30/07/26

Coleção de conchas

 Ontem, dei banho em Sassá, vimos o livro de imagens de peixes. Depois saímos para caminhar pelas ruas dos Bancários. Já não existe nosso pé de jasmim da casa 46, onde a gente sempre coletava uma flor para cheirar. Pegamos a rua paralela as três ruas. E a conversa estava muito amistosa e boa, pois ele não parava de falar da concha de um molusco marinho de fundo de mar. Andamos muito e ele me perguntava se eu conhecia uma concha de um molusco de fundo de mar.

Nem percebeu que estávamos caminhando tanto. Sim, ele como sempre negociou um picolé, mas estava atento a suas idéias. Novas ideias. Falou em ter uma ideia de organizar uma coleção de conchas. Foi isso mesmo. Disse que teve essa ideia. Achamos uma conchinha e ele coletou. Passou para uma dúvida de qual era a real cor daquela concha, se marrom ou cinza. Chegamos a esquina da Glacaí sorveteria. Eu escolhi um picolé de brigadeiro. Ele provou, provou, mas não gostou e não quis. Disse que estava amargo. Então fomos embora com a intenção de ir ao mercado. Chegamos logo em casa. E nem fomos ao mercado. Jantamos, tomamos banho, jogamos xadrez e um outro jogo lá. Ele estava pleno. Fui dormir. Só lembro dele deitando depois na cama. Então dormimos.

Casa paterna

 Aquela casinha teve tantas cores.

Nela fui amamentando, balbuciei as primeiras palavras,

Nela percebi o mundo sem palavras,

Tudo era tão absoluto,

Nela descobri o amor, nela descobri meus desejos...

Nela descobri realidade da vida 

Via razão...

Nela senti meu coração dilacerado,

Nela, tantas vezes comemoramos juntos.

Nela descobri a realidade da vida via experiência...

O tempo passou...

Casinha e tive que te dar adeus.

Sempre volto e mato sua saudade.

Agora tão longe 

Fecho os olhos e posso andar no seu interior.

Somos um só.

Posso ir nos três quartos, usar o banheiro,

Ir a cozinha e a área.

Posso sair fora e ver o céu estrelado...

Somos um só.

O tempo nos distanciam,

E saber que o tempo passa e que

as memórias se apagam...

Apesar de tudo casinha.

Vale a pena, 

Só tenho graça,

Pela sombra do sol e da chuva,

Pelo calor retido

O frio cedido...

Casinha compartilho esse momento 

Nosso. Só nosso momento.

Meu infante momento.

Porque é bom sem um contigo. Conosco... Amém.

Reminiscências de um sertanejo

 À tarde caia,

A caatinga ia esfriando,

A luz se encerrando no poente,

Saia de casa em direção a mata branca, no poente,

Podia ver a mata nua, 

Caminhando 

Ouvia os últimos cantos das aves,

Via os ramos intrincados,

A silhueta da mata na frente do sol.

Ali sentia o cheiro do mato, marmeleiro, Jurema, mussambé...

Aos poucos a noite caia,

Uma estrela despontava,

E eu era pura consciência.

Sentir-me natureza.

Cansado contemplava a natureza,

Pensando no passado,

Pensando no futuro.

E quando a noite caia,

Chegava em casa

Cheio de pensamentos,

E todos ali tinham seus pensamentos,

Suas identidades, Seus sonhos.

 Pensavam na vida como eu...

E agora só memórias.

Tudo maia, tudo ilusão, tudo deveio e devir.

Agora longe no espaço e no tempo.

No fim da tarde sou pura recordação.

Mais nada.

29/07/26

Espiral emocional

 São tantos momentos num dia.

Tantas coisas acontecem.

Algumas prevemos,

Outras são imprevisíveis;

As previsíveis gosto de regar com a leitura,

As imprevisíveis aceito e reajo.

O sol nasce,

O sol se põe.

A lua nem sempre nasce,

Quando nasce sempre me espanta.

Ontem estava tão bela.

Vi lá na estação de Cabo Branco.

Foi um espetáculo.

De um lado a cidade, do outro o oceano,

Acima a lua,

No meio de tanta beleza...

Minha alma pediu um momento para contemplação.

A vida é tão indescritível...

Cansaço e descanso,

Dor e alívio.

Viver e sentir a vida é uma poesia

Sem palavras,

Meu Deus como pode ser assim.

A morte até nos assusta nestes momentos.

Deixa pra lá...

Este momento é tudo.

Novas amizades

 Sassá faz novos amigos.

Ontem Sassá conheceu novos amigos. Helena e Caio irmão gêmeos filhos da amiga do papai Laura.

Eles vieram de bem longe. Lá de Foz do Iguaçu. Não interagiram muito porque a diferença de idade é de cinco anos. 

