Um ferreirinho relógio acerta as horas.
O sanhaçu afia a tesoura.
Um rixinó canta nos arbustos sob a mata.
Um bentivizinho deu ar da graça.
E a paz reina aqui
A concepção de mundo é subjetiva, sendo a experiência sua fonte capital. O mundo é representação. Então, não basta entender o processo aparentemente linear impressão, percepção e o entendimento das figuras da consciência. É preciso viver, agir e por vezes refletir e assim conhecer ao mundo e principalmente a si mesmo. Aprender a pensar!
Um ferreirinho relógio acerta as horas.
O sanhaçu afia a tesoura.
Um rixinó canta nos arbustos sob a mata.
Um bentivizinho deu ar da graça.
E a paz reina aqui
Amo o mel,
O mel tem um cheiro e um gosto que está relacionado a florada.
Ainda pequeno a coisa mais doce que provei não foi o sorvete, mas o mel.
As vezes, nossa vizinha nos dava um pouco.
Deve ser por isso que era tão gostoso.
Depois pude comer mel sempre que quisesse, mas agora não posso por conter muita glicose.
E outras coisas mais.
Sassá viajou para o interior. Ele ama viajar, ir para Serrinha dos Pintos. Viajamos na quinta. 16/10 e retornamos dia 21-10-25. Brincou com os primos Davi e Nikolas. Nós andamos nos matos, comemos coquinhos e cajus. Fomos a casa de tia Nina... Retornamos e já voltamos a rotina.
As vezes percebo os limites do mundo ou seria os limites do eu?
Olhando para um céu estrelado,
Olhando para a linha do horizonte no mar,
No perfume de uma lonicera,
Ouvindo Hakan Hardemberg.
A corneta me emociona ou será o momento em que é tocada.
Não sei.
Mas ouvir um golinho cantando ou um ticotico do campo me faz sentir a humaninade,
De tão agradável foi ouvir pela primeira vez e seguem sendo...
Para gostar de ler.
Sempre gostei de contos, crônicas e coisas do gênero, curtos de se ler. Gostava daqueles bem curtinhos nos livros paradidáticos de português. No ensino médio eu adorava aulas vagas para ir ler na biblioteca. Queria escrever algo. Recentemente morreu um gigante o grande Luiz Fernando Veríssimo. Cheguei a ler seus textos deliciosos no estadão. Gostava de Fernando Sabino, Clarice Lispector... Faz tanto tempo que nem me lembro mais. Restam algumas memórias. Só sei que gostava. Estou lembrando dum monte de coisas que gostava como doce de mamãe, continuo amando, mas não posso comer. Mel de abelha também.
Gostava de ganhar brinquedo. Achar uma fruta madura no pé, fosse um caju, uma pinha ou uma goiaba. Eu me achava esperto por saber encontrá-la.
Entre coisas de comer e coisas de ler... Gosto de ambas, dependendo da ocasião.
Gosto de agradar a planta sedenta com um pouco de água. É bom cultivar uma planta.
Tenho a mania de catar sementes por ai pelas estradas.
Coletei sementes de Canavalia e Anadenanthera...
É cada reflexo uma memória... A biblioteca do Joaquim Inácio, a cozinha de mamãe...
Tudo lá na minha terra tem sombra em mim.
Até algum dia desses.
Papai plantava cajaraneiras.
A cajaraneira não produz uma madeira boa e papai sabia disso, mas quando você usa uma madeira de cajaraneira está plantando uma nova árvore. Papai trabalhou muito para nos sustentar. Deu-nos o maior amor do mundo. Passando na estrada de um lugares que ele trabalhou, lá no parieiro, nas terras martinenses podemos ver uma cajaraneira crescendo na cerca. Eu sei quem plantou e me orgulho disso.
Foi papai quem plantou. Meu amor por papai é infinito.
Descortinada a vida!
Que me resta senão amar.
Amar meu filho, minha esposa...
Tudo o tempo dissolverá.
Tudo. Até lá vamos viver a graça que Deus nos dá a cada dia.
Tudo seco!
A mata dormindo se tinge de cinza.
Do macro ao micro.
As aves contentes cantam sem se preocupar se houve ou não inverno.
Cantam contentes, o galo de campina, o sabiá, o rixinó.
E o carcará contemplar a paisagem que parece torrada.
O vento da manhã venta suave e fresco.
A gente se sente bem.
A gente se sente bem quando está bem. E nada nos incomoda.
Despertei para a sucessão dos dias...
O que foi, está condenado a sumir.
Mesmo que as memórias existam são apenas sombras de uma realidade que deixou de existir.
Só
Esses dias em Serrinha de meus pais saia pra caminhar antes do sol nascer. A paisagem árida tingida de cinza. Até parece que o tempo havia tingindo tudo ou desbotado as cores vivas. As casas de minha infância, Chico Neco, João de Licor, Chico de Joana e Arthur Barreto... Já não há mais o amarelo poeira nos ramos secos, as curvas de brita ora brilha ora não são tão rápidos quem por aí passa.
Meu velho amigo João de Licor não olhas mais para o sertão... Resta a paisagem eterna paisagem. Segurando meu terço rezo as orações que aprendi com mamãe... Tudo agora é história. Caminho sem ter que chegar a lugar algum. Caminho pela fisiologia, caminho para pensar e tentar encontrar as memórias que estão aí. As casas de Benício Filho, as entradas das terras de Raimundo de Euzébio... O Joazeiro de Josimar, o alto do Barroso. Tudo é passado. Tudo é passado e em alguns anos este texto como tudo terá perdido o sentido, por falta de memória compartilhada.
Serrinha minha Serrinha.
Vi o último broque na terra de Raimundo de Euzébio ou de João de Janoca... Sim antes seriam tantos.
Agora busco um novo sentido.
Rezo.
E trago meu filho para cá pra não me sentir tão morto.
Papai, mamãe e nossos vizinhos se foram quase todos em alguns anos o tempo seifara nossa geração e esse texto pode ser o que restará e soará apenas como uma história e não a realidade que é.
Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...