29/10/26

Amor paterno

 A gente depois que fica pai empaidece.

Indo levar meu filho na escola,

Disse que ia ao marcado de Mangabeira. 

Então perguntei se ele não queria uma caramelada.

Carameladas são castanhas com cobertura.

Perguntei se não queria caramelada de doce de leite.

Disse-me que queria caramelada de açaí.

Disse que só gostava de picolé de doce de leite.

Disse que não.

Disse que estava viciado em melancia.

Então, fui ao Bairro de Mangabeira para cortar o cabelo.

De lá fui ao mercado. É quase impossível ir a aquele bairro

E não ir ao mercado.

Gosto de ver gente e mercadorias.

Comprar as carameladas.

Aproveitei e fui ao caixa rápido.

Comprei as carameladas de Assai.

Ai vi as melancias, comprei uma melancia.

Lembrei que a mamãe dele falou que precisava de cuecas.

Comprei cuecas.

No fim não comprei nada para mim.

Comprando as cuecas comentei com a vendedora

Que depois que virei pai fiquei besta

Não comprava nada pra mim.

Ai ela encheu a cara com um riso 

E respondeu pior é quando vira avó.

Foi empatia imediata.

Assim é a existência baseada em bons sentimentos.

Atenção

 Sassá disse que queria desenhar!

Acho que está sentindo falta da minha presença.

Desenhamos eu uma ave e ele um lindo azulão.

Depois disse que queria jogar, mas estava cansado e não quis.

Jogamos xadrez.

Dei banho nele,

Fomos pra cama e ele pulou sorriu e brincou.

Depois saiu pra fazer as malas.

Ele está sentido falta de brincar comigo.

Uma luz vermelha acendeu no meu painel.


Nordeste terra de adaptação

 Quem conhece o nordeste,

Terra de grande sertão,

Conhece a terra branca,

Conhece a terra lavada do riacho,

Pedras soltas e silicatos...

Na resistência da seca,

A mata se desnuda,

A mata adormecida

Perde folha, perde ramos,

Resiste ao sol e ao calor.

O serrote fica cinzento,

Aos afloramentos racham,

Rochas desgastam...

A lagartixa não está nem ai...

Pra calor ou insolação.

O cardeiro, facheiro armado,

Protege e conserva seu verde na carne,

O mocó e o preá,

Ficam desprotegidos...

Se escondem nas fendas das rochas,

Noite fria e dia quente,

A lua as vezes clareia...

É tão lindo noite enluarada.

O sol sempre castiga...

São as forças da natureza forjando

A evolução,

Nordeste terra de adaptação.

Sertão um espirito divino

 Desperto, senti o cheiro do mato seco,

Cheiro do marmeleiro, cheiro da catingueira.

Tanto pau seco no mundo.

A luz que caia do sol

Um sol ainda baixo,

Tingia a mata branca de dourado...

A arapuã já desperta a trabalhar.

Vovô aguoa a horta,

Dá pra sentir o cheiro do coentro,

Verde escuro!

Se ouve o chiado do leite 

Espremido caindo no caldeirão...

No verão é quente,

Mas a lida não tem lama,

Sertanejo gosta de sol também.

Depois de uma noite desperta

Joli o cachorro vigilante,

Dorme sob as algarobas.

O silêncio é quebrado

Com o relincho do jumento,

Com o canto do galo,

Com o cacarejá da galinha

Peroca vermelha.

Com o  guglu do peru.

Assim minha alma

Desperta feliz

em mais um dia.

28/10/26

Dormir na eternidade

 Certo dia comentei com um primo meu a despeito de grandes árvores que ocorre em nossa cidade natal Martins.

Meu primo tem uma memória muito fina. 

Então descreveu aquela paisagem por nós conhecidas.

As aroeiras de extremas.

As aroeiras de colchetes.

As grandes aroeiras.

Pode ver seus grandes troncos,

Ver seus ramos nus, chumbados de frutos no mês de novembro.

Pode sentir o aroma seco do esterco do gado que ali malhava aguardando que nosso avó ou nossos tios fossem abrir para poderem matar sua sede no sítio de dentro.

Esse lugar fica no Sítio Porção pequeno distrito de Martins.

