Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infância por viver. Tem os primos Davi e Nicolas. Aqui tem o meu afeto.
A concepção de mundo é subjetiva, sendo a experiência sua fonte capital. O mundo é representação. Então, não basta entender o processo aparentemente linear impressão, percepção e o entendimento das figuras da consciência. É preciso viver, agir e por vezes refletir e assim conhecer ao mundo e principalmente a si mesmo. Aprender a pensar!
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Um dia de paz
Olho através da paisagem árida onde falta verde e sobra cinza. Olho como quem contempla o universo inteiro. Em cada parte está o todo. Não é sobre a paisagem, mas sobre nós mesmos.
Na paisagem vejo elementos que parecem mortos, mas não estão mortos, apenas dormem.
Um cajueiro antigo, as Pinheiras, as palmas que meu pai tanto cultivou, o sítio que amou e cuidou. Essa terra que ele plantou e trabalhamos juntos.
O tempo consumiu e nos consome. Ah. O tempo... Ei ê. A vida esse fabuloso mistério essa doce ilusão. A vida é devir. Pensar sobre isso pra que. Pensar é está doente dos olhos.
Abro os olhos e a luz do sol mostra tudo numa plena nitidez. Abro os olhos e já não penso. As aves ah as aves. Balança-rabo, cebinho de olhos melados, fim-fim, rixinó. Cada um nos seus afazeres do dia. A esperança de algo melhor...
Um casaca-de-couro corrochia longe. Lembro do Pica-pau enorme que vi na mata, lembro que nunca tinha visto antes, lembro do sabiá cantando na aroeira com o peito estufado e asinhas abertas...
Vejo o vem-vem na pinheira parece estar plantando sementes de phoradendron ou caçar insetos. Sei lá. Lembro de vó Chiquinha... Mamãe.
E o vazio se preenche de esperança.
Fluxo do tempo
Após uma longa seca, ontem à tarde, 22 de dezembro 25, finalmente caiu uma chuvinha. O tempo esfriou e a noite nasceu nublada. À noite, antes de dormir, trovejou muito. Dormi a noite inteira. Agora que acordei e fiz minhas rezas, estou a contemplar o mundo com os ouvidos e com a pele. Ouço tudo que acontece lá fora os veículos a passarem na estrada, e todos os pássaros a cantarem, sanhaços, cabeça-vermelhos, rixinó... O tic-tac do relógio, o zunido do ventilador. Sinto o frescor da manhã nova que chegou e vai me dando tempo e graça de vida. É quase a última semana de mais um ano.
Estou muito grato com o ano que vivi.
Meu filho está forte e feliz, já está quase lendo.
Tudo em minha vida é uma benção.
A existência é um fenômeno.
Ser é existir.
Existir é intuitivo, é imediato...
Rio a fluir
A noite de hoje caiu totalmente diferente de ontem. Fresca, nublada e suave. O chão enxombrado, as folhas molhadas, o aroma de chuva...
E a sensação que sinto é de esperança e aconchego e paz.
Chuva chegando
No ápice da seca, numa tarde de dezembro, depois do dia nascer nublado, uma neblina começou a se precipitar. O som dos primeiros pingos no telhado, o cheiro da água molhando a terra a sensação de frescor na pele.
A gente sente a intensidade da vida, a esperança, a plenitude e a felicidade da existência.
Vinícius feliz dentro dos cinco anos perdendo a ingenuidade do não saber ler.
Essas coisas plenas.
Férias
No sertão potiguar onde nasci, todo fim de ano vou passar. Esvaziar a mente e descansar. Hoje subimos a serra num sítio, jacas fomos comprar e ali nos pomos a conversar.
As jaqueiras centenárias pela seca maltratadas e as Pitombeiras a nos escutar. Seu Cleiton cujos olhos são os ouvidos a narrar os acontecimentos recentes. Todo cuidado com sua esposa que o alzheimer a infantilizou. Conversámos muito e depois saímos Vinícius e eu para o sítio pegamos o carro e pagamos as jacas, três duas duras e uma mole.
Nos despedimos e o acontecimento terminou.
Devir
A manhã foi tão ligeira,
Caminhei na estrada tentando esvaziar a mente.
A mata seca e intrincada, a forma das árvores,
A aroeira inerme e oblonga, o Juazeiro verde e armado, com flores diminutas, a Jurema castigada cortada e ressuscitada tão ramificada, as cajaraneiras plantadas e idosas...
Os angicos de troncos ornamentados espalhados na mata.
Na beira da estrada encontro a trindade na materialidade de três pequenas rochas, sagrada família.
