terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infância por viver. Tem os primos Davi e Nicolas. Aqui tem o meu afeto.

Um dia de paz

 Olho através da paisagem árida onde falta verde e sobra cinza. Olho como quem contempla o universo inteiro. Em cada parte está o todo. Não é sobre a paisagem, mas sobre nós mesmos.

Na paisagem vejo elementos que parecem mortos, mas não estão mortos, apenas dormem.

Um cajueiro antigo, as Pinheiras, as palmas que meu pai tanto cultivou, o sítio que amou e cuidou. Essa terra que ele plantou e trabalhamos juntos.

O tempo consumiu e nos consome. Ah. O tempo... Ei ê. A vida esse fabuloso mistério essa doce ilusão. A vida é devir. Pensar sobre isso pra que. Pensar é está doente dos olhos. 

Abro os olhos e a luz do sol mostra tudo numa plena nitidez. Abro os olhos e já não penso. As aves ah as aves. Balança-rabo, cebinho de olhos melados, fim-fim, rixinó.  Cada um nos seus afazeres do dia. A esperança de algo melhor...

Um casaca-de-couro corrochia longe. Lembro do Pica-pau enorme que vi na mata, lembro que nunca tinha visto antes, lembro do sabiá cantando na aroeira com o peito estufado e asinhas abertas...

Vejo o vem-vem na pinheira parece estar plantando sementes de phoradendron ou caçar insetos. Sei lá. Lembro de vó Chiquinha... Mamãe.


E o vazio se preenche de esperança.

Fluxo do tempo

 Após uma longa seca, ontem à tarde, 22 de dezembro 25, finalmente caiu uma chuvinha. O tempo esfriou e a noite nasceu nublada. À noite, antes de dormir, trovejou muito. Dormi a noite inteira. Agora que acordei e fiz minhas rezas, estou a contemplar o mundo com os ouvidos e com a pele. Ouço tudo que acontece lá fora os veículos a passarem na estrada, e todos os pássaros a cantarem, sanhaços, cabeça-vermelhos, rixinó... O tic-tac do relógio, o zunido do ventilador. Sinto o frescor da manhã nova que chegou e vai me dando tempo e graça de vida. É quase a última semana de mais um ano.

Estou muito grato com o ano que vivi.

Meu filho está forte e feliz, já está quase lendo.

Tudo em minha vida é uma benção.

A existência é um fenômeno.

Ser é existir.

Existir é intuitivo, é imediato...

Rio a fluir

 A noite de hoje caiu totalmente diferente de ontem.  Fresca, nublada e suave. O chão enxombrado, as folhas molhadas, o aroma de chuva...

E a sensação que sinto é de esperança e aconchego e paz.

Chuva chegando

 No ápice da seca, numa tarde de dezembro, depois do dia nascer nublado, uma neblina começou a se precipitar. O som dos primeiros pingos no telhado, o cheiro da água molhando a terra a sensação de frescor na pele.

A gente sente a intensidade da vida, a esperança, a plenitude e a felicidade da existência.

Vinícius feliz dentro dos cinco anos perdendo a ingenuidade do não saber ler.

Essas coisas plenas.

Férias

 No sertão potiguar onde nasci, todo fim de ano vou passar. Esvaziar a mente e descansar. Hoje subimos a serra num sítio, jacas fomos comprar e ali nos pomos a conversar.

As jaqueiras centenárias pela seca maltratadas e as Pitombeiras a nos escutar. Seu Cleiton cujos olhos são os ouvidos a narrar os acontecimentos recentes. Todo cuidado com sua esposa que o alzheimer a infantilizou. Conversámos muito e depois saímos Vinícius e eu para o sítio pegamos o carro e pagamos as jacas, três duas duras e uma mole.

Nos despedimos e o acontecimento terminou.

Devir

 A manhã foi tão ligeira,

Caminhei na estrada tentando esvaziar a mente.

A mata seca e intrincada, a forma das árvores,

A aroeira inerme e oblonga, o Juazeiro verde e armado, com flores diminutas, a Jurema castigada cortada e ressuscitada tão ramificada, as cajaraneiras plantadas e idosas...

Os angicos de troncos ornamentados espalhados na mata.

Na beira da estrada encontro a trindade  na materialidade de três pequenas rochas, sagrada família.

Olhar aqui e aculá a contemplar a unidade e a pluralidade...

O som do metal na proteção de uma curva fechada.

O som em minha alma e na natureza o vento sendo riscado no garrancho da mata.

A luz fria do sol que vai aquecendo o dia...

O ir e vir...

A manga na sobra da mangueira, doce  amarelo. 

O céu azul.

A promessa de chuva.

A fé.

A estrela alva da vinca.

O café com leite.

A saudade.

E o desfecho da manha aqui e agora.

Existência e ser

 O tempo tem me revelado o que é a vida.

O tempo tem me ensinado a viver

Entre percepção e razão,

Entre a realidade e a fé.

O tempo é o combustível da minha existência.

Vida por vir.

A vida vivida é matéria do meu saber.

Sentimento... 

Ser...

Existir.

Entardecer a fluir

 A luz da tarde quebrando e caindo para o poente.

O silencioso calor do dia que termina 

Parece afagar nossos corpos.

O tic-tac do relógio marca 15 para as 15 horas.

A conversa distante dos vizinhos, o som do vento chegando.

A janela rangendo o sanhaçu, o filtro do vento.

A existência em esplendor.

Meio acordado e meio dormindo entre a percepção e a razão.

Eis o ser.

Eis a existência.

Um carro passa veloz e barulhento na estrada.

Um sentido e um sentimento transcende a minha existência.

Silêncio sinto a plenitude da vida.

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois cresceu.

Nossa casa foi baixa.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

Vinca

 Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.

Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.

O cuidado enche o espírito de força e energia para perpetuar a existência.

Transmitir valores

 Este ano de 2025 foi extremamente seco e as chuvas foram escassas. Estamos no dia 19 de dezembro. A mata está extremamente cinzenta e seca. A mim, não há novidade nisto. Já vivi tantas vezes esse fenômeno da seca. Apesar de tudo, a mata guarda suas belezas. O terreno está limpo. Foi limpo para usar o mato como forragem. Sai e fui até a mata olhar as formas vegetais. Triste! vi o João mole morto pelo fogo, vi o angico queimado... Vi troncos mortos. Fui até a borda da mata. No chão limpo encontramos sementes de fava. Então senti um cheiro gostoso e doce. No instante pensei que fossem flores de Juca. Fui até um pé de Juca ao lado de um Gonçalo-alves. 

Não era cheiro de flores de jucá, foi quando percebi que era o angico que papai preservou por tanto tempo. Vi que quase o fogo o havia consumido.

Vi o Juca que papai e eu salvamos...

Senti saudades de papai, mas estou feliz pela presença de Vinícius. Falei do papai para o Vinícius. Ele viu coquinhos e pediu que quebrasse para comer um. Quebrei vários e nós comemos e voltamos pra casa.

Sensação

 Céu nublado de nuvens de chuva.

O tempo está quente, mas o vento é fresco.

Sentei-me numa cadeira e ouço um caburé cantar longe.

Descalço saio da sala e vou à cozinha beber água.

O chão frio refresca o calor.

Encho um copo raso de água fresca. Enquanto bebo sinto o meu corpo refrigerar.

Olho lá fora na área onde está créo o louro e vejo um rixinó marrom, com listrinhas pretas está faltando em direção ao quarto.

Mudo a vista e vejo uma vasilha cheia de mangas amarelinhas

Então volto e sento na cadeira e isso é tudo.

Observador

 Em silêncio parte a tarde.

Há um grande vazio 

Um grande vácuo 

Enquanto o sol solve a luz

A terna terra esfria.

Em cantos mudos se ouve as aves distantes...

Sob nuvens não vemos o céu azul.

Nas bandas do chiqueiro canta a sabiá.

Enquanto leio Lucas

sábado, 20 de dezembro de 2025

Terra natal

 Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha casa paterna.

Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha terra natal.

O frescor da terra,

O cheiro do mato,

O canto dos sanhaçus, papacus, bem-ti-vis, o canto do João-de-barro.


Tudo tenho aqui tudo.

...

Aqui mora minha alegria,

Aqui vivo uma poesia.


Aqui é o meu lugar...


Aqui tudo é pleno.

Aqui tudo é sereno.


Aqui vivo com percepção.

Aqui vivo com razão.


Vivo o dia claro

E vivo a noite escura.


Aqui vive o catolé,

Ipê e cajueiro,

Angico e marmeleiro,

Aroeira e Juazeiro.


Aqui, nossas famílias se misturaram,

E nos fizeram...


Com o barro como Deus nos fez,

Nós fizemos nossas moradas.


Com o sopro como Deus fez a vida,

Nós rezamos nossas orações,

Preenchendo nossos corações 

De bons sentimentos,

Nós nos humanizamos,

E pecamos e pedimos perdão...


Aqui é nosso lar.

Vou parar para ouvir o canto de ouro cantar,

Parar para ouvir o cabeça vermelho trovar, o canção chamar, o vem-vem avisar e o loirinho grosnar.


Aqui é o meu lugar.

Lugar onde me fiz quem sou...


Aqui sou o que sou...

Massa moldada das mãos do senhor.


No seio amado por ele gerado de papai  Francisco e mamãe Francisca.


Aqui fui criado.

Aqui fui educado.

E hoje calado 

Canto para que jamais esqueça 

Que o melhor lugar do mundo 

É onde foi gerado,

Onde foi amado,

Onde foi criado.


A sua terra natal.

Sensações

 Em silêncio parte a tarde.

Há um grande vazio 

Um grande vácuo 

Enquanto o sol solve a luz

A terna terra esfria.

Em cantos mudos se ouve as aves distantes...

Sob nuvens não vemos o céu azul.

Nas bandas do chiqueiro canta a sabiá.

Enquanto leio Lucas

Passando

 Céu nublado com nuvens de chuva.

O tempo está quente, mas o vento está fresco.

Senti-me numa cadeira e ouço um caburé cantar longe.

Descalço saio da sala e vou a cozinha beber água.

O chão frio refresca o calor.

Encho um copo Roza de água fresca. Enquanto bebo sinto o corpo refrigerar.

Olho lá fora na área onde está creo o louro e vejo um rixinó marrom, com listrinhas pretas está faltando em direção ao quarto.

Mudo a vista e vejo uma vasilha cheia de mangas amarelinhas

Então volto e sento na cadeira e isso é tudo.

Coisas do tempo

 Este ano de 2025 foi extremamente seco e as chuvas foram escassas. Estamos no fim do ano. Hoje é 19 de dezembro. A mata está extremamente seca. A mim, não há novidade nisto. Já vivi tantas vezes esse fenômeno da seca. Apesar de tudo, a mata guarda suas belezas. O terreno está limpo. Foi limpo para usar o mato como forragem. Sai e fui até a mata olhar. Triste vi o João mole morto pelo fogo, vi o angico queimado... Vi troncos mortos. Fui até a borda da mata. No chão limpo encontramos sementes de fava. Então senti um cheiro gostoso e doce. No instante pensei que fossem flores de Juca. Fui até um pé de Juca ao lado de um Gonçalo-alves. 

Não era, foi quando percebi que era o angico que papai preservou. Vi que quase o fogo o havia consumido.

Vi o Jucá que papai e eu salvamos...

Senti saudades de papai, mas estou feliz pela presença de Vinícius. Falei do papai para o Vinícius. Ele viu coquinhos e pediu que quebrasse para comer um. Quebrei vários e nós comemos e voltamos pra casa.

Resistência

 Sob a luz intensa da tarde, num calor escaldante cresce a vinca. Nasceu na fresta da calçada.

Suas folhas verde escuro tão vivas, suas flores alvas desabrocham a vigorosas agradecendo o pouco de água doado.

O cuidado enche o espírito de força e energia para perpétuar a existência.

Férias

 Sassá está solto no mato. Já fizemos várias coisas. Fomos ao açude, andamos no mato, comemos coquinhos catolés, jogamos pedra, olhamos os porcos, contamos os porcos, olhamos o gado. A gente acorda cedo, agoa as plantas, são poucas... a gente andou com sherlock no mato. A gente desenhou, foi comer espetinho... Rimos, brincamos...

Nossa casa

 Nossa casa aconteceu.

Nossa casa nasceu do amor,

Nasceu do trabalho e do suor do meu pai.

Da dedicação de mamãe a família.

Nossa casa surgiu um dia e se transformou em um lar.

