15/06/26

Bosque dos Namorados

 Fomos recentemente ao parque das Dunas. 

Ir ao parque das Dunas é para mim um ponto importante de minha vida.

A primeira vez que fui foi em 1997, quando nem conhecia nada em Natal.

A professora de Biologia Janildes Amorim nos levou ao bosque dos namorados.

Fiquei encantado, Descobri que o pau-brasil era do mesmo gênero das catingueiras na época.

A diretora era Socorro Borges.

Estava em reforma. Ah! como quis ir morar em Natal.

E fui. Morando em Natal, fui poucas vezes ao Parque das Dunas. Ficava longe de onde moravamos e não tinha muitos ônibus que passassem por lá.

Depois fui lá como aluno de Graduação.

Fui como aluno de mestrado.

E fui como pai. A melhor parte.

Minha esposa e meu filho amam o bosque dos namorados.

Já fomos lá três vezes.

Gosto do ambiente.

Atemporal.

Bom voltar ao mesmo lugar e descobrir algo diferente.

Assim é a forma como as coisas se revelam.

Devagar.

É isso.

Um canto de memórias

 Ouvindo o som da rixinó.

Posso sentir o tempo em minha existência.

Tudo começa na nossa casa velha...

Bem menino vi pela primeira vez uma rixinó fazer um ninho.

O ninho ficava na soleira da casa velha vizinha a nossa.

Quantas vezes ela não fez um ninho ali.

Nem mexiámos.

Era um animal sagrado.

Cantava durante todo o inverno.

Depois que seus filhotes cresciam iam embora,

Agora só no próximo inverno...

Foram tantas vezes.

Hoje estou muito distante de casa.

Quando ouço seu canto.

Sinto bem.

Sinto que estou em casa.



14/06/26

Sufi

 Sufi

Sempre que ouvi música sufi.

Algo fez minha alma tremer.

Um som tão puro.

Parece que estou no deserto,

Caminhando na areia fria do deserto,

Sob um céu intensamente estrelado.

O místico se sobrepõe...

Séculos de uma cultura de resistência nos lugares mais secos da terra,

O oriente médio.

Vem a minha mente as 1001 noites,

O livro do gênese,

A matemática,

A filosofia aristotélica...

Borges,

Meu pais que me contou um conto das 1001 noites sem saber.

Adaptou... Nem eu mesmo sabia.

Essas coisas saltam da minha aula

Ao ouvir Sufi...

Nem mesmo sei a definição.

Sinto.

Isso me basta.

Copa do mundo

 A nós Brasileiros o futebol é uma arte, é uma forma de viver, é uma forma de dar sentido a vida, é o motivo para a amistosidade, para uma conversa amiga, mas pode ser também algo totalmente oposto.

A copa nos mostra a unidade do planeta terra. Tem nos ensinado desde muito a grandeza cultural da terra.

Países de todos os continentes em festa numa grande disputa onde o vencedor será aclamado e os demais serão adormecidos por quatro anos.

Ontem, quando unidos com amigos na hora do jogo, bem no início quando cantava o hino do nosso pais.

Fiquei profundamente emocionado. Lágrimas escorreram em minha face, pois lembrei de meu pai. Meu pai não ligava para futebol, mas a copa era especial. Ele torcia pela seleção. Meu pai era demasiadamente brasileiro para deixar passar uma copa. A memória foi nítida... Foi caloroso ouvir todas as pessoas no shop mangabeira cantando. 

Celebramos um momento impar em nossas vidas. Meu filho pela primeira vez participou de um jogo e vibrou com amor o gol da seleção.

Em meio a essa panela de pressão de emoções. Vivemos um dia que ficará marcado em nossas vidas.

Que bonito... Naquele momento as pessoas esqueciam suas profissões, suas rixas, suas desavenças, suas paixões e todo mundo era Brasil... 

12/06/26

Lua

Voltei meu olhar para o céu noturno.
Ontem estava nublado e não vi nada.
Anteontem vi Vênus e Júpiter,
Enquanto nasciam no poente.
Hoje de madrugada vi a lua.
A lua está crescente.
Pensei como pode a gente passa a vida vendo a lua
E mesmo assim se admira todas as vezes que mira nela.
Olhar para lua parece ser atemporal,
Olhar para lua parece ser transpacial.
Olhar para lua deve ser universal.

A gente se encantou com a lua,
A gente cantou para a lua,
A gente se encanta com a lua,
Sempre!
Desde a primeira vez que tive consciência de lua.
Nem me lembro mais, mas sei que foi lá na casinha onde vivi minha infância.
Lá descobri a noite e com ela a lua...
A sombra ascendeu meus medos.
A lua era um claro que embelezava a noite.
A lua amenizava o escuro,
Não revelava,
Mas clareava...
Lua esse espelho do sol.
Essa poesia pronta.
Só isso.

11/06/26

Caminhar

 Sair para caminhar,

Sentir o mundo e a vida.

Uma caminhada é algo tão simples,

Mas tão maravilhoso.

Poder ir e vir.

E tudo começa engatinhando...

A gente percebe o esforço que fazemos para caminhar.

