sábado, 20 de dezembro de 2025

Passando

 Céu nublado com nuvens de chuva.

O tempo está quente, mas o vento está fresco.

Senti-me numa cadeira e ouço um caburé cantar longe.

Descalço saio da sala e vou a cozinha beber água.

O chão frio refresca o calor.

Encho um copo Roza de água fresca. Enquanto bebo sinto o corpo refrigerar.

Olho lá fora na área onde está creo o louro e vejo um rixinó marrom, com listrinhas pretas está faltando em direção ao quarto.

Mudo a vista e vejo uma vasilha cheia de mangas amarelinhas

Então volto e sento na cadeira e isso é tudo.

Coisas do tempo

 Este ano de 2025 foi extremamente seco e as chuvas foram escassas. Estamos no fim do ano. Hoje é 19 de dezembro. A mata está extremamente seca. A mim, não há novidade nisto. Já vivi tantas vezes esse fenômeno da seca. Apesar de tudo, a mata guarda suas belezas. O terreno está limpo. Foi limpo para usar o mato como forragem. Sai e fui até a mata olhar. Triste vi o João mole morto pelo fogo, vi o angico queimado... Vi troncos mortos. Fui até a borda da mata. No chão limpo encontramos sementes de fava. Então senti um cheiro gostoso e doce. No instante pensei que fossem flores de Juca. Fui até um pé de Juca ao lado de um Gonçalo-alves. 

Não era, foi quando percebi que era o angico que papai preservou. Vi que quase o fogo o havia consumido.

Vi o Jucá que papai e eu salvamos...

Senti saudades de papai, mas estou feliz pela presença de Vinícius. Falei do papai para o Vinícius. Ele viu coquinhos e pediu que quebrasse para comer um. Quebrei vários e nós comemos e voltamos pra casa.

Resistência

 Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.

Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.

O cuidado enche o espírito de força e energia para perpétuar a existência.

Férias

 Sassá está solto no mato. Já fizemos várias coisas. Fomos ao açude, andamos no mato, comemos coquinhos catolés, jogamos pedra, olhamos os porcos, contamos os porcos, olhamos o gado. A gente acorda cedo, agoa as plantas, são poucas... a gente andou com sherlock no mato. A gente desenhou, foi comer espetinho... Rimos, brincamos...

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Da dedicação de mamãe a família.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois engrandeceu.

Nossa casa foi baixa e depois cresceu.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Eterno lugar meu lar

 Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha casa paterna.

Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha terra natal.

Bem longe da capital,

Bem longe de Natal,

O frescor da terra,

O cheiro do mato,

O canto dos sanhaçus, papacus, bem-ti-vis, o canto do João-de-barro.


Tudo tenho aqui tudo.

...

Aqui mora minha alegria,

Aqui vivo uma poesia.


Aqui é o meu lugar...


Aqui tudo é pleno.

Aqui tudo é sereno.


Aqui vive plena minha percepção.

Aqui vive plena minha razão.


Vivo o dia claro

E vivo a noite escura.


Aqui vive o catolé,

Ipê e cajueiro,

Angico e marmeleiro,

Aroeira e Juazeiro.


Aqui, nossas famílias se misturaram,

E nos fizeram...


Com o barro como Deus nos fez,

Nós fizemos nossas moradas.


Com o sopro como Deus fez a vida,

Nós rezamos nossas orações,

Preenchendo nossos corações 

De bons sentimentos,

Nós nos humanizamos,

E pecamos e pedimos perdão...


Aqui é nosso lar.

Vou parar para ouvir o canto de ouro cantar,

Parar para ouvir o cabeça vermelho trovar, o canção chamar, o vem-vem avisar e o loirinho grosnar.


Aqui é o meu lugar.

Lugar onde me fiz quem sou...


Aqui sou o que sou...

Massa moldada das mãos do senhor.


No seio amado por ele gerado de papai  Francisco e mamãe Francisca.


Aqui fui criado.

Aqui fui educado.

E hoje calado 

Canto para que jamais esqueça 

Que o melhor lugar do mundo 

É onde foi gerado,

Onde foi amado,

Onde foi criado.


A sua terra natal.

Mangangá anoitecendo

 Anoitece suavemente,

A quentura se desfalece,

A mamangava segue seus sentidos,

Voando em direção ao cheiro da flor,

Zoando, zigue-zagueando...

Segue as flores de feijão bravo 

Encontra uma a uma,

Beija uma a uma...

Já não vejo as plantas,

Nem as abelhas

Vejo a silhueta,

Ouço o zunido, 

O zunido de seu vôo ao voar e a beijar as flores que estão acolá.

Rosa um evento

 O ano inteiro a roseira trabalhou.

Então algo aconteceu 

E na roseira um botão apareceu,

E foi crescendo,

Acontecendo,

O botão cresceu, 

E assim a rosa floresceu...

Rubro vivo,

Perfumado rubro,

Macio rubro,

Rubro simétrico,

Pluripétalo rubra...

Efêmero momento.

Intenso e eterno momento...

No extremo da existência germina

O início da inexistência...

Então a entropia 

Foi se delineado para o fim.

E o fim aconteceu.

Momentos depois 

Tudo voltou ao início.

Sassá na Serrinha

 Sassá viajou. Está na casa da tia Li. Ontem foi um dia de canseira. A viagem de João Pessoa a Serrinha é longa. Saímos do litoral da mata atlântica e cruzamos a caatinga no cariri e sertão da Paraíba. Subimos a borborema, passamos na rainha da Borborema Campina Grande, comemos os pães doce em São José da mata. Passamos na linda igreja de Santana, uma das mais lindas fachadas... Passamos em Joazeirinho, a charmosa Junco do Seridó. A linda cidade da Santa Luzia, São Mamede e Patos onde abastecemos. Seguimos até Malta, onde fomos ao novo Santuário da Paraíba, compramos queijo em Condado, fomos embora por São Bentinho, demos um olá na terra dos grandes paraibanos Arruda Câmara e Celso Furtado, terra de Helena Candeia a querida Pombal. Depois subimos no sentido Gericó, Mato Grosso, a terra dos donos do Bem Mais Riacho dos Cavalos e a terra de Chico Cesar... Fomos cair no Rio Grande em Patu...

E por Fim Serrinha minha terrinha.


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Devir

 Numa manhã tudo terá passado.

E o sentido terá terminado.

Em uma manhã o que se mostrou,

Já não existe.

E nós que seremos?

Ver tantas vezes esse movimento.

Não dá para entender que tudo está mudando.

Tudo é devir.

Cedo ou tarde chega-se ao fim.

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

Gogh