Nossa casa foi criança, nova e cheia de barulho, bagunça e alegria,

Nossa casa nunca estava vazia.

Nossa casa foi pequena e depois engrandeceu.

Nossa casa foi baixa e depois cresceu.

Nossa casa teve várias cores...

Foi amarela, foi rosa, foi Verde e foi  azul.

Nossa casa tinha mãe e pai.

Nossa casa passou por tantas coisas, alegrias e tristezas.

Nossa casa teve sentimentos...

Nossa casa assistiu nossa chegada e nossa partida.

Nossa casa descobriu as doenças do fim.

Nossa casa velou meus pais.

E ficou grande, velha e vazia.

Ainda sim é o nosso lar.

Seus netos nossa casa não tem tanto amor.

Nossa casa, neto é neto.

Nossa casa é agora a casa da tia.


Nossa casa no natal já tem aquela festa ha cinco anos,


Nossa casa o Natal perdeu o brilho...


Nossa casa é católica.


Nossa casa tem Maria, tem José, tem Jesus de Nazaré.


Nossa casa tem são Chiquinho.


Nossa casa não falta amor aos animais...


Gato, cachorro, gado, galinha e pato.


Nossa casa fica feliz com nossa visita...


Sorri de portas abertas...


Nossa casa um dia será por si.


Sois forte, existente, sois parte de nos.


Seus átrios preenchem nossas mentes de memórias e de saúdes...


Nossa casa como é linda, como amo te ornar.


Guarda lembranças do meu amor por papai, canecas de porcelana, um boi e um jaguar, imagens...

Fotografias, documentos...


O que é a nossa casa.


Nossa felicidade e nossa existência.


Nossa casa paciência com a vida.


Nossa casa é nossa vida, nossa vida vivida.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Eterno lugar meu lar

 Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha casa paterna.

Em nenhum lugar vou encontrar o que encontro em minha terra natal.

Bem longe da capital,

Bem longe de Natal,

O frescor da terra,

O cheiro do mato,

O canto dos sanhaçus, papacus, bem-ti-vis, o canto do João-de-barro.


Tudo tenho aqui tudo.

...

Aqui mora minha alegria,

Aqui vivo uma poesia.


Aqui é o meu lugar...


Aqui tudo é pleno.

Aqui tudo é sereno.


Aqui vive plena minha percepção.

Aqui vive plena minha razão.


Vivo o dia claro

E vivo a noite escura.


Aqui vive o catolé,

Ipê e cajueiro,

Angico e marmeleiro,

Aroeira e Juazeiro.


Aqui, nossas famílias se misturaram,

E nos fizeram...


Com o barro como Deus nos fez,

Nós fizemos nossas moradas.


Com o sopro como Deus fez a vida,

Nós rezamos nossas orações,

Preenchendo nossos corações 

De bons sentimentos,

Nós nos humanizamos,

E pecamos e pedimos perdão...


Aqui é nosso lar.

Vou parar para ouvir o canto de ouro cantar,

Parar para ouvir o cabeça vermelho trovar, o canção chamar, o vem-vem avisar e o loirinho grosnar.


Aqui é o meu lugar.

Lugar onde me fiz quem sou...


Aqui sou o que sou...

Massa moldada das mãos do senhor.


No seio amado por ele gerado de papai  Francisco e mamãe Francisca.


Aqui fui criado.

Aqui fui educado.

E hoje calado 

Canto para que jamais esqueça 

Que o melhor lugar do mundo 

É onde foi gerado,

Onde foi amado,

Onde foi criado.


A sua terra natal.

Mangangá anoitecendo

 Anoitece suavemente,

A quentura se desfalece,

A mamangava segue seus sentidos,

Voando em direção ao cheiro da flor,

Zoando, zigue-zagueando...

Segue as flores de feijão bravo 

Encontra uma a uma,

Beija uma a uma...

Já não vejo as plantas,

Nem as abelhas

Vejo a silhueta,

Ouço o zunido, 

O zunido de seu vôo ao voar e a beijar as flores que estão acolá.

Rosa um evento

 O ano inteiro a roseira trabalhou.

Então algo aconteceu 

E na roseira um botão apareceu,

E foi crescendo,

Acontecendo,

O botão cresceu, 

E assim a rosa floresceu...

Rubro vivo,

Perfumado rubro,

Macio rubro,

Rubro simétrico,

Pluripétalo rubra...

Efêmero momento.

Intenso e eterno momento...

No extremo da existência germina

O início da inexistência...

Então a entropia 

Foi se delineado para o fim.

E o fim aconteceu.

Momentos depois 

Tudo voltou ao início.

Sassá na Serrinha

 Sassá viajou. Está na casa da tia Li. Ontem foi um dia de canseira. A viagem de João Pessoa a Serrinha é longa. Saímos do litoral da mata atlântica e cruzamos a caatinga no cariri e sertão da Paraíba. Subimos a borborema, passamos na rainha da Borborema Campina Grande, comemos os pães doce em São José da mata. Passamos na linda igreja de Santana, uma das mais lindas fachadas... Passamos em Joazeirinho, a charmosa Junco do Seridó. A linda cidade da Santa Luzia, São Mamede e Patos onde abastecemos. Seguimos até Malta, onde fomos ao novo Santuário da Paraíba, compramos queijo em Condado, fomos embora por São Bentinho, demos um olá na terra dos grandes paraibanos Arruda Câmara e Celso Furtado, terra de Helena Candeia a querida Pombal. Depois subimos no sentido Gericó, Mato Grosso, a terra dos donos do Bem Mais Riacho dos Cavalos e a terra de Chico Cesar... Fomos cair no Rio Grande em Patu...

E por Fim Serrinha minha terrinha.


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Devir

 Numa manhã tudo terá passado.

E o sentido terá terminado.

Em uma manhã o que se mostrou,

Já não existe.

E nós que seremos?

Ver tantas vezes esse movimento.

Não dá para entender que tudo está mudando.

Tudo é devir.

Cedo ou tarde chega-se ao fim.

É só um pouco

 Papai cuidava de nossas plantas em Serrinha onde na seca a água é um recurso escasso.

Ele cuidava das vincas, do jasmim de laranjeira, das graviolas, da laranjeira e do coqueiro.

Então quando chegava alguém ele conversava enquanto cuidava. E dizia é só um pouco para ela a planta não morrer.

Lembrou muito bem isso, meu primo gêmeo Livanilson filho de tia Nina.

É só um balde.

Ouvi papai falando.

Inteligente e amostrado

 Sassá anda empolgado!

Gosta de ouvir que é inteligente.

Ontem comparamos um quebra-cabeça com 30 peças. disse para a mãe que ele montaria muito rápido.

Então em pouco tempo montou uma, montou duas montou três vezes.

O jeito é comprar mais outro.

Já está quase lendo... 

A gente ri com ele.

E ele se sente todo orgulhoso de ouvir que é inteligente.

E amostrado.

Sentido

 Santa Luzia,

Cidade,

Padroeiro!

Fé.

Luz,

Sentido,

Razão.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Santa Luzia

 Sassá foi a festa de Santa Luzia em Carnaúba dos Dantas, terra de seus amigos e seus pais o padrinho dele. Adorou a cidade, o monte do Galo, a grande nossa Senhora das Vitórias, a igreja de Santa Luzia, de São José. Ficou encantado com tantos romeiros, as bancas de brinquedos e comidas. Foi na cobra onde tem um parque de Dinossauros. Brincou, pulou, sorriu e se divertiu como nunca. Ontem no retorno estava rindo àtoa. Agradecemos muito por estes momentos tão eternos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Desmame

 Sassá agora parou de mamar. O contrato era só até cinco anos. Só que nós adiantamos a festinha para comemorar com os amigos. Então agora ele entendeu. Está sendo muito difícil, mas ele já entendeu e está sendo forte. Foi dormir ontem sem o cheirinho da mamãe. Desmame feito. A mamãe pode agora dormir bem. A mente controlando a vontade.

A madrugada do ser

 Em silêncio a madrugada tece a manhã,

Em silêncio o tempo tece a existência.

Em silêncio a mente tece o ser.

A consciência se preenche de inconsciente e consciente!

A madrugada essa percepção,

Amanhece razão!

Conceitos universais...

Fenômeno, Giro copernicano...

Kant, Pessoa... Crítica da razão... tabacaria...

Amanhece!

Desperta! Cogito ergo sum... Descartes.

Razão - emoção!

Emoção - Razão...

A madrugada emotiva tece a manhã...

As moiras cortam o fio e a manhã nascida cresce.

E a luz intensa cega...

Ao meio dia que enxergamos de plenitude?

Estamos incomodados com o calor.

Os capins não estão nem ai.

Eles se adaptaram ao meio dia,

Aos campos abertos...

Platão grande sol...

Quantas metáforas adicionaremos a tua filosofia...

Quantos Deuses ensimesmados com suas "ideias",

Não percebem que tu sedes a gênese do pensamento ocidental.

Hegel, soube disso! Ancorou no ocidente!

Schopenhauer, encontrou um amanhecer no oriente!

Hegel e Schopenhauer são a ponta do iceberg do grade Goethe!

E Nietzsche! com uma linha firme teceu sua filosofia!

Poxa! Quero colocar Borges aqui!

Borges se encantou com os labirintos,

Borges via o labirinto no espelho.

Borges se encantou com as ideias

E leu e releu "As mil e uma noite"

Sabia profundamente da bíblia sua avó paterna inglesa sabia a bíblia decôr.

Nas não vi Borges falar de Cervantes! Um sol imenso.

Das maravilhas da vida me encantaram a música,

A madrugada me ensinou a ouvir o silêncio!

Na madrugada meu inconsciente me explicava as coisas,

Um lampejo de entendimento se fazia ai.

E do silêncio nasce a harmonia,

Cristaliza-se os pensamentos.

Então, por onde começar a ouvir a música,

O Chopin azul,

O Mozart amarelo,

O Bach vermelho,

O Beethoven verde,

O empolgado com o mundo das representações Wagner...

O que é isso amigos!

O que é tudo isso amigos.

Se chegou até aqui.

É porque tens paciência, é demasiado racional por buscar um sentido.

Está entrando em minha mente.

Podes até ver algo muito louco...

Mas não há loucura aqui há seleção.

Recentemente descobri a universalidade e a grandeza da fusão de canção, ideias e universalidade do mundo. Acreditem e é verdade. No meu torrão.

Eliseu Ventania e suas canções universais.

Desperto para o tempo, para a existência,

Sintético, preciso e peculiar.

Quem ouve sua canção por ele cantada encontra beleza e particularidade em sua voz autêntica.

Em Valdir Telez o paraibano-pernambucano encontrei genialidade.

Nos paraibanos do sertão Os Nonatos que brilha agora,

No Grande João Paraibano, no superastro pedra de quina Ivanildo Vila Nova...

E ver o mundo através das telas de Flavio Tavares, Clovis Junior, Wandemberg Medeiros...

Meu Deus Seridó, Agreste e litoral...

Bom me levou a ver toda essa luz os girassois de Gogh.

É preciso olhar de perto para enxergar o vermelho,

É preciso olhar de longe para enxergar o azul...

Princípio de ondem de tudo isso.

Bom ouvi isso de Cirne Lima lá do Rio Grande do SUL.

Quem entendeu Black?

Quem entendeu Hegel?

Quem entendeu a Paraíba e suas particularidades!

A peixada do amor,

A Feijoada do João,

A tapioca do Irmão Firmino,

Os bolos do Diegos...

Bom na parte está o todo.

E eis que o dia já acabou.

É isso.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Livre arbítrio

 Inconscientemente algo acontece o tempo todo em mim.

O inconsciente!

A célula!

O irracional,

O racional.

Quem antecede?

Qual é a relação?

Vivo, enérgico, saudável.

Metafísica.

Existência.

Ser.

Tudo isso só faz sentido

A luz da razão,

A luz da consciência,

Do pensamento...

Que é tudo isso?

Desprender para mudar

 O verão intenso,

Seca!

Poeira, e estiagem.

As árvores florescem e nem sentem,

Vão buscar água no subsolo.

Mas sofre e muda,

Abri a janela,

E ouvi o som das folhas se desprendendo dos ramos,

Folhas amarelas,

Flutuando pelo ar...


A Música

 A música tem a capacidade de tirar do fundo da minha alma sensações profundas que vivi e não percebi neste mundo. A música se comunica com o inconsciente. A música nos faz se comunicar com o mundo de forma energética ou espiritual.