Olhar aqui e aculá a contemplar a unidade e a pluralidade...
O som do metal na proteção de uma curva fechada.
O som em minha alma e na natureza o vento sendo riscado no garrancho da mata.
A luz fria do sol que vai aquecendo o dia...
O ir e vir...
A manga na sobra da mangueira, doce amarelo.
O céu azul.
A promessa de chuva.
A fé.
A estrela alva da vinca.
O café com leite.
A saudade.
E o desfecho da manha aqui e agora.
Existência e ser
O tempo tem me revelado o que é a vida.
O tempo tem me ensinado a viver
Entre percepção e razão,
Entre a realidade e a fé.
O tempo é o combustível da minha existência.
Vida por vir.
A vida vivida é matéria do meu saber.
Sentimento...
Ser...
Existir.
Entardecer a fluir
A luz da tarde quebrando e caindo para o poente.
O silencioso calor do dia que termina
Parece afagar nossos corpos.
O tic-tac do relógio marca 15 para as 15 horas.
A conversa distante dos vizinhos, o som do vento chegando.
A janela rangendo o sanhaçu, o filtro do vento.
A existência em esplendor.
Meio acordado e meio dormindo entre a percepção e a razão.
Eis o ser.
Eis a existência.
Um carro passa veloz e barulhento na estrada.
Um sentido e um sentimento transcende a minha existência.
Silêncio sinto a plenitude da vida.
Nossa casa
Nossa casa aconteceu.
Nossa casa nasceu do amor,
Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.
Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.
Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,
Nossa casa nunca estava vazia.
Nossa casa foi pequena e depois cresceu.
Nossa casa foi baixa.
Nossa casa teve várias cores...
Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi azul.
Nossa casa tinha mãe e pai.
Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.
Nossa casa teve sentimentos...
Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.
Nossa casa descobriu as doenças do fim.
Nossa casa velou meus pais.
E ficou grande, velha e vazia.
Ainda sim é o nosso lar.
Seus netos nossa casa não tem tanto amor.
Nossa casa, neto é neto.
Nossa casa é agora a casa da tia.
Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,
Nossa casa o Natal perdeu o brilho...
Nossa casa é católica.
Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.
Nossa casa tem são Chiquinho.
Nossa casa não falta amor aos animais...
Gato, cachorro, gado, galinha e pato.
Nossa casa fica feliz com nossa visita...
Sorri de portas abertas...
Nossa casa um dia será por si.
Sois forte, existente, sois parte de nos.
Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...
Nossa casa como é linda, como amo te ornar.
Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...
Fotografias, documentos...
O que é a nossa casa.
Nossa felicidade e nossa existência.
Nossa casa paciência com a vida.
Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.
Vinca
Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.
Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.
O cuidado enche o espírito de força e energia para perpetuar a existência.
Transmitir valores
Este ano de 2025 foi extremamente seco e as chuvas foram escassas. Estamos no dia 19 de dezembro. A mata está extremamente cinzenta e seca. A mim, não há novidade nisto. Já vivi tantas vezes esse fenômeno da seca. Apesar de tudo, a mata guarda suas belezas. O terreno está limpo. Foi limpo para usar o mato como forragem. Sai e fui até a mata olhar as formas vegetais. Triste! vi o João mole morto pelo fogo, vi o angico queimado... Vi troncos mortos. Fui até a borda da mata. No chão limpo encontramos sementes de fava. Então senti um cheiro gostoso e doce. No instante pensei que fossem flores de Juca. Fui até um pé de Juca ao lado de um Gonçalo-alves.
Não era cheiro de flores de jucá, foi quando percebi que era o angico que papai preservou por tanto tempo. Vi que quase o fogo o havia consumido.
Vi o Juca que papai e eu salvamos...
Senti saudades de papai, mas estou feliz pela presença de Vinícius. Falei do papai para o Vinícius. Ele viu coquinhos e pediu que quebrasse para comer um. Quebrei vários e nós comemos e voltamos pra casa.
Sensação
Céu nublado de nuvens de chuva.
O tempo está quente, mas o vento é fresco.
Sentei-me numa cadeira e ouço um caburé cantar longe.
Descalço saio da sala e vou à cozinha beber água.
O chão frio refresca o calor.
Encho um copo raso de água fresca. Enquanto bebo sinto o meu corpo refrigerar.
Olho lá fora na área onde está créo o louro e vejo um rixinó marrom, com listrinhas pretas está faltando em direção ao quarto.
Mudo a vista e vejo uma vasilha cheia de mangas amarelinhas
Então volto e sento na cadeira e isso é tudo.
