quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Limites

As vezes percebo os limites do mundo ou seria os limites do eu?

Olhando para um céu estrelado,

Olhando para a linha do horizonte no mar,

No perfume de uma lonicera,

Ouvindo Hakan Hardemberg.

A corneta me emociona ou será o momento em que é tocada.

Não sei.

Mas ouvir um golinho cantando ou um ticotico do campo me faz sentir a humaninade,

De tão agradável foi ouvir pela primeira vez e seguem sendo...

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Mistura

 Para gostar de ler.

Sempre gostei de contos, crônicas e coisas do gênero, curtos de se ler. Gostava daqueles bem curtinhos nos livros paradidáticos de português. No ensino médio eu adorava aulas vagas para ir ler na biblioteca. Queria escrever algo. Recentemente morreu um gigante o grande Luiz Fernando Veríssimo. Cheguei a ler seus textos deliciosos no estadão. Gostava de Fernando Sabino, Clarice Lispector... Faz tanto tempo que nem me lembro mais. Restam algumas memórias. Só sei que gostava. Estou lembrando dum monte de coisas que gostava como doce de mamãe, continuo amando, mas não posso comer. Mel de abelha também.

Gostava de ganhar brinquedo. Achar uma fruta madura no pé, fosse um caju, uma pinha ou uma goiaba. Eu me achava esperto por saber encontrá-la. 

Entre coisas de comer e coisas de ler... Gosto de ambas, dependendo da ocasião.

Gosto de agradar a planta sedenta com um pouco de água. É bom cultivar uma planta. 

Tenho a mania de catar sementes por ai pelas estradas.

Coletei sementes de Canavalia e Anadenanthera...

É cada reflexo uma memória... A biblioteca do Joaquim Inácio, a cozinha de mamãe...

Tudo lá na minha terra tem sombra em mim.

Até algum dia desses.


Amor de pai

 Papai plantava cajaraneiras. 

A cajaraneira não produz uma madeira boa e papai sabia disso, mas quando você usa uma madeira de cajaraneira está plantando uma nova árvore. Papai trabalhou muito para nos sustentar. Deu-nos o maior amor do mundo. Passando na estrada de um lugares que ele trabalhou, lá no parieiro, nas terras martinenses podemos ver uma cajaraneira crescendo na cerca. Eu sei quem plantou e me orgulho disso.

Foi papai quem plantou. Meu amor por papai é infinito. 

Da graça e com a graça

 Descortinada a vida!

Que me resta senão amar.

Amar meu filho, minha esposa...

Tudo o tempo dissolverá.

Tudo. Até lá vamos viver a graça que Deus nos dá a cada dia.

 Tudo seco!

A mata dormindo se tinge de cinza.

Do macro ao micro.

As aves contentes cantam sem se preocupar se houve ou não inverno.

Cantam contentes, o galo de campina, o sabiá, o rixinó.

E o carcará contemplar a paisagem que parece torrada.

O vento da manhã venta suave e fresco.

A gente se sente bem.

A gente se sente bem quando está bem. E nada nos incomoda.

Despertei para a sucessão dos dias...

O que foi, está condenado a sumir.

Mesmo que as memórias existam são apenas sombras de uma realidade que deixou de existir.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Tudo que resta

 Esses dias em Serrinha de meus pais saia pra caminhar antes do sol nascer. A paisagem árida tingida de cinza. Até parece que o tempo havia tingindo tudo ou desbotado as cores vivas. As casas de minha infância, Chico Neco, João de Licor, Chico de Joana e Arthur Barreto... Já não há mais o amarelo poeira nos ramos secos, as curvas de brita ora brilha ora não são tão rápidos quem por aí passa. 

Meu velho amigo João de Licor não olhas mais para o sertão... Resta a paisagem eterna paisagem. Segurando meu terço rezo as orações que aprendi com mamãe... Tudo agora é história. Caminho sem ter que chegar a lugar algum. Caminho pela fisiologia, caminho para pensar e tentar encontrar as memórias que estão aí. As casas de Benício Filho, as entradas das terras de Raimundo de Euzébio... O Joazeiro de Josimar, o alto do Barroso. Tudo é passado. Tudo é passado e em alguns anos este texto como tudo terá perdido o sentido, por falta de memória compartilhada.


Serrinha minha Serrinha.

Vi o último broque na terra de Raimundo de Euzébio ou de João de Janoca... Sim antes seriam tantos.

Agora busco um novo sentido.

Rezo.

E trago meu filho para cá pra não me sentir tão morto.

Papai, mamãe e nossos vizinhos se foram quase todos em alguns anos o tempo seifara nossa geração e esse texto pode ser o que restará e soará apenas como uma história e não a realidade que é.

Cintilante

 A manhã crescia no sertão. O vento soprava frio tingindo a vegetação de cinza.

Ouvi o canto do acauã.

O cheiro da cinza da mata queimada,

O chão queimado...

Na beira da mata varando o céu os galhos abertos ao céu...

Do alto de um galho cantava a acauã. Seu canto continuo e intermitente ia e era respondido da mata...

Parei e fiquei contemplando e me vieram memórias do Boqueirão, do meu pai. E enquanto vivia aquele momento rítmico.


Acauã acauã acauã.


O céu tão azul 

A mata tão cinzenta.


Eu mergulhado em meu ser,

No mundo,

No tudo e no nada.

Velho e novo

 Hoje, passei em frente a um broque queimado.

O cheiro da cinza da madeira queimada.

A nova roça de Chico de Beta.

Uma das últimas em nossa região,

O fechamento e o fim de um ciclo de existência.

Os anos vividos devorados em minutos...

Vi e ajudei tantas vezes papai a queimar, plantar e cultivar nossa terra.

Desperto de telhas memórias.

Versos secos

 A linda caatinga, 

A secura,

O solo seco empoeirado,

As rochas brilhando,

Os trocos cinzentos,

Os angicos de ramos espalhados no céu.

A aroeira exausta da carga,

O enxerco torturando as pinheiras,

O cinza tremendo na mata.

E nós sentindo tudo isso.

Empatia

A cachorra latiu e me lembrei algumas vezes, o cachorro latia e aí chegava Eliene com alguma novidade doce. Havia essa troca. Mamãe também as vezes agradava. A gente era criança e nem sabia dessa empatia que é ser pai

 O verão árido no sertão. A vegetação nua está cinza a adormecida estão as sementes, arbustos e árvores. O anjico armado, a aroeira inerme. Belas árvores. O carcará calado a contemplar a paisagem no Cimo das árvores, os cancões malhados a vocalizar.

A manhã fresca que logo acende com o sol. A tarde ardente e escaldante. As noites escuras e estreladas a resfriar o calor do dia...

Esse ir e vir que preenche o dia de luz e sombra...

E esses dias que preenchem nossas vidas.

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

Gogh