domingo, 14 de abril de 2013

Confabular


Desde criança, aprendi que havia algo de misterioso no mundo, nas pessoas, nos lugares e nas coisas.

O mundo sempre me encantou por sua vastidão, quando criança me parecia maior e com mais fronteiras. O que havia além do que conseguia ver? O que havia além das planícies e das serras? Outros povos, outras cidades, outras vidas, mas em que distinguiam de meu mundo, meus conhecidos, nossas culturas, nossos cotidianos. Eu adorava imaginar o que poderia encontrar lá fora, novos amigos, novos brinquedos, novas ruas... Será se o mistério se encontraria no novo? Não sei, mas aquilo tudo me encantava.

Quantas pessoas não poderia encontrar além de meu povoado, quantas histórias, quantas coisas modernas, livros, carros, casas e gente de todas as cores, sotaques e modos de vida...

Eu costumava imaginar que sempre encontraria algo maravilhoso nunca visto ou sentido. Então, saia para caminhar no nosso sítio e imaginava pessoas diferentes, coisas diferentes, formas diferentes, tal vez um mundo de super-heróis em que pudesse mudar toda aquela realidade. Um mundo onde pudesse fazer o que quisesse e ter o que eu visse e desejasse, mas a vida me ensinou a esperar e a me contentar com os frutos de nosso sítio. Às vezes saia com o cachorro para o mato para ver algum bicho que não costumava ver, as vezes via, mas quase sempre só encontrava mato.

Acho que sempre esperei encontra algo que me fizesse sair da monotonia. E qualquer coisa servia para isso.

O tempo passou e descobri que nos livros onde haviam vários mundos, pessoas, lugares e tudo que me fosse permitido sonhar.
E foram os livros meu passatempo e meu passaporte para viajar pelo mundo...
Descobri a biologia, a filosofia, a poesia, a arte e tudo que mais me encanta. E eu tinha fome de descobrir estes universos e os apreendi dentro de mim. Através da botânica,  ampliei o meu mundo de infância. Através da filosofia me foi revelado as mais variadas faces humanas. A filosofia me ensinou tanta coisa e me fez perceber que sou uma pequena estrela numa galáxia infinita, e me fez compreender que nunca saberei tudo, mas o mundo me é revelado enquanto vivo. Através da poesia posso misturar realidade com fantasia e por meio da arte me é revelado o mundo humano.

E a vida me ensinou que os mistérios estão dentro de nós... Leia Fernando Pessoa e vai ver que não estou confabulando sozinho.

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