quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Herbário

 A coleção botânica me encanta.

Gosto de trabalhar no herbário.

Gosto do cheiro seco das plantas.

O silêncio, o espaço vazio.

O frio...

Nas exsicatas, as datas, os lugares, as letras...

Cheiro do tempo documentado em matéria e signos.

Ai posso me perder nos meus pensamentos,

Posso me perder no tempo

E ser pleno e universal.

Absoluto!

Não sei, mas tive essa oportunidade e amei.

E busco aprender mais e mais e ser o melhor de mim.

Aqui no herbário onde as tardes são de prazer

Onde o tempo acelera e não sei porque.

Um texto para tão poucos, mas cheio de amor

E sentimentos singelos.

Só isso.

Amar a matéria

 O ferreiro ama o Ferro. Na sua ferraria tem tudo que você imaginar de ferro. Uma forja, carvão, um fole e sua habilidade e seu amor pelo som metálico, pelo calor que domina e amolece o ferro e essa arte milenar que não escolhe que irá suceder. Acontece. Acho que é amor ao ferro. Ferro frio ou quente, sempre denso e duro e seu som peculiar. Conheci um ferreiro quando era criança se chamava Antônio de Chapéu. Ele tinha muitas habilidade e uma delas era nadar. Entrava no açude do alívio e sai nadando só a cabeça flutuando parecia o corpo está imóvel. Por ironia da vida, morreu afogado. Outro ferreiro que conheço é Edson... Novo, inteligente, ver com os olhos e faz com as mão. É uma inteligência prática descomunal. Fui outro dia a ferraria dele e vi tudo quanto é coisa de ferro. Alegria no rosto e atenção. Colocou o cabo numa roçadeira e fez o fio da lâmina. Ficou excelente. Naqueles dias eu vinha lembrando do amor que as pessoas tem a matéria. Coisa de impressionar. 

Sabe que me impressiona a arte genuína e domar o fogo e domar o ferro é uma delas.






Ser é somente uma combinação de forças ou energias físicas e mentais, influenciadas pelo meio que nos rodeia, em perpétua transformação

Vacina e sorvete

 Sassá cortou o cabelo e tomou vacina na segunda-feira. Estava superfeliz porque ia ganhar um sorvete. A mamãe contou a saga que foi segurar ele para tomar a vacina, depois viu que não era um bicho de sete cabeças. Após eles foram no barbeiro e cortaram o excesso do cabelo e a franga. No almoço ele estava muito feliz e lindo. Então fomos para a escola. Estava extrovertido conversamos um pouco. Foi para aula, mas na ansiedade do sorvete. A aula terminou e eu já estava lá esperando por ele. Então fomos numa sorveteria nas três ruas. Selecionei vários sabores, dentre estes um azul, perguntei qual era o sabor azul e ele respondeu que era de blueberrie. Depois fomos para casa e o dia foi assim, maravilhoso.


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Baixa de arroz

 Com meu pai a trabalhar limpando a baixa de arroz. Senti que podia ir mais. Senti a infância partida. Senti a felicidade de uma nova fase passar a existir. Meu coração já desejava. Então minha meta era limpar até acabar. A baixa era tão pequena, mas o trabalho era duro. E na companhia de meu pai me sentia seguro e feliz. Nem precisava pensar na vida, bastava limpar a baixa. Ver o vento soprando a folha do arroz me animava, ver as nuvens broiando no céu me animava, ver o sol quente me desanimava. Mas Deixava tudo nas mãos de Deus. E a felicidade enchia meu coração só de ver o inverno bom e papai com saúde.

Despertar

 Na madrugada desperto vi

Uma estrela se passou,

Veio a lua corada e sorriu

E foi crescendo no céu.

Em meio aos pensamentos,

A lua me despertou.

Sorria para mim.

Desperto só contemplei a lua.

Depois nos pensamentos adormeci.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Médica de era uma vez

 Compramos o livro para Sassá a médica Era uma vez. A história de uma jovem que sai ajudando os personagens que ficaram com enfermidades no conto. Tem o pé da cinderela machucado, as farpas no bumbum e a boca queimada de cachinhos dourados, o lobo queimado dos três porquinhos, a dor de cabeça de Rapunzel... Sassá adorou, li com ele e depois ele leu as imagens e comentou com a mãe dele. Ontem, fomos para a missa e ele adormeceu de tão cansado. Depois quis ir comer um cachorro quente o favorito, segundo ele.

E era madrugada

 Na madrugada o sabiá cantou.

Foi um canto intenso de amor.

Um canto de encanto,

Aquele canto que encanta a vida.


Havia energia, paixão e vontade de viver,

Vontade de amar naquela expressão.

Quem viveu entenderá,

Quem não viveu poderá entender.


Quando descobrir a força da vida

Querendo se eternizar.

E era madrugada.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Leitura

 Sassá minha paz. Ontem li um livro para ele. Quando o mar encontra o céu. Um livro com imagens belíssimas. Estamos empolgados porque daqui a pouco Sassá começará a ler. E ai ele vai ser mais livre. Quando começar acessar os conceitos nas palavras. Sempre que leio aproveito as imagens para me posicionar no mundo da percepção da realidade. Essas coisas ai.

Manga

 A tarde me fez sair de casa,

Sentir o frescor da chuva chovida,

Na paisagem seguindo um caminho 

E me deparei com aquela mangueira.

Que vive lá nas três ruas.

Uma mangueira de mangas espadas.

Pendulas as mangas me levaram lembrar,

E lembrar é recordar e quando recordo

Transponho o espaço e o tempo...

Voltei a minha adolescência, fui ao sítio de Fora,

Onde vovó viva tinha um sítio de manga.

Era tanta manga que pegava de carga no jumento café com leite de orelha cortada.

Ia com minha irmã, até vovó e ela mandava a gente cata manga no sítio.

Chegava no sítio era tanta manga burro, manga espada.

A gente enchia a vista e depois enchia o bucho.

Felizes com os caixões cheios de manga,

Mas encontrar uma manga espada no pé,

Fazia da gente guloso.

Felizes a gente chegava em casa...

E havia fartura por um ou dois dias.

Amar verbo intransitivo.

Sério! Vi ontem, mas o texto nasceu agora.

Amém.


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Parcimônia, vazio.

 Senti a necessidade do vazio.

Ausência de tempo.

Melhor sair sem pensar no tempo que passa.

Melhor deixar a mente vazia

E não pensar em nada só caminhar.

Só ser.

Daqui a pouco parto desta para outra

Ou  melhor perco a existência.

Volto para o vazio.

Volto para o nada.

Não tenho memória alguma dos anos que antecedem minha infância.

Porque tudo era vazio.

Agora tudo é uma breve consciência.

Uma suposta realidade que não passa de uma ilusão.

Bom, então preciso do vazio...

Preciso esvaziar a mente

Que deseja ideias...

Tudo com parcimonia.

Uma ideia

 As quatro aroeiras da biblioteca do CCEN, As catingueiras do estacionamento, O juazeiro do bolo de noiva, A sucupira da curva, O flamboiant...

Gogh

Gogh