Carão com carinho

 Ontem foi duro, Sassá estava muito danado. Desobediente, a mãe estava trabalhando e ele desobedeceu. Então ficou de aviso no quarto. Chorou, mas passou. Fui bastante duro com ele. Mas ele foi superior a mim. Disse que queria desenhar e escreveu no papel. Eu te amo mamãe, Deus te abençoe. E ai disse que queria outro papel. Então ele disse que ia fazer escondido. E pediu para eu dizer como Escreve... 

Papai, Eu te amo! Deus te abençoe. Desenhou um coração e eu andando de esquete. 

Então ele disse ninguém vai fazer um cartão pra mim.

Fiz. VINICIUS. Você é muito importante para mim. Te amo eternamente.

Depois fomos tomar banho e brincar na cama.


Eternos

 Somos a soma viva de todos nossos antepassados que já existiram.

Somos impares.

Somos eternos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Sorte

 Nem percebi, mas aconteceu,

Do ramo surgiu um botão,

E do botão a rosa desabrochou,

O botão calado e tímido,

Passou desapercebido,

A rosa! se mostrou toda,

Se derramou em beleza,

Em simetria, em cor, em perfume e em maciez.

Por se mostrar de mais a rosa foi colhida,

Despetalada, devorada.

O botão teve plena sua existência,

Já a rosa!

Dependeu da sorte da vida.

Boa ou má sorte?

A existência se mostra

 Não se percebeu o início,

Mas estava lá a se dividir

Mas estava lá a se multiplicar,

Da gema, cresceu um botão...


Por dias a se preparar,

Cresceu sem parar.


Um dia do nada,

A flor desabrochou,

Numa antese triunfal,

O botão se fez flor,


A flor negou o botão,

Em plenitude de beleza,

Pétalas encarnadas,

Pétalas perfumadas,

Pétalas macias,


Com os olhos devorava a beleza,

Com o nariz devorava a beleza,

Com os dedos devorava a beleza,


Foi só um dia de plenitude,

Apenas um dia de existência,

A rosa logo desapareceu,

Enquanto outros botões

Geravam as rosas,


Então! vale a pena plantar,

Vale a pena cultivar,

A existência é um fenômeno.



No Burracheiro

 Ontem foi o primeiro dia de férias de Sassá. Com ele a casa fica cheia o tempo todo. Tudo muda de lugar. Inclusive nossas mentes ficam uma bagunça. Nós íamos ao dentista, mas não deu certo. Assim saímos para ir trocar os pneus no borracheiro Nil, no Castelo Branco. Fomos conversando, distraindo. Sai das três ruas, pega a avenida do contorno e ai vemos a mata e a universidade. Amamos! E ele pergunta mais uma vez, de 1001, quais os bichos estão ali... falo os que conheço. Vamos indo até o lugar. Lá, só observou. Ficou quieto e muito atento ao serviço. Não quis sentar-se no meu colo, preferiu o banco ao lado. E fiquei ali, abraçando e cheirando. Foi rápido. Então voltamos para casa e ele nem pode sair para caminhar comigo. A mamãe não deixou por ele está com uma tosse. Ficou lendo a turma da Mônika. 

Gostar do cotidianho

 Gosto do meu trabalho! Às vezes me pergunto como tudo aconteceu. Eu que na minha adolescência imaginava impossível passar no vestibular numa federal. Mas aconteceu e estou aqui. 

Gosto do silêncio do campos, mas não é o silêncio do fim de semana ou dos dias feriados.

Não é o silêncio que promove os primeiros momentos da manhã. Aquele momento em que a mata ainda tem sombra de fria. Os portões recém abertos, o estacionamento vazio. Os meninos que lavam carro ainda estão tomando o café e conversando. Os terceirizados estão batendo os pontos e ou chegando e ocupando os recintos. Dentre eles tem Josenildo meu amigo e parça. A gente conversa sobre coisas triviais até chegar no Departamento. Então vou pra minha sala e tenho o silêncio. Não pense que sou o primeiro a chegar e a gostar disso! Não, Rivete, o professor de anatomia Vegetal, chega primeiro. Bem na minha sala, penso, escrevo e leio sob o silêncio ou o canto das aves. Contemplo a mata, a aroeira fernanda. E o meu dia vai ganhando forma, luz e paz.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Aprendiz

 Minha vida mudou tanto quando passei para o ensino médio. Fui estudar a noite em Martins no Joaquim Inácio. Tive excelentes professores. 

Um deles era uma professora, Oneide. Minha professora de português. Não tive dificuldade com ortografia, tive e tenho com a sintaxe. Enfim, adorava as aulas com os textos e suas análises. Gostava de escrever no caderno e ver ela escrevendo no quadro. Ela tinha cabelo curto, uma voz pensativa e gostosa de se ouvir. Havia uma áurea de experiência e amor pelo ensino. Um texto maravilhoso e marcante que nos passou foi o texto rua dos cata-ventos de Mário Quintana... 

Nas tarde fagueiras, na minha cadeira de balanço, no corredor da biqueira, li e reli tantas vezes, as rimas, os sentidos e a solidão.

Aquele texto marcou para sempre na minha vida. Procurava e não encontrava e nem sabia que rua dos cata-ventos é um livro com 17 sonetos. E que o soneto que conheci foi o soneto II. Recente comprei um livro de poemas de Mário Quintana e descobri essas informações.

Estou descobrindo a genialidade ou a sensibilidade daquele maravilhoso poeta. Estou concomitantemente lendo o DNA do nordeste do poeta Lino e um livro de poemas e imagens de Wandenberg Medeiros. Já li Neruda, mas faz tempo que não leio.

Recentemente conheci a poesia de  Waldir Teles... E conheci pessoalmente a poetisa Lizbethe Oliveira e converso sempre com o poeta Anacleto!

Em meio a este universo concreto e abstrato vou tentando dar alguma matéria para meu espírito construir alguma coisa.


Acho que em meio a estes busco temas que sejam universais.


Descobri ou redescobri o poeta de nossa cidade Martins Eliseu Ventania, que foi um grande cancioneiro...


E falar o que de Patativa do Assaré?


E falar o que de Borges?


O que afinal forja um poeta!?


Que falar de Drummond?


Manuel Bandeira?


Tiago de Melo?


Manuel Bandeira?


João Paraibano?


Pinto de Monteiro?


Estou apenas descobrindo...


Uma vida não seria suficiente...


E o grande Leonardo Bastião?


E Padeiro?


...


Salvo o absoluto...


E entender que tudo foi gerado numa aula de português?


Numa mente jovem com vontade de vencer.


Numa mente que acreditou numa ideia.


Que a palavra tem poder de mudar o ser.


Mestre Oneide!


As suas aulas me encantaram mesmo sendo pura abstração...


Mario Quinta naquele poema me fez viajar e agora terminado esse universo.

Conceição

 Hoje é o dia de nossa senhora da Conceição.


Padroeira da minha cidade natal primeira Martins no Rio grande do Norte.


Minha avó sempre ficava feliz neste dia.

Era um dia de festa na época da avó, da mãe dela e de mamãe.

Eu não tive essa cultura, mas sei que mamãe gostava de celebrar a festa da padroeira de sua vida antes de nós.


Assim, peço bençãos e proteção de nossa senhora da Conceição.

Eterna manhã

 O sol acendeu a manhã.

O vento afaga a manhã.

As aves cantam para a manhã.


O silêncio,

A palavra,

A contemplação.


Que fazer com tudo isto?


O sol aquece a manhã,

O vento refrigera a manhã,

As aves sentem o sol,

As aves sentem o vento,


Ora calam,

Ora cantam.


Eu que não faço nada

Apenas sou.

Apenas estou sendo,

Quando tu leres pode ser que ainda seja ou não.

Atemporal é eterna é a manhã.

Amor ágape

 Semear o amor,

Aqui, alí e aculá,

E encontrá-lo na flor

Ou no riso do bebê,

É muito fácil.


Encontrar o amor 

Na dor, na fome,

No choro isso é impossível,


Nesses momentos é preciso doar o amor...


Encher nosso peito de amor 

E doá-lo sempre...


Estimularmos sempre 

Para que sejamos amor.


Semear e cultivar o amor

E assim colher e doar amor.

Decifrar

 Sábado, um 07 de dezembro, dia após a última aula do ano de 2025. Sentei com Sassá para ler e desenhar o amigo coala e a saga de sua arca. Livro encantador chamado "a Arca do Coala". Nós lemos e desenhamos os personagens. Foi encantador ver que o coala apresenta em suas mãos a divisão de três dedos sendo organizados dois para um lado e três para o outro diferente de nós que temos o polegar e os outros quatro. Só observação. O que me chamou a atenção foi o fato de Sassá ter aprendido a ler, timidamente, mas leu a primeira palavra. A poucos meses ele entendeu quando sua mãe pronunciou para mim a palavra V A- C I- N A. Fiquei radiante porque usamos a letra B e ele repetiu várias palavras com a letra Bola, belo, Beleza... Está quase lá. Depois desenhamos a garça bico de Sapato... E assim foi a manhã embalada em aprendizagem.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Apresentação de Natal

 Sexta-feira, ocorreu a apresentação de Sassá na escola. Vestido todo de branco. Estava radiante com seus cachinhos e seu sorriso de tubarão. A coreografia junto aos seus coleguinhas foi linda. Foi também seu último dia de aula do ano 2025, infantil V. Segundo ano Carl Rogers. Estamos radiantes, pois já está quase lendo. Conhece todas as letras do alfabeto. Sábado Nós brincamos de escrever e ele já leu algumas palavras. Falta pouco para ele tomar consciência disto. Enfim, A apresentação foi linda. Depois fomos para o mangabeira Shop e ele ganhou um livro lindo. Chegamos em casa e fomos lê o novo livrinho. A arca do Coala... Gostamos muito dos desenho. 

Gratidão

 Na minha vida parecia haver um vazio. Como a gente é perdido da vida quando é jovem. Vazio nada, meu mundo era amplo e maior do que eu conseguia ver. Eu tinha pai e mãe e avós e tios e um lar e bichos e tanta coisa. As Músicas que enchiam minha vida de esperança Padre Zezinho... Tínhamos Deus em nossos corações e todas as suas extensões nos sentimentos amor, paz e alegria... Tudo isso me enche de alegria e gratidão. Vejo o mundo com a doçura do meu, a suavidade da brisa antes da chuva, universal como seu cheiro... Gratidão.

A minha mãe

 Minha mãe, minha mãe, minha mãe.

Hoje é dia de nossa Senhora da Conceição! A ti era sinal de felicidade.

Filha de uma Mariana, sua mãe era uma Maria da Conceição.

No seio de Martins nascestes e assim também o foi sua mãe e sua avó... assim tivestes seus filhos.

Acendi duas velas a imaculada Conceição uma para a vovó Sinhá e outra para ti minha mãe.

Sim, Quando você partiu senti o maior vazio de minha existência, mas Nossa senhora da Aparecida no dia 24 de julho me fez entender a eternidade do mundo e da existência, me fez entender que estavas com ela, então meu coração sossegou. 

Obrigado pelo seu infinito amor e por tudo que me ensinou mamãe... Sabe mãe a gente tem que ensinar aos nossos filhos a bondade e o amor e a vida se encarrega da felicidade de cada um, da paz e do sossego.

Mamãe! Sempre te disse que te amava. E continuo te amando e sendo grato por tudo.

Sou franciscano e mariano... Sinto falta de nossa terra. Ali onde os nossos se multiplicaram e vivem. Ali onde nossa existência tanto aconteceu... Só levo uma coisa frente a tudo isso que é o amor ao próximo.

Amém



sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Orgulhoso

 Sassá já tá todo animado porque vai para o infantil cinco. Ontem saiu da escola com um sorriso enorme no rosto. Ele vinha trazendo a lancheira, a pasta e a pasta de livros. Enérgico e feliz não me deixou levar seus materiais escolares até o carro. Quis fazê-lo sozinho. E eu rindo dizia: - Vixe! Que rapazinho. Ano que vem é infantil V. Todo fofo levou o material até o carro. Quando chegamos em casa! Ele subiu primeiro. Enquanto isso fiquei aguando as plantas. Então ele desceu sozinho, pegou os materiais e os levou para casa. Muito orgulhoso. Em casa tome fazer brincar, pular, rir, falar... Essas coisas que amo.

Vejo

 A imagem no espelho revela marcas do tempo vivido.