Observador
Em silêncio parte a tarde.
Há um grande vazio
Um grande vácuo
Enquanto o sol solve a luz
A terna terra esfria.
Em cantos mudos se ouve as aves distantes...
Sob nuvens não vemos o céu azul.
Nas bandas do chiqueiro canta a sabiá.
Enquanto leio Lucas
sábado, 20 de dezembro de 2025
Terra natal
Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha casa paterna.
Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha terra natal.
O frescor da terra,
O cheiro do mato,
O canto dos sanhaçus, papacus, bem-ti-vis, o canto do João-de-barro.
Tudo tenho aqui tudo.
...
Aqui mora minha alegria,
Aqui vivo uma poesia.
Aqui é o meu lugar...
Aqui tudo é pleno.
Aqui tudo é sereno.
Aqui vivo com percepção.
Aqui vivo com razão.
Vivo o dia claro
E vivo a noite escura.
Aqui vive o catolé,
Ipê e cajueiro,
Angico e marmeleiro,
Aroeira e Juazeiro.
Aqui, nossas famílias se misturaram,
E nos fizeram...
Com o barro como Deus nos fez,
Nós fizemos nossas moradas.
Com o sopro como Deus fez a vida,
Nós rezamos nossas orações,
Preenchendo nossos corações
De bons sentimentos,
Nós nos humanizamos,
E pecamos e pedimos perdão...
Aqui é nosso lar.
Vou parar para ouvir o canto de ouro cantar,
Parar para ouvir o cabeça vermelho trovar, o canção chamar, o vem-vem avisar e o loirinho grosnar.
Aqui é o meu lugar.
Lugar onde me fiz quem sou...
Aqui sou o que sou...
Massa moldada das mãos do senhor.
No seio amado por ele gerado de papai Francisco e mamãe Francisca.
Aqui fui criado.
Aqui fui educado.
E hoje calado
Canto para que jamais esqueça
Que o melhor lugar do mundo
É onde foi gerado,
Onde foi amado,
Onde foi criado.
A sua terra natal.
Sensações
Em silêncio parte a tarde.
Há um grande vazio
Um grande vácuo
Enquanto o sol solve a luz
A terna terra esfria.
Em cantos mudos se ouve as aves distantes...
Sob nuvens não vemos o céu azul.
Nas bandas do chiqueiro canta a sabiá.
Enquanto leio Lucas
Passando
Céu nublado com nuvens de chuva.
O tempo está quente, mas o vento está fresco.
Senti-me numa cadeira e ouço um caburé cantar longe.
Descalço saio da sala e vou a cozinha beber água.
O chão frio refresca o calor.
Encho um copo Roza de água fresca. Enquanto bebo sinto o corpo refrigerar.
Olho lá fora na área onde está creo o louro e vejo um rixinó marrom, com listrinhas pretas está faltando em direção ao quarto.
Mudo a vista e vejo uma vasilha cheia de mangas amarelinhas
Então volto e sento na cadeira e isso é tudo.
Coisas do tempo
Este ano de 2025 foi extremamente seco e as chuvas foram escassas. Estamos no fim do ano. Hoje é 19 de dezembro. A mata está extremamente seca. A mim, não há novidade nisto. Já vivi tantas vezes esse fenômeno da seca. Apesar de tudo, a mata guarda suas belezas. O terreno está limpo. Foi limpo para usar o mato como forragem. Sai e fui até a mata olhar. Triste vi o João mole morto pelo fogo, vi o angico queimado... Vi troncos mortos. Fui até a borda da mata. No chão limpo encontramos sementes de fava. Então senti um cheiro gostoso e doce. No instante pensei que fossem flores de Juca. Fui até um pé de Juca ao lado de um Gonçalo-alves.
Não era, foi quando percebi que era o angico que papai preservou. Vi que quase o fogo o havia consumido.
Vi o Jucá que papai e eu salvamos...
Senti saudades de papai, mas estou feliz pela presença de Vinícius. Falei do papai para o Vinícius. Ele viu coquinhos e pediu que quebrasse para comer um. Quebrei vários e nós comemos e voltamos pra casa.
Resistência
Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.
Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.
O cuidado enche o espírito de força e energia para perpétuar a existência.
Férias
Sassá está solto no mato. Já fizemos várias coisas. Fomos ao açude, andamos no mato, comemos coquinhos catolés, jogamos pedra, olhamos os porcos, contamos os porcos, olhamos o gado. A gente acorda cedo, agoa as plantas, são poucas... a gente andou com sherlock no mato. A gente desenhou, foi comer espetinho... Rimos, brincamos...
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