Um lugar marcado por mata branca, e relevo acidentado,

Com um grande riacho que no inverno o ronco das águas podiam ser ouvido de longe.

Nesse lugar, se podia sentir de vez em quando o cheiro doce da florada do anjico,

O cheiro acridoce das cajaranas fermentando no chão... amarelas cor de gema.

Emocionei-me ao ouvir sua voz narrando essas coisas peculiares.

Meu primo falou, dali, de andar na casa de Micheque... mesma casa onde papai e mamãe costumava ir.

Casa onde tinha um engenho, uma baixa decana...

Meu primo falou uma coisa muito forte.

Falou do silêncio que o tempo fez imperar...

Onde havia vida, gritos e risos de meninos, rapazes e moça... Só existe a mata que tudo engoliu.

Senti esse silêncio que o tempo faz.

O tempo feito moinho vai desfazendo tudo, para nunca mais...

Não existe segunda vez com a mesma vida.

Só restavam memórias...

E o que são memórias sem materialidade?

Uma confusão na nossa mente onde não sabemos se foi realidade ou foi um sonho.

Essa confusão que há muitas vezes na nossa existência... onde tudo parece um sonho...

E o tempo... o tempo transforma tudo em sonho...

É...

Gostos das memórias primorosas de meu primo Francisco... da nossa família de Franciscos...

Essa mistura que se deu com os pais dele que se estendeu aos nossos pais.

Somos primos de Sangue!

Somos netos de José e Severina Neves,

Somos netos de Francisco e Francisca...

Carregamos nos genes esse parentesco,

Carregamos na alma...

O tempo teceu...

Temos muitas coisas em comum...

No mesmo espaço,

Mas em tempos diferentes.

As aroeiras são uma prova delas.

Estão lá, 

Talvez sua existência dure mais de um século...

Mas ninguém poderá saber.

Aqueles que nasceram em seu tempo...

Dormem na eternidade.

Monster trucks

Sassá está empolgado no jiu-jitsu. Agora de quimono fica todo pleno. Já está tomando consciência dos dias da semana. Ontem chegou para a mãe e falou hoje é terça dia de jiu-jitsu. Também está empolgado com os brinquedos, ganhou dois monster trucks. Boneshaker e Crush delivery. Está empolgado com o inglês, o nome dos carrinhos é em inglês. Tanta energia e tanta empolgação enche nosso lar de felicidade.

Assim é a vida.

Canto de festa

 As cigarras cantam

Celebrando o sol pleno,

Celebrando o céu azul,

Cigarras amam o calor,

Cigarras amam o verão.

A mata fica tão animada

Que parece uma festa cigarresca.

A gente é que se incomoda com o calor,

A gente não sabe contemplar

O brilho do sol,

O azul do céu,

O canto da cigarra,

O canto do sanhaçu...

As cigarras entendem muito amis de verão,

As cigarras sabem o que é louvor,

Por isso cantam em louvação.

E sou feliz por tudo isso

 Como um grande rio

Que não revela sua força,

Corre sem parar,

Em meio ao leito

Flui sem sessar,

Aparenta calma,

Mas no fundo,

É movimento...

O grande rio Manuel de Barros,

Esconde seus movimentos,

E os revela em sentimentos,

Plasma-os em palavras,

É necessário saber ler para ouvir com os olhos,

É necessário ouvir para entender com a mente...

Que genial, usar imagens para ouvir...

As vezes o que vemos é superficial demais,

É preciso entrar no rio para sentir sua energia,

É preciso saber nadar para não se afogar...

É preciso contemplar a natureza,

É preciso contemplar a palavra,

As estrofes e os versos...

As aves o fazem muito bem,

E foi observando as aves que Manuel

Transpôs a transcendência da existência,

Que existe na beleza natural...

Do rio...

O que é um rio as vezes me perguntava,

Não conhecia os rios,

Só riachos...

Entendia de vento...

Criava cata-vento.

Talvez Mario Quintana, conhecendo o Guaíba,

Devoraria a poesia de Manuel,

Manuel Bandeira sim, conheceria muito bem o rio... já que tinha o Capibaribe...

