sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Quando estou na minha casa

 Ontem na aceroleira que estava florida e enramada cantou um galo-de-campina.

Cantou por um bom tempo. Cheguei a pensar que era um bicho de gaiola.

Veio sábias se alimentar de uma banda de mamão.

Foi muito harmônico o último dia de 2025

Quando estou na minha casa

Enquanto varria o quintal, coisa que amava fazer para agradar a mamãe, foi atraído pelo canto do galo de campina. Pleno corrochiando com seu peito alvo e cabeça rubra ali a acerola pude contemplar ali do lado um sabia de laranjeira comia um mamão alaranjada.

Então, parei e sentei e me puz a pensar no tempo... Vasculhei minha memória, minha vasta memória, intuitiva memória.

E se passou o pensamento, e esvoaçou-se tudo...

Quando estou na minha casa

 A tarde quente me fez sentir vontade de comer uma manga congelada.

Após comer fui lavar às mãos e a boca. Ali na pia lembrei do dia que banhei o meu pai.

Me senti tão útil naquele dia. Poder ajudar aquele que fez tudo por mim.

Joguei o caroço no terreiro sob o pé de acerola. Ali a aceroleira está se cobrindo de folhas e flores.

Então uma bobó veio comer as sobras do caroço de manga. Aquele calor, aquela luz intensa me fez entender a eternidade de cada momento.

Aqui e agora.

Quando estou na minha casa

 A tarde quente me fez sentir vontade de comer uma manga congelada.

Após comer fui lavar às mãos e a boca. Ali na pia lembrei do dia que banhei o meu pai.

Me senti tão útil naquele dia. Poder ajudar aquele que fez tudo por mim.

Joguei o caroço no terreiro sob o pé de acerola. Ali a aceroleira está se cobrindo de folhas e flores.

Então uma bobó veio comer as sobras do caroço de manga. Aquele calor, aquela luz intensa me fez entender a eternidade de cada momento.

Aqui e agora.

Quando estou na minha casa

 Sai cedo para caminhar, tudo cinza, asfalto e vegetação salvo as juremas e os Juazeiros resistentes mostrando a beleza do verde esperança. Os angicos e as aroeiras imponentes expondo seu tronco e seus ramos nus sempre oferecendo um pouso, uma pausa de algum vôo.

No Juazeiro vi pousar um jovem carcará então pude contemplar duas magestades sertanejas. Caminhei sem parar até que algo me fez parar e contemplar. Aquilo me fez parar, mirar e contemplar. Seus ramos melados, de folhas lobadas bem espalhadas, toda florada. Tantos ramos, tantas folhas e 25 flores. Belas flores coroadas pelas arapuás visitadas...

Eram 25 flores perfumadas... Parei para contemplar, senti o perfume das flores de cheiro lilás... Senti uma profunda paz...

E tudo se foi.

Eterno momento aconteceu...

Essas coisas aí.

Quando estou em minha casa

 A saudade está aqui é a ausência da presença de quem sempre esteve presente. Ora é branda, ora é intensa. Aqui se intensifica no vazio deixado neste espaço e neste tempo. Nenhuma palavra ouço mais, sobraram apenas memórias que é a matéria do sentimento.

Mamãe e papai, vovó Sinhá...

O sentimento é afeto, é relação...

Saudades. Saudades. Saudades.

Francisco, Francisca...

Amanheço e entardeço e anoiteço.

Eternamente sou quem sou.

Canta vem-vem na Pinheira, canta rixinó na casa velha, canta sabiá na aroeira, canta cabeça-vermelho no cajueiro, canta...

Neste canto conto meu sentimento.

Sou... No imediato sou.

No imediato afirmo sou. 

Pinhas secas na Pinheira, ciriguelas na cirigueleira verdes, vermelhas.

A mata broiando.

O sino do vento de rocha de metal.

As vincas rosas e brancas...

São as marcas do tempo.

São as marcas do hoje, do agora do devir.

O céu eternamente azul, nuvens brancas de esperança.

Uma espiral em movimento...

Concluído este momento.

Memórias

A noite chegava lentamente. Na cozinha mamãe preparava a janta.

Na calçada da frente conversava com o papai. 

O calor ia cessando e o vento chegando. Logo papai se recolhia 

Quando estou em minha casa

 A cinza mata, o sol alto, a claridade e o calor intenso, a poeira. Um Juazeiro, um Jucá, uma aroeira, um angico e um mandacaru.

Olho e ouço  o meu entorno.

O que sinto? o que me incomoda e o que me faz sentir este momento.

Sinto calor, sinto um vazio, sinto algo que vai crescendo em mim. Alegria, felicidade, paz e algo humano que quero desvincular de mim, o incomodo.

Quero entrar em harmonia com o meio sendo angico, aroeira, Juazeiro, mandacaru e Jucá.

Olho a paisagem ao longe, olho a paisagem ao meu lado.

O que é tudo isso?

Ouço o vento ventando na mata.

Ouço um sabiá, um cabeça-vermelho, um bem-te-vi...

Me apresso em me proteger da estrada, um carro a passar, um olhar ou vários olhares... Que passa de repelente... Sou ignorado. Sou percebido.

O relógio conta o tempo, o sol conta o tempo como balão a subir o céu.

A mata adormecida.

Respiro fundo.

Sinto um vazio em mim. Vejo o vazio da estrada, da mata.

O espaço é infinito e o tempo é eterno.


O que é tudo isto?

Vida sendo vivida.


Existência e ser.


Um pensamento e mais nada.

Essas coisas aí.

Quando estou em casa

 Fim de 2025. Este ano foi muito seco. As chuvas foram poucas. Em outubro 17, quando estivermos aqui já estava muito seco. Nossa sorte é o açude do porção. Os dias são secos e muito quente. A vegetação está cinza apenas os Juazeiro, feijão-brabo e mandacaru estão verdes. Os angicos, aroeiras e cajaraneiras parecem árvores de cambito. As aves cantam animadas.

Estou cuidando das plantas que a mamãe deixou um jasmim-de-laranjeira, uma açucena e as espadas de são Jorge.

O terreiro está poeirento e avermelhado.

As vincas florescem e me sinto feliz com tudo isto.

Vivendo

 Sinto meu peito em paz. Fizemos uma viagem romeira a Canindé para apresentar São Francisco a minha esposa e ao meu filho. A viagem foi perfeita, apesar de cansativa. Fomos a Fortaleza e bom só deu para ver quão magestosa é aquela cidade. Fiquei muito feliz em passear com eles na praia de Iracema. Estou muito grato. A manhã despertou muito agradável. Fui com meu filho ao Porção onde ele conheceu meu primo França. A tarde vai caindo agradável. Ouço uma rádio grega enquanto leio Lucas um médico de homens e almas.

E assim o ano se fecha. Com muita gratidão por tudo vivido.

Mudança de estado

Sob o solo as raízes sustentam,  Um eixo cinzento, Um tronco que se ramifica sustentando folhas  Alternas em espiral, No ápice do eixo, Um c...

Gogh

Gogh