domingo, 16 de setembro de 2012

Sertão

O sertão arde em calor neste verão. Este ano de 2012 quase não choveu. O mato quase não enramou, só não está pior porque é época de eleição.
Quantos heróis resistentes não há no sertão?
Quantas lágrimas de dor já não foram derramadas ao serem vistos seus animais, únicos recursos, famintos sem ter o que comer.
O sertanejo depende da fé para continuar no sertão, pois sem fé como suportar as dificuldades.
Sou do sertão e sei que, apesar das dificuldades, nem tudo é dor.
Embora haja sequidão lá. Quando cai a chuva em março sementes explodem em vida
a babugem cobre os campos, vales e serrotes. Catingueiras nuas se cobrem de folhas e aromas.
Tanajuras saem de seus ninhos e voam pelos céu perdidas, as aves voltam a cantar, os sapos  magros saem da hibernação a forragear e os riachos voltam a correr.
A vida parece surgir do nada...
A terra molhada, macia é tão gostosa para caminhar.

Quem foi criança e cresceu no sertão certamente tem na memória essas imagens vivas na alma.
Quem que lá viveu que não teve um cão como melhor amigo e teve vizinhos passivos e animais para cuidar. Quem nunca saiu para pescar, caçar ou tomar banho nos riachos e açudes.

Quem não lembra dos aromas das flores pequenas das mimosas, mufumbos, catingueiras, dos muçambés, bamburrais, das cajaranas maduras, dos currais.

O sertão apesar de maltratar tem muita coisa a louvar.
A vida pode ser sofrida, mas é sossegada...
Ah, o sertão... o sertão dos sabias,dos concrizes, golinhas, azulões...

O calor do sertão, a cinza do sertão maltratam, mas a vida do sertão, a morte no sertão.
Só quem nasce lá qualquer custo carrega consigo na alma estas memórias.

E o sertanejo que foge de lá todas as vezes que ouve os sons do sertão chora internamente
porque sua alma lá foi gerada.
Nunca esquece... nunca mais aqui ou no Japão.

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