As experiências, os encontros, os afetos.

Cada marca tem um dia, um momento, um instante.

A mente se apega a um traço,

E abre a porta da memória e divaga.

Onde estou nesta história?

Em frente ao espelho, 

Atrás do meu olhar,

Em algum lugar sem espaço,

Pois memória não tem materialidade...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Falta da tia Li

 À noite, ontem, fomos ao parque Solon de Lucena, a lagoa. Está linda, com muitas luzes coloridas e reluzentes. Sassá correu pra todo lado. Todo feliz! Fomos a casa do papai noel, tiramos fotos nos homens de neve, nas estrelas de luz, no túnel. Caminhamos pelo entorno de toda a lagoa. Tinham parques e bancas de comidas. Depois deixamos a tia Li na rodoviária e se fechou a visita de tia Li que veio para o aniversário de Sassá. Ontem de manhã eles foram a praia de Cabo Branco e almoçaram no Shoping sul. Bem, após deixar tia Li na rodoviária, Sassá ficou morrendo de saudades. Quando chegou em casa ele disse que estava sentido falta da tia Li. Depois sossegou, tomou banho e dormiu como um anjo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Terceira-romaria Nossa Senhora da Penha

 Sábado, 29 de novembro de 2025

Fomos a procissão da Penha Lidiana, Vinícius, Dayane e eu.

Saímos do centro e caminhamos até o nosso Bairro Bancários.

Foi uma chuva de Bençãos do início até o fim.

Estou tão feliz pela presença da minha irmã e do meu filho e da minha esposa nessa belíssima caminhada,

Cheia de gratidão na alma e amor no coração.

Graças eternas...


Via, além do mar

 Jesus Cristo é luz e amor

E são Francisco nele se inspirou,

Frei Damião ele professou.


Aprendi a rezar o pai nosso e nunca mais parei de orar 

Essa oração que Jesus deixou,


Em Canindé romeiro não para de chegar 

Para sua fé em Francisco professar.


No interior da Paraíba, e do Pernambuco 

Frei Damião é inspiração de força,

Amor e fé...


Jesus, Francisco e Damião Pilares de nossa existência,

Exemplos de fé, resistência e amor,


Frei Damião aqui pisou, a professar 

A fé em Cristo...


Quem sou eu nesta

Historieta

Um devoto que só 

Tem a agradecer 

Por tudo de bom

Para a vida nestes mestres da vida

No Cristo 

A minha melhorar.

Fé em Cristo

 Jesus Cristo pai eterno, 

Uma estrela apontou 

E seu nascimento anunciou.

Quando nasceu 

Sua mãe o acolheu.

Jesus Cristo ensinou

Aos pecados perdoar,

Dos pecados se livrar...

Jesus nos ensinou pela palavra e pela ação...

A ouvir e a calar,

Pra depois anunciar 

Seu entendimento sem julgamento...

Em silêncio resistiu,

E da cruz se fez a luz,

Um cordeiro embolado 

Nos tirou o pecado, para sempre eternizado.

Não tem um só ser

Que conhecendo faça reverência,

Agradeça e reze e torne mais leve a consciência do viver.

Poetisa

 Aquela senhora tão agradável, minha amizade cativou. Seu sobrenome de planta Lima e Oliveira. Sua pele flor de Jitirana com ouvido ativos e atento ao momento. Filtrou o seu olhar no meu olho me olhou minha alma escaneou. Generosamente histórias me confessou, como um cubo de quatro faces de seis cores a nossas almas se combinou em poesia, contemplação, amizade, atenção cumplicidade e admiração.

Uma Lima paraibana, um Teixeira potiguar um encontro espetacular e o momento concluído plenamente vivido e nada mais.

Novo dia

 Acordei fui a janela e vi viva a madrugada.

O vento frio soprava, uma estrela no nascente brilhava, o galo longe cantava, o bem-te-vi aos irmãos algo anunciava, os grilos alto cantavam.

Desperto e contemplei a alvorada...

Feliz fiz uma viagem no tempo Vovó Zé, vovô Sinhá, papai Chico... Tão contente acordavam e suas mentes a pensar no dia por se doar e a vida se realizar.

Voltei e me deitei e contente agora estou com a conclusão deste evento concluo meu pensamento.

Apenas intuição

 Eita que Sassá está muito esperto. Está com a tia de visita em nossa casa. Ontem, mesmo minha irmã que é doida por televisão falou que nós deveríamos ter uma tv em casa. E ai Sassá já foi concordando com a tia. É verdade tia, o meu papai tinha que comprar uma televisão pra gente ver desenhos. Bom a gente não pode livrar os filhos desses acessórios, mas quero antes de mais nada que ele primeiro aprenda a ler. Depois que ele aprender a ler ai vou pensar no caso. E não tenho argumentos amarrados quanto a isso é apenas intuição.


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Cinza

 Cinza metálico e frio,

Ferro e alumínio,

Cinza nublada tarde.

O silêncio das nuvens!


Cinza cas fria,


O fogo brulando.

Delimitando uma existência.


Presentes

 Sassá está tão feliz com seus novos brinquedos. Ontem tadinho queria atenção, trouxe os brinquedos, mas estava tão cansado que nem consegui brincar como deveria. Até apaguei na rede. Depois fui para o quarto. Ele estava com a mamãe lendo a turma da Mônica, mas a mamãe dormiu também. Ele viu o livro doutora era uma vez e dormiu. Ai, levantei apaguei a luz e roncamos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Aniversário do Sassá

 Sassá ficou muito feliz este fim de semana 29-30/11/25. Foram dois grandes eventos. Contamos até com a presença da tia Li. Sábado fomos à romaria da Penha, saímos da igreja Nossa senhora de Lourdes e caminhamos até os Bancários. Ontem domingo, ocorreu a festa em comemoração aos seus cinco anos. 

Essas coisas que enchem o coração de felicidade.

domingo, 30 de novembro de 2025

Memória, fotografia e repetição

 As memórias são fotografias guardadas nos enormes álbuns de nossa mente.

Vez por outra a gente abre esses álbuns.

Pior que nem sabemos exatamente qual a impressão que fez estes álbuns se abrirem.

Pois bem. Francisco de Assis é um santo muito cultuado por minha antiga família, meus avós e bisavôs do ramo paterno que ao que parece morrerá com minha geração. Mas isso não vem ao caso. O caso é que uma das particularidades dos franciscanos é a generosidade. E bom chamamos isso de coração mole. Deveras é uma excelente metáfora. Bom, ir lá em vovó era mexer com memória. Acho que isso influiu muito em mim. O fato é que muitos dos nossos primos e irmãos herdaram essa característica, minha irmã Rosângela e meu primo Françuar nome francês que quer dizer Francisco. Um dia cheguei a casa de minha avó. E eu estava feliz e ela estava feliz. Feliz porque ia conhecer Françuar, pois sempre diziam que ele se parecia muito comigo não do contrário que eu se parecia com ele. E eu gostava disso. Ele foi embora e passou muito tempo sem vir e só o conhecia através de referências. Bom ouvia falar que ele era inteligente e ser inteligente é uma grande qualidade. Enfim, vovó falou feliz, balançando a perna e adoçando o café que ele, França tinha dado 5 reais que seria o valor de 50 reais hoje. Tomamos o café e ele contou tão feliz. Aquela foi uma das últimas vezes que nos vimos. Mas celebrei essa alegria. Bom o conheci e fiquei muito feliz. Ele me deu uma camisa branca. Gostava e gosta de agradar. Tenho muita admiração por muitas qualidades de meu primo como generosidade, simplicidade, lealdade e respeito. 

E é isso.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Despertar

 Por um momento senti a vida em plenitude, e já não tinha tanta juventude.

Pensei no tempo que nada tem de materialidade,

Vasculhei na memória em busca de algo e nada encontrei a não ser sentimentos e vida vivida.

Aquele momento que passou esse momento que tudo é... Essa realidade pasmada.

Senti um medo perverso que temos quando entendemos e sentimos a finitude da existência.

Sorri e chorei ao mesmo tempo.

E quis escrever pra nunca esquecer que o amor é o equilíbrio que nos faz seguir a diante mais um instante.

Leitura

Ler Neruda, Drummond, Lino, Quintana...Pessoa

Ler.

Ler vai além de ver, ouvir, cheirar, tocar vai além de saborear... Está para além do espaço e do tempo.

Ler é algo sem limites se revive uma sensação.

Quando se alça uma definição...

A leitura é memória desperta e é estar alerta em deixar a vida passar é ir além do momento no espaço e no tempo.

Essas coisas ai 

Silêncio sertanejo

 Vejo cenas do sertão,

Ouço música de meu chão,

Bate logo uma emoção.

As estradas de barro empoeirada,

A mata seca encinzentada,

O ano chegando ao fim,

As luas no céu limpo e estrelado,

Já estou emocionado,

Com saudades do meu passado,

Papai, mamãe e tudo que se passou.

E essas noites escuras, silenciosas e solitárias ecoando em minha mente aquela esperança de tudo vai melhorar 

E essa esperança me alegra ao entender quão maravilhosa é a minha vida,

Esse cenário e personagens e nada mais.

Intervalo

 Tudo passa tão de pressa e nem percebemos esse movimento. Não percebemos o que é o início ou o meio e muitas vezes o que é o fim. Porque a vida é continuidade é apenas nascimento e morte esse intervalo é o viver e viver é esse eterno devir... Essa esperança que nos alimenta esperando melhorar sem nunca parar para entender o que é ou o que foi ou o que será.

Momentos

 A tarde quente nasce e ao nascer já tende para o fim.

O claro da luz do sol do meio dia vai se diluindo em vermelho e laranja e amarelo e azul e noite

Serrinha da infância

 Faz tempo que abracei uma ideia. Lembro que ainda era menino, mas foi naquele momento que fiz o alicerce que me permitiu crescer e ser e amar o que faço e sou. Aprendi a ler e com a leitura a me envolver e a crer nas ideias que nos foram transmitidas. A ideia da educação e o progresso e do crescimento e do amadurecimento e da força da bondade. Essa ideia  vivida por Cristo e difundida por Paulo e difundida pela humanidade. Tudo se passou na relação íntima e estética entre mim e os livros... Lá em casa em Serrinha do Canto.

Lá fora

 Havia unidade aquela ingênua unidade, um pouco de imanência. Sabia da transcendência do mundo via razão e não via experiência. O lugar mais distante que havia ido era Alexandria. E já sabia que a grande fonte de conhecimento era a  percepção. Eu imaginava o mundo. 

Agora sei que cada lugar tem suas peculiaridades e a gente se acostuma com esta, mas nunca a domina...

A gente vai absorvendo o mundo, todavia não chegamos a conhecer o mínimo dessa unidade que é o absoluto.

Leituras

Um pouco de paz.

Sentava na cadeira de balanço. Abria um livro e deitava a vista a leitura. E queria devorar aquelas ideias tão maravilhosas.

A dois metros dali a luz do sol torrava a poeira. A sombra da algaroba amenizava o calor da tarde. Mamãe roncava seu cochilo sagrado. Daqui a pouco vovó se levantava e como quem anda tateando sai a porta e olhava o mundo. Com um olhar de quem já viu tanta coisa e de quem sabe o que é a vida. Saia e olhava o mundo através de seus óculos e sua boca que já perdera a força das mandíbulas. 

E a tarde caia assim eu dividindo a atenção entre o livro, minha avó sinhá e o mundo.

E a tarde caia quente...

Reencontro

 Encontrei de novo a poetiza, esposa de meu professor Paulo Marinho. 

Seu nome Lizbete Oliveira...

Quando a encontrei, o que vi e a mostrei?

Um buquê de flores de sambucus...

Contemplamos o cheiro.

Confluência ela falou, não coincidência.

Ela falou que sua mãe falava de uma mata de sabugueiro entre Solânea e Bananeiras.

Devia ser muito perfumado...

Deveras.

Refletimos muito nossas ideias.

Coincidentemente estávamos no mesmo tom, verde.

Quase a conversa não terminava e nunca vai terminar,

É bom conversar com quem pensa como a gente, valoriza as mesmas coisas...

A poesia, sinestesia, alegrias e o amor pela vida....

Razão inconsciente

  Nas três ruas vi um canarinho,

Tão amarelinho.

Olhei para ele

E ele me olhou...

O que ele viu?

Era tão bonitinho.


Hoje na UFPB,

Ouvi um canarinho,

De certo não estava sozinho...


O que ele disse?