O rio um acidente geográfico com tantas aves...

Que só conhecia de açude...

Ah. Me apaixonei por Manuel de Barros via palavra...

Terá conhecido nosso nordeste?

Aqui tem formigas interessantes,

E um rio com nome de Chico...

Esse hoje conheço.

E sou feliz por tudo isso.

27/10/26

Pantanal e Manuel de Barros

 Era criança quando vi a novela Pantanal.

O pantanal me encantou profundamente,

O pantanal ficou dentro de mim.

Muito tempo depois descobri o pantanal real,

Descobri o pantanal em Carolina,

Descobri o pantanal em Laura,

Descobri o pantanal em Leila...

Descobri o pantanal em leguminosas,

Descobri o pantanal real...

Foi tão rápido viajar no pantanal real.

Depois descobri Manuel de Barros,

O poeta das aves

E me encantei,

E me encanto,

E continuarei me encantando

Com a poesia do nada...

Salve, salve, Salve nação pantanal.

O poder da palavra

 Um dia descobri a palavra,

A palavra mudou minha forma de ver o mundo,

A palavra foi um sentido a mais em minha vida.

A palavra foi uma luz.

Decifrando palavras fui lendo frases,

Decifrando  palavra fui lendo parágrafos,

Decifrando palavras fui lendo capítulos

Decifrando palavras fui lendo livros...

Decifrando palavras fui descobrindo as ideias.

E as ideias foram enchendo minha vida de conceitos,

E as ideias ganharam roupagens de religião,

E as ideias ganharam roupagens de ciência,

E as ideias ganharam roupagens de literatura...

E todo esse universo encheu minha vida,

E os desejos formam se afrouxando,

Menos o desejo de me tornar poeta,

Menos o desejo de me tornar menino,

Menos o desejo de me encantar,

Mas isso é só questão de tempo...

Nesta espiral que me envolve o tempo,

Sou feliz na palavra.

Livro dos Salmos

 Hoje, em outubro, conclui mais uma leitura ao livro dos salmos.

São 150 capítulos. 

Cada uma leitura mais enriquecedora que a outra.

Notei que no final entre os capítulos 140 e 150,

O salmista recomenda que louvemos ao senhor o tempo todo.

Achei impressionante isso.

Louvai ao senhor.

O senhor é princípio, meio e fim.

O senhor é a fonte de sabedoria...

E isso vem se mostrado fundamental 

Para viver em harmonia...

Antecede Jesus Cristo...

Salmos de Davi...

Temos o Deus de Abraão, Isaque e Jacó...

Com Davi, 

Salmos ganham poesia,

Salmos ganhão musicalidade...

E todas as vezes que vou a missa,

Presto atenção na hora dos salmos.

Recentemente ouvi o Salmo 63.

Fui tomado de uma emoção maravilhosa.

Estou aprendendo muito com os Salmos...

Salmos de Davi.

Aroerias felizes

 Fernanda a aroeira ao lado da minha sala está florida,

Em pleno mês de outubro, sol intenso e calor.

Suas flores são miudinhas e alvinhas,

As abelhas adoram seu néctar 

E são atraídas pelo seu aroma,

Associada as abelhas vem os comedores de abelhas,

Os sanhaçus, a ariramba, são vários pássaros,

E é aquela festa bela e animada,

Desde a madrugada a segue o dia todo.

Todo mundo sendo beneficiado por Fernanda

E por Lívia também a outra aroeira.

Estarão as aroeiras felizes.

Num gavião

Pela janela do banheiro,
Vi um gavião na antena,
Fui até o quarto,
Pela janela do quarto,
Vi que o gavião continuava lá,
Lá na antena.
Parado,
Imóvel,
Plumado.
Contemplaria o despertar do dia?
Vigiava os pombos,
Estaria com calor,
Nesse verão né.
Estava em evidência,
No ponto mais alto,
Afugentado os pombos que ali moram...
Depois bateu asas e voou
Nem percebi,
Não fiquei vigiando ele.
Não fiquei contemplando a manhã.
Há hora pra tudo.
Por acaso a visão,
Por a caso a percepção,
Por acaso a causalidade,
Juntas me permitiram ver o momento e o tempo...
Num gavião.

