Somos a soma viva de todos nossos antepassados que já existiram.
Somos impares.
Somos eternos.
A concepção de mundo é subjetiva, sendo a experiência sua fonte capital. O mundo é representação. Então, não basta entender o processo aparentemente linear impressão, percepção e o entendimento das figuras da consciência. É preciso viver, agir e por vezes refletir e assim conhecer ao mundo e principalmente a si mesmo. Aprender a pensar!
Somos a soma viva de todos nossos antepassados que já existiram.
Somos impares.
Somos eternos.
Nem percebi, mas aconteceu,
Do ramo surgiu um botão,
E do botão a rosa desabrochou,
O botão calado e tímido,
Passou desapercebido,
A rosa! se mostrou toda,
Se derramou em beleza,
Em simetria, em cor, em perfume e em maciez.
Por se mostrar de mais a rosa foi colhida,
Despetalada, devorada.
O botão teve plena sua existência,
Já a rosa!
Dependeu da sorte da vida.
Boa ou má sorte?
Não se percebeu o início,
Mas estava lá a se dividir
Mas estava lá a se multiplicar,
Da gema, cresceu um botão...
Por dias a se preparar,
Cresceu sem parar.
Um dia do nada,
A flor desabrochou,
Numa antese triunfal,
O botão se fez flor,
A flor negou o botão,
Em plenitude de beleza,
Pétalas encarnadas,
Pétalas perfumadas,
Pétalas macias,
Com os olhos devorava a beleza,
Com o nariz devorava a beleza,
Com os dedos devorava a beleza,
Foi só um dia de plenitude,
Apenas um dia de existência,
A rosa logo desapareceu,
Enquanto outros botões
Geravam as rosas,
Então! vale a pena plantar,
Vale a pena cultivar,
A existência é um fenômeno.
Ontem foi o primeiro dia de férias de Sassá. Com ele a casa fica cheia o tempo todo. Tudo muda de lugar. Inclusive nossas mentes ficam uma bagunça. Nós íamos ao dentista, mas não deu certo. Assim saímos para ir trocar os pneus no borracheiro Nil, no Castelo Branco. Fomos conversando, distraindo. Sai das três ruas, pega a avenida do contorno e ai vemos a mata e a universidade. Amamos! E ele pergunta mais uma vez, de 1001, quais os bichos estão ali... falo os que conheço. Vamos indo até o lugar. Lá, só observou. Ficou quieto e muito atento ao serviço. Não quis sentar-se no meu colo, preferiu o banco ao lado. E fiquei ali, abraçando e cheirando. Foi rápido. Então voltamos para casa e ele nem pode sair para caminhar comigo. A mamãe não deixou por ele está com uma tosse. Ficou lendo a turma da Mônika.
Gosto do meu trabalho! Às vezes me pergunto como tudo aconteceu. Eu que na minha adolescência imaginava impossível passar no vestibular numa federal. Mas aconteceu e estou aqui.
Gosto do silêncio do campos, mas não é o silêncio do fim de semana ou dos dias feriados.
Não é o silêncio que promove os primeiros momentos da manhã. Aquele momento em que a mata ainda tem sombra de fria. Os portões recém abertos, o estacionamento vazio. Os meninos que lavam carro ainda estão tomando o café e conversando. Os terceirizados estão batendo os pontos e ou chegando e ocupando os recintos. Dentre eles tem Josenildo meu amigo e parça. A gente conversa sobre coisas triviais até chegar no Departamento. Então vou pra minha sala e tenho o silêncio. Não pense que sou o primeiro a chegar e a gostar disso! Não, Rivete, o professor de anatomia Vegetal, chega primeiro. Bem na minha sala, penso, escrevo e leio sob o silêncio ou o canto das aves. Contemplo a mata, a aroeira fernanda. E o meu dia vai ganhando forma, luz e paz.
Minha vida mudou tanto quando passei para o ensino médio. Fui estudar a noite em Martins no Joaquim Inácio. Tive excelentes professores.
Um deles era uma professora, Oneide. Minha professora de português. Não tive dificuldade com ortografia, tive e tenho com a sintaxe. Enfim, adorava as aulas com os textos e suas análises. Gostava de escrever no caderno e ver ela escrevendo no quadro. Ela tinha cabelo curto, uma voz pensativa e gostosa de se ouvir. Havia uma áurea de experiência e amor pelo ensino. Um texto maravilhoso e marcante que nos passou foi o texto rua dos cata-ventos de Mário Quintana...
