13/11/15

Sem direção

As vezes perdemos o mais precioso a razão,
Tentamos nos resguardar no futuro ou no passado,
Mas onde fica o presente?
Nossos anseios, nossos desejos, nossos medos...
Perde-se a razão por se viver na imaginação.
Mas é preciso despertar do sonho que é a paixão,
É preciso se curar.
É preciso encontrar uma direção.

09/11/15

Errante

Um lugar,
Uma paisagem,
Um encontro,
Flores perfumadas desabrochando,
A luz tênue da manhã,
A brisa,
Areia fina,
Ervas, lianas,
Caminhar,
Respirar,
Ser...
Eis o universo,
Eis o ser.

06/11/15

Rimando

Suave movimento,
Som,
Folhas chiando,
Nos ramos,
No não,
Tom verde, ocre, rufo,
O perfume doce e branco da guetarda,
Na manhã que se doa ao sol.
Dia dia...
Breve poesia.

05/11/15

Caos

Faz-se o caos,
Faz-se o caos em minha vida,
Como um furacão,
Tudo se desarruma,
Tudo se desorganiza,
Livros de literatura,
Filosofia, botânica...
Quero mostrar o mundo.
Pipocas,
Um chá,
Forró que dor,
Esse caos que vem e vai,
Perfume de mufumbo,
No fundo,
É tudo tão bom,
Diferente...

Angústia

O tempo, ah o tempo...
Dias de sol e vento,
Tristes e maus tormentos,
O que me aflige?
É o medo.
Medo do tempo ido,
Do dia vivido,
Do passado longo,
Medo da eterna angústia,
Da falta de astúcia.

Ah, o tempo,
Ah, memórias...
Ser esse ser.

Borges, Pessoa,
Nietzsche,
Faróis em dia de névoa...
Espantalhos da solidão.

Materialismo

Penar,
Agir,
Criar,
Qual nossa intenção como ser?
Amanhece e desperto para a vida,
Não é mais um dia, mas o dia,
A possibilidade,
De ser diferente,
De sair da mente,
De materializar o impossível,
De ser além do humano,
Tudo isso numa vida.

04/11/15

Disseram-me

Ah,
Cada dia,
Cada dia que passa,
Uma nova descoberta,
Um poema,
Versos,
Uma música,
Uma história,
O desenrolar de uma situação,
Aprendizagem,
Experiência,
O tempo,
Borges,
Gogh,
Esquisofrenia...

Uma amiga me falou que todos os grandes eram esquisofreÊnicos...
Será...

Que isso importa.

Bossa nova.

03/11/15

Tentativa

Quão passageira é uma estação,
A primavera se enfeita de flores,
Se perfuma se enche de cores,
Depois as flores deitam-se no chão,

Tenho deitado flores pelo chão,
Tenho feito coisas que não deveria,
Tanta coisa nessa vida poderia,
Ter feito mais ou menos não?

Tentativas e mais tentativas em vão,
Ah, essa vida, essa vida cadê alegria,
Não sei, falta-me de longe expressão,

Mas a manhã tudo vai voltar a brilhar,
Sabe lá,
Sabe lá.

Caminho

Suave cai a tarde,
O vento sopra leve,
E faz as árvores balançar,
Faz as folhas chiarem
O som do além,
Aqui no aquém,
Incerto dia a se passar,
Algo em mim sorri,
Algo em mim falta,
Essa existência,
A graça de ser,
De ter um guia,
Deus.

02/11/15

Sem perceber

O dia,
Silêncio,
A noite,
Risos amigos,
Um bom papo,
A noite perfeita,
A vida perfeita,
Com seus altos e baixos,
Suas veredas,
Becos e esquinas,
E assim passam os anos,
A vida,
Sem percebermos.

01/11/15

Aniversário

Os anos,
Os anos passam,
Passam sem parar,
Passam por passar,
Hão de contar nossa história,
Alegrias, dores e glórias,
Ontem existiu,
Hoje possibilidade,
Amanhã incerto,
E a vida passa.

22/10/15

Determinado

E como o vento que passa,
Passam dias,
Passam as flores,
Passam as aves,
E tudo acontece,
A vida enaltece...

Vida,
Poesia,

Alegria,

Num determinado tempo.