26/10/26

Tudo é igual a zero

 Minha irmã tinha uma gata branquinha,

Por isso se chamava belinha,

Não saia de dentro de casa,

A alva gata... Era carinhosa 

Era amiguinha,

Mas se foi,

Mas partiu...

Só restou a essência,

Alva...

O que é deixa de ser.

Ser é mergulhar na existência,

É existir,

É fazer e se desfazer,

Saber que a existência é uma grande dádiva...

Agora Belinha se foi,

Caiu na eternidade...

É só uma questão de tempo

E tudo é igual a zero...

Eleição 2026

 A noite caiu silenciosa,

parece que estou no sertão.

Não se ouve um pio.

Ansiosos esperamos 

19 horas 

para finalmente 

se inicie a apuração 

das urnas.

O destino foi traçado 

em pouco tempo será revelado...

Apreensivos

aguardamos 

uma linha 

que se entenderá por mais quatro anos.

Um ato de fé.

E vencemos!!!

Caminhar junto ao devir

 Está onde nunca esteve,

O novo enfeitado de velho,

O desconhecido vestido de conhecido,

O particular 

reconhecido pelo universal...

A pessoa se acostuma 

E acaba perdendo 

O contorno do real.

Por onde começar 

a mudar

a rever com o olhar de uma criança...

Eis um princípio 

universal.

Madrugada de angústia

 A madrugada está acabando,

A passeada já está cantando,

Tão animada,

Cantam indiferente 

Ao fim de semana,

Indiferente aos conceitos 

de democracia.

Este que escreve,

Está reflexivo 

Sobre o que pode 

vir acontecer 

No final da eleição.

Vitória da democracia

 Ontem foi eleição para presidente da república daqui do Brasil. Ficamos muito apreensivos. Afinal as pesquisas apontavam empate. De forma que acordei e fui votar. Depois, fomos a missa do meio dia. Á tarde, Sassá ficou revezando entre brincar comigo ou com a mamãe dele. Saímos para fazer uma caminhada rápida e comprar um picolé pra ele. A noite caiu. Aguamos as plantas do jardim e subimos. Tomamos banho. E aguardamos a apuração. As ruas estavam vazias e silenciosas. A apuração só iria acontecer depois das 19h. Sassá disse que era Lula e que apoiava Lula. Então foram abertas as urnas. A oposição estava na frente até que houve uma virada histórica. A gente pulava, gritava... Sassá viveu essa grande emoção. Antes de terminar, saímos para ir a casa do nosso compadre, padrinho de Sassá. Lá foi festas, risos, extases. Ganhamos com mais de três porcento. Voltamos pra casa e fomos pra cama. Sassá apagou. E nós também.

24/10/26

Este tipo de coisa

 O sol do verão na manhã,

Céu pleno azul.

O vento ventando,

Ramos das árvores floridas,

Flores pequenas, perfumadas e amarelas,

Os pássaros cantando.

Na proteção de meu quarto,

Atento ao mundo lá fora.

Atento a estas linhas

Que se tornarão atemporais,

Eternas...

Da eternidade surgiu,

Na eternidade ficará.

Algo divino...

Não é belo o céu azul,

Não é belo árvores florindo,

Não é belo o canto das aves,

Não é bela a cor das flores,

Não é belo o cheiro das flores...

Não é divino tudo isso.

Não é apetecível,

Estes versos, este poema...

Coisas racionais,

Coisas sentimentais,

Coisas conscientes...

Este tipo de coisa.

23/10/26

Eleição

 Hoje,

Deixo aqui minhas impressões.

Tudo pode mudar depois da eleição de domingo e pode não mudar.

Vai mudar para a maioria.

As coisas vão ficarem melhor para a maioria.

A maioria quem vai decidir.

Estou enganado?

Estão enganados?

É muito ruim essa separação!

Esses dias irão passar e seguiremos as nossas vidas.

Assim é.

Que Deus nos abençoe.




Amor paterno

 A gente depois que fica pai empaidece. Indo levar meu filho na escola, Disse que ia ao marcado de Mangabeira.  Então perguntei se ele não q...

Gogh

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