sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Lá fora

 Havia unidade aquela ingênua unidade, um pouco de imanência. Sabia da transcendência do mundo via razão e não via experiência. O lugar mais distante que havia ido era Alexandria. E já sabia que a grande fonte de conhecimento era a  percepção. Eu imaginava o mundo. 

Agora sei que cada lugar tem suas peculiaridades e a gente se acostuma com esta, mas nunca a domina...

A gente vai absorvendo o mundo, todavia não chegamos a conhecer o mínimo dessa unidade que é o absoluto.

Leituras

Um pouco de paz.

Sentava na cadeira de balanço. Abria um livro e deitava a vista a leitura. E queria devorar aquelas ideias tão maravilhosas.

A dois metros dali a luz do sol torrava a poeira. A sombra da algaroba amenizava o calor da tarde. Mamãe roncava seu cochilo sagrado. Daqui a pouco vovó se levantava e como quem anda tateando sai a porta e olhava o mundo. Com um olhar de quem já viu tanta coisa e de quem sabe o que é a vida. Saia e olhava o mundo através de seus óculos e sua boca que já perdera a força das mandíbulas. 

E a tarde caia assim eu dividindo a atenção entre o livro, minha avó sinhá e o mundo.

E a tarde caia quente...

Reencontro

 Encontrei de novo a poetiza, esposa de meu professor Paulo Marinho. 

Seu nome Lizbete Oliveira...

Quando a encontrei, o que vi e a mostrei?

Um buquê de flores de sambucus...

Contemplamos o cheiro.

Confluência ela falou, não coincidência.

Ela falou que sua mãe falava de uma mata de sabugueiro entre Solânea e Bananeiras.

Devia ser muito perfumado...

Deveras.

Refletimos muito nossas ideias.

Coincidentemente estávamos no mesmo tom, verde.

Quase a conversa não terminava e nunca vai terminar,

É bom conversar com quem pensa como a gente, valoriza as mesmas coisas...

A poesia, sinestesia, alegrias e o amor pela vida....

Razão inconsciente

  Nas três ruas vi um canarinho,

Tão amarelinho.

Olhei para ele

E ele me olhou...

O que ele viu?

Era tão bonitinho.


Hoje na UFPB,

Ouvi um canarinho,

De certo não estava sozinho...


O que ele disse?

Padeiro

 De poesia vou falar,

Na Serrinha conheci,

Um poeta popular,

Padeiro seu apelido,


Era sério e envolvido,

Com respeito todos tratava,

Sua família linda e amada,

Ouvia poesia em cantoria,


Tinha uma voz serrinhense,

Doce feito rapadura,

Da vida dura tirava os versos,


Que pena não foram impressos.

Na internete a rolar,

Uma linda coisa a declamar,


O amor pelos versos,

Pela cantoria...


Quando da vida se despediu,

Muita tristeza e choro nos envolveu,

Aos som dos versos foi velado,


A cantoria seguiu o cortejo,

Ainda lembro desse dia,

Estava com quem tanto amei não é mais,

Foi na casa de meus pais,

Que papai falou quanta homenagem bonita,

Quanta honra.


Se despediu da vida dura,

Deixou na memória o amor,

A poesia que tanto queira.

Só para não esquecer,

Sua família segue viva,

E o tempo esse tudo engole,

Nesse verso eternizo,

O grande poeta popular.

Serrinha dos Pintos potiguar

 Sou potiguar e vou falar,

Nessa terra querida,

O berço de minha vida,

Onde aprendi a andar.


Sou da bela Serrinha,

Autoeste potiguar,

Pouco se sabe sobre lá,

Por ser pequena foi ruínha,


Terra de gente boa,

De beleza e alegria,

Que na lida não fica atoa,


Sou do canto da Serrinha,

Bairro da Serrinha grande,

Autooeste potiguar


Raiz do amor

O amor é um sentimento de intensa amizade.
Amar é cozinhar, ternamente a gente vai amando e sendo amado.
Amar tem um ponto nem muito fogo nem pouco fogo,
Nem muito tempo, nem pouco tempo.
Amar é uma combinação de corações...
Pode acontecer entre outros e não com você.
Pode acontecer entre você e outro e não outro.
Amar é um mistério.
Gostamos de crer neste mistério.
Amar tem a raiz no respeito, carinho e amizade.

Monstros e raios congelantes

 À noite, Sassá e eu fomos desenhar. Gostamos de desenhar seres monstruosos e pensar nos seus poderes. Ontem ele começou desenhando algo crocodilesco. Eu pensei em formas elíptica, boca, oblongas dentes...

Olhos Sassá usava o azul como sendo raios congelantes que petrificavam meus seres. Com o amarelo cercas que isolavam meus seres. Fez uma formiga gigante para devorar meu monstro. Coloquei um vírus nela e ele tacou um raio congelante. Ele usou marrom também. Fiz uma serpente e ele imobilizou ela...

No fim eu acabei perdendo porque ele não deixava que eu criasse minhas criaturas para devastar o dele e queria eliminar o meu.

Foi isso. Essas coisas ai.

Conheça a ti mesmo

 A realidade é percebida,

Com o tempo a realidade é sentida.

Nosso juízo está pautado no concreto.

Mas tem seu hatitate no abstrato.


As impressões me chegam

E começo a perceber,

E a conhecer aquilo...


A experiência me envolve no mundo,

A experiencia me faz pensar num eu.


E o que é o eu na realidade.

Conhecimento de si.

Autoconsciência.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Monstro

 Sassá e eu brincamos sobre um monstro imaginário puxado para dinossauro. Nos desenhamos o bicho com forma de réptil, chifres, dentes afiados e chifres coloridos de azul. Quem olhasse para o chifre congelava. O monstro de Sassá estava azulado e ai eu disse que tinha sido congelado. Foi engraçado sua aflição para contra argumentar. Fizemos virus, bichos que iriam destruir o monstro. Foi muito divertido. Até que bateu o frio do ar e fomos nos proteger nas cobertas e eu apaguei.

Despertar

 Por um momento senti a vida em plenitude, e já não tinha tanta juventude. Pensei no tempo que nada tem de materialidade, Vasculhei na memór...

Gogh

Gogh