21/10/15

Tardes

Tarde maravilhosa tarde,
É tão maravilhoso senti-la passar,
Quantas tardes já não deitaram em minha vida...
Inúmeras...
Tardes bonitas, chuvosas...
E agora tardes limpas,
Bonitas, cheias de melodia,
Roxinós,
Vem-véns...

20/10/15

Plenitude

Quão grande é a tarde,
Perfeita e maravilhosa,
Hora que caminhamos para casa,
Hora que se fecha mais um dia,
E quando chegamos em nosso lar
Podemos contemplar e está feliz por isso...
Contemplar a imensidão do mundo,
Sentir que tudo deu certo,
Tudo agora se recata
Para ser abraçado pela noite.

Poeta

Com a alma inquieta,
Leio versos de um poeta,
Fico matutando, pensativo,
Com palavra e substantivo,
Que cantam sentimentos,
Sensações e coisas como ventos,
Sempre a passar,
Sempre a deixar,
Algo que aquiete,
A alma humana,
E que a vida continue cigana,
Orbitando na humanidade,
Esquecendo a vaidade,
Desquietando a existência.

18/10/15

Fases

Que a num peito solitário?

A noite a espreita,

A brisa caridosa,

Folhas ao vento,

O tempo, o tempo, o tempo.

A arte, a escrita,

Emoção!

Como captura-la?

Profunda escuridão,

Melancolia,

Tudo faz parte de compreender a existência,

As tardes profundas antes do sol,

Raios dourados,

Breves,

Apagados,

Pela noite,

Não se pode ser feliz a todo instante,

Nem triste incessantemente,

Tudo são fases da vida.

A beleza da existência

Existir!
Ver e compreender
E sentir a alma feliz

Num amanhecer,
Num entardecer,
Num anoitecer,
Num enluarar,

No sono de um recém nascido,
Na chegada das estações,
No desabrochar das flores,
Na leitura de um poema,
Numa jornada concluída...

E sentir saudades do livro lido,
Do filho crescido,
Do casamento,
Do juramento de formatura,
De uma vida boa vivida,
A incerteza do amanhã
Nos humaniza...

Saudades dos grandes mestres,
Dos amigos de infância,
Dos lugares secretos, nossos refúgios...
Viver nos ensina,
E vivemos descobriremos amanhã
Beleza da existência.

17/10/15

Labirinto

O tempo,
Através de um labirinto de espelhos,
Vejo meu corpo,
Mas não percebo minha alma,
Não captamos as almas,
Mas podemos ver as marcas
Que o tempo deixa em nós,
Através da profundidade dos espelhos,
Nos vemos ao infinito,
Onde vai nossa imagem?
Mais ampla que nosso ser.
A curta certeza do ontem,
A incerteza do amanhã.
Esse ser pulverizado de memórias,
De experiências,
Tão aberto a conhecer,
E a esquecer,
Mistérios que nos encantam,
Apenas povoam nosso ser,
nossos sonhos.

Noite macia

Cai a noite,
Esse imenso mistério,
Profundo encanto,
Sombras da noite,
Oculta matéria,
Oculta forma.

Que há na noite?
Olhos rasos,
Alma, sensação no próprio ser,
Ouvimos nosso ser,
Nossa respiração.

Podemos tocar na solidão,
Cuja textura é macia e fria,
Nesse instante nossas memórias
Rutilam feito estrelas no céu,
E vemos nossa vida
Passar em nossa mente...

Tudo é necessário viver,
Para entender a vida,

Pois a noite nos proporciona
Tais momentos,
Um dia seremos todos
Estrelas noturnas...
Memórias perdidas.

Coisas necessárias

Vida maravilhosa,
Tendes tanto a nos ensinar,
Cada dia impar que vivemos,
O quanto não aprendemos,
Todavia precisamos aprender mais,
Sempre mais,
Cada suspiro é raro,
Cada suspiro é caro,
Pois é impar,
E mesmo assim porque alojamos no nosso peito,
Tantas coisas desnecessárias?
Dúvidas, medos, anseios, ansiedades,
Tristeza...
Bom precisamos entender também que tais coisas são necessárias...
Entender a vida ou não entendê-la,
Tanto faz.
A vida há de ser consumida como uma vela...
Tudo há de passar de qualquer forma,
Mas a vida é maravilhosa.