Nas tarde fagueiras, na minha cadeira de balanço, no corredor da biqueira, li e reli tantas vezes, as rimas, os sentidos e a solidão.
Aquele texto marcou para sempre na minha vida. Procurava e não encontrava e nem sabia que rua dos cata-ventos é um livro com 17 sonetos. E que o soneto que conheci foi o soneto II. Recente comprei um livro de poemas de Mário Quintana e descobri essas informações.
Estou descobrindo a genialidade ou a sensibilidade daquele maravilhoso poeta. Estou concomitantemente lendo o DNA do nordeste do poeta Lino e um livro de poemas e imagens de Wandenberg Medeiros. Já li Neruda, mas faz tempo que não leio.
Recentemente conheci a poesia de Waldir Teles... E conheci pessoalmente a poetisa Lizbethe Oliveira e converso sempre com o poeta Anacleto!
Em meio a este universo concreto e abstrato vou tentando dar alguma matéria para meu espírito construir alguma coisa.
Acho que em meio a estes busco temas que sejam universais.
Descobri ou redescobri o poeta de nossa cidade Martins Eliseu Ventania, que foi um grande cancioneiro...
E falar o que de Patativa do Assaré?
E falar o que de Borges?
O que afinal forja um poeta!?
Que falar de Drummond?
Manuel Bandeira?
Tiago de Melo?
Manuel Bandeira?
João Paraibano?
Pinto de Monteiro?
Estou apenas descobrindo...
Uma vida não seria suficiente...
E o grande Leonardo Bastião?
E Padeiro?
...
Salvo o absoluto...
E entender que tudo foi gerado numa aula de português?
Numa mente jovem com vontade de vencer.
Numa mente que acreditou numa ideia.
Que a palavra tem poder de mudar o ser.
Mestre Oneide!
As suas aulas me encantaram mesmo sendo pura abstração...
Mario Quinta naquele poema me fez viajar e agora terminado esse universo.
Hoje é o dia de nossa senhora da Conceição.
Padroeira da minha cidade natal primeira Martins no Rio grande do Norte.
Minha avó sempre ficava feliz neste dia.
Era um dia de festa na época da avó, da mãe dela e de mamãe.
Eu não tive essa cultura, mas sei que mamãe gostava de celebrar a festa da padroeira de sua vida antes de nós.
Assim, peço bençãos e proteção de nossa senhora da Conceição.
O sol acendeu a manhã.
O vento afaga a manhã.
As aves cantam para a manhã.
O silêncio,
A palavra,
A contemplação.
Que fazer com tudo isto?
O sol aquece a manhã,
O vento refrigera a manhã,
As aves sentem o sol,
As aves sentem o vento,
Ora calam,
Ora cantam.
Eu que não faço nada
Apenas sou.
Apenas estou sendo,
Quando tu leres pode ser que ainda seja ou não.
Atemporal é eterna é a manhã.
Semear o amor,
Aqui, alí e aculá,
E encontrá-lo na flor
Ou no riso do bebê,
É muito fácil.
Encontrar o amor
Na dor, na fome,
No choro isso é impossível,
Nesses momentos é preciso doar o amor...
Encher nosso peito de amor
E doá-lo sempre...
Estimularmos sempre
Para que sejamos amor.
Semear e cultivar o amor
E assim colher e doar amor.
Sábado, um 07 de dezembro, dia após a última aula do ano de 2025. Sentei com Sassá para ler e desenhar o amigo coala e a saga de sua arca. Livro encantador chamado "a Arca do Coala". Nós lemos e desenhamos os personagens. Foi encantador ver que o coala apresenta em suas mãos a divisão de três dedos sendo organizados dois para um lado e três para o outro diferente de nós que temos o polegar e os outros quatro. Só observação. O que me chamou a atenção foi o fato de Sassá ter aprendido a ler, timidamente, mas leu a primeira palavra. A poucos meses ele entendeu quando sua mãe pronunciou para mim a palavra V A- C I- N A. Fiquei radiante porque usamos a letra B e ele repetiu várias palavras com a letra Bola, belo, Beleza... Está quase lá. Depois desenhamos a garça bico de Sapato... E assim foi a manhã embalada em aprendizagem.
Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...