Mas estiveram no mesmo lugar, vendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas conversas.

Um dia soará interessante. Quando eles crescerem pode ser que sejam amigos.

Somos amigos dos pais deles. Tudo começou lá no doutorado.

Amizades para a vida inteira.

E com e entre eles. Foi um início interessante.

Mamãe

 Quantas vezes fomos felizes mamãe.

Na nossa casa, nada faltava,

A nossa felicidade preenchia tudo.

Agora sinto tanta falta,

Tenho consciência disto.

Resta a casa, 

Falta você.

Tudo que existe de ti

Mora em meu peito...

Falta um abraço...

Tempo e vento

 O tempo se encontrou com o vento,

Foi um encontro interessante,

O tempo no vento,

O vento no tempo.

O vento e o tempo com coisas em comum,

O vento e o tempo não podemos ver,

Percebemos seus efeitos.

O tempo e o vento foi nosso invento?

O tempo sentimos internamente,

O vento sentimos externamente,

Espaço e tempo...

Pensei nestes objetos,

Pensei suas qualidades

E senti a eternidade

No tempo e no vento,

Tão presentes em minha existência.

28/07/26

Fatos do sertão

 Certo dia, na Salambaia que fica no Cariri paraibano. Acordei cedo e sai para caminhar e fazer fotos. Enquanto caminhava vi e fotografei inúmeras formas vegetais, entrei e sai do mato. A certas horas subi um afloramento, um enorme batólito. No afloramento haviam muitas cactáceas e bromeliáceas. Foi incrível porque encontrei ali uma samambaia que nunca tinha visto pessoalmente um Ophyoglossum, e bem ali. Vi algo extremamente interessante. Após parece mentira, mas não é. Se for foi alucinação. Vi três beija-flores rabo de tesoura se travarem numa briga na soca de um xique-xique. Foi uma briga feroz e barulhenta. Parecia que havia razão ali. Os três bichos se bicavam em meio aos ramos armados dos espinhos. Demorou mas dois deles abriram voando bem alto.

Andando mais para a frente encontrei um teiu se aquecendo. Eu o vi e vi que ele me viu, mas ele me ignorou. Sentei  na rocha, posicionei a câmera e fiz algumas fotos. Ele não teve medo de mim. Eu tive medo dele. Bichão daqueles. Pensei em descrever uma conversa, mas não saiu o diálogo. Dai fui embora e ele ficou ali. Ignorou-me completamente.

Carga

 Sassá foi tomar banho de piscina.

Brincou, pulou e se divertiu com seu amigo Aquiles.

À noite estava morto.

O que, depois que jantou a bateria recarregou e nem vi a hora que foi dormir.

Encontro

 O barro molhado solta um cheiro.

Cheiro de chuva.

O barro molhado tem uma cor,

Preta, alva, vermelha.

O barro queimado vira pedra.

Vira telha, vira louça.

A natureza que transforma,

O homem que trabalha.

O encontro da matéria,

Das ideias...

Numa estrofe.

27/07/26

Ser assim versos ser ai

 Não deixarei marcas no mundo,

Basta meus olhos fechar,

Basta o tempo passar,

E tudo será desfeito,

Como a vela que quando se acaba,

Logo a luz se apaga,

Cessa o calor

E um fio de fumaça dissolve tudo.


Todavia essa impressão.

Todavia esse sentimento,

Todavia essas breves estrofes,

Ficarão expressas em palavras...


Vai que uma alma perdida,

Desiludida tome um breve instante

E perca o mesmo ao ler

Essas estrofes.


Vindas do fundo da alma,

Cheias de sentimentos,

Medo, grassa e vontade de não ser totalmente queimado.

Só sobrará o ser assim...

O ser ai se vai o tempo todo...

Araçá e sua existência

 O velho pé de araçá,

Que cresceu no pé da pinheira,

Tem tantos anos conosco.

Já foram tantos anos de existência,

Já foram tantas flores alvas floridas,

Seu crescimento marcava o tempo,

A gente sempre o mirava nas tardes de descanso.


Agora, julho de 2026, 

Tinha sob sua sombra,

Deitados no solo vermelho,

Amarelos e doces araçás.

Muitos docinhos araçás.

Primeiro se encheu de flor

O velho aracazeiro,

Vieram as abelhas,

Visitarem as flores alvas e docemente perfumadas,

Depois nos ramos

Verdades os araçás cresceram 

E agora no fim amadureceram...

E se fecha mais um ciclo,

Uma safra,

Um momento no tempo.