Depois aprendemos a caminhar.

E caminhamos a vida toda.

As vezes nem pensamos no que seja o caminhar.

Dar uma boa caminhada é tão gostoso como comer nossa comida favorita.

Um dia, a gente para.

A gente vai sentir saudades de simplesmente caminhar.

Caminhar para perceber o mundo.

Caminhar para ver as coisas,

Caminhar para ver ruas,

Casas, plantas, pessoas,

Ver as aves voando,

Ver os cães e seus donos.

Ver o entardecer,

Ver o céu estrelado...

Caminhar...

Rápido ou devagar.

E por fim relaxar.

Essas coisas.

Atmosfera

 Amanheceu claro,

O céu azul,

O sol brilhando.

E o sol brilhou intensamente,

Até o meio dia.

Depois os cumulonimbus

Apareceram no poente,

E aos poucos foi tomando o céu.

As quatro horas veio uma chuvinha

E o céu se fechou.

A atmosfera é tão instável.

O dia tem suas distintas variantes.

Como conviver com estas adversidades?

Construa sua casa,

Cuide bem do telhado.

As chuvas vão e voltam sempre.

Os dias e as estações

Seguem um ciclo.

Não seria diferente conosco.

Magnetismo, ima e azougue.

 Lembro que fiquei impressionado quando conheci o azougue.

Era criança ainda e ver um material que atraia e era atraído por ferro me impressionou.

Depois o azougue ganhou o nome formal de imã.

Descobri na escola que se tratava de uma propriedade física conhecida como magnetismo.

Interessante como o mundo vai se revelando.

A gente vai reconhecendo o mundo das abastrações,

O mundo da força,

O mundo Conceitual,

Um mundo maior que o mundo físico, mas está dentro deste mundo.

Esse mundo conceitual talvez seja só uma expressão do mundo material.

Ainda hoje me impressiona o magnetismo.

Tenho um magnetismo por este assunto.

E é isso.

10/06/26

Trabalhar no herbário

 Um herbário é uma coleção de exsicatas.

Uma exsicata é uma parte de uma planta herborizada.

Herborização é o processo de prensar e secar partes de uma planta para fazer uma exsicata e compor uma coleção de plantas secas. Temos várias coleções botânicas no Brasil. Eu trabalhei no herbário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no herbário do Instituto de botânica, no herbário da Unicamp, no herbário da Embrapa Cenargem e no Herbário da Universidade Federal da Paraíba. Visitei grandes coleções como a do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa da Amazônia...

Às quartas-feiras venho trabalhando na coleção de Fabáceas do JPB. 

Aproveito para ouvir as músicas que gosto, pesquisar e relaxar.

Os armários, as espécies indeterminadas, que vou determinando me fazem pleno.

Satier.

Hegel...

Manto divino

 Após as chuvas de maio

Quanto os campos ficam coberto de flores,

Quando o milho secou a palha

E o feijão de corda se enrola 

No colmo do milho. 

As flores de feijão passam a enfeitar os pés de milho.

É a hora de dobrar o milharal.

É logo nas primeiras chuvas de junho,

Um espetáculo acontece.

Os freijós ficam floridos,

Parecem se cobrirem com um manto alvo divino.

Um manto perfumado e alvo.

Flores estrelas,

Estrelas flores.

Os dias frios floridos,

Os dias frios estrelados de alvo,

A noite o céu é uma coxa negra de algodão,

Estrelada...

A existência é tão plena e infinita.

Chegamos a sentir a eternidade,

Chegamos a sentirmos a divindade.

O espetáculo do freijó.

Nos sítios e nas matas.

Chega parecer poesia.

E a vida expressa que vale a pena ser vivida.


Freijó ou linharé - Cordiaceae - Cordia trichotoma.

Foco

 O foco 

Foco minha mente num instante.

Neste instante prendo me ali

Naquele breve momento.

Prendo me fazendo algo

Consciente.

Sou pleno neste instante.

Filtro tudo,

Sou tudo.

Sou todo eu.

Depois me esqueço.

E me perco na realidade.

Na intimidade com o divino.

 A tarde caia deixando a barra acesa por um bom tempo.

Depois o céu limpo, ficava quarado de estrelas.

Mas vênus era a primeira a aparecer,

Selando a união do dia com a noite.

Eu, sem entender do mundo, 

Eu, sem entender de mim

Via tudo com  tanta ternura...

Contemplava a imensidão do mundo,

Pois diante do firmamento me sentia uma formiga.

O céu pleno, escuro peneirado de estrela.

O céu pleno tingido de estrelas

Vivas estrelas pulsantes.

Tamanha beleza me abraçava,

Sentia a transcendência da minha existência.

Mamãe, Papai e minhas irmãs estavam em casa

Preparando o jantar, tomando banho...

Enquanto a noite dissolvia a luz.

As vacas no pequeno curral cominam

Restos de palha,

Só se ouvia o tilinitar do chocalho.


Só de bermuda, pés empoeirado, 

Sandálias velhas...

Sentia a intimidade do mundo.

Mudas as árvores me faziam companhia.