Padeiro

 De poesia vou falar,

Na Serrinha conheci,

Um poeta popular,

Padeiro seu apelido,


Era sério e envolvido,

Com respeito todos tratava,

Sua família linda e amada,

Ouvia poesia em cantoria,


Tinha uma voz serrinhense,

Doce feito rapadura,

Da vida dura tirava os versos,


Que pena não foram impressos.

Na internete a rolar,

Uma linda coisa a declamar,


O amor pelos versos,

Pela cantoria...


Quando da vida se despediu,

Muita tristeza e choro nos envolveu,

Aos som dos versos foi velado,


A cantoria seguiu o cortejo,

Ainda lembro desse dia,

Estava com quem tanto amei não é mais,

Foi na casa de meus pais,

Que papai falou quanta homenagem bonita,

Quanta honra.


Se despediu da vida dura,

Deixou na memória o amor,

A poesia que tanto queira.

Só para não esquecer,

Sua família segue viva,

E o tempo esse tudo engole,

Nesse verso eternizo,

O grande poeta popular.

Serrinha dos Pintos potiguar

 Sou potiguar e vou falar,

Nessa terra querida,

O berço de minha vida,

Onde aprendi a andar.


Sou da bela Serrinha,

Autoeste potiguar,

Pouco se sabe sobre lá,

Por ser pequena foi ruínha,


Terra de gente boa,

De beleza e alegria,

Que na lida não fica atoa,


Sou do canto da Serrinha,

Bairro da Serrinha grande,

Autooeste potiguar


Raiz do amor

O amor é um sentimento de intensa amizade.
Amar é cozinhar, ternamente a gente vai amando e sendo amado.
Amar tem um ponto nem muito fogo nem pouco fogo,
Nem muito tempo, nem pouco tempo.
Amar é uma combinação de corações...
Pode acontecer entre outros e não com você.
Pode acontecer entre você e outro e não outro.
Amar é um mistério.
Gostamos de crer neste mistério.
Amar tem a raiz no respeito, carinho e amizade.

Monstros e raios congelantes

 À noite, Sassá e eu fomos desenhar. Gostamos de desenhar seres monstruosos e pensar nos seus poderes. Ontem ele começou desenhando algo crocodilesco. Eu pensei em formas elíptica, boca, oblongas dentes...

Olhos Sassá usava o azul como sendo raios congelantes que petrificavam meus seres. Com o amarelo cercas que isolavam meus seres. Fez uma formiga gigante para devorar meu monstro. Coloquei um vírus nela e ele tacou um raio congelante. Ele usou marrom também. Fiz uma serpente e ele imobilizou ela...

No fim eu acabei perdendo porque ele não deixava que eu criasse minhas criaturas para devastar o dele e queria eliminar o meu.

Foi isso. Essas coisas ai.

Conheça a ti mesmo

 A realidade é percebida,

Com o tempo a realidade é sentida.

Nosso juízo está pautado no concreto.

Mas tem seu hatitate no abstrato.


As impressões me chegam

E começo a perceber,

E a conhecer aquilo...


A experiência me envolve no mundo,

A experiencia me faz pensar num eu.


E o que é o eu na realidade.

Conhecimento de si.

Autoconsciência.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Monstro

 Sassá e eu brincamos sobre um monstro imaginário puxado para dinossauro. Nos desenhamos o bicho com forma de réptil, chifres, dentes afiados e chifres coloridos de azul. Quem olhasse para o chifre congelava. O monstro de Sassá estava azulado e ai eu disse que tinha sido congelado. Foi engraçado sua aflição para contra argumentar. Fizemos virus, bichos que iriam destruir o monstro. Foi muito divertido. Até que bateu o frio do ar e fomos nos proteger nas cobertas e eu apaguei.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Corte de cabelo

 Fui a Mangabeira ver umas botas e se desse cortar os cabelos. Que grata surpresa achei as botas e cortei o cabelo.

Depois de sair da Via campo sai na Josefa Taveira em direção ao mercado. E quase lá vi um estacionamento disponível e uma barbearia.

Estava escrito na placa Manuel e...

Então havia dois homens sentados.

Perguntei como papai perguntava a seu barbeiro George - Trabalha-se.

Ri sozinho.

Mas o senhor não generoso não me deixou ri só.

Então perguntei Manuel ou o outro. Respondeu... Manuel.

Sentei... meu cabelo estava uma arapuca.

Ele riu e disse que ia me deixar mais bonito - só um pouco.  Risos.

Perguntei o nome dele e Confirmou Manuel Alves Nascimento.

Me perguntou como tirar leite de gato. Disse que não sabia. E ele retrucou - puxando a tigela do leite e rimos.

Então falou sabedoria.

Para viver é preciso, conviver, ter a resposta certa... E rir sempre.

Falou que havia sido nascido no Roger, mas morou em vários Lugares em João Pessoa.

Contou que o pai dele havia deixado a mãe dele com cinco filhos e ele tinha cindo anos.

Deixou a mulher dele por outra e foi embora para o Rio de Janeiro.

Não me imagino deixando o meu filho por nada neste mundo. Coração de uma pessoa de 46 anos.

Contou que com nove anos comprou um balaio e punha na cabeça para ganhar dinheiro...

História dura.

Que criara três filhos.

Que tinha quase oitenta, mas que continuava a trabalhar porque gostava.

E cortou o meu cabelo e nem percebi...

Fez a piada do escapou fedendo...

Foi agradável aquele serviço.

Ser uma construção

Sassá é autêntico... gosta de cabelo grande, jaqueta e perfume.

Não tem nem cinco anos ainda e já é assim.

Não gosta de apelido meu nome é Vinícius.

Adora doce.

Ontem à tardinha fomos ao careful. Viu o guarda e perguntou para que serve o guarda. Falei que era para nos proteger. Não dei muita atenção para aquela abstração. Mas impressionou ele o fato de ter um guarda em frente a loja.

Entramos na loja, selecionamos algumas coisas e ele me pediu um chocolate. Disse que não que só nas sextas nas americanas.

Ficou contente com um panetone. E falou.

Ele me falou que eu era o pai melhor do mundo e que me amava.

Te amo muito... Você é o melhor pai do mundo.

Sorri por dentro de feliz.

Fizemos as compras e fomos para casa. Quando chegou em casa nem quis saber de aguar o jardim.

Pegou o panetone e subiu correndo. Em casa, me fez provar do panetone.

Quanto amor.


A nossa senhora da Salete

 Nossa senhora da Salete,

Padroeiro da ruinha, 

Hoje amada serrinha,

É a benção do nosso chão.


Nas tuas novenas amava a ladainha.

A gente simples e humilde se serrinha,

Papai e mamãe em forte idade,

Nos levava para rezar,

Sob o seu altar eu via o mundo,


Contemplava o chão com tantas facetas,

Contemplava os bancos, os pés e as pessoas,

Via nas pessoas a marca do tempo,

Crianças, jovens, adultos e idosos.


Gostava da ladainha,

Não entendia o ofertório,


Mas gostava da alegria das cantoras, do violão,

Do teclado,

Da voz de padre Valter...


Nessa igreja que tantos filhos batizamos,

Tantos amados velamos,

Numa última oração...


Nossa senhora da Salete!

Rogai por nós,

Por seus filhos, amados filhos

Aqueles que partiram e não voltaram,

Aqueles que nunca saíram...


Salve seu amado filho Chiquinho de Raimundo Moura,

Que tanto se doou e se doa...


Essa igreja tão amada e querida.

O tempo irá nos levar.

Essa casa sempre estará na minha alma.

Reconheço sua importância e declaro meu amor.

Amém.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Construindo memória

 Sassá está feliz que só. Domingo será seu aniversário. Sábado a caminhada da penha. E para a semana será a ultima semana de aula. Serão cinco anos vividos. Será segunda caminhada da penha; segunda professora. Professora Estafane e Jamile... Dia cinco faz estará de férias. Fechando um pequeno ciclo iniciando um grande ciclo. 

Engraçado Sassá gosta de conversar contar histórias. Ontem no mercado, na seção de frutas, nas mangas, e nas mangas espada... Contou que tinha comido uma manga espada que tinha caído da mangueira no caminho da natação...

Boa memória.

Serrinha

 Serrinha minha terrinha,

Por Salete abençoada,

Um açude, uma chapada.

Faz-me gosto em ti está,


Ver a jurema e o marmeleiro,

Aroeira e o cardeiro que cresce nas terras rasas.

O lajedo de Bastiões,

A Boa Vista,

As Lajes um e dois, Sampaio, Grugeia, 

Barro vermelho e Parieiro, Serrinha do Canto, Chã,

Camarão,

Vertentes, Maniçoba, Sussego, Morcego...

Serrinha minha Terrinha...

Em ti posso me encontrar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Gente bicho

 Na praça,

Nas paradas de ônibus,

Por ai carregando o corpo, uma alma,

Sem casa, sem abrigo,

Sem um olhar amigo.


Usando algo que faça esquecer a dor.

Álcool ou sabe lá o que...

Gente bicho.

Bicho gente.

Não come direito,

Não bebe água direito, 

Não dorme direito,

Não entendi direito.


É um ser humano...

Sofrendo essa existência,

Querendo um fim.


Alguém desistiu dele.

Eu, você, seus amigos, seus pais, o estado.


Gente bicho. Bicho gente...

Em caos

 A manhã ensolarada, 

A mata trocando a rama,

A sensação de calor,

Cigarras cantando...

É bom!

É ruim!

O calor, a luz intensa,

Sensações que me impressionam profundamente.

E vejo através da memória,

Neste momento sou memória.

Memória de um desconforto,

Tátil e visual.

Eu acelerado,

Desorientado.

Eu em kaos...

Missa e sonho

 Fomos a missa ontem, domingo à tarde. Os arranjos eram lindo e havia um tapete vermelho. Foi casamento pensei. No arranjo haviam rosas amarelas, rosas e rosa salmão. O padre Manuel se atrasou um pouco. O coro era de mulheres e um rapaz tocando um teclado. Teve a entrada e Sassá falou com o padre. Ele admira o padre Manuel, conhece-o desde bebezinho. Ele subiu nos meus braços e se benzeu quando o padre fez o sinal da cruz, bem direitinho. Teve a segunda música e no gloria a Deus dormiu. Dormiu a missa inteira. Foi comungar com ele dormindo. Acordou com uma salva de palmas. E sorriu.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Madrugada

 A lua alumiada ao cair da barra.

De cor rosada a barra se desfazia

Amanhecendo devagarinho,

Enquanto a lua crescia no céu.

A lua era uma banana doce pra vista crescente crescendo no tempo.

Sabiá

 Corrochia intensamente o sabiá 

Seu canto belo e perfeito 

Dá mostras da beleza de natureza divina.

Até meu peito fica emocionado.

Em plenitude sinto a vontade de viver.

Pois a beleza divina expressa nos dá ganas de viver mais e assim sentir o senhor em sua imensa maravilha divina.

Reminiscências

 Fui a padaria e me lembrei de um momento crítico na minha vida. Os primeiros dias em Natal. Foi quando precisei ser mais forte. Estava totalmente só. Não tinha ninguém por mim. Minha vida era só saudades e solidão. Nem café da manhã tinha. Saia as vezes pra comprar algo para tomar de café. Não tinha regras como era acostumado. As luzes do quarto só eram apagadas muito tarde e tive que me adaptar. A força Deus dá. Todo começo é muito difícil. Cada um tem uma história que conta a seu sabor. É preciso aquecer o coração para relaxar e entender a vida... As janelas para o passado de vez em quando precisa ser aberta para entender que a vida é uma história em acontecimento. E que somos responsáveis pela cor e pelo brilho que tem nela.

Fui contando coisas para Vinícius enquanto íamos a padaria. Coisas que não entende, mas a gente vai conversando.

Domingo dia do senhor. Dia de pensar na vida. 

Aí volto a Serrinha, mamãe, papai, João de Licor, Elita... Personagens de nossa história.

Assim é

O vento tem seu ritmo, o vento tem seu tempo e canta conforme o tempo e o ritmo. O vento da manhã é diferente do vento da tarde e ou o vento da noite.

Suave pela manhã, intenso à tarde e veloz e frio à noite.

Como sei de tudo isso porque sinto.

Porque ouço, porque penso.

Nos ritmos e no tempo parte da matéria que me construe.

Essas coisas ai de feriado

 Ontem, quinta-feira, foi feriado.

Tive o dia para brincar e amar Sassá.