E aqui estou por testemunha

Desse grande companheiro 

Mais nada

Passeio a bica

 Fomos a Bica  no Sábado. Sassá, a mamãe e eu. Foi ótimo. Agora vamos passear, sem muito foco nos bichos e sim, mais no espaço. Prestamos mais atenção aos rapinantes, principalmente nos moradores, duas corujas murucututu. Ficamos ali por um bom espaço de tempo. Fomos a praça do jequitibá, achando que ali havia um novo recinto, mas era um orquidário. Vimos os peixes, a carpa, vimos as aves. Fomos ao recinto da loba Mila que nunca está a vista. Sassá brincou muito no parquinho. Vimos o japu, gatos para todos os lados. Mobdick a siriema cantou para nós pela primeira vez na Bica, estava feliz. Sentia-se em Casa. Fizemos a trilha de lama... Coletei uma pitanga linda e Sassá comeu. Me passou o caroço. Dai fomos para casa. Mais um dia maravilhoso com meu amado filho.

Ser você

 Tudo que vivi reflete vez em quando em minha mente. 

A isto chamamos de memórias que levaremos por toda nossa existência.

Quantas manhãs estive com mamãe.

Parecia que sempre estaríamos juntos.

Com a descoberta do mundo, com as vontades.

Vieram as frustrações e a angústia;

Não sem como me lavar de tudo isso.

A existência certos dias parece um peso.

Será físico, químico ou psíquico?

Fica essa dúvida.

A forma de ser

 E se o silêncio se acendo em nossa mente.

Que bom...

Esse silêncio pode ser criador,

Esse silêncio pode fazer você sair de onde está.

Seja onde for.

É a eterna busca.

É viver.

É uma forma de ser.

24/07/26

Um livro faz a diferença

 Ontem, aproveitei as férias de Sassá e usei um livro sobre dinossauros para explorar as imagens, e as atividades. Sassá rapidamente se interessou, passamos um bom tempo procurando as formas e os nomes dos dinossauros. Depois fomos fazer as atividades. Sassá fez tudo sozinho. Joguinhos bons para a memória, jogo dos sete erros, passar pelo labirinto, encontrar a forma diferente. Consegui me conectar com Sassá. Foi ótimo. Ele está crescendo forte e muito inteligente. Logo as aulas voltarão. Está sendo muito bom as férias, só a mamãe dele que está exausta. risos.

O encontro

 Após abrir o livro brevidade escrito e doado por Lisbeth,

Após lido o poema Penélope,

Ali encontrei na mesma página a oração pai nosso traduzido do aramaico escrita a mão e gentilmente doado por Marlene.

Tudo tão belo...

Senti-me pleno.

A mata satisfeita foi testemunha de minha felicidade...

O nosso encontro ocorreu numa sexta-feira no dia 03 de julho deste 2026.

Foi maravilhoso.


Gratidão

 Agradeço a Deus por tudo que tenho vivido.,

 Agradeço a Deus por tudo que tenho sentido,

 Agradeço a Deus por onde tenho vivido,

E com quem tenho vivido...

Meus avós, meus pais, meus irmãos, minha mulher, meu filho e sobrinho.

 Agradeço a Deus pela minha caminhada,

Pelas pedras na estrada,

Pelas sombras no caminho diante deste sol maravilhoso.

Como a mata depois da chuva,

Meu coração está cheio de alegria, de gratidão.

Após um momento de oração,

Uma boa reflexão...

Agradeço pelas pessoas.

Sou grato por tudo.

Em Deus sou tudo.

Obrigado senhor.


A mata e a chuva

 Julho, mês de muita chuva.

Em silêncio a mata contempla a beleza da chuva,

A mata silenciosa sente a chuva,

O frescor úmido da chuva,

Solo saturado,

Água límpida se empoça transparente.

A garrincha canta sem parar.

A mata chove também,

São gotas das árvores, dos arbustos e das lianas.

Gotas contando o tempo,

Gotas que esgotam a noite.

Fofos os gatos aquecem um pouco o frio,

Seus olhos dilatados,

Veêm a sombra se desfazer em luz...

A mata tai... Viva.

23/07/26

Sentir o espaço

 Fui andar no mato.

Sai calmamente,

Com a câmera na mão, fotografava, fotografava e fotogravava.

Podia sentir a realidade nos cheiros,

Nas formas, nas cores, nas combinações reais,

Sentir o tempo se indo,

Nas folhas que respiravam pelas últimas vezes de suas existências breves.

Pude ver no cardeiro a armadura de espinhos,

Espinhos jovens e velhos.

Não quis seguir em frente.

Seria o sol me impedindo,

Um sentido interno,

Não sei.

Voltei.

As fotos registraram o espaço e o tempo.

E eu...

Me perdi no tempo,

Envolvido entre memórias e realidades.

Assim me sinto...

Assim me senti.

Coleção de conchas

 Ontem, dei banho em Sassá, vimos o livro de imagens de peixes. Depois saímos para caminhar pelas ruas dos Bancários. Já não existe nosso pé...

Gogh

Gogh