A terra esfriando da luz do dia.

Eu, pleno eu.

Estava seguro.

Me sentia seguro...

Nem pensava em nada.

Só contemplava o anoitecer,

O céu estrelado.

E você?


São João

 Sassá fez sua apresentação de São João no sábado passado, 06 de junho, 2026.

Estava lindo, com camisa xadrez, calça com suspensório e chapéu de palha.

A turminha formada por sete pareias.

Fez par com Maitê. 

Eles se apresentaram sob a música maravilhosa de Gonzaga a "A feira de caruaru".

Ele treinou na escola. Ouvimos juntos a música várias vezes.

O danadinho gosta de forró, gosta de Luiz Gonzaga.

Se apresentou linda mente pelo terceiro ano seguido. A mãe nem chorou.

É tá crescendo Sassá.

Tá ficando um amadão.

Depois, fizemos fotos.

Ele quis comer maçã do amor. 

Foi a primeira vez que comeu. Não gostou muito, pois nem comeu toda.

Comeu pipoca e salgado.

Depois fomos ao mangabeira shop.

Estava muito feliz porque fomos com os filhos do cumpadre,

Então correram muito, comeram, brincaram e viram o jogo.

É isso.

Tudo

 Quero tudo,

Quero tanto,

Porque não mudo,

Porque do espanto.

Mudo.

Contemplo tudo.

E a tudo sacudo,

Deixo tudo num recanto.

Seguir a vida sem pranto.


Transcendência

 Ontem, quando a noite caiu.

Ela revelou um outro céu.

Céu limpo e atropurpúreo.

No céu dois corpos celestes,

Dois planetas direcionavam o poente.

Eram Vênus e Júpiter.

Voltei no tempo,

Voltei a serrinha do Canto.

Onde era frequente a contemplação Celeste.

Essa semana vi essa formação mais de uma vez.

E me uni ao divino,

Ao eu, ao universo.

Algo grande revelando minha pequenez,

Algo grande revelando o divino.

Algo que me fez sentir a transcendência da existência.

Dormi feliz.

Macro, micro e eu.

 No universo que existimos

Existe o macro e o micro,

O céu onde o sol aparece e desaparece,

Delimitando o dia e a noite.

Existe o mar repleto de água,

Onde são formadas as chuvas.

Existe a terra por onde caminhamos,

Por onde cultivamos,

Por onde habitamos.

Existe os seres ao nosso redor,

Bactérias que não vemos, mas elas existem.

Existe as células que nos constituem.

Existe algo em mim que se diz um eu.

Onde é o centro do eu?

Onde começa o eu?

No macro ou no micro...


09/06/26

O eu, a tarde e o mato

À tarde,

Andando na mata sob o sol e o calor.

O chiado da folha seca.

Árvores com ramos nus e cinzentos.

Na beira do açude 

As abelhas e aves matam sua sede.

O zunido do vôo das abelhas.

Aves cantando.

O cheiro da água misturada com barro.

O céu azul e sol ardendo.

As pedras quentes,

Preás espojando nas veredas.

A gente se sente um com a natureza.

Sensação de plenitude.

E o tempo passa.

E o tempo para.

O cancão pia.

O vento sopra assanhando o espelho da água.

Neste instante somos eternos.

É tão bom tudo isso.

08/06/26

Francisca de Nina

 Francisca das Chagas Queiroz,

06 de junho de 2026.

Minha prima, filha de Severina (Nina) irmã de papai Francisco.

Ontem encontrou sua mãe e toda a nossa família pretérita.

Descanse em paz prima.

Primeiras horas

 Chove.

O vento frio.

O céu cinzento.

Uma vela acesa.

A pluma amarela dança.

Enquanto dança conta o tempo presente.

Enquanto dança consome o pavio e a cera.

Enquanto dança ilumina com sua luz alaranjada,

Enquanto dança consome a si.

Alumia e aquece o seu entorno.

Vejo a vela.

Sou uma vela.

E penso este pensamento.

Pensar consome o meu tempo.

Pensamento causalidade?

Pensamento é tempo sem espaço.

Pensamento é tempo no tempo.

Pensamento é memória em aquecimento.

A vela dança 

A chuva chove.

O pensamento pensa...

Onde está o eu.

Manhã de junho

 Após uma noite de neblina amanheceu. 

O céu está cinzento.

Lufadas de vento vêm e vai.

O paralelepípedo da rua empoça água aqui e está seca ali.

No alto do prédio ao lado pombos brancos se peneiram a se coçar.

Flores alvas de jasmim molhadas daitadas na calçada.

As telhas marrons em seus telhados espelham sua face molhada.

A neblina soprada pelo vento volta.

Em suas camas desncasam felizes o mês de junho.

Mês dos namorados, da festa junina e da copa...

Ano de inverno.

Aqui celebro tudo isso com um chá, o silêncio e celebrando o meu ser maior.

Bosque dos Namorados

 Fomos recentemente ao parque das Dunas.  Ir ao parque das Dunas é para mim um ponto importante de minha vida. A primeira vez que fui foi em...

Gogh

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