terça-feira, 21 de outubro de 2025

Sertão

 É sertão porque está em meu coração.

Vejo o paraíso e o purgatório em suas estações.

O espírito

 Chegamos em casa. Tanta sequidão. O cachorro sherlock veio nos recepcionar feliz. As árvores todas tão sofridas. O coqueiro perdendo as folhas. Os catolés nus. A pinheira usurpada pelos encheiques. Os cajueiros sem uma fruta. O jasmim de laranjeira sofrido. Tudo tão estio. Meu Deus, olha por nós. Contigo tudo suportaremos, mas o tempo, tomará nossas vidas... Esse céu azul, essa terra poeirenta e quente, essa casa únicos como nós. Nosso espírito se move como a vida se move. Baixamos as coisas, trocamos as coisas e almoçamos, e nos sentimos felizes. Tudo é um devir...

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Calor

 Ontem viajamos. Sassá nem reclama. Saímos antes das 5 horas. Chegamos na casa da tia Li ao meio dia.

E aqui ficamos juntos o tempo todo. Fomos ao mercado. E estamos aqui curtindo esse intenso calor.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Razão

Então ao perceber que tudo é passageiro.

Ao perceber que tudo está em mudança constante.

A saber que tudo é devir.

Como racionalizar essa informação?

Como intuir e transformar em sentimento este fato?

Há alguma possibilidade ou continuaremos sendo orgânicos ou naturais para a vida toda?



































 

Tapirira

 Outubro de 2025.

Ontem arriou uma grande árvore de copiúba aqui ao lado do departamento DBM e DSE, da UFPB.

Copiúba pertence a família do caju e da manga e do umbu e do cajá, Anacardiaceae.

Seu nome é Tapirira guianensis. Depois de vários anos produzindo flores e frutos seu ciclo chega ao fim.

Prestou muito serviço retendo carbono nas suas folhas, ramos, tronco e raízes.

Assim morre mais uma árvore e não teremos reposição.

Cotidiano

 Fui com Sassá ao mercado e ele me pediu para comprar kiwi. Perguntou se era caro e respondi que sim. Comprei só dois para ele provar. Pediu-me ainda um bolo de chocolate. Fizemos as compras e ele saiu satisfeito. Disse que só dava para comer em casa porque precisava descascar. Ele entendeu. Em casa, a mãe descascou e ele comeu. Até me ofereceu. Perguntou porque o kiwi era verde radiado. Respondi que era a forma de disposição das sementes. Depois fomos desenhar. Disse que queria desenhar animais do Japão. Desenhou um cervo, um panda e depois fui banhar ele e fomos para a cama.

Será

 Olhando para a mata, percebi a alma de gato que ao voar pousou na sucupira. Não estava muito claro, mas vi. Ela vocalizou e voou novamente. Vi e ouvi a alma de gato. Será o mesmo indivíduo que ouço sempre? 

Soneto do contentamento

 Deitei na cova a semente do feijão e da fava.

Terra nova e queimada,

Com trabalho preparada.

Cada semente uma esperança,


Da fartura e de sustento,

Meu pai trabalhava sem parar,

Para em nossa casa nada faltar.

Tirando da terra o sustento,


Disseminando seu ensinamento,

Que com fé e trabalho,

Não há de faltar provento,


E aos risos e graças cultivava

O que comia,

A gente vivia com alegria.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Orientações

 Um triângulo figura aguda,

Um quadrado figura isomorfa,

Um pentágono figura estelar.

Um hexágono figura tridimensional

Acima, abaixo, a direita, a esquerda, para frente e para trás.

Que é tudo isso?

Horta

 Em setembro a gente tinha uma horta com cebolinha e coentro e alface. Papai montava a horta que era feita de vara de marmeleiro e estacas de Jurema. Eu pegava água no alívio pra mamãe agoar as plantas. Subia aquele cheiro de coentro perante o sol brilhante. A água beijava o paú e se doava a cada planta.

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

Gogh