quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sairá

Numa manhã ensolarada,
Voava perdido um bem-ti-vi, quanto pousou numa grande canafístula que fazia uma sobra enorme e cobria o chão de pétalas amarelas. Lá viu uma linda sairá que encantava só com a plumagem e cantava um canto lindo. O bem-ti-vi permaneceu ali pousado só observando a saíra. Então perguntou como ela se chamava e ela respondeu timidamente. E ela cantou um canto doce e tão lindo que ele se afeiçoou a ela. E ficaram ali juntos o dia inteiro. Quando chegou a noite. A sairá que gostava de frutas disse que ia em busca de frutas e o bem-ti-vi perguntou se podia seguí-la. Ela disse que tinha um namorado sabiá. Ele foi embora. E achou que nunca mais a viria, mas todos os dias voltava aquela árvore. Um dia veio cedo e com pouco tempo depois ela apareceu. Estava solteira. Ele falou pra ela que conhecia uma mangueira cheia de frutos maduros e convidou-a para irem para lá. Ela aceitou. E foram lá. E os dias se passaram e era muito bom estarem juntos. Voavam pra lá e pra cá nas praças e jardins. E foram bons os momentos juntos eles falavam sempre. Haviam diferenças ele era uma ave rústica e ela uma linda ave delicada. Viviam bem entre todas as estações. Mas algo aconteceu. Como acontece com todas os pássaros. Eles foram morar longe. Ele arrumou novos amigos e ela também. E os cantos já não eram os mesmo. Ele sentia falta  e ela também. E o mundo dos dois foram ganhando outros sentidos, sentiam falta um do outro, sentiam solidão. E então parece que tudo acabou. Parece que sim. A sairá voou e o bem-ti-vi também. O mundo perdeu muito das cores sem a sairá. E a distância e as diferenças.
A sairá segue a vida e o bem-ti-vi também. Vida diferente, coisas diferentes. Hora se faz um vazio, mas a vida segue.

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