segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A velha estrada

Por aquela via, passava pessoas desconhecidas, a pé, a cavalo, de moto ou de carro.
Sempre aos sábados tornava-se mais movimentada, e três caminhonetes certamente passaria, vermelha C 10, uma marrom Arrural e uma branca D10, pois os transeuntes haviam de passar pra ir a feira. Alguns eram conhecidos, passavam lá em casa pra tomar um café ou simplismente água, prozeavam um pouco e se iam até o outro sábado.
Ainda quando era bem pequeno minha avó com meu avó morava lá nas vertentes, com eles morava minha irmã mais velha, Meire, e esperavamos anciosos pra passar o sábado conosco.
Ah tinha um ônibus que fazia a linha Martins-Pau-dos-Ferros, passava de madrugada ainda cedinho, junto a aurora, na verdade só via quando voltava.
Despois de um certo tempo, a estrada ficou vazia de pedestres e cavaleiros.
A eletricidade veio seguindo a estrada e o máximo que chegou foi a casa de de João de Licor, não foi até a serrota, extensão de Serrinha do canto até próximo ao alto do barroso.
Bem as pessoas começaram a subir com suas coisas pra morar na serra, em busca de escola para os filhos, novela, até minha vó veio de vez morar na serra e minha irmã veio morar consco definitivamente.
A partir de então, não tinha emoção ao ouvir o ônibus subir, aquela anciedade por esperar minha irmã, distante.
As pessoas começaram a adiquirir motos, e aquele sertão ficou tão distante, tão vazio de pessoas.
Aquela estrada, na época de inverno ficava florida de calumbi, e no verão roxa de jurubeba.
Por lá não passam, mais meus avós, minha anciedade, que resta lá ainda é a casa de meus pais, que abandonei a um certo tempo.
As vezes volto lá e fico a tarde a fio a olhar o outro lado da estrada, horizonte coberto de sítios, por onde tanto atravessei meu futuro.
A estrada continua viva.

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