Tudo passa tão de pressa e nem percebemos esse movimento. Não percebemos o que é o início ou o meio e muitas vezes o que é o fim. Porque a vida é continuidade é apenas nascimento e morte esse intervalo é o viver e viver é esse eterno devir... Essa esperança que nos alimenta esperando melhorar sem nunca parar para entender o que é ou o que foi ou o que será.
A concepção de mundo é subjetiva, sendo a experiência sua fonte capital. O mundo é representação. Então, não basta entender o processo aparentemente linear impressão, percepção e o entendimento das figuras da consciência. É preciso viver, agir e por vezes refletir e assim conhecer ao mundo e principalmente a si mesmo. Aprender a pensar!
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Momentos
A tarde quente nasce e ao nascer já tende para o fim.
O claro da luz do sol do meio dia vai se diluindo em vermelho e laranja e amarelo e azul e noite
Serrinha da infância
Faz tempo que abracei uma ideia. Lembro que ainda era menino, mas foi naquele momento que fiz o alicerce que me permitiu crescer e ser e amar o que faço e sou. Aprendi a ler e com a leitura a me envolver e a crer nas ideias que nos foram transmitidas. A ideia da educação e o progresso e do crescimento e do amadurecimento e da força da bondade. Essa ideia vivida por Cristo e difundida por Paulo e difundida pela humanidade. Tudo se passou na relação íntima e estética entre mim e os livros... Lá em casa em Serrinha do Canto.
Lá fora
Havia unidade aquela ingênua unidade, um pouco de imanência. Sabia da transcendência do mundo via razão e não via experiência. O lugar mais distante que havia ido era Alexandria. E já sabia que a grande fonte de conhecimento era a percepção. Eu imaginava o mundo.
Agora sei que cada lugar tem suas peculiaridades e a gente se acostuma com esta, mas nunca a domina...
A gente vai absorvendo o mundo, todavia não chegamos a conhecer o mínimo dessa unidade que é o absoluto.
Leituras
Um pouco de paz.
Sentava na cadeira de balanço. Abria um livro e deitava a vista a leitura. E queria devorar aquelas ideias tão maravilhosas.
A dois metros dali a luz do sol torrava a poeira. A sombra da algaroba amenizava o calor da tarde. Mamãe roncava seu cochilo sagrado. Daqui a pouco vovó se levantava e como quem anda tateando sai a porta e olhava o mundo. Com um olhar de quem já viu tanta coisa e de quem sabe o que é a vida. Saia e olhava o mundo através de seus óculos e sua boca que já perdera a força das mandíbulas.
E a tarde caia assim eu dividindo a atenção entre o livro, minha avó sinhá e o mundo.
E a tarde caia quente...
Reencontro
Encontrei de novo a poetiza, esposa de meu professor Paulo Marinho.
Seu nome Lizbete Oliveira...
Quando a encontrei, o que vi e a mostrei?
Um buquê de flores de sambucus...
Contemplamos o cheiro.
Confluência ela falou, não coincidência.
Ela falou que sua mãe falava de uma mata de sabugueiro entre Solânea e Bananeiras.
Devia ser muito perfumado...
Deveras.
Refletimos muito nossas ideias.
Coincidentemente estávamos no mesmo tom, verde.
Quase a conversa não terminava e nunca vai terminar,
É bom conversar com quem pensa como a gente, valoriza as mesmas coisas...
A poesia, sinestesia, alegrias e o amor pela vida....
Razão inconsciente
Nas três ruas vi um canarinho,
Tão amarelinho.
Olhei para ele
E ele me olhou...
O que ele viu?
Era tão bonitinho.
Hoje na UFPB,
Ouvi um canarinho,
De certo não estava sozinho...
O que ele disse?
Padeiro
De poesia vou falar,
Na Serrinha conheci,
Um poeta popular,
Padeiro seu apelido,
Era sério e envolvido,
Com respeito todos tratava,
Sua família linda e amada,
Ouvia poesia em cantoria,
Tinha uma voz serrinhense,
Doce feito rapadura,
Da vida dura tirava os versos,
Que pena não foram impressos.
Na internete a rolar,
Uma linda coisa a declamar,
O amor pelos versos,
Pela cantoria...
Quando da vida se despediu,
Muita tristeza e choro nos envolveu,
Aos som dos versos foi velado,
A cantoria seguiu o cortejo,
Ainda lembro desse dia,
Estava com quem tanto amei não é mais,
Foi na casa de meus pais,
Que papai falou quanta homenagem bonita,
Quanta honra.
Se despediu da vida dura,
Deixou na memória o amor,
A poesia que tanto queira.
Só para não esquecer,
Sua família segue viva,
E o tempo esse tudo engole,
Nesse verso eternizo,
O grande poeta popular.
Serrinha dos Pintos potiguar
Sou potiguar e vou falar,
Nessa terra querida,
O berço de minha vida,
Onde aprendi a andar.
Sou da bela Serrinha,
Autoeste potiguar,
Pouco se sabe sobre lá,
Por ser pequena foi ruínha,
Terra de gente boa,
De beleza e alegria,
Que na lida não fica atoa,
Sou do canto da Serrinha,
Bairro da Serrinha grande,
Autooeste potiguar
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Gogh