16/10/15

Reflexão noturna

A noite passa silenciosa,
Aqui, neste momento quanta paz repousa em minha alma.
Sinto a noite de tantas formas,
Posso ouvi-la,
Posso vê-la,
Posso vivê-la,
Percebo a noite,
Como sempre percebi,
Como aprendi a vivê-la,
Na calma,
Na paz,
Deixando meu ser partir
Para o universo, além do verso,
Para o sonho...
Profundo.

Sei que a noite passa silenciosa,
E adoro que passe assim,
Porque é assim que sou,
Do contrário,
Desexisto,
Inexisto...
Serei outro ser,
Que não quero viver.

Sexta-feira

Parte semana,
Vai...
Sexta feira,
Tem dia melhor?
O sol brilha aliviado,
O almoço é tão saboroso,
E a tarde se passa fagueira,
E a noite se prepara para algo especial...
Cada um com seu motivo,
Cada um com sua alegria...
Sexta feira é poesia.

15/10/15

Natureza

Quão graça há na natureza,
Encanto profundo e beleza,
Aves que voam e cantam,
Formigas que trabalham sem parar,
Cigarras a cantar,
Peixes nos rios, lagos e mares,
Abelhas por toda parte,
Flores, cores, textura e odores,
Tudo a nos encantar,
Quanta graça,
Quanta graça,
Mãe natureza,
Seio de tudo,
De encanto e beleza.

Metamorfose

A tarde hoje, mesmo em outubro,
Não caiu dourada, mas fria e cinzenta,
Silenciosa, tímida,
Só faltou um sabiá cantando,
Para me sentir numa tarde de inverno...

Memórias,
Memórias,
Tempo,
Essa viagem vida...
Esse ser dia a dia.

14/10/15

Silenciosa tarde

Que tardes belas e silenciosas,
ocorrem em outubro,
Hoje até choveu,
Esfriou e o sol reapareceu,
Quanta luz,
Quanta beleza,
Quanta alegria,
Ah, graças dou a Deus,
Por um ano difícil,
mas que se cobre com um véu de beleza,
Uma doce inteireza...
Dias de profunda beleza e paz,
Noites estreladas...
A vida quando é boa, voa...

13/10/15

Sinestesia

Sinestesia,
Aromas,
Texturas,
Cores,
Sons,
Que pode me dizer a natureza?
Tanto quanto, consiga aprender,
O cheiro do cajá,
Sua cor amarela,
Sua forma cilíndrico-oblonga,
E quando aduro estoura no chão,
Sua suculência ecoa suave,
Ou quando cai rola pela areia,
Suave até parar,
Quem sabe formigas se deliciarão
O acre-doce fruto do cajá.
Cajazeiras...
Cajazeiras,
Crescem no barro duro,
E impera anos afinco,
Sua cortiça testemunha
Dos difíceis anos...
Essa existência
Além de mim,
Essa existência
Que atravessou milhões de anos,
Me impressiona,
E há de varar sua existência,
Fazendo salivar nossa espécie humana.

Ondular

Noite, dia, noite, dia,
Horas a fio!
Vivendo cada momento,
Sentindo cada instante,
Breves, longos... Momento.
São sinuosidades da vida,
Essa plena onda,
Oras na crista, oras na depressão,
Para entender tudo isso!
Basta viver,
Crer em ser,
Tudo é tão velado,
Quando desvelado
Torna-se tão simples,
Ser,
Viver,
Existir.

12/10/15

Criança

Segunda feira de feriado,
Após o domingo,
O dia das crianças,
E uma casa sem criança,
Sem alegria,
Sem poesia,
Assim é.
Não há alegria,
Nem presentes sendo rasgado,
Não há memória,
Nem importância.

Mas ao menos é Dia de nossa Senhora de Aparecida,
Ainda há a fé...

Há Chopin,
Há livros,
Há trabalho,
E imaginação...

Há memórias dos dias das crianças,
Quando mamãe me fazia feliz com brinquedos,

Havia algo muito mágico neste dia,
E eu sei que há,
Para as crianças que serão um dia adultos como eu,
Que façam melhores escolhas
De como queiram ser,
Que brincando encontrem uma ótima forma de ser feliz,

Que tenha orgulho e respeito pelos pais
E não realizadores de desejos.

