É sertão porque está em meu coração.
Vejo o paraíso e o purgatório em suas estações.
A concepção de mundo é subjetiva, sendo a experiência sua fonte capital. O mundo é representação. Então, não basta entender o processo aparentemente linear impressão, percepção e o entendimento das figuras da consciência. É preciso viver, agir e por vezes refletir e assim conhecer ao mundo e principalmente a si mesmo. Aprender a pensar!
Chegamos em casa. Tanta sequidão. O cachorro sherlock veio nos recepcionar feliz. As árvores todas tão sofridas. O coqueiro perdendo as folhas. Os catolés nus. A pinheira usurpada pelos encheiques. Os cajueiros sem uma fruta. O jasmim de laranjeira sofrido. Tudo tão estio. Meu Deus, olha por nós. Contigo tudo suportaremos, mas o tempo, tomará nossas vidas... Esse céu azul, essa terra poeirenta e quente, essa casa únicos como nós. Nosso espírito se move como a vida se move. Baixamos as coisas, trocamos as coisas e almoçamos, e nos sentimos felizes. Tudo é um devir...
Ontem viajamos. Sassá nem reclama. Saímos antes das 5 horas. Chegamos na casa da tia Li ao meio dia.
E aqui ficamos juntos o tempo todo. Fomos ao mercado. E estamos aqui curtindo esse intenso calor.
Então ao perceber que tudo é passageiro.
Ao perceber que tudo está em mudança constante.
A saber que tudo é devir.
Como racionalizar essa informação?
Como intuir e transformar em sentimento este fato?
Há alguma possibilidade ou continuaremos sendo orgânicos ou naturais para a vida toda?
Outubro de 2025.
Ontem arriou uma grande árvore de copiúba aqui ao lado do departamento DBM e DSE, da UFPB.
Copiúba pertence a família do caju e da manga e do umbu e do cajá, Anacardiaceae.
Seu nome é Tapirira guianensis. Depois de vários anos produzindo flores e frutos seu ciclo chega ao fim.
Prestou muito serviço retendo carbono nas suas folhas, ramos, tronco e raízes.
Assim morre mais uma árvore e não teremos reposição.
Fui com Sassá ao mercado e ele me pediu para comprar kiwi. Perguntou se era caro e respondi que sim. Comprei só dois para ele provar. Pediu-me ainda um bolo de chocolate. Fizemos as compras e ele saiu satisfeito. Disse que só dava para comer em casa porque precisava descascar. Ele entendeu. Em casa, a mãe descascou e ele comeu. Até me ofereceu. Perguntou porque o kiwi era verde radiado. Respondi que era a forma de disposição das sementes. Depois fomos desenhar. Disse que queria desenhar animais do Japão. Desenhou um cervo, um panda e depois fui banhar ele e fomos para a cama.
Olhando para a mata, percebi a alma de gato que ao voar pousou na sucupira. Não estava muito claro, mas vi. Ela vocalizou e voou novamente. Vi e ouvi a alma de gato. Será o mesmo indivíduo que ouço sempre?
Deitei na cova a semente do feijão e da fava.
Terra nova e queimada,
Com trabalho preparada.
Cada semente uma esperança,
Da fartura e de sustento,
Meu pai trabalhava sem parar,
Para em nossa casa nada faltar.
Tirando da terra o sustento,
Disseminando seu ensinamento,
Que com fé e trabalho,
Não há de faltar provento,
E aos risos e graças cultivava
O que comia,
A gente vivia com alegria.
Um triângulo figura aguda,
Um quadrado figura isomorfa,
Um pentágono figura estelar.
Um hexágono figura tridimensional
Acima, abaixo, a direita, a esquerda, para frente e para trás.
Que é tudo isso?
Em setembro a gente tinha uma horta com cebolinha e coentro e alface. Papai montava a horta que era feita de vara de marmeleiro e estacas de Jurema. Eu pegava água no alívio pra mamãe agoar as plantas. Subia aquele cheiro de coentro perante o sol brilhante. A água beijava o paú e se doava a cada planta.
Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...