Quando vem as flores,
dos ramos surgem cores,
azuis, verdes, amarelas, vermelhas quantos tons,
quanto aroma,
sob a sombra úmida, o frio da manhã.
O céu azul, de sol intenso,
do nada aprecem lagartos,
cantam os pássaros,
no meio do corego,
a baixa de arroz,
o espantalho,
água ferrugínea,
menino e a lata,
é assim
monótono o dia no mato,
anuns pretos soltam seus cantos,
e os calumbis de flores brancas,
uma a uma flores fecundas,
se enchem de frutos,
as ramadas começam a aparecer,
das várias jitiranas rosas, brancas,
aos poucos o carrapichos agulhas secam,
e engancham na roupa simples, suada do agricultor,
que cuida do gado,
que cuida da roça,
que cuida dos filhos,
que cuida do sítio que cuidou de mim,
sua barba hirsuta, símbolo de moral,
no olhar me fazia temer, sem falar compreendia o que queria dizer,
as vacas de leite com barriga cheia,
os marmeleiros cheirosos, catingueiras,
as aroeias,
logo vem a roça do cajueiro,
e o saia segue limpo,
lindo,
azul,
colorido das flores,
dos sonhos.
24/03/10
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Gogh