Porque ser criança é mágico,
Divino,
Extraordinário,
É ter a certeza que o mundo não termina hoje,
Só amanhã,
Amanhã...

11/10/15

Escolha

Escolher!

A tarde sempre se vai
E com ela o dia,
Cheio de histórias,

Sim porque cada dia é impar,
E não percebemos isto muitas vezes...

Podemos fazer a escolha certa,

Entre partir ou ficar,
Entre um girassol ou uma rosa,

O que nos leva a fazer a escolha mais correta?

É preciso ter convicção,

Porque a tarde sempre se vai,
O dia,
E tudo que cremos ter ou ser.

Superfícies

A
Cor,
Forma,
Dimensão,
Profundidade,
O que é o mundo físico?

Onde nos imergimos,
Onde existimos,
Onde existem coisas maravilhosas
E não maravilhosas...

Podemos escolher um prisma para ver o mundo...

Cada segundo é precioso.

É preciso cuidado para não gastar seu tempo com o nada...

E compreender o mundo,
Pode ser maravilhoso,
Essa aventura tem que ser apreendida,
Cedo!

Me atenho a contemplar o mundo
E suas diversas faces...
E assim somos.

Movimentos da vida

Existir,
Ser,
Viver!

Essa breve existência,
De lutas, vitórias e derrotas,
De energia e cansaço,
De alegria e cólera...

Movimento dialético do ser...

Esta trama do conhecer,
O mundo,
As relações,
O ser!

Algo denso,
Algo profundo,

Entender a transformação irreversível da matéria,

Os movimentos, acontecimentos e tudo que nos rodeia,

Compreender tudo,
Para aceitar

A humanidade,
Os limites,

E assim transpor as maiores barreiras,

Mas tudo é impossível,

Se não compreender,

A que existimos...

Os movimentos da vida.

10/10/15

Outubro

Não tenho dúvidas,
Outubro é um dos melhores meses do ano,
Se não melhor,
As madrugadas têm lindos auroras,
Encarnados feito brasa de fogueira,
As manhãs de outubro são tão lindas,
Frescas...
As brisas sopram frouxas,
A luz é tão nítida,
O céu tão azul,
E há um perfume de cajueiros floridos,
Uma alegria viva nas pessoas,
Bouganviles mais encarnadas,
E o como é intenso o canto da passarada.
Outubro...
Outubro,
Depois Novembro.

09/10/15

Te amo mamãe.

O tempo passou e nem percebemos,
Não percebi, mãe, como o tempo agiu em nós
E deixou marcas e nos uniu e uma história vem se cumprindo,
Como sou feliz em vê-la envelhecer,
Mesmo diante de tantas dores que te vi sofrer,
Envelheci junto, e vamos envelhecendo juntos,
E assim segue a vida nós vivemos feito satélite,
Hoje eu quem quero cuidar de você,
E tenho o mesmo medo que tinha comigo
Quando me pegou quando bebe,
É a vida mamãe,
Parabéns, pelos 65 anos.
Te amo.

07/10/15

Harmonia

O silêncio
Noturno,
Estrelas a brilhar,
Pulsando no céu,
A pulsar e nos encantar,
Noite silenciosa noite,
Noturna, soturna,
A noite dorme encantada,
Cada ser persegue sua paz,
Seus sonhos,
Tudo descansa.

06/10/15

Após tudo

A noite,
Após um dia longo,
Em que tocamos a aurora,
Após ouvir as aves cantarem radiantes na manhã,
E voarem felizes,
Após a manhã,
Após o almoço,
Após a tarde,
Após ir e voltar,
E agradecer pelo dia,
Como não crer na felicidade?
Como esquecer que tudo é vaidade,
O mais agradecimento.

