/04/26
Mila ou Milla
Saudade de papai
Vi a roça de milho,
Estava todo pendoado,
Bonecas de cabelo rosado,
O cheiro da florada,
O som do milho,
Som do vento cantando na folha...
As raízes adventícias.
Senti a presença de meu pai...
E a saudade preencheu o meu peito.
A gente junto na roça...
Foram tantas vezes maravilhosas...
Só felicidade!
Inverno, pasto, leite, milho, pamonha...
Só coisa boa.
Milharal
Andei no roçado,
O milho pendoado,
O cheiro da floração,
O milho viçoso...
Meu coração
Ficou bem apertado,
Saudade de meu agricultor,
Que de botas brancas
Me mostrava com orgulho,
O produto de seu trabalho...
Explicava cada momento,
Que trabalhava em silêncio...
Nosso encontro no roçado,
Era algo sagrado...
Quanto amor...
Entre nós...
E os milharais.
Meu pai,
Me ensinou a cultivar a vida.
Como sinto sua partida.
E o milharal, e a mata
E o inverno,
E nossa terra...
Nosso eterno laço.
Amaria te dar um abraço...
Mas, ai...
São só saudades.
26/04/26
Dia memorável
Um domingo no passado, estava muito feliz. Meus avós eram velhinhos. Meu tio Raimundo havia vindo de Natal. Estava feliz porque ia ver ele, sua esposa Tereza e seu filho Aquiles. A gente sentia felicidade em conhecer aqueles parentes que não conhecemos. Só o conhecia pelos retratos. Nem lembro de muita coisa. Lembro de uma câmera fotográfica e um carro, acho que era um gol GTI. Lembro da felicidade que estava naquela casa. A casa onde minha mãe cresceu. Era época de inverno. Lembro da alegria de meu avó. Lembro da felicidade dos vizinhos que passavam falando do doutor Teixeira. Zequinha, Antônio de Chiquinho... A dificuldade que vovô passava, Meire ajudando a vovô. Mamãe De Assis feliz conversando com Terezinha. As coisas trancadas no quarto intocável de vovô Sinhá. Então, ali na frente tio fez algumas fotos nossas. E contando histórias...
Contou de uma disputa entre dois cantadores.
Tio tinha uma voz muito forte, orgulhosa e rompante. Falava alto para ser ouvido ou para se mostrar.
Então ele contou que dois cantadores cantaram assun:
A. Eu sou jiquitiranaboia,
Besouro do piauí,
Quando prego meu ferrão,
O sangue começa a cair.
B. Tu não és juiquitiranaboia,
Besouro do piauí,
Tu és um rola-bosta qualquer
Besouro besta daqui...
Rimos muito e aquele dia foi memorável.
Além das memórias
Amanheceu,
Uma influenza me influencia.
O corre reage,
O corpo responde.
A luz é quente,
O vento é frio.
Uma sensação toma conta de mim.
Uma janela fica aberta...
Deixando entrar algo que me faz matutante,
Sobre coisas tristes...
Mostrando a outra face de viver
Além das memórias.
A realidade mostra que a chuva traz
Muita vida,
E os vírus vem junto...
E a vida se mostra real cada dia...
É preciso ser forte e lutar.
Mas...
Um dia desperto,
Desperto para o mundo.
A realidade trata de negar minha vontade.
Por defeito ou não de ser quero a eternidade, quero o infinito.
O tempo vai se desvelando,
E um dia desperto.
A natureza me ensinou a amar o belo e o bom,
Não me explicou que há um absoluto,
Que e há o feio e o ruim...
Entretanto a raiz estava ali...
Só há belo porque há feio... é uma escala?
Só existe bom porque há ruim...
Não seria algo totalmente subjetivo?
Não seria a raiz do ego, do eu, do self?
Tantos conceitos, tantas palavras para a mesma coisa.
Ai mora a humanidade?
A humanidade é racional?
Produto da memória?
Não sei, mas...
24/04/26
Natureza se ordenar
A chuva,
A chuva molha a mata,
A chuva molha o solo.
A chuva desperta a vida,
A chuva enxarca tudo,
Faz os ramos brotar,
Faz a semente e esporo germinar.
A chuva faz os ovos eclodirem,
Os bichos aparecerem...
Insetos voarem,
Sapos cantarem...
A chuva passageira,
Uma breve estação,
Faz a vida reproduzir...
E a natureza continuar.
Desvelar
Enquanto chove lá fora,
Aqui dentro uma vela acendo,
E ouço a chuva chovendo,
Perco então a noção da hora.
