terça-feira, 21 de outubro de 2025

Metafísica

 Como é maravilhoso este lugar. Sai lá fora. O céu tão limpo e estrelado. O piscar das estrelas, o canto dos grilos e dos morcegos. Minha mente ainda ouve o arrastado de chinelo de papai e o ronco de mamãe.

Este lugar é mágico.

Aqui meus irmãos e eu existimos protegidos pelos nossos pais. Aqui aprendemos a rezar. Aqui tivemos nossas emoções mais intensas. Aqui é nossa casa. E perceber que bom nossa casa não é lugar nenhum. Porque aqui está a casa, mas não estão os nossos pais... As coisas existem em matéria em espírito, todavia tudo se desfaz...

Chegamos até aqui,  mas uma hora temos que partir.

Tudo vai continuar como sempre foi. Tudo vai continuar como será. E a nossa existência por aqui foi só um dia e uma noite.

Nada mais.

Anos 90

 O silêncio, o tic tac do relógio. O som do motor da geladeira, o som dos tornos da rede.

Eu, a nossa casa, a casa que nos abrigou, que papai amou e mamãe viveu até o fim. Essa casa guarda a nossa pequena história. A foto minha com mamãe na minha formatura, a foto minha com papai em minha casa.

O dia 16 de outubro de 2020, último dia que vi meu pai. Os anos, Vinícius...

Tudo bem.


Ainda ouço o barulho da vinheta do jornal nacional.


Ainda sinto o gosto do açúcar do chá de laranja de Elita.


Pois o que é tudo isso?


Esse silêncio do canto de Serrinha do canto.


Silêncio da eternidade de um tempo e amigos que não voltam mais.


Tic tac

Sexta-feira - serrinha do canto 

Sertão

 É sertão porque está em meu coração.

Vejo o paraíso e o purgatório em suas estações.

O espírito

 Chegamos em casa. Tanta sequidão. O cachorro sherlock veio nos recepcionar feliz. As árvores todas tão sofridas. O coqueiro perdendo as folhas. Os catolés nus. A pinheira usurpada pelos encheiques. Os cajueiros sem uma fruta. O jasmim de laranjeira sofrido. Tudo tão estio. Meu Deus, olha por nós. Contigo tudo suportaremos, mas o tempo, tomará nossas vidas... Esse céu azul, essa terra poeirenta e quente, essa casa únicos como nós. Nosso espírito se move como a vida se move. Baixamos as coisas, trocamos as coisas e almoçamos, e nos sentimos felizes. Tudo é um devir...

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Calor

 Ontem viajamos. Sassá nem reclama. Saímos antes das 5 horas. Chegamos na casa da tia Li ao meio dia.

E aqui ficamos juntos o tempo todo. Fomos ao mercado. E estamos aqui curtindo esse intenso calor.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Razão

Então ao perceber que tudo é passageiro.

Ao perceber que tudo está em mudança constante.

A saber que tudo é devir.

Como racionalizar essa informação?

Como intuir e transformar em sentimento este fato?

Há alguma possibilidade ou continuaremos sendo orgânicos ou naturais para a vida toda?



































 

Tapirira

 Outubro de 2025.

Ontem arriou uma grande árvore de copiúba aqui ao lado do departamento DBM e DSE, da UFPB.

Copiúba pertence a família do caju e da manga e do umbu e do cajá, Anacardiaceae.

Seu nome é Tapirira guianensis. Depois de vários anos produzindo flores e frutos seu ciclo chega ao fim.

Prestou muito serviço retendo carbono nas suas folhas, ramos, tronco e raízes.

Assim morre mais uma árvore e não teremos reposição.

Cotidiano

 Fui com Sassá ao mercado e ele me pediu para comprar kiwi. Perguntou se era caro e respondi que sim. Comprei só dois para ele provar. Pediu-me ainda um bolo de chocolate. Fizemos as compras e ele saiu satisfeito. Disse que só dava para comer em casa porque precisava descascar. Ele entendeu. Em casa, a mãe descascou e ele comeu. Até me ofereceu. Perguntou porque o kiwi era verde radiado. Respondi que era a forma de disposição das sementes. Depois fomos desenhar. Disse que queria desenhar animais do Japão. Desenhou um cervo, um panda e depois fui banhar ele e fomos para a cama.

Será

 Olhando para a mata, percebi a alma de gato que ao voar pousou na sucupira. Não estava muito claro, mas vi. Ela vocalizou e voou novamente. Vi e ouvi a alma de gato. Será o mesmo indivíduo que ouço sempre? 

Soneto do contentamento

 Deitei na cova a semente do feijão e da fava.

Terra nova e queimada,

Com trabalho preparada.

Cada semente uma esperança,


Da fartura e de sustento,

Meu pai trabalhava sem parar,

Para em nossa casa nada faltar.

Tirando da terra o sustento,


Disseminando seu ensinamento,

Que com fé e trabalho,

Não há de faltar provento,


E aos risos e graças cultivava

O que comia,

A gente vivia com alegria.

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

Gogh