05/10/15

Café

Madrugada,
Aurora desponta no horizonte,
Como um braseiro de fogueira de ontem,
O céu estrelado como em todo o passado,
Estrelas rutilam no monturo,
O graveto quebrado,
De mameleiro,
Sabe lá, maravalha fina que acende com palha de milho,
E eis que uma luz a mais se acende no fogão,
Água fria na vazia,
Em seguida vai ao fogo,
E se aquece e quando começa a mudar de estado,
Borbulhando,
Vai ao bule pelo coador,
E a água quente tem um som diferente
Ao se derramar,
Um som oco!
Aquece e estrai do café a cor, o aroma e o sabor,
O café desperta a gente para o dia,
Para a vida, para o mundo,
Só então a manhã pode nascer.

04/10/15

Engrenagem

Calmaria,
Silêncio,
Domingo,
Preguiça,
Comida farta,
Praia,
Areia,
Sol,
A tarde cai rápido,
Tempo apressado,
Esperança,
Expectativa,
Noite,
Silêncio,
Amanhã tudo recomeça...
Nessa grande engrenagem,
Mês, ano, tempo...

Contemporaneidade

Levanto,
Vou à janela, abro e sinto o cheiro frio do mundo,
Meus olhos acariciam
As cores e as formas,
O verde das plantas,
E os prédios que crescem sem parar,
Este materialismo que nos envolve,
Este eterno materialismo contemporâneo...
A riqueza, a beleza que nos seduz,
Alimenta a inveja, a luxuria,
A gula,
Corre, treina,
Fotografa...
Loucos!
A contemporaneidade a qual estamos imersos,
Vai nos consumir
Com seus vícios e desejos...
Com a total ausência do ser.

Além do ser

Quantas faces tem o mundo?
Cores,
Formas,
Odores,
Textura,
Sons,
Gostos,
Quanto mais apreendo,
Mais posso expressar,
Quanto mais sinto,
Mais sou capaz de ser.

Viver é sentir, reagir, existir,

É crer no hoje, no agora, no amanhã,
São tantas as possibilidades,
E tantas as realidades,
E tantas as escolhas,

E é nossa a escolha,
Somos livres para escolher,

Mas a incerteza,
Mas essa incógnita que é a vida!

Densa angústia,

E nosso corpo que envelhece,
Que se adapta,
Sob dor, pressão, calor, frio...

Ser,

Este ser que sou, que sedes!

Há de haver algo maior,

Que esse breve materialismo...

Além do desenrolar desta manhã,

Além do ser.

03/10/15

Verão, folhas e sol

A mata sem chuva exala um cheiro
Tão agradável,
As folhas brilhosas,
Ramos secos,
Doce aroma,
Folhas secas,
Cor de coro,
Chiado seco,
Vento a arrastar,
Vento intenso,
Baila pra lá e pra cá,
Flores de cajueiro, aroma do verão,
Alegria, trabalho,
O cheiro do mato roçado,
Poeira,
Aspereza...
Sol,
Lua,
Céu azul,
Céu nu...

Silenciar

A pouco o sol brilhava, era tarde,
Uma linda tarde crepuscular,
E o sol se foi, partiu,
Ainda há luz,
As aves cantam os últimos cantos,
A brisa sopra suave,
As formas perdem as cores e ganham as sombras,
Depois de um sábado,
Virá um domingo,
Início de outubro,
2015 se vai...
Tudo vai passando
Despercebidamente,
Envelhecendo,
Rejuvenescendo...

02/10/15

Se

Se cada momento é único,
A vida se passa em momentos,
Então é preciso aprender a viver,
Pois cada momento é impar,
Cada momento que se segue na vida,
Há de ser o mais belo,
Mesmo que desesperador,
Cada momento é um ensinamento,
Então por que vivemos tantos momentos
Que cremos serem desoladores,
Não sabemos a caso o valor da vida?
E só perdendo,
Só vivendo
É que aprendemos a valorizá-los,
E já vemos o que miramos,
Ouvimos o que soa,
Entendemos o que sentimos,
Somos o que devemos ser,
O ontem não existe,
O amanhã é incerto demais,
Só temos a certeza do momento,
Deste instante que terminas de ler estas palavras,
Escritas ao som de Chopin,
E sentindo uma brisa suave,
Fresca da nova noite.

01/10/15

Igual

O que é a vida?
O que é viver?
Com o cair dos anos,
A vida se revela por inteiro,
Quantos que nos envolvia não partem,
Sem perceber vemos gerações desaparecer,
Enquanto quanto seres vamos substituindo,
E sendo substituído,
Gerações, pós gerações,
Envolvidas, encerradas em criptas
Quantas histórias não desapareceram e desaparecerão,
Fortes e fracos, novos e principalmente velhos,
Se vão sem se perguntar o que é a vida e o que é viver?