A luz laranja da vela,
Alumia com calma,
Preenchendo a minha alma,
A branca cera dela,
E o branco cordão,
Alumia clareando,
E o sol vai imitando...
O espaço aqui,
A hora agora,
O eu e essa mistura de coisas.
23/04/26
Na Salambaia
Ontem na fazenda, antes de voltar a rotina. Acordei Sassá. Então a mãe queria que ele tomasse leite da vaca no curral. Seu Dedé arreou Realiza e tirou uma caneca de leite quentinho que Sassá passou pra dentro. Tomou meia caneca. Depois tomou outra. Sassá adora leite, desde que seja natural. Enquanto estávamos na fazenda ele tomava quase um litro todos os dias. Se divertiu muito com a galega Ana Alice. Pularam, correram, brincaram, dançaram e muito mais. Foi excelente esses dias na fazenda. Vimos mais aves que bichos. Viu e manuseou um pequeno sapinho. Perdeu o medo e brincou com a cachorrinha nina. Brincou com a gata grete... Essas coisas.
Hiula de Dequin
22.4.2026 - 8-3-1946
Nossa vizinha Hiula de Dequin partiu ontem. A voz de Hiula era muito peculiar, meio rouca mas muito forte. Moravam em Serrinha do Canto. Ali, do lado de Mudinho e Zuleide sua irmã. A gente passava e as vezes ela parava a gente para conversar. Casada com Dequinho. Os vi pela última vez na casa onde eles viveram a vida toda. Papai era muito amigo de Dequinho. Então as vezes passava lá e conversava até perder o tempo. Hiula era irmã de Odalea de Chico de Vicente Joana e de Zuleide de totô. Eram filhas de Vicente de Arcanja. Era evangélica.
Serrinha do Canto daquele tempo não é mais.
22/04/26
Memorável
Acordei e não dormi mais na madruga. O escuro, o calor do quarto e o frio do ventilador, a muriçoca... Minha mente desgovernada.
Pensa poesia, versos... Belos versos, achados no escuro da madrugada, nascido do dia anterior vivido.
A estrada de terra branca. A vegetação enramada. As Sennas e catingueiras amarelas. As baraúnas mortas, os abrejos com água e aguapé. As rochas escoradas na beira da estrada. A sensação de eternidade.
A siriema cantando, o papagaio gritando, o cheiro do marmeleiro.
Vinícius, Ana Alice e Daniel. A interação, a curiosidade no mundo desconhecido da mata verde. Um emboar... Risos de felicidade. A tarde caindo... Memorável momento. Subir e passar a cancela azul francesa... Recomeço.
O momento de início e fim.
A poeta do Sítio Bravo
Rita de Macedo
Cresci numa terra seca,
De longos dias ensolarados.
De noites por vezes enluarada,
Por vezes estrelada,
Quase nunca nublada,
Cresci com o aboio do gado,
Sentindo o pelo a cavalo,
Cada vaca tinha seu nome,
Cada vaca tinha sua individualidade.
O curral ficava ao redor de casa.
Cresci com o meu cachorro leão,
Cresci com bixano o meu gato.
No terreiro vivam as galinhas,
Vermelhas, pretas, pedreses e pereocas,
O galo era cristado e esporado.
Cantava sempre pra manhã nascer.
Cresci e não dei conta de tudo isso.
Fui filha,
Fui moça,
Sou mulher,
Fui professora
Sou mãe e poetisa.
Não tinha tempo vago.
Viver sempre foi trabalhar, na escola e no lar.
Meu marido é uma benção.
Sempre com um riso no rosto.
Meu companheiro, meu amigo, meu confidente e o pai dos meus filhos.
Um bom pai, um excelente avô.
A vida nunca foi fácil,
Mas foi maravilhosa.
Sol, chuva, dia e noite.
Um a um, os anos passaram e a vida
Me fez forte e resistente.
Nasci num lugar seco.
Quase sempre estrelado,
Fui regada e dei flores.
Dividi o meu saber,
Multipliquei o amor.
Agora, depois de tanta coisa vivida.
Tenho saudades de tudo que vivi.
Mas a vida continua, meus filhos assumiram a lida da vida.
Cresci, reproduzi e dividi meu amor,
Multipliquei amizade.
Dei sentido a realidade.
E o resto não importa mais porque é resto,
Nove fora nada.
Forma de aprendizagem
Ontem Sassá ficou muito triste porque não pode levar uma melancia para casa. Fez birra. Na hora, fomos enérgicos. Mas o fato é que sempre l...
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