sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Saracura

 A saracura cantou hoje cedinho.

A última vez que a ouvi cantar aqui em casa de papai.

 Essa última vez marcou Antônio de Doquinha estava aqui conosco.

Papai ouviu, mamãe ouviu, Antônio ouviu e eu ouvi.

Éramos espectadores ou a saracura era uma espectadora.

Três potes... Três potes... Três potes...

A saracura está adivinhando chuva.

Tá tudo tão seco.

Essa chuva

 A chuva veio no verão intenso.

Foi uma chuva providencial.

O céu azul e o calor caustico,

Estava insuportável.


As nuvens anunciaram pela manhã,

E a tardinha a chuva caiu.


A natureza, o solo, as árvores,

Agradeceram essa chuva.

Lembrança imediata

 Em Julho de 2001 fui pela primeira vez em casa de papai onde não o encontraria jamais. Nossa casa fica no Rio Grande do Norte, Serrinha dos Pintos. Foi uma sensação profundamente dolorida. Todavia duas coisas novas eram apresentadas a casa e a minha mãe. Foi a coisa mais valiosa do mundo para mim, meu filho Vinícius e nosso carro, fetonte. Apesar da dor da ausência de papai, minha mãe De Assis ficou muito feliz e orgulhosa. Ela me deu um terço e colocamos no carro. Ele era fraco e quebrou, guardei comigo as contas e a cruz e deixei ali, ao lado da minha escrivaria. Vi mamãe muito feliz, intensamente feliz com a vida, feliz pelas minhas conquistas, pelas nossas conquistas. Só o amor explica nossa devoção por nossos filhos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Infantil V

Estas semana Sassá teve início a seu terceiro ano de vida no estudantil. Agora está no Infantil V. Está na escola Carl Rogers. Estava muito ansioso e não via a hora de começar. Uma nova sala, uma nova professora, novos coleguinhas... a preparação dos material e rever os amigos... a soma disto deixaram-no ainda mais ansioso. As aulas tiverm início no dia dois de fevereiro de 2026. Fomos deixar na escola eu e a mamãe. Já compramos a farda nova e já saiu da sala de assuntos financeiros vestidinho. Tiramos fotos no painel... Bom a sala será a primeira logo na entrada, não mais aquela em frente ao banheiro do infantil III. A professora será Aldenir e não mais Jamile. Está muito contente. Que meu bom Deus abençoe o meu menino nessa nova jornada. Que venha a leitura.  

Somos juremas

 Na vasta paisagem cinza,

Juremas pretas crescem,

Suas folhas ora dorme ora trabalha,

Ramos finos, vinhos e armados.

Bruta a jurema resiste a seca,

Resiste ao sol,

Resiste ao calor,

Resiste a boca do bicho...

Trabalha sem parar sempre a crescer.

Tosca a jurema farpada,

Um dia trabalha na beleza,

Numa manhã após preparada,

Amanhece perfumada e ornamentada,

Suas flores roubam a cor prateada da lua...

Sua essência se mostra em plenitude,

A maior parte do tempo é bruta,

O tempo e o lugar assim a tornaram,

Mas resiste a tudo e mostra que ali também há beleza, perfume e luz.

Somos juremas?

A vida

 A vida que se segue,

Segue sem parar,

No peito cordial a pulsar,

Bate bate sem parar.


A vida de fora,

Moída nos pensamentos,

Nas comparações,

Na existência em si e para si.


A  gente se cansa da vida,

A gente parece esgotado,

Desta lida repetida,

Desta lida eterna...


Nossas lutas,

Nossas labutas,

Nossas ideias...


Tudo num só corpo,

Tudo num só ser,

E num momento deixa de ser.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infância por viver. Tem os primos Davi e Nicolas. Aqui tem o meu afeto.

Um dia de paz

 Olho através da paisagem árida onde falta verde e sobra cinza. Olho como quem contempla o universo inteiro. Em cada parte está o todo. Não é sobre a paisagem, mas sobre nós mesmos.

Na paisagem vejo elementos que parecem mortos, mas não estão mortos, apenas dormem.

Um cajueiro antigo, as Pinheiras, as palmas que meu pai tanto cultivou, o sítio que amou e cuidou. Essa terra que ele plantou e trabalhamos juntos.

O tempo consumiu e nos consome. Ah. O tempo... Ei ê. A vida esse fabuloso mistério essa doce ilusão. A vida é devir. Pensar sobre isso pra que. Pensar é está doente dos olhos. 

Abro os olhos e a luz do sol mostra tudo numa plena nitidez. Abro os olhos e já não penso. As aves ah as aves. Balança-rabo, cebinho de olhos melados, fim-fim, rixinó.  Cada um nos seus afazeres do dia. A esperança de algo melhor...

Um casaca-de-couro corrochia longe. Lembro do Pica-pau enorme que vi na mata, lembro que nunca tinha visto antes, lembro do sabiá cantando na aroeira com o peito estufado e asinhas abertas...

Vejo o vem-vem na pinheira parece estar plantando sementes de phoradendron ou caçar insetos. Sei lá. Lembro de vó Chiquinha... Mamãe.


E o vazio se preenche de esperança.

Fluxo do tempo

 Após uma longa seca, ontem à tarde, 22 de dezembro 25, finalmente caiu uma chuvinha. O tempo esfriou e a noite nasceu nublada. À noite, antes de dormir, trovejou muito. Dormi a noite inteira. Agora que acordei e fiz minhas rezas, estou a contemplar o mundo com os ouvidos e com a pele. Ouço tudo que acontece lá fora os veículos a passarem na estrada, e todos os pássaros a cantarem, sanhaços, cabeça-vermelhos, rixinó... O tic-tac do relógio, o zunido do ventilador. Sinto o frescor da manhã nova que chegou e vai me dando tempo e graça de vida. É quase a última semana de mais um ano.

Estou muito grato com o ano que vivi.

Meu filho está forte e feliz, já está quase lendo.

Tudo em minha vida é uma benção.

A existência é um fenômeno.

Ser é existir.

Existir é intuitivo, é imediato...

Rio a fluir

 A noite de hoje caiu totalmente diferente de ontem.  Fresca, nublada e suave. O chão enxombrado, as folhas molhadas, o aroma de chuva...

E a sensação que sinto é de esperança e aconchego e paz.

O eu

 O espaço, O tempo, O ser e sua existência, Um ontem, Um hoje, Um amanhã. Aqui, Ali, Acolá, Agora. Eterno tempo, Infinito espaço. Eu... Intu...

Gogh

Gogh