Coisa mais inútil. Não.

Carrego na lembrança milhares de imagens dos mais variados lugares,
Das  mais variadas existências,
Sinal de tempo vivido...
Tempo percorrido,

E agora que é verão,
Dias de brisa frouxa,
Ouço no amanhecer
As mesmas aves de minha infância,
Tanta coisa marcante,
Cajueiros,
Mangueiras,
Jaqueiras,
Tanta coisa imbricada em minha mente,

Viver, viver é descobrir os limites,
O cansaço e ao mesmo tempo
Aceitar-se como ser...
Porque no fim tudo é igual.


29/09/15

E como

E o tempo e o vento,
Senguem sempre uma direção,
Passam sem voltar atrás,
Há se senti-lós naquele exato momento,
Há de compreende-los,
Entende-los,
Para não ser surpreendidos
Em não percebe-los,
As coisas são tão efêmeras,
Como a vida assim é,
Como uma manhã,
O viço de uma flor,
A alegria,
A juventude,
Tudo, absolutamente tudo,
Passa
Como o vento
E como o tempo.

28/09/15

Sensual efemeridade

O silêncio da tarde é belo.
O mundo oco na tarde,
De crisa luz se refratando entre ramos,
O vento que sopra suave,
Dança com ramos,
Faz mexer as cortinas e janelas.

Tarde oca!
Silêncio,
Longe canta um vem-vem,
Este ouvido que ouve,
Se recorda, memórias profundas no tempo,
Já comungou tardes semelhantes
Com aqueles que dormem na eternidade,
A existência é uma dádiva,
Um mistério...

E viver tardes surdas assim...
E compartilhar as memórias
E tentar não cair no esquecimento,
De uma existência efêmera,
Como a tarde que parte.

Caatinga

O tempo eterno,
Lugares, floras, fauna,
Calor da manhã,
Cigarra cantando,
O tempo sempre o mesmo,
Gerações geradas, vividas,
Tecnologia, evolução,
Tempo eterno,
Sempre o mesmo,
Cigarras a cantar,
Cajueiro a florir,
Marmeleiro nu!
Caatinga,
Serra,
Mata seca,
Riacho torrado,
Tudo cinza,
Tudo armado,
Perfumado...

Sozinho

É preciso,
É preciso de algo para esvaziar a casa de solidão,
É preciso de algo para encher a casa de alegria,
Será que tudo que sinto não será profunda ilusão?
Sinto o grande vazio, até percebo o quanto fica fria,
Essa casa grande e vazia, de profunda escuridão,
Tenho que encher de informações,
Livros, objetos, móveis,
Tudo para me desviar da solidão!
Após um sábado e um domingo só,
O fim de semana torna-se enorme,
Mesmo falando com gente da Argentina,
Costa Rica, Espanha, México,
Minas, São Paulo, Rio Grande do Norte,
Teresina...
Eis que a ausência de uma presença real,
Tudo é solidão...
Incerteza,
Desesperança,
Mas é preciso ser forte,
Para não se entediar
Com tanto tédio.

27/09/15

Acontecendo

Meio dia,
A  luz intensa,
A terra frouxa,
Poeira e vento,
Ervas murchando,
Árvores sombreando,
Que fazer primeiro?
Preguiça,
Tira a cortiça,
Enche a taça e brinda,
Que mais uma tarde chegou.

Vida e morte

Vida,
Morte,
Movimento, ação,
Inércia, estática,
Ser,
Foi,
Existência.

26/09/15

Tarde

A tarde que encanta,
Quem sabe cantar, canta,
Quem sabe pintar, pinta,
Por outro lado sou só contemplação,
Ouço e sinto o vento,
Vejo as cores encarnadas,
Se apagando feito vela,
E o dia partindo,
Sumindo,
Até a eternidade.

Amanhece

 Enche o peito do ar frio da madrugada. Traz em si um cheiro particular, Cheiro das chuvas de abril, Cheiro da mata molhada. O silêncio é su...

Gogh

Gogh