sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Quando estou na minha casa

 Poder sentir este lugar,

E reviver suas sensações 

É algo divino,

Íntimo e particular.


Após tanto tempo 

A sentir saber o 

Quanto o conheço,

Mais que qualquer coisa na vida.


Aqui conheço melhor,

As manhãs, meios dias e noites...


Aqui sinto-me em casa e em paz...


Aqui tenho certeza 

Da eternidade do espaço,

Aqui tenho a certeza da sutileza da vida.


Pois a vida me ensinou.


Aqui habito o lugar 

E o lugar habita em mim.


Este céu em todas as suas faces.


As plantas e seus acidentes.


Não preciso definir nada, apenas sentir.


Esse sentimento que me preenche,


Essa consciência cósmica.


Quem haverá de sentir um dia?


Na minha terra natal.

Mémória

 Amanhã fará 32 anos que vovô José de Neves faleceu.

05-02-26

Número

 Hoje o dia foi perfeito. Um domingo como a muito tempo não havia vivido.

Chegamos aqui em Serrinha do canto no dia 17.12.25, e desde então aguardamos ansiosamente pela água das chuvas. Vivemos muito e gostamos desta forma de viver. O mato seco, as aroeiras, angicos e juremas; as serras, as curvas da estrada, o calor cáustico, a sede dos vegetais, as mangas... A lua crescente e cheia...

As luzes do Natal o fim de ano. A visita aos parceiros distantes... A esperança de mudança que vem. O aniversário de Vinícius...

Os textos...

O livro de Lucas...

A bíblia, Borges, os cachorrinhos schaquira e Sherlock...

O loro Creo...

Salmo 91 o dia 19...

Um sentido... Uma razão... Frutos da abstração, o número seis.

O número cinco.

O número quatro.

O número três.

O número dois

E a unidade...

O dia em seus extremos foi nublado.

A vegetação pálida como se estivesse molhada. Logo tudo vai mudar.

Estamos no ápice do verão, fim da sequidão...

Tudo mudará em pouco tempo.

É preciso Deus para não morrer de angústia...

A fé na bondade nos salvará de todos os males...

Fiz fotos hoje e amanhã tudo poderá ser o inverso.

Coisas humanas.

Quando estou na minha casa

 A tarde cai suave, clara e fresca. O vento soprou pela manhã do poente e agora sopra do norte. O sol já está pleno no poente. O céu tem um azul claro e lívido. O cajueiro, catolés e palmas conservam o verde na paisagem. Na barra da calçada espadas de são Jorge embelezam a vista e duas vincas adornam com suas flores flores pentâmeras alvas e rosas ... Tudo isso disposto num sutil e suave sossego onde se pode viajar no tempo...

O espaço é eterno.

Quando estou na minha casa

 A manhã nasceu nublada e fria. Na paisagem, ao nascente, podia-se ver no alto da serra as nuvens frouxas fluindo pela paisagem. O vento frio cortava a vegetação cinérea refrigerando e cantando a paz... Onde estava minha mente? Meu corpo e meus sentidos viviam aquele momento, mas a minha mente de certo vagava no tempo... A gente se pega pensando coisas pequenas a maior parte do tempo. Acho que minha mente vagava por aí. Vivo... Feliz pela manhã. Este momento do dia que me faz sentir bem. Parece que a satisfação ou a intensidade das emoções é maior no início de um momento.

E então chega no agora em que tento tecer algo linear que me permita reviver este momento um dia qualquer.

O sol abriu o vento sopra...

E o devir deveio e devem... Ad infinito.

Amor materno

 Em meiados de 1977 numa manhã ensolarada no sítio de fora em Martins algo ia acontecer. Algo muito grande.

A casa estava uma bagunça, as roupas sujas dos meninos precisavam serem lavadas. A jovem Esterlina que tinha até então seis filhos. Um destes era mulher Cledina e fora com o Caçulinha Umagir lavar roupa na cacimba de Joel. A jovem Esterlina grávida iria arrumar as coisas e iria mais tarde ajudar a cledina na lavagem de roupa. Umagi o Caçulinha foi com cledina. Saíram de casa em direção a cacimba, o cheiro de manga madura e das flores de jaqueiras incensavam o lugar.  Os angicos cresciam entre as cercas, no sítio de seu avô José a sombra das árvores era constante o que fazia do lugar mais fresco. Um grande genipapo fica entre a casa e o cacimbão. 

Umagi com três anos brincava com uma tampa de um galão de tinta. Fazia de conta que era uma direção. E numa dessas carreiras caiu no cacimbão. Não sabia nadar. Cledna quando percebeu então começou a gritar. Esterlina ao ouvir o grito saiu correndo e mesmo grávida pulou no cacimbão desprovida de todos os medos. Umagi disse que viu a água querendo engoli-lo, sua mãe tentava obstinadamente salva-lo e só conseguiu puxando pelos cabelos. Aquilo foi uma imensa aflição.

Quando estou na minha casa

 A lua enluarada

Num céu limpo,

Num céu azul, 

A lua palito-prateada.


Uma corona amarela,

As estrelas parecendo,

A noite anoitecendo.


O vento ventando 

Em ventania...

A doce sinfonia,

A saudade,

O silêncio imediato.


O momento.

Quando estou na minha casa

 A noite cai agradavelmente fresca. No nascente a lua vai se erguendo no céu. É uma lua cheia, pálido-prateada com uma corona amarela. Está aí atrás do poste. O vento sopra fazendo as mangas dançarem na mangueira...

Aguardamos a chuva...

Quando estou na minha casa

 A noite cai agradavelmente fresca. No nascente a lua vai se erguendo no céu. É uma lua cheia, pálido-prateada com uma corona amarela. Está aí atrás do poste. O vento sopra fazendo as mangas dançarem na mangueira...

Aguardamos a chuva...

Quando estou na minha casa

 Ontem na aceroleira que estava florida e enramada cantou um galo-de-campina.

Cantou por um bom tempo. Cheguei a pensar que era um bicho de gaiola.

Veio sábias se alimentar de uma banda de mamão.

Foi muito harmônico o último dia de 2025

Mudança de estado

Sob o solo as raízes sustentam,  Um eixo cinzento, Um tronco que se ramifica sustentando folhas  Alternas em espiral, No ápice do eixo, Um c...

Gogh

Gogh