Acordei e fui fazer o que amo até ele acordar.

Quando acordou coloquei uma música e fomos dançar, tomar café.

Depois nos arrumamos e fomos passear no campus I...

Levamos a bicicleta flash. Fomo até o grande tronco da munguba que caiu.

Fizemos fotos. Fomos na borda da mata... 

A gente foi conversando, fotografando, rindo e brincando.

Revivemos e Sassá pode se lembrar do que havíamos vivido aqui.

Ele me perguntou sobre as serpentes que haviam aqui e então foi a conversa que reinou.

Giboias, corre-campus, malhas de sapo, corais.

Ele é curioso e me fez inúmeras perguntas. A noite até desenhamos serpentes.

Saímos do campos quase meio dia.

Com fotos, risos e uma flor de jambo para a mamãe.

Ah. quebramos valvas de pau-brasil.

Terapéutico.

Essas coisas ai.

Graça

 Cigarras,

Saíras,

Cantam animadas.

A manhã ensolarada,

A mata mudando a folha,

A sapucaia está florida.

Ferreirinho acerta a hora.

Nessa vida tem coisa melhor que contemplar.

Sentado aqui a ver, ouvir e pensar.

Agradeço a Deus por tudo isso.

Essas coisas ai.

Meu alfa

Aprendi a ler,

Lápis e caderno, um quadro negro e a professora.

A professora professou as vogais e o alfabeto.

Foi bem devagar que me pus a pronunciar

o A, É, I, O e U.

Depois veio o alfabeto...

A, B, C...

Foi professora Livani que me ensinou.

Esse foi meu alfa.

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Genese

 Deus é unidade,

Deus criou o homem e a mulher, aos cristãos Adão e Eva.

E por via do pecado foi concebido o filho...

Mulher e filho é a dualidade.

Com o filho surge a tercealidade...

A santíssima trindade.

Surge ai a consciência.

A consciência tem como gênese uma tercealidade,

A consciência surge quando se conhece o bom,

E aquilo que não é bom?

Bom por via da essência, da palavra facilmente se atribui a antítese como mal.


No tao te ching

Verso 42...

De tao veio um,

Do um veio o dois,

Do dois veio o três 

E no três está a origem de todas as coisas.


Será isso essência?

Essas coisas aí...


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Herbário

 A coleção botânica me encanta.

Gosto de trabalhar no herbário.

Gosto do cheiro seco das plantas.

O silêncio, o espaço vazio.

O frio...

Nas exsicatas, as datas, os lugares, as letras...

Cheiro do tempo documentado em matéria e signos.

Ai posso me perder nos meus pensamentos,

Posso me perder no tempo

E ser pleno e universal.

Absoluto!

Não sei, mas tive essa oportunidade e amei.

E busco aprender mais e mais e ser o melhor de mim.

Aqui no herbário onde as tardes são de prazer

Onde o tempo acelera e não sei porque.

Um texto para tão poucos, mas cheio de amor

E sentimentos singelos.

Só isso.

Amar a matéria

 O ferreiro ama o Ferro. Na sua ferraria tem tudo que você imaginar de ferro. Uma forja, carvão, um fole e sua habilidade e seu amor pelo som metálico, pelo calor que domina e amolece o ferro e essa arte milenar que não escolhe que irá suceder. Acontece. Acho que é amor ao ferro. Ferro frio ou quente, sempre denso e duro e seu som peculiar. Conheci um ferreiro quando era criança se chamava Antônio de Chapéu. Ele tinha muitas habilidade e uma delas era nadar. Entrava no açude do alívio e sai nadando só a cabeça flutuando parecia o corpo está imóvel. Por ironia da vida, morreu afogado. Outro ferreiro que conheço é Edson... Novo, inteligente, ver com os olhos e faz com as mão. É uma inteligência prática descomunal. Fui outro dia a ferraria dele e vi tudo quanto é coisa de ferro. Alegria no rosto e atenção. Colocou o cabo numa roçadeira e fez o fio da lâmina. Ficou excelente. Naqueles dias eu vinha lembrando do amor que as pessoas tem a matéria. Coisa de impressionar. 

Sabe que me impressiona a arte genuína e domar o fogo e domar o ferro é uma delas.






Ser é somente uma combinação de forças ou energias físicas e mentais, influenciadas pelo meio que nos rodeia, em perpétua transformação

Vacina e sorvete

 Sassá cortou o cabelo e tomou vacina na segunda-feira. Estava superfeliz porque ia ganhar um sorvete. A mamãe contou a saga que foi segurar ele para tomar a vacina, depois viu que não era um bicho de sete cabeças. Após eles foram no barbeiro e cortaram o excesso do cabelo e a franga. No almoço ele estava muito feliz e lindo. Então fomos para a escola. Estava extrovertido conversamos um pouco. Foi para aula, mas na ansiedade do sorvete. A aula terminou e eu já estava lá esperando por ele. Então fomos numa sorveteria nas três ruas. Selecionei vários sabores, dentre estes um azul, perguntei qual era o sabor azul e ele respondeu que era de blueberrie. Depois fomos para casa e o dia foi assim, maravilhoso.


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Baixa de arroz

 Com meu pai a trabalhar limpando a baixa de arroz. Senti que podia ir mais. Senti a infância partida. Senti a felicidade de uma nova fase passar a existir. Meu coração já desejava. Então minha meta era limpar até acabar. A baixa era tão pequena, mas o trabalho era duro. E na companhia de meu pai me sentia seguro e feliz. Nem precisava pensar na vida, bastava limpar a baixa. Ver o vento soprando a folha do arroz me animava, ver as nuvens broiando no céu me animava, ver o sol quente me desanimava. Mas Deixava tudo nas mãos de Deus. E a felicidade enchia meu coração só de ver o inverno bom e papai com saúde.

Despertar

 Na madrugada desperto vi

Uma estrela se passou,

Veio a lua corada e sorriu

E foi crescendo no céu.

Em meio aos pensamentos,

A lua me despertou.

Sorria para mim.

Desperto só contemplei a lua.

Depois nos pensamentos adormeci.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Médica de era uma vez

 Compramos o livro para Sassá a médica Era uma vez. A história de uma jovem que sai ajudando os personagens que ficaram com enfermidades no conto. Tem o pé da cinderela machucado, as farpas no bumbum e a boca queimada de cachinhos dourados, o lobo queimado dos três porquinhos, a dor de cabeça de Rapunzel... Sassá adorou, li com ele e depois ele leu as imagens e comentou com a mãe dele. Ontem, fomos para a missa e ele adormeceu de tão cansado. Depois quis ir comer um cachorro quente o favorito, segundo ele.

E era madrugada

 Na madrugada o sabiá cantou.

Foi um canto intenso de amor.

Um canto de encanto,

Aquele canto que encanta a vida.


Havia energia, paixão e vontade de viver,

Vontade de amar naquela expressão.

Quem viveu entenderá,

Quem não viveu poderá entender.


Quando descobrir a força da vida

Querendo se eternizar.

E era madrugada.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Leitura

 Sassá minha paz. Ontem li um livro para ele. Quando o mar encontra o céu. Um livro com imagens belíssimas. Estamos empolgados porque daqui a pouco Sassá começará a ler. E ai ele vai ser mais livre. Quando começar acessar os conceitos nas palavras. Sempre que leio aproveito as imagens para me posicionar no mundo da percepção da realidade. Essas coisas ai.

Manga

 A tarde me fez sair de casa,

Sentir o frescor da chuva chovida,

Na paisagem seguindo um caminho 

E me deparei com aquela mangueira.

Que vive lá nas três ruas.

Uma mangueira de mangas espadas.

Pendulas as mangas me levaram lembrar,

E lembrar é recordar e quando recordo

Transponho o espaço e o tempo...

Voltei a minha adolescência, fui ao sítio de Fora,

Onde vovó viva tinha um sítio de manga.

Era tanta manga que pegava de carga no jumento café com leite de orelha cortada.

Ia com minha irmã, até vovó e ela mandava a gente cata manga no sítio.

Chegava no sítio era tanta manga burro, manga espada.

A gente enchia a vista e depois enchia o bucho.

Felizes com os caixões cheios de manga,

Mas encontrar uma manga espada no pé,

Fazia da gente guloso.

Felizes a gente chegava em casa...

E havia fartura por um ou dois dias.

Amar verbo intransitivo.

Sério! Vi ontem, mas o texto nasceu agora.

Amém.


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Parcimônia, vazio.

 Senti a necessidade do vazio.

Ausência de tempo.

Melhor sair sem pensar no tempo que passa.

Melhor deixar a mente vazia

E não pensar em nada só caminhar.

Só ser.

Daqui a pouco parto desta para outra

Ou  melhor perco a existência.

Volto para o vazio.

Volto para o nada.

Não tenho memória alguma dos anos que antecedem minha infância.

Porque tudo era vazio.

Agora tudo é uma breve consciência.

Uma suposta realidade que não passa de uma ilusão.

Bom, então preciso do vazio...

Preciso esvaziar a mente

Que deseja ideias...

Tudo com parcimonia.

Brasil unidade

 Sassá ontem ganhou um quebra-cabeça do mapa do Brasil. Após o almoço nos montamos. Curioso que ele se interessou. E ai, a noite ele pegou de novo e foi montar e obviamente eu fui ajudando, sem ajudar. Ele ficou muito feliz ao montar o mapa do Brasil. Aprendeu o nome de alguns estados Brasileiros. É um objeto tão maravilhoso e educativo que nem começamos a explorar suas propriedades. Entender  e conhecer o Brasil como um pais uma unidade constituída de estados e que estes estados são organizados em regiões e o que está presente em cada estado, por exemplo a língua portuguesa e a influência dos imigrantes, as novas palavras aportuguesadas, as palavras tupis... E assim. Sentiu-se muito feliz pelo novo objeto de aprendizagem ou de estudo. Já conhece a bandeira do Brasil como um símbolo e isso ensinamos olhando para o prédio do altiplano onde tem uma bandeira hasteada ora da Paraíba ora do Brasil... No atacadão também tem... Dai sempre que ver, percebe e enriquece a informação.

Essas coisas.

Imagem do Sertão

 Uma serra para olhar,

Através da janela,

A cajaraneira,

O juremal...

A cinza do verão...

Isso é imagem do sertão.

Isso é intercurso de estação.


Empoeirado está o chão,

O marmeleiro nu perfuma ao ser tocado,

O facheiro se mostra armado,

Xique-xique é candelabro...

Isso é imagem do sertão.


Galinha a cacarejar 

Quanto quer por vai ao ninho,

Poe e sai a gritar,

O menino o ovo vai buscar,

Pra comer batido com farinha e açúcar...

Isso é imagem do sertão.


Eu o matuto matutino,

Da enxada ao enchadeco,

Da foice a roçadeira,

Fiz de tudo pra estudar,

E da lida me livrar

Isso é imagem do sertão.


Hoje distante em outra lida fico a pensar,

Como é calmo meu Sertão...

E a gente sabe melhor como é a vida.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Ser pai

 Cai a tarde!

Os anos se passam e mudam meu olhar.

Lá se vai a tarde e tudo que quero é o agora.

O passado só memória.

Doce memória.

Algo que não volta jamais.

Mamãe, papai, vovôs e vovós...

Agora meu filho.

Agora um raio de felicidade.

Forte amor.

Depois ficarei fraco e partirei...

Mas esse sentimento é de quem é pai...

Brilho nos olhos

 Vamos fazer o aniversário de cinco anos de Sassá. A mamãe se encarregou da organização. Há alguns dias Sassá desenhou os bichos para o convite. A mamãe fez o convite imprimiu e bom preparou os envelopes. Ontem Sassá escreveu o nome dos meninos nos envelopes. Então, ao levá-lo para a escola nós fizemos a entrega aos seus coleguinhas. Foi uma festa. Sassá se sentiu muito feliz em distribuir para todos os coleguinhas um convite. Dai foi para a escola e na escola não sei como foi. Foi isso, maravilhoso ver um riso com brilho nos olhos dele.

O que plantar?

 O tempo se torna cada dia mais precioso.

O tempo vale ouro.

Tempo pra pensar o que me edifica.

Tempo precioso para se cultivar.

Cultivar bons hábitos,

Cultivar boas ideias,

Cultivar conhecimento.

A cada dia que se passa menos tempo

E por isso tenho que aprender o que é mais importante,

Aprender a eternizar o que me faz melhor

E deletar o que me faz pior.

Essas coisas.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Limiar

 O limiar


Quem se doa?

