sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Reminiscências

 Fui a padaria e me lembrei de um momento crítico na minha vida. Os primeiros dias em Natal. Foi quando precisei ser mais forte. Estava totalmente só. Não tinha ninguém por mim. Minha vida era só saudades e solidão. Nem café da manhã tinha. Saia as vezes pra comprar algo para tomar de café. Não tinha regras como era acostumado. As luzes do quarto só eram apagadas muito tarde e tive que me adaptar. A força Deus dá. Todo começo é muito difícil. Cada um tem uma história que conta a seu sabor. É preciso aquecer o coração para relaxar e entender a vida... As janelas para o passado de vez em quando precisa ser aberta para entender que a vida é uma história em acontecimento. E que somos responsáveis pela cor e pelo brilho que tem nela.

Fui contando coisas para Vinícius enquanto íamos a padaria. Coisas que não entende, mas a gente vai conversando.

Domingo dia do senhor. Dia de pensar na vida. 

Aí volto a Serrinha, mamãe, papai, João de Licor, Elita... Personagens de nossa história.

Assim é

O vento tem seu ritmo, o vento tem seu tempo e canta conforme o tempo e o ritmo. O vento da manhã é diferente do vento da tarde e ou o vento da noite.

Suave pela manhã, intenso à tarde e veloz e frio à noite.

Como sei de tudo isso porque sinto.

Porque ouço, porque penso.

Nos ritmos e no tempo parte da matéria que me construe.

Essas coisas ai de feriado

 Ontem, quinta-feira, foi feriado.

Tive o dia para brincar e amar Sassá.

Acordei e fui fazer o que amo até ele acordar.

Quando acordou coloquei uma música e fomos dançar, tomar café.

Depois nos arrumamos e fomos passear no campus I...

Levamos a bicicleta flash. Fomo até o grande tronco da munguba que caiu.

Fizemos fotos. Fomos na borda da mata... 

A gente foi conversando, fotografando, rindo e brincando.

Revivemos e Sassá pode se lembrar do que havíamos vivido aqui.

Ele me perguntou sobre as serpentes que haviam aqui e então foi a conversa que reinou.

Giboias, corre-campus, malhas de sapo, corais.

Ele é curioso e me fez inúmeras perguntas. A noite até desenhamos serpentes.

Saímos do campos quase meio dia.

Com fotos, risos e uma flor de jambo para a mamãe.

Ah. quebramos valvas de pau-brasil.

Terapéutico.

Essas coisas ai.

Graça

 Cigarras,

Saíras,

Cantam animadas.

A manhã ensolarada,

A mata mudando a folha,

A sapucaia está florida.

Ferreirinho acerta a hora.

Nessa vida tem coisa melhor que contemplar.

Sentado aqui a ver, ouvir e pensar.

Agradeço a Deus por tudo isso.

Essas coisas ai.

Meu alfa

Aprendi a ler,

Lápis e caderno, um quadro negro e a professora.

A professora professou as vogais e o alfabeto.

Foi bem devagar que me pus a pronunciar

o A, É, I, O e U.

Depois veio o alfabeto...

A, B, C...

Foi professora Livani que me ensinou.

Esse foi meu alfa.

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Genese

 Deus é unidade,

Deus criou o homem e a mulher, aos cristãos Adão e Eva.

E por via do pecado foi concebido o filho...

Mulher e filho é a dualidade.

Com o filho surge a tercealidade...

A santíssima trindade.

Surge ai a consciência.

A consciência tem como gênese uma tercealidade,

A consciência surge quando se conhece o bom,

E aquilo que não é bom?

Bom por via da essência, da palavra facilmente se atribui a antítese como mal.


No tao te ching

Verso 42...

De tao veio um,

Do um veio o dois,

Do dois veio o três 

E no três está a origem de todas as coisas.


Será isso essência?

Essas coisas aí...


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Herbário

 A coleção botânica me encanta.

Gosto de trabalhar no herbário.

Gosto do cheiro seco das plantas.

O silêncio, o espaço vazio.

O frio...

Nas exsicatas, as datas, os lugares, as letras...

Cheiro do tempo documentado em matéria e signos.

Ai posso me perder nos meus pensamentos,

Posso me perder no tempo

E ser pleno e universal.

Absoluto!

Não sei, mas tive essa oportunidade e amei.

E busco aprender mais e mais e ser o melhor de mim.

Aqui no herbário onde as tardes são de prazer

Onde o tempo acelera e não sei porque.

Um texto para tão poucos, mas cheio de amor

E sentimentos singelos.

Só isso.

Amar a matéria

 O ferreiro ama o Ferro. Na sua ferraria tem tudo que você imaginar de ferro. Uma forja, carvão, um fole e sua habilidade e seu amor pelo som metálico, pelo calor que domina e amolece o ferro e essa arte milenar que não escolhe que irá suceder. Acontece. Acho que é amor ao ferro. Ferro frio ou quente, sempre denso e duro e seu som peculiar. Conheci um ferreiro quando era criança se chamava Antônio de Chapéu. Ele tinha muitas habilidade e uma delas era nadar. Entrava no açude do alívio e sai nadando só a cabeça flutuando parecia o corpo está imóvel. Por ironia da vida, morreu afogado. Outro ferreiro que conheço é Edson... Novo, inteligente, ver com os olhos e faz com as mão. É uma inteligência prática descomunal. Fui outro dia a ferraria dele e vi tudo quanto é coisa de ferro. Alegria no rosto e atenção. Colocou o cabo numa roçadeira e fez o fio da lâmina. Ficou excelente. Naqueles dias eu vinha lembrando do amor que as pessoas tem a matéria. Coisa de impressionar. 

Sabe que me impressiona a arte genuína e domar o fogo e domar o ferro é uma delas.






Ser é somente uma combinação de forças ou energias físicas e mentais, influenciadas pelo meio que nos rodeia, em perpétua transformação

Vacina e sorvete

 Sassá cortou o cabelo e tomou vacina na segunda-feira. Estava superfeliz porque ia ganhar um sorvete. A mamãe contou a saga que foi segurar ele para tomar a vacina, depois viu que não era um bicho de sete cabeças. Após eles foram no barbeiro e cortaram o excesso do cabelo e a franga. No almoço ele estava muito feliz e lindo. Então fomos para a escola. Estava extrovertido conversamos um pouco. Foi para aula, mas na ansiedade do sorvete. A aula terminou e eu já estava lá esperando por ele. Então fomos numa sorveteria nas três ruas. Selecionei vários sabores, dentre estes um azul, perguntei qual era o sabor azul e ele respondeu que era de blueberrie. Depois fomos para casa e o dia foi assim, maravilhoso.


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Baixa de arroz

 Com meu pai a trabalhar limpando a baixa de arroz. Senti que podia ir mais. Senti a infância partida. Senti a felicidade de uma nova fase passar a existir. Meu coração já desejava. Então minha meta era limpar até acabar. A baixa era tão pequena, mas o trabalho era duro. E na companhia de meu pai me sentia seguro e feliz. Nem precisava pensar na vida, bastava limpar a baixa. Ver o vento soprando a folha do arroz me animava, ver as nuvens broiando no céu me animava, ver o sol quente me desanimava. Mas Deixava tudo nas mãos de Deus. E a felicidade enchia meu coração só de ver o inverno bom e papai com saúde.

Despertar

 Por um momento senti a vida em plenitude, e já não tinha tanta juventude. Pensei no tempo que nada tem de materialidade, Vasculhei na memór...

Gogh

Gogh