segunda-feira, 25 de abril de 2011

Schubert

Ouço, mas pareço não ouvir,
não entendo o que passa nessa
música, não entendo o que fala
o vento. Só percebo que o vento é.
E quando o vento passa,
e arrasta as folhas,
e move as folhas das árvores,
e faz um chiado,
o que diz o vento?
O que fala a natureza?
Indica que vai chover,
que é chegada a hora,
que a natureza se move,
que a natureza é viva,
e ouço o vento soar,
alisar as folhas das árvores,
e percebo o vento
anteceder a chuva, muitas vezes,
outras vezes simples mente
só faz a natureza soar.
Com o tempo aprendi
a entender o que dizia
o vento do tempo,
com o tempo aprendi
a distinguir muitas coisas
e a ignorar o vento,
eu passei a não ouvir o vento,
mas esse meu engano,
muitas vezes me fez errar,
então paro e ouço
o que diz o tempo do vento,
porque sou e o vento é,
ou não é, está ou não está,
eu quando estou pleno
em mim, sou,
não é sempre que sou,
as vezes sou como o vento,
as vezes me perco no tempo,
e não entendo o que canta a natureza,
ou não entendo nada.
Um dia ouvi uma música
e ela não me dizia nada,
nas quando não me dizia nada,
me ajudou a está em mim,
e ser pleno por um instante,
nem quis saber quem era,
só sei que não era o vento,
nem percebia no tempo,
ouvia aquele singelo
som tão belo.
E o que me dizia?
Parei pra ouvir
um pouco e entender
Schubert,
para ouvir o vento,
a natureza ainda encantada,
e naquele instante sorri.

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