Entre o dia e a noite é a noite que cede ou é o dia que doa?

Aurora quem existe e aparece...

Entre o mar e a praia como podemos delimitar?

Qual é o limiar? Ora o mar cresce ora a praia cresce e quem é que se doa.

A maré aí está.

No amor quem é dia? Quem é noite? Quem é mar quem é praia?

Na linha do horizonte quem delimita o oceano e quem delimita o céu?

A matéria ora ocupa espaço e ora desaparece! Onde está o limiar?

Momento

 A mata silenciosa,

Cadê o vento?

Cigarras em sinfonia,

Contentes com o tempo.


O sol brilha intensamente,

As folhas caem enquanto folhas jovens são tecidas pelas árvores.


Troncos expostos cinzentos.

Pássaros a cantar.

É o momento

Espaço e tempo

 Os encontros e desencontros se dão no espaço e no tempo é claro que é necessário que haja uma relação e para que esta ocorra uma conexão.

Apuleu

 O peixe de Sassá apuleu morreu. Que fazer para não ver Sassá sofrer. Bom dissemos que ele havia ido ao médico e que voltaria logo. Ontem fui a mangabeira numa lojinha muito boa e comprei o apuleu II, mas Sassá não precisa saber, ele não precisa sofrer. Quando chegou da escolha, temeroso foi ver e fez um monte de questões. Não sei se ficou convencido. E foi assim que aconteceu.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Sassá e Rocha

 Sassá vai ao Zoo com seu amigo Rocha. Foi a maior festa. Após o evento na escolinha de natação.

Convidamos Rochinha, filho do nosso compadre para ir a Bica conosco. Eles fizeram a festa. Gritavam, riam, iam e vinham, brincavam, falavam com os animais. Vimos todos os recintos, andamos na mata. Eles amaram os obstáculos.

Trocaram ideias e aprenderam muito.

Foi extremamente rico a experiência.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Hora de ir ao mercado

 Esqueci o cabo do computador em casa. Voltei para pegar o cabo numa bicicleta de um amigo. Encontrei Sassá pedalando nas três ruas. Ele ficou muito eufórico quando me viu. Então pedalamos um pouco até casa. Dai chegando em casa. Peguei ele no braço e subi as escadas. Já em casa, encontrei o cabo e ai como ele estava com muita fome foi explorar a geladeira. Ao ver que a geladeira estava sem muita comida. Ele de geladeira aberta olhou e falou pra mim. Papai olhe, está na hora de ir ao mercado. Na hora nem me toquei só depois já no trabalho. Dai ri até. Quanta coisa linda na ingenuidade de uma criança.

Fim e início

 O fim é um fechamento.

Todo fim é também um início.

Assim que tem um fim, aparentemente tem um vazio,

Esse vazio é o fim...

Fim da vida, inicio da eternidade.

Fim da eternidade, início da vida...

Fim do sentido e início do sentido.

Fim dos versos e início da reflexão

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Beijo invisível

 Ontem ganhei um melocactus e o levei para casa e a história aqui está no meio. Então vamos lá.. Na segunda feira ao agoar o jardim encontrei um mandacaru pequeno. Coloquei num envelope e levei para o apartamento onde pretendia levar para plantar na UFPB, mas Sassá viu e gostou e perguntou se poderia plantar e bom não sei dizer não para ele com frequência. Perguntei qual seria o nome e ele disse chico bento, porque estavam lendo uma estória do chico bento. Observou que os espinhos eram moles e não furavam. Colocou lá na sacada do lado do angico. Então, ontem quando cheguei com o outro cacto coroa de frade perguntei qual era o nome e ele falou zé lelé. Dai ele perguntou e os espinhos são frágeis, disse que não. Dai ele levou para a sacaca e perguntou de novo se os espinhos eram moles. Dai eu disse teste. Testou? Bom disse dê um beijo ai. Ele deu um beijo de longe e disse dei um beijo invisível. Dai Ri. Abracei ele e disse que o amava.

Livro DNA do Sertão

 Recebi ontem o exemplar do livro de meu contemporâneo e amigo de Moraria estudantil da UFRN Lino sapo. Adorei o título e a arte da capa. São 156 páginas repleta de rimas e memórias e de sabedoria popular e subjetiva. Folheando as páginas, atento aos títulos de olhos nas rimas podemos perceber quão alinhado está o poeta com a sonoridade, com as ideias com a essência do sertão. Deveras no DNA encontramos a essência da vida em código biológico a ser expresso em forma sob a vontade maior que é a preservação da vida. Este livro retrata memória compartilhada por todos os nordestinos e possibilita por via dos versos, das palavras que conheçamos o sertão nordestino na sua essência. Amigos e amigas vemos os sertões aparecerem e desaparecerem. Nesse movimento natural ação e reação... Um sertão velho desaparece para dar cara a outro sertão... Já sinto o ar da saudade... Já me sinto passado e passando quando já se foram meus avós e pais... Que poderemos salvar e esquecer do sertão? Sem dúvidas que desapareça a fome, pobreza e miséria e que permaneça a cultura, a arte e os versos dos poetas do povo da gente... Doces feito alfininho, gostosos como arroz de leite com carne de sol. Dessas coisas que a gente enche o bucho e sempre voltamos a ter vontade de comer novamente.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Monólogo

 Agora, tarde de domingo, dois de novembro aqui estou. Deitado na rede a ouvir uma conversa de Borges.

Tenho participado tantas vezes destas conversas com este autor. Algo em suas ideias me encantam e me fazem querer ouvir mais uma vez, mais de uma vez.


Um descanso, um intervalo e um momento de reflexão.


A redescoberta dos momentos via reflexão... Nesse tempo que engole a humanidade. Borges reflete a eternidade.

Finados

 Hoje, não estarei aí para acender uma vela.

Não estarei aí para render homenagem.

Para encontrar as pessoas e compartilhar com elas meus sentimentos.

Ver o sol se despedir sob a benção do padre.


Hoje, por forças externas, estou aqui.


Cada dia nos despedimos um pouco desta existência.


Hoje, podemos refletir essa realidade que está sempre se atualizando.


Dois de novembro dia da eternidade.

Numérica

 A unidade é divina,

A dualidade eterna,

O três é a completude,

O quarto é a moldura,

O cinco são os sentidos,

O seis é a terceira dimensão.

O sete é uma semana perfeita.


O oito é moldura dupla.


Nove é terceira ao quadrado.


O resto tu inventas.

Árvore e o que?

 Os terminos de uma árvore mudam, às são gemas, as vezes flores e as vezes frutos.

Pouco importa isso.

As vezes a gente pensa por pensar.

Mas que pensemos bons pensamentos.

Mais nada...



De fato esse pensamento acima está vazio.

Mas lembrei de uma frase que a primeira vez que ouvi ainda morava em serrinha do canto ou seja a mais de 25 anos atrás.

É o seguinte.

Num dos sermões do Pe. Walter Colini proferiu esta linda ideia.


"Se não houve frutos, mas valeu a beleza das flores;

Se não houve flores, mas valeu a sombra das folhas,

Se não houve folhas, mas valeu a intenção da semente".

Agora melhorou.

Coisas corriquiras

 Adoro o silêncio desta sala, a vista para a mata, para a aroeira e o jutaí.

A manhã nublada e a aves em sua alegria a cantar.

Na correria dos nossos compromissos esquecemos das coisas mais simples e importantes da vida.

Essas coisas

 Ontem ganhamos um melocactus, coroa de frade e Sassá resolveu chamá-lo de Zé lelé o amigo de chico bento. Ontem, ainda saiu da escola cheio de energia imitando um leão. Ele ama os cabelos longos. Diz que leão sem juba é leoa. Estamos nos organizando para a festa de aniversário dele. Fará cinco anos e como seu aniversário é no dia 30 de dezembro, antecipamos para que ele tenha pelo menos um aniversário com seus coleguinhas da escola. Enfim. Essas coisas como ele costuma dizer.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Chico bento

 Ontem Sassá leu inúmeras histórias da turma da Monika.

Também desenhou.

Também brincou.

A tarde quando voltamos da escola aguamos as plantas.

Engraçado que ele só agoa as plantas são mato.

Percebeu que o quebra pedra estava de folhas fechadas.

Dai expliquei que a noite a folha não faz fotossíntese, apenas respira.

Bom depois ele encontrou meu mandacaru novinho.

Pediu para plantar e eu deixei.

Perguntei qual seria seu nome e ele respondeu. Chico Bento.

Ele plantou chicobento do lado do anjico Zédoalive.

Silêncio

 Silêncio!

Seis horas da manhã.

A mata silenciosa, embora já tenham cantados as cigarras.

Sol sob nuvens.

Pia o sabiá sabe lá que quer falar.

O departamento dorme com seus professores.

Rivete e Felipe não chegaram.

Enquanto isso a vea espera por comida.

Nem vi Nildo.

Sei que ele está aqui já aguou seu jardim.

Ontem o encontrei angustiado, pois levaram nosso cacho de banana.

Um barulho.

É Nindo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Parabéns papai

 Sábado foi um dia especial. Completei 46 anos. Sassá se pulou da cama, disse que era o aniversário do papai. Depois voltou para cama e disse que estava cansado. Fui lá e beijei ele e abracei com muito amor. Dai ele levantou e foi trabalhar na confecção de meu cartão de aniversário. Fez três cartões lindos. Depois fomos desenhar os dinos para o convite do aniversário dele que iremos fazer para os amiguinhos dele. E ficamos juntos a manhã inteira. Desenhando e brincando. Só saímos para almoçar. Fomos ao mangai... O mais esperado para ele era a sobremesa. Coloquei um bocado satisfatório. À tardinha, fomos a lagoa assistir a decoração de natal. Encontramos os padrinhos dele e ele pode se divertir até cansar. Quando deitou na cama nem mamou, já dormiu.

Obrigado.

 Fiz 46 anos,

Estou mais velho, mas não me sinto assim.

Ser e sentir são a mesma coisa?

Sinto-me feliz por tudo.

Só tenho a agradecer.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

A porta

 Na sala nove, do DSE, aos dias 29 de outubro foi trocada a porta. Uma porta frágil de plástico por uma porta de jatobá.

Quanto tempo durará.

Tigres verdes

 Ontem, Sassá entrou em seu mundo fantástico. Ele descreveu um ser que dizia ser um tigre, mas parecia mais um dinossauro ou coisa do tipo. Descreveu as patas com três garras enormes. Os dentes feito iguais aos de tigre dente de sabre. Depois fomos desenhar. Lembrei de um conto maravilhoso de Borges "Tigres azuis". Depois de pensado foi e desenhamos tigres eu fiz um tigre verde. Depois fomos tomar banho.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Desperto

 A Siriri cantou animada são três da madrugada.

Aí lembrei de uma época que vivia com os meus pais.

Acordava cedo pra pegar água. Ia de jumento pela estrada. Devagar podia reparar a vida.

Via os cajueiros, os postes, as casas.

Nos cajueiros ou nos fios cantava a siriri. E eu querendo dormir como agora.

Acordado

 A madrugada silenciosa me faz companhia.

Ouço o ronco de um motor distante. Quem será?

Ouço o estalo da cerca elétrica...

O vento soprando nas plantas.

Ouço o canto dos grilos.

E confundo tudo com o barulho na minha mente.

Mamãe, papai e Vinícius.

A sombra da noite me afaga.

Mais nada.

Pessoa

 Pensar é está doente dos olhos.

Pensamento é a capacidade de abstração.

E uma Teixeira se vai

 Ontem, 29 de outubro de 2025, faleceu a esposa de nosso tio Raimundo das Neves Teixeira. Ela se chamava Tereza Fernandes de Lima. Das memórias que tenho de infância são tão poucas, quase nenhuma. Nosso tio foi embora para Natal. Foi estudar e quase nunca visitava a terra. Só algumas vezes quando vovó era vivo ele vinha sempre, lembro das últimas vezes que veio a Martins enquanto criança. Temos até umas fotos. Acho que foi em 1992. no ano seguinte Vovô morreu e se foi. Só restou um retrato de sua formatura na parede. Ficamos isolados. Esquecidos. Quem esquece é esquecido. Mas sempre havia aquela áurea de admiração. A gente sente quando conversa entre os primos. Tem também um que de decepção.

Tive a oportunidade de conviver com eles quando fui para a faculdade. Ia lá as vezes. E pude conviver um pouco. Mas a relação era um pouco assimétrica, e eu não entendia bem. As conversas com ela eram mutio poucas. Se não tem conversa não se gera empatia ou antipatia. 

