sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Quando estou em minha casa

 A saudade está aqui é a ausência da presença de quem sempre esteve presente. Ora é branda, ora é intensa. Aqui se intensifica no vazio deixado neste espaço e neste tempo. Nenhuma palavra ouço mais, sobraram apenas memórias que é a matéria do sentimento.

Mamãe e papai, vovó Sinhá...

O sentimento é afeto, é relação...

Saudades. Saudades. Saudades.

Francisco, Francisca...

Amanheço e entardeço e anoiteço.

Eternamente sou quem sou.

Canta vem-vem na Pinheira, canta rixinó na casa velha, canta sabiá na aroeira, canta cabeça-vermelho no cajueiro, canta...

Neste canto conto meu sentimento.

Sou... No imediato sou.

No imediato afirmo sou. 

Pinhas secas na Pinheira, ciriguelas na cirigueleira verdes, vermelhas.

A mata broiando.

O sino do vento de rocha de metal.

As vincas rosas e brancas...

São as marcas do tempo.

São as marcas do hoje, do agora do devir.

O céu eternamente azul, nuvens brancas de esperança.

Uma espiral em movimento...

Concluído este momento.

Memórias

A noite chegava lentamente. Na cozinha mamãe preparava a janta.

Na calçada da frente conversava com o papai. 

O calor ia cessando e o vento chegando. Logo papai se recolhia 

Quando estou em minha casa

 A cinza mata, o sol alto, a claridade e o calor intenso, a poeira. Um Juazeiro, um Jucá, uma aroeira, um angico e um mandacaru.

Olho e ouço  o meu entorno.

O que sinto? o que me incomoda e o que me faz sentir este momento.

Sinto calor, sinto um vazio, sinto algo que vai crescendo em mim. Alegria, felicidade, paz e algo humano que quero desvincular de mim, o incomodo.

Quero entrar em harmonia com o meio sendo angico, aroeira, Juazeiro, mandacaru e Jucá.

Olho a paisagem ao longe, olho a paisagem ao meu lado.

O que é tudo isso?

Ouço o vento ventando na mata.

Ouço um sabiá, um cabeça-vermelho, um bem-te-vi...

Me apresso em me proteger da estrada, um carro a passar, um olhar ou vários olhares... Que passa de repelente... Sou ignorado. Sou percebido.

O relógio conta o tempo, o sol conta o tempo como balão a subir o céu.

A mata adormecida.

Respiro fundo.

Sinto um vazio em mim. Vejo o vazio da estrada, da mata.

O espaço é infinito e o tempo é eterno.


O que é tudo isto?

Vida sendo vivida.


Existência e ser.


Um pensamento e mais nada.

Essas coisas aí.

Quando estou em casa

 Fim de 2025. Este ano foi muito seco. As chuvas foram poucas. Em outubro 17, quando estivermos aqui já estava muito seco. Nossa sorte é o açude do porção. Os dias são secos e muito quente. A vegetação está cinza apenas os Juazeiro, feijão-brabo e mandacaru estão verdes. Os angicos, aroeiras e cajaraneiras parecem árvores de cambito. As aves cantam animadas.

Estou cuidando das plantas que a mamãe deixou um jasmim-de-laranjeira, uma açucena e as espadas de são Jorge.

O terreiro está poeirento e avermelhado.

As vincas florescem e me sinto feliz com tudo isto.

Vivendo

 Sinto meu peito em paz. Fizemos uma viagem romeira a Canindé para apresentar São Francisco a minha esposa e ao meu filho. A viagem foi perfeita, apesar de cansativa. Fomos a Fortaleza e bom só deu para ver quão magestosa é aquela cidade. Fiquei muito feliz em passear com eles na praia de Iracema. Estou muito grato. A manhã despertou muito agradável. Fui com meu filho ao Porção onde ele conheceu meu primo França. A tarde vai caindo agradável. Ouço uma rádio grega enquanto leio Lucas um médico de homens e almas.

E assim o ano se fecha. Com muita gratidão por tudo vivido.

Férias a espera de chuva

 Que deliciosa manhã desperta agora. O friozinho nublado. As aves e o cino de vento quebrando o silêncio.

A paz e o coração agradecido do bom ano de 25 que chega ao fim.

A esperança de dias melhores. No peito a esperança de um peito mais calmo e paciente e que os nossos corações abrandem e tenham mais fé.

Amém

Em casa

 A experiência revela que a vida é uma dádiva. A nossa mente cria, imagina e por meio da razão nos anestesia para a realidade das coisas. Fim de ano e aqui estou no mesmo lugar que nasci, cresci e vivi grande parte de minha vida com os meus pais. Agora que eles partiram há um imenso vazio. A realidade se revela inócua e sem cor, sem fantasia ou ilusão. De tudo cultivo a fé no senhor. Sou um ser de sentimentos...

O céu azul empalidecido de nuvens, o vento frouxo escorrendo pelos ramos das árvores nuas. Tempo e fluxo... Infinito e eterno.

Tudo é como tem que ser. Nada mais. Ser é um grande milagre.

A espera de chuva

 E nublado ficou meu coração, pois é o quinto ano sem meu pai e o quarto sem a minha mãe. A saudade é infinita, todavia meu pai celestial não me desamparou, pois me deu um filho e meu amor por ele certamente é eterno e infinito.

Das coisas que se aprende vivendo. Nada é absoluto.

Um amanhecer

 O céu azul com nuvens de algodão.

O cinza da vegetação, o verde das cirigueleiras, cajueiros e uma pintombeira. 

O som do vento nos ramos difusos.

O canto do sanhaçu e do vem-vem.

O som doce do metal do filtro do vento.

E as memórias que afloram das impressões, sensações.

O que é tudo isso?

Parte de mim, vivo que percebe,

Parte de mim atemporal.

A mente atemporal 

Guiada pelos universais.

Um sabiá corrochiou.

Meu peito estremeceu de alegria uma memória azul de mamãe.

Essas coisas, como diz meu filho.

Saracura

 A saracura cantou hoje cedinho.

A última vez que a ouvi cantar aqui em casa de papai.

 Essa última vez marcou Antônio de Doquinha estava aqui conosco.

Papai ouviu, mamãe ouviu, Antônio ouviu e eu ouvi.

Éramos espectadores ou a saracura era uma espectadora.

Três potes... Três potes... Três potes...

A saracura está adivinhando chuva.

Tá tudo tão seco.

O eu

 O espaço, O tempo, O ser e sua existência, Um ontem, Um hoje, Um amanhã. Aqui, Ali, Acolá, Agora. Eterno tempo, Infinito espaço. Eu... Intu...

Gogh

Gogh