terça-feira, 7 de outubro de 2025

Outubro

 No silêncio outubro desperta, de anos indos 2025. Para trás comemorávamos mais um ano de vida de minha amada mãe.

Este ano é o quarto sem sua presença.

Só sua essência se mantém em nossos corações.

Outubro, franciscano outubro,

Tinges o céu de azul, sopras o vento desenfreado,

Faz a rosa sedenta desabrochar no jardim e olhar e agradecer por tudo.

E entender oh outubro quão depressa tudo se faz e desfaz.

Parque Solon de Lucena

 A lagoa 

O grande espelho da lagoa, embeleza a cidade de João Pessoa.

Rodeada de belas palmeiras. Gordas Macaúbas, altas palmeiras imperiais, tem também os jerivás e sabais. Num canto toma o céu as sertanejas carnaubeiras.

Fui lá passear, achei tão vazia,

Mas de uma beleza indomável, atemporal...

A marca do tempo e da glória, nos bambus, nos ficus, nos antigos oitis.

Aqui muito se refrescou o paraibano que em João Pessoa buscou uma solução para seu problema econômico, de saúde, de passeio.

Lagoa que recebe na rua que vem da rodoviária, paraibanos sertanejos, caririzeiros, brejeiros, seridornes, curimataueses e muito mais.

Aqui se busca a esperança.

Conheci Antoni José, numa tenra idade em cadeira de roda com tanta ganas de viver e se movimentar.

E me puz a pensar, no que já aconteceu. Nas vezes cegas que aqui pisei, morando em Natal.

Lembrando das tardes ensolaradas... Das tardes enfeitadas de natal.

E por por aí se vai...

Gerando memória em nós.

Domingo

 Domingo à noite, a televisão está ligada no SBT, ali na sala. Jantamos e saímos para nos sentarmos em frente a tv. Sílvio Santos anima o programa. O que esperamos da vida? Nada. Torcemos para que o participante ganhe no jogo. Os anos puseram cabelos brancos na cabeça de papai e em mamãe caiu-lhes a saúde. Mas a vida é essa simplicidade. E dias assim se repetiram pela eternidade de nossas vidas breves. Os acontecimentos enchiam as nossas vidas. E a responsabilidade de dar conta do amanhã.

Foi-se o papai, a mamãe e o Silvio Santos. O tempo deles se esgotou.

Hoje é domingo, agora é noite. E ainda tenho o reflexo destes momentos singulares em minha existência.

Depois papai deitava no quarto, mamãe também e eu também. A noite se fechava e um novo dia nascia.

Avós franciscanos

 Meu avô e minha avó paterna eram católicos. Vivi muito pouco com eles. Convivi mais com minha avó. Meu avô morreu em 1988 quando tinha nove anos e minha avó em 1995 quando já tinha 14 anos. As memórias que tenho de onde moravam no sítio Sampaio são como fotografias apenas. Lembro da voz de minha avó. Posso remontar sua imagem com a ajuda duma fotografia. Pouco resta desta face de minha vida. Papai trouxe muito deles, mas não conseguia determinar o que veio deles por não conviver com eles. Muito deles está difundido entre os filhos e netos. Como identificar?

O católicismo franciscano, a alma de Rosângela minha irmã. Não sei mais.

Oração

 Doce manhã que me desperta, sol luminoso que se acende, ave que canta, flor que desabrocha...

A toda essa grande graça obrigado meu senhor.

Evento do ano

 Ontem na escola de Sassá houve a abertura dos jogos internos. Fomos com ele, pois ia desfilar. Estava todo feliz. Já saiu da escola avisando do evento. Sassá ama a escolinha, os amiguinhos. Chegamos cedo, a quadra ainda tinha os portões fechados, foi bom porque peguei uma vaga perto dali. Ai escolhemos o lugar e ele todo feliz com a amiguinha. Logo foi chegando um a um. Soltamos ele para correr na quadra numa alegria de bobo. Depois a professora levou eles para a entrada, onde se organizaram para o desfile dos infantís 2 até o 4. O desfile foi lindo. Saiu dali faminto. Compramos um cachorro quente e um bolo que ele comeu. Tomou banho e foi dormir. 

Mel

 A gata mel como chamamos, aurora como o pessoal da rua chama, desapareceu. 

Nem sei como irei falar para Sassá. Ele gostava muito de vê-la em nosso jardim.

Ela se escondia atrás das espadas de são jorge, se deitava em cima do muro.

Sumiu. A gente chamava ela de aurora por causa do pélo melado.

Semelhança

 É outubro, décimo mês do calendário. 

O verão aqui é a época de ausência de chuva.

A mata está seca, só algumas espécies verdejam brilhantes.

Aqui em João Pessoa, mata atlântica. Compartilha algumas coisas com a serra de onde vim.

Agora mesmo uma cigarra me fez lembrar dessa similaridade.

O canto de uma cigarra de mata atlântica, desperta as memórias de minha infância.

Só isso.


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Tempos idos

 Medo!

Medo destes tempos idos,

Das coisas imbricadas e veladas,

E agora desveladas.


O tempo que tanto revela,

Ao revelar cobra a vida.

Mostrando que nossas percepções são nada.


Tudo imaginação.


Dá um aperto no peito.

Pega a gente de jeito,

Saber que tudo é criação...


Medo do que o tempo nos revela.

São tempos idos.

Domingo em paz

 Sassá foi a lagoa, parque Solon de Lucena no domingo. Estava bem vazia. Ele procurava na borda da lagoa ver bichos, aves. Vimos socós e garças e nada de peixe. Ainda conhecemos o campeão de força e energia o Pequeno Antoni José que mesmo numa cadeira de rodas esbanja energia. Indo de lá pra cá, usando seus bracinhos.  Depois contemplamos a obra de Miguel da pedra do reino. Comemos pipocas, contemplamos as árvores e palmeiras, coletamos plantas e voltamos para casa felizes. Ainda passamos nas três ruas onde ele andou de bicicleta, comeu bolo e fomos para casa, onde aguamos as plantas do jardim.

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

Gogh