Ela passava seus dias a trabalhar. Trabalhou muito para dar as coisas ao único filho. Não sei. Minha mãe até se aproximava deles. Mas as relações eram complexas. Ele era o segundo irmão mais velho. O único mais instruído... 

Não sei o que dizer...

Descanse em paz.

Leitura

 A mamãe de Sassá assinou um serviço de acesso as leituras da turma da Mônica.

Sassá está muito feliz. Eles leram tantas historinhas ontem que nem vi eles dormirem.

Só sei que acordei e estava a luz acesa e Sassá entre nós. Dormiam profundamente.

Acho interessante ver ele olhando a revista como se lesse mesmo, as letras e não as figuras.

Oiticica e sua sombra

 Num sertão qualquer do nordeste,

Na beira de um riacho,  mora uma oiticica.

 Ali se encontra areia e sombra a qualquer hora.

O verde escuro e cheiro das folhas, das flores e dos frutos é sempre constante.

Seu grande tronco que cresceu com toda força, agora só enlanguesce.

Sustentando sua copa, suas folhas, flores e frutos.

Ali, quantas coisas aconteceram, das idas e vindas do roçado, da rua, do açudo,

Um pouso para refresca-se em sua sombra.

Os frutos colhidos para serem vendidos.

O cochilo tirado certo dia.

Quantos ai passaram, quantos não já se foram.

E ela continua ai, imponente, até que alguém não queira!

Até lá, cresce oiticica.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Raia

 A primeira vez que vi uma pipa ainda era criança. Fiquei encantado. Aconteceu lá em Serrinha do Canto, lugar onde nasci. E não chamavam pipa lá não era raia. O dono era Chico de Amaro Lopes e de Cícera. 

Ele tinha um pai artesão que sabia fazer tudo, ao menos tudo que nós crianças mais almejávamos. E uma das traquitanas era a raia. Naquele lugar maravilhoso onde não tinha lugar aberto, exceto a estrada. E foi lá que vi Chico Amaro, correndo fazer uma coisa com um rabo, segurado por uma linha voar. As coisas, além das aves e morcegos podiam voar. Sim, lá nós já conhecíamos aviões, ou melhor o avião do americano pastor Pedro que vez por outra sobrevoava o município de Martins. Então, para ter uma pipa era preciso papel, palito de coqueiro, linha e sacola. No entanto, nunca consegui fazer uma pipa voar. Aprendi o que era uma raia, conheci esse objeto ainda pequeno. E isso parece banal, mas para a época não era. Não tínhamos televisão ainda. É de achar que é mentira, todavia é verdade.

Rabo do bolo

 Ontem, Sassá foi ao mercado. Selecionou um bolo, morangos e um rabo do bolo. Perguntou se podia comprar um rabo de um bolo. Na verdade ele queria a calda para colocar no bolo. Então nos compramos. Fomos para casa. Arrumamos as compras, jantamos e ele ficou no pé da mãe pedindo pela calda do bolo. Dizemos que Sassá é o provador, desde pequeno quando chega do mercado, chega com uma fome de leão. Quer comer de tudo. É assim mesmo. A gente é feliz por tudo, pelos alimentos, pelo momento pelas nossas rizadas, pela nossa vida em família.

Uma chave

 Existe uma chave que permite abrir a porta da mente.

Qual é a chave?

Um estímulo, uma sensação?

Neste universo classificado e que me encontro, há uma direção a seguir.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Feriado

 Ontem, sai com Sassá para caminhar. Fomos às três ruas. Antes pegamos a rua do sapoti. Ele recordou que vimos uma caranguejeira num tronco de uma castanhola. Fomos por ali, por que gosto de surpresas e na borda de uma mata sempre tem uma surpresa biológica. Bom podemos ver flores rosas de jasmim no fim da rua. Falamos do que víamos. Quase sempre as conversas tem uma tendência a se repetirem. Sentimos o perfume, isso mesmo ele falou! Flor perfumada... me referia ao nim. Gostei do termo... Perfumada.

Pegamos as três ruas e fomos caminhando, conversando sobre os enfeites de natal. Ao passar pela pitombeira, falei que ela ia florescer.

Paramos para ver o tronco com ramos jovens de uma castanhola e vimos inúmeros membracídeos.

Pegamos, brincamos, expliquei várias coisas. Quando saímos um foi na minha blusa. Chamei ele de companheiro. Sassá gostou. Fomos até a rotatoria final, lá no cacau e voltamos...

Depois fomos fazer exercícios na academia, ver os gnomos. E casa.

Desenhamos muito.

Aproveitamos a manhã de feriado.

Intensidade

 A tarde ardia como todas as tardes.

Não estava no conforto do meu quarto.

Não estava no conforto do dia de semana.

Era sábado, fui rever um amigo pela última vez, ou melhor seu corpo.

Sua mulher, soluçando, sofria a maior dor da vida.

A perda de seu amor. Uma fatalidade, tirou a vida de seu amor.

O espaço era o maior, as coroas as mais belas.

Seu pai, falou palavras firmes, se apegou a Deus tentando não transparecer a dor.

Falou palavras de consolo, tentando se consolar e manter a calma.

Nossos peitos doíam.

Saímos em combio guiados pelas polícias de trânsito.

Saímos pela Maximiniano Figueredo, depois a avenida que dava no Boa Setensa.

Um helicóptero fazia a cobertura.

Com os corpos anestesiados, nem sentíamos quão quente estava a tarde.

No boa setensa a capitã falou palavras de conforto.

Seguimos pela rua principal, dobramos a esquerda, Depois do túmulo do Padre Zé a direita.

Descemos até o jazigo onde iria descansar na eternidade nosso amigo.

Seu corpo e uma placa com uma palavra bíblica e as datas de nascimento e morte.

É somente isto que somos reduzidos.

O tempo se encarrega de acabar com todas as memórias,

Nós nos vamos, nossos filhos também.

Então podemos entender que este momento foi só um momento entre tantos de nossas vidas.

Com maior ou menor intensidade para que o sofre.

Em Vão

 Não sei dizer o que sinto, mas sei que sinto algo. Talvez a saudade é um sentimento que pode ser, mas acho que vai além. 

Às vezes, pego-me pensando como ficou vazia a nossa casa sem papai e mamãe. Eles eram a essência dali. E só assim posso imaginar essa mesma sensação na casa de vovó e vovô Chico e Chica que viveram na casa que conheci quando criança, para mim, dos meus avós, mas para papai era a casa os avós dele, meu bisavós. Impossível a mim de conceber algo assim... O espaço que foi criado, ocupado teve uma duração e depois e substituído... Espaço vivido por anos e os anos levam tudo. A essência está no ser e no existir.

A casa de meus pais para Vinícius é a casa da tia lí. A casa dos meus avós é a casa de Franci.

Ai, fico sem prumo.

Esse sentimento não é exclusivo meu, mas sinto como se fosse.

Por isso, tentar explicar. Em vão.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Em um momento

 Onde estou, carrego meu ser. Sou o que sou. Sou o que me cerca. Sou o que me ensinaram ser.

Sou o que aprendi a valorizar...

Após vamos lá.


Em pé, na beira da estrada, para para contemplar o vale e as serras.

Tudo que vejo é o que conheço.

A cinza da mata.

A cinza da mata.

A cinza das rochas.

A cinza das serras.

No fundo no vale o verde do campim elefante que vive enquanto viver o homem.

Baixa de Janoca,

Baixa de João de Janoca,

Baixa de Douglas...


Do pé do alto, havia uma casinha de taipa.

Nela morava Maria do Carmo casada com João Lúcio e mais um monte de filhos.

Tinha um pé de pinheira e ciriguela que mirava para a baixa...

Mas a frente uma rocha e um pé de angico.

Foi tudo que restou...

Na verdade... o tempo tudo apagou.

O sacrifício para sobreviver a pouca água e a pouca comida.

Ali ia. E costumava contemplar a baixa que em meio ao total cinza era a única esperança verde.


Nossa esperança no sertão é pelas chuvas.

Sinal de fartura.

Quando caem as chuvas é tão gostoso.

A gente parece renovar a vontade de viver assim como as plantas.

As plantas e as sementes despertam de seu sono.


A água faz o mundo cheirar a chuva.


Um professor que conheci desmistificou o cheiro da chuva e disse que era o cheiro de esporos de fungos.

Eita que tem fungo por todo lugar, pois pra mim a chuva só tem esse cheiro em qualquer lugar do mundo.


Então, sinto o vento soprar, ouço o vento cantar ou seriam as árvores cantando?

Assim, volto ao eu... saio da memória.

Caminho pelas estrada vendo o desprezo das pessoas pelo meio em que vive.

Lixo de garrafas de água, de cerveja, carcaças de animais. 

Essa poluição não seria uma forma de violência visual?


E assim, segue.

Na Bica

 Sábado, fomos a BICA.

Temos ido frequentemente a Bica aos sábados.  Sempre encontramos novos elementos. 

Bem neste sábado passado, e as novidades foram a nova anta que nós passamos a chamar de Amaro. Como já havia uma fêmea que chamamos de Amora, pois a bichinha só tem uma orelha. Agora recordei que papai teve um jumento que já adquiriu este já era velho e só tinha uma orelha completa. Não dávamos nomes aos bichos, exceto a careta uma vaca que já veio com o nome. Enfim. Na bica vimos o novo componente. Então quando saímos do recinto da anta fomos ao recinto dos peixes. Já lá, a mamãe foi abrir a bolsa para tirar uma bolacha para Sassá e quando ela abriu a bolsa sobre nossas cabeças nos galhos de um ingá estava Janjão o macaco fujão. Ao ver a mamãe abrir a bolsa ele gritou avisando. Então desceu para o chã quando viu que eu tinha o pacote de bolacha nas mãos. Dei-lhe duas bolachas, mas ele queria mais, então ficou de pé de mãos aberta como quem disse me dê mais... Como não quis dá ele gritou. Foi para a beira da água, molhou a bolacha para comer. E nós ficamos ali lhes olhando e rindo. Depois ele subiu no ingá e sumiu. E nós seguimos nosso passeio.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Te amo

Levei Sassá ontem a minha sala. Ele disse que havia ido lá pela segunda vez. Perguntou sobre o meu Chefe e nem sei de onde ele tirou isso. Mostrei para ele os brinquedos dele que guardo aqui na minha sala. Os desenhos. Ele ficou meio tímido, mas achou muito interessante o fato de eu ter um ambiente de convívio que não é a minha casa. Levei-o no braço, pela pressa, mas como está pesado. Foi muito bom. É sempre bom está com Sassá. Amor sublime. Quando chegamos a UFPB ele me disse que me amava. E eu amei.
Também te amo.

Paz oissoe

 Um ferreirinho relógio acerta as horas.

O sanhaçu afia a tesoura.

Um rixinó canta nos arbustos sob a mata.

Um bentivizinho deu ar da graça.

E a paz reina aqui

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Mel

 Amo o mel,

O mel tem um cheiro e um gosto que está relacionado a florada.

Ainda pequeno a coisa mais doce que provei não foi o sorvete, mas o mel.

As vezes, nossa vizinha nos dava um pouco.

Deve ser por isso que era tão gostoso.

Depois pude comer mel sempre que quisesse, mas agora não posso por conter muita glicose.

E outras coisas mais.



Viagem

 Sassá viajou para o interior. Ele ama viajar, ir para Serrinha dos Pintos. Viajamos na quinta. 16/10 e retornamos dia 21-10-25. Brincou com os primos Davi e Nikolas. Nós andamos nos matos, comemos coquinhos e cajus. Fomos a casa de tia Nina... Retornamos e já voltamos a rotina. 

Esperança

 A esperança é o que nos move.

Limites

As vezes percebo os limites do mundo ou seria os limites do eu?

Olhando para um céu estrelado,

Olhando para a linha do horizonte no mar,

No perfume de uma lonicera,

Ouvindo Hakan Hardemberg.

A corneta me emociona ou será o momento em que é tocada.

Não sei.

Mas ouvir um golinho cantando ou um ticotico do campo me faz sentir a humaninade,

De tão agradável foi ouvir pela primeira vez e seguem sendo...

Últimos dias de 25

 Sassá ama Serrinha minha terra Natal. Aqui têm plantas, animais, espaços, livros, brinquedos, tia Li. Aqui tem o papai e a mamãe e a